Tivemos 97.798 leitores em 2016 e 99.854 em 11 meses de 2017 e mais de 327 mil desde julho/2010 (3,6mil por mês, durante mais de sete anos)

18.12.17

Abrantes é mesmo a caminho de onde?

O raríssimo ex-Secretério de Estado da saúde Manuel Delgado, há cerca de um mês anunciou que as urgência médico-cirúrgicas de Abrantes seriam sempre para manter, não estando sequer previsto reforços nas de Torres Novas e Tomar. Isto, perante autarcas, deputado e presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo, estrutura de que dependem estas três unidades hospitalares.

Na mesma ocasião foram anunciados mais 1,5 milhões€ de investimento na urgência da Unidade de Abrantes, a par de manutenções de pinturas e limpezas nas unidades de Tomar e Torres Novas. Naturalmente que se deseja a todos os cerca de 74mil cidadãos servidos pela unidade de Abrantes - que incluiu concelhos da Beira Baixa e do Norte Alentejano, tenham as melhores condições de acesso ás suas urgências, mercê da dispersão e rarefação populacional aí existente, onde só nos últimos cinco anos, houve uma redução de mais de 15% de habitantes. 

Situação do Plano Estratégico do CHMT - em 2011
A atual (2016) população (potencial) das áreas de influência é a seguinte:
Unidade de Tomar - 91042 (redução de 8,3% face a 2011)
Unidade de Torres Novas - 82160 (redução de 1,1% face a 2011)
Unidade de Abrantes - 73491 (redução de 15,6% face a 2011)




Naturalmente que os cidadãos residentes na área de influência da unidade de Tomar – Ourém, Tomar e Ferreira do Zêzere não querem, nem desejam que outros fiquem com menos do que ambicionam para si próprios, mas só não podem tolerar é que a garantia de acesso aos residentes de territórios sem população resulte de deslocações obrigatórias de 40-50 Km para outros de territórios com muito mais população. 
Ora, se aqui – em Tomar (91mil cidadãos abrangidos) ou Torres Novas (82mil cidadãos abrangidos) não existisse uma Unidade Hospitalar, ainda se poderia compreender, mas havendo nestas duas cidades urgências, que desde 2008 (governo PS) e muito especialmente em 2012 (governo PSD/PP), foram desqualificadas em detrimento de Abrantes, tal é de todo inaceitável. Acresce, para os doentes servidos pela unidade de Tomar, que integrada esta no Centro Hospitalar do Médio Tejo, e estando este na rede de referenciação de Lisboa – a 140 Km de distância, qualquer intervenção hospitalar diferenciada, leve a imediata deslocação para Lisboa, quando a mesma poderia ser, com enorme vantagem para o erário público e para os doentes e suas famílias, ser feito para Coimbra, a apenas 80Km da unidade de Tomar.
Por isso, mais do que nunca se justifica que em Tomar funcione uma urgência médico-cirúrgica, que sirva as populações de Tomar, Ourém e Ferreira do Zêzere, reduzindo assim pressão sobre o Centro Hospitalar de Leiria, para onde cada vez mais os doentes de Ourém se deslocam, cujo acesso é cada vez mais problemático e que possa a unidade de Tomar passar a integrar a na rede de referenciação de Coimbra.
Urgências médico-cirúrgicas em Abrantes, a servir as nossas populações, num local que não é nem a caminho de Lisboa, nem a caminho de Coimbra, é um disparate que não podem os habitantes e os nossos autarcas continuar a tolerar. Chega de gastar dinheiro público malgasto e chega de prejudicar as populações, especialmente destes concelhos – Tomar, Ourém e Ferreira do Zêzere, apenas para tentar justificar o injustificável.


*Luis Ferreira, ex-vereador da Câmara e ex-membro da comissão de acompanhamento do Hospital, da Assembleia Municipal de Tomar


Post Scriptum:

Deve ainda ser lido, como vertente de análise "histórica" a proposta submetida pelos então vereadores do PS - de que eu humildemente fazia parte, em janeiro de 2012, quando o "disparate" se agravou...

15.12.17

Na Escola com segurança

Seminário Organizado pelo Governo Civil de Leiria em 2008
Prevenir riscos. Atuar nas causas e não nos efeitos.
está na hora de voltarmos a esta atitude, não vos parece?

6.12.17

PAN realiza o seu Congresso Nacional na Quinta do Falcão (Tomar)

Nos anos 80 do sec.XX, Tomar ter recebido o Congresso fundador do Partido Renovador Democrático (PRD), o qual nas eleições de 1985 conseguiu obter quase 20% dos votos e foi essencial para a primeira vitória de Cavaco Silva (PSD) e para a sua queda em 1987, com a qual viria a obter a sua primeira maioria absoluta em Portugal.

Agora, passados mais de três décadas, o futuro Partido de todos nós, animais e natureza, realiza o seu Congresso em Tomar e aqui lhe mostramos a sua primeira reunião preparatória, realizada há dias na Quinta do Falcão.

O tradutor faltou, mas promete estar presente no Congresso.

30.11.17

Para salvar o Hospital em Tomar

O recente anuncio de investimentos, na otimização energética - de forma afazer baixar a fatura energética anula ou de pinturas externas - preventivas dos visíveis ataques de fungos (que dão aquela coloração escura) nos novos edifícios, fazem parte das obrigações gerais, normais e de manutenção de edifícios públicos. Saúda-se assim, que aproveitando financiamentos comunitários, se cumpra este trabalho de manutenção nas unidades hospitalares de Tomar, Torres Novas e Abrantes.

Situação do Plano Estratégico do CHMT - em 2011
A atual (2016) população (potencial) das áreas de influência é a seguinte:
Unidade de Tomar - 91042 (redução de 8,3% face a 2011)
Unidade de Torres Novas - 82160 (redução de 1,1% face a 2011)
Unidade de Abrantes - 73491 (redução de 15,6% face a 2011)

Nesta última Unidade - Abrantes, após vários milhões de investimento - diretos do Estado e também da própria autarquia abrantina, através de subsídios a uma Associação de direito privado aí sediada; vai-se investir mais 1,5milhões€ nas urgências desta unidade, tentando, mais uma vez, conseguir adaptá-las à realidade colocada, especialmente após 2012, de que toda a área do médio Tejo para ali envia os seus doentes com níveis de necessidades de serviço médico-cirúrgico, só aí existente.

A vergonha e o erro continuam, sem que se pare para pensar.
Por mais milhões que invistam no serviço de urgências de Abrantes, nunca estas conseguirão atingir o nível de serviço previamente existentes nas unidades de Tomar e de Torres Novas, quer face às arquiteturas dos respetivos edifícios e a diferença de vinte anos que os mesmos têm, quer a nível das respetivas infraestruturas.
De recordar que todo o sistema foi projetado para que cada uma das três unidades servisse a sua respetiva área de influência, com especial impacto a nível das urgências, portanto nenhuma destas unidades de saúde hospitalar, estava preparada para servir mais de 200mil habitantes.

Com a famigerada reforma das urgências de 2007, de Correia de Campos - governo PS, tudo se agravou, com a peregrina ideia que os mais de 200mil habitantes do médio Tejo, pudessem ser servidos, a nível de urgências, a partir de Abrantes, desclassificando - gradualmente -, as de Torres Novas e Tomar. Esta situação foi integralmente cumprida a partir de 2012 - Governo PSD/PP, quando nova reestruturação fechou ainda a Medicina Interna, transformando a unidade hospitalar de Tomar, num gigantesco e caro Serviço de Atendimento Permanente (SAP), ao nível de qualquer centro de saúde da rede de cuidados de saúde primários, espalhado pelo País.

A pergunta que sempre fiz, e para a qual não há resposta é: Abrantes é a caminho de onde??? Ou seja, os doentes nas áreas de influência de Tomar ou Torres Novas, conduzidos para Abrantes, a nível de urgências médico-cirúrgicas, não vão a caminho de nenhuma unidade polivalente diferenciada, só existentes em Coimbra e Lisboa, pelo que se perde tempo e eficácia no sistema, conduzindo a mais e maiores custos para as famílias e para o sistema nacional de saúde, além de maiores riscos para a saúde dos utentes.
Só a teimosia de sucessivos governos e gestores do sistema de saúde e, parece, o gostar de estragar dinheiro de todos nós, justifica tamanho disparate.

Urgência médico-cirúrgica existente em Abrantes vai receber mais 1,5milhões€ de investimento e os habitantes dos concelhos mais populosos da NUTIII do Médio tejo - Ourém e Tomar, vão continuar a ser assistidos a caminho de lado nenhum? É preciso ter lata!

De recordar que existem em Santarém (a 35Km de Torres Novas) e em Leiria (a 45Km de Tomar), também urgências médico-cirúrgicas, quer uma quer outra a caminho das urgências polivalentes, existentes em Lisboa (70Km de Santarém) e Coimbra (60Km de Leiria).

Há uma década que os sucessivos governos "destroem" valor e gastam milhões - sem retorno, neste disparate.
Tomar merece isto?

O problema foi acrescido, quando também em 2012, todos os Hospitais ficaram obrigados a cumprir a rede de referenciação, que obriga a que todas as evacuações para cuidados de saúde diferenciados e especializados, não existentes no Centro Hospitalar do Médio Tejo, sejam encaminhados para Lisboa - muito mais longe de Ourém, Tomar e Ferreira do Zêzere, do que Coimbra, por exemplo.

Este é verdadeiramente o problema.
A unidade hospitalar de Tomar devia, há muito, ter deixado na rede de referenciação nacional de "drenar" para Lisboa e passar a fazê-lo para Coimbra. Especialmente quando, após a alteração da obrigatoriedade do cidadão se dirigir ao Hospital da sua zona de residência, a esmagadora maioria dos habitantes do Concelho de Ourém, já se socorrem do Hospital de Leira, na rede de referenciação de Coimbra.

Ora, se nada for feito - ou seja, se Tomar não sair do Centro Hospitalar do Médio Tejo o mais rapidamente que for possível e não passar a integrar a rede de referenciação de Coimbra, o seu encerramento a médio prazo é inexorável. Sim, estou mesmo a falar do seu encerramento. Para evitar isso só precisamos de olhar e ver e, já agora, exigir que os políticos de Tomar - a começar pelos seus atuais autarcas, coloquem o interesse de Tomar acima de quaisquer fidelidades partidárias.

Este é o assunto da década e nele se verá quem, efectivamente, conta.

* Luis Ferreira, Ex-vereador do Município de Tomar e ex-membro da comissão de acompanhamento do Hospital de Tomar



TOMAR – Exclusivo Hertz. Secretário de Estado da Saúde garante que o hospital não irá voltar a ter urgência médico-cirúrgica

Este é um exclusivo Hertz. Manuel Delgado, secretário de Estado da Saúde, em declarações à nossa reportagem, deixou claro que o Hospital Nossa Senhora da Graça não irá voltar a ter urgência médico-cirúrgica. Pelo menos – e é isso que se entende – dentro dos próximos anos. Por ocasião da presença em Tomar, neste sábado, junto da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados, Manuel Delgado deu, então, uma boa e uma má notícia para a população nabantina, ou seja, confirmou a aquisição de equipamento TAC para a unidade tomarense até final do ano mas deixou claro que a actual urgência – embora seja reforçada pontualmente para melhorar – não será elevada a médico-cirúrgica:
Reprodutor de áudio
Refira-se que o secretário de Estado da Saúde esteve de visita à urgência médico-cirúrgica de Abrantes, espaço que irá receber um investimento de milhão e meio de euros para “crescer” fisicamente, ocupando o lugar das actuais consultas externas, que irão subir de piso:
Reprodutor de áudio
A propósito desta reformulação na urgência de Abrantes, a Hertz falou, ainda, com Carlos Andrade Costa, presidente do Centro Hospitalar do Médio Tejo, catalogando essas intervenções como um passo necessário para melhorar:
Reprodutor de áudio

Post Scriptum:

Deve ainda ser lido, como vertente de análise "histórica" a proposta submetida pelos então vereadores do PS - de que eu humildemente fazia parte, em janeiro de 2012, quando o "disparate" se agravou...

24.11.17

A Estação de Fátima continua a ser no Concelho de Tomar (apesar de tudo)

Há uns tempos andou por aí uma das pequenas polémicas, nas quais as redes sociais e, genericamente a "democracia digital", é especialista a gerar.

Prendia-se com o requentado facto da maioria dos comboios inter-cidades parar em Caxarias e não em Vale dos Ovos, na perspectiva da desvalorização desta última, localizado no Concelho de Tomar, face à primeira, no de Ourém.

Certos de que a "usurpação" do nome Fátima, estaria a ser conseguida pela vila de Caxarias onde se situa a estação do Concelho de Ourém, em detrimento da aldeia de chão de maçãs (vale dos ovos) em Tomar.

O argumento - real, de que sempre foi em vale dos ovos que a estação de Fátima existirá, fruto da interseção da estrada nacional que liga Tomar a Leiria (EN113), com passagem por Ourém e ligação a Fátima, com a linha do Norte.

Caxarias, por seu turno fica na interseção desta mesma linha com a EN356, que liga Alvaiázere a Ourém.

Com a entrada em funcionamento do IC9, ficaram as duas localidades com nós de acesso nas proximidades e a ligarem diretamente a Fátima.

Já por aqui ficou demonstrado que, por mais estranho que nos possa parecer, Caxarias é efetivamente mais próximo de Fátima cerca de 1Km, do que a estação de Fátima em vale dos ovos. Garanto-vos, pois já o testei, que a distância-tempo, cumprindo os limites legais de velocidade, é exatamente o mesmo.

Quanto à diferença de serviços e dimensão das localidades nada há a dizer, uma vez que uma das localidades sendo vila, com escola até ao 9ºano, bancos, correio e tudo o que é normal existir num centro urbano pequeno e outra sendo uma aldeia, localizado numa freguesia onde nem uma escola ou jardim de infância existe,...

Bem. E a estação.
Pois. Apesar disso tudo, a estação de Fátima continua a ser no Concelho de Tomar, conforme demonstram as fotos e cópia do horário em vigor da CP.


Talvez daqui a uma(s) década(s) se conseguirmos voltar a ter desenvolvimento na freguesia da Sabacheira e/ou Tomar aposte em fazer da Estação de Fátima o seu posto avançado de ligação ao Norte do País, possamos estar mais descansados. 

Até lá, até podemos agradecer à CP esta "especial" deferência histórica:
A ESTAÇÃO DE FÁTIMA CONTINUA LOCALIZADA NO CONCELHO DE TOMAR!

18.11.17

Continua o mau exemplo do (não) despejo das papeleiras

Situação observada neste fim de semana (18-19/11), junto ao Pavilhão Municipal Cidade de Tomar.

De referir que a papeleira isolada está assim desde o domingo dia 5/11, a seguir ao campeonato de Patinagem Artística. E não, não é só de agora, pois infelizmente acontece há muito tempo, quase sempre por ocasião de eventos.

Uma gestão eficiente deste sistema, deveria contemplar a garantia de a seguir a todos os fins de semana, especialmente naqueles em que há muitas atividades ou atividades que, expetavelmente, envolvam muito movimento de cidadãos, haver recolha e substituição dos sacos das papeleiras.

Se, para eventos de dimensão, são criados planos de contingência e de segurança, porque não ter protocolos de atuação de limpeza face às atividades correntes e inopinadas.  

Notemos que esta papeleira está cheia e o contentor ao lado, garanto-vos, estava despejado. É de facto, um (mau) exemplo, o qual continua...

Tomar merece isto?

9.11.17

Pelouros entregues só ao PS é não perceber o que se passa em Tomar

(Artigo de opinião publicado na edição desta semana do Jornal "O Templário")


Com todos os pelouros entregues, organizados e em ação, apenas distribuídos entre os eleitos do PS, o que é absolutamente legítimo, é altura de nos questionarmos se tal era absolutamente necessário que assim fosse neste mandato, que decorrerá até 2021.

A cerimónia de tomada de posse, havida no pretérito dia 21 de outubro, agora despida da pompa republicana de há quatro anos, ausente que esteve a guarda de honra dos Bombeiros Municipais, e perante uma assistência que não conseguiu ocupar mais de dois terços da plateia do Cine-Teatro, já antecipava esta forma de pensar.
O mais positivo foi indiscutivelmente a paridade do executivo municipal, circunstância da eleição de três mulheres e de quatro homens para a vereação. O executivo anterior que mais paridade teve, foi o de 2009-13, com duas vereadoras, do qual humildemente fiz parte.

Dois discursos pontuaram o encerramento. Bem, discursos é uma força de expresso: meros apontamentos.

Zeca Pereira foi reeleito presidente da Assembleia, por 16 votos (15 do PS e 1 do presidente de junta independente), contra 13 da lista do PSD e com três votos em branco (2CDU e 1BE).

Do seu apontamento, realce para o agradecimento que fez a sua eleição, pelos eleitores (!), esquecendo que foram os seus pares que o elegeram. Fez menção ainda "à maioria que os eleitores lhe deram", quando "apenas" obteve 38,5% dos votos (34% para o PSD) e elegeu 10 deputados em 21. Bem. É o que temos!

Seguiu-se o apontamento da presidente da Câmara, indiscutivelmente por si escrito, onde de forma simples colocou a nu a sua quase completa vacuidade, que já se havia observado nas intervenções tidas na campanha eleitoral.

Três únicas questões abordadas: 

1 - as três obras previstas, com financiamento comunitário previstas, para os próximos dois anos: Palhavã, Várzea Grande e Avenida Nuno Álvares Pereira;

2 - as novas competências a serem transferidas do Estado para a administração autárquica, sem qualquer referência de concreto para a vida dos tomarenses, conseguindo assim explicar do porquê delas nos serem prejudiciais;

3 - a posição de Tomar no contexto da reorganização administrativa, entre a manutenção na de Lisboa e Vale do Tejo, ou aux contraire com a plena integração na região Centro ou, aqui a única novidade face à campanha eleitoral, a introdução da hipótese de criação de uma nova região do Ribatejo e Oeste - velha aspiração dos socialistas de Tomar.

Tudo repetido. 

Sem ponta de sonho, nem caminho, sem imagética, nem capacidade demonstrada. 

O que podemos esperar dos próximos quatro anos? Apenas e só o que se viu nos últimos dois. 

(Não é de estranhar pois todos sabemos que, mesmo depois de cortada a cauda da lagartixa, continua a saltar durante muito tempo, parecendo ter vida). 

Sobre a forma de organizar o Município - pelouros e outras formas de melhorar o serviço às populações, ou ainda mais importante: de qual o desenvolvimento que se irá implementar no Concelho, nada!

Assim, há exceção da junta urbana e na de Paialvo, onde não havia maioria, o PS numa acordou com o BE (com acordo escrito e ida para o executivo) e noutra com o CDS (só para viabilizar o executivo), descartando o seu anterior aliado que a nível concelhio lhe deu sustentação no anterior mandato, a CDU, com acordo escrito e válido para todo o Concelho.

Tendo ganho a Câmara, apenas por 5,7% (40,2 contra 34,5), quando em todos os outros 12 Concelhos do Distrito onde ganhou, o PS conseguiu vitórias por mais de 20%, mesmo em Constância onde ganhou pela primeira vez, o PS não percebe o que se passa em Tomar e as razões pelas quais teve o pior resultado das suas 13 vitórias distritais e abaixo dos 43% que seriam o somatório PS+Pedro Marques...

A liderança PS na Câmara, aposta tudo na bipolarização, sem o golpe de asa de quem, sabendo o que faz e com uma liderança sustentada, quando em maioria distribui pelouros pela oposição, mesmo não necessitando do seu voto, envolvendo dessa forma os demais eleitos no esforço diário da governação e assim, demonstrando a sua capacidade de liderar e obter o melhor de cada um para o desenvolvimento do Município. Se cumprissem, os ganhos seriam sempre para quem lidera, se falhassem, seriam prejudicados na eleição seguinte. 

Historicamente líderes fortes e a sério, de Concelhos tão distintos como Rio Maior (com Silvino Sequeira - PS) ou Tomar (com António Paiva - PSD), os quais o souberam fazer. E em vários mandatos.

Bem. Mas isso eram líderes políticos que não tinham medo da sombra e sabiam para onde conduzir os seus Concelhos. Mesmo que não concordemos com o "sítio" para onde nos conduziram, como é o meu caso em relação aAntónio Paiva (PSD) 1998-2007, essa era a atitude inteligente a fazer no atual caso em Tomar.

Infelizmente para nós, continuaremos a ser governados por gente menor, sem dimensão de Estado, e sem capacidade para conduzir sem ver para além do capô do carro. 

E, sempre, sempre à pendura...

Tomar merece isto?


* Luis Ferreira
Ex-vereador do Município de Tomar

6.11.17

Falta de rotunda na requalificação da Av.Nuno Alvares é gastar dinheiro sem norte




A grande questão no projeto de execução ora proposto, de requalificação do perímetro urbano das Avenidas Nuno Alvares Pereira (Fase I) e Av.Combatentes da Grande Guerra e Torres Pinheiro (Fase II), em que só a primeira tem financiamento comunitário, pelo Centro2020, de cerca de 680mil€, é a não criação de uma rotunda na interseção destas Avenidas, vulgo da ARAL, onde atualmente existem semáforos.

A justificação é a de que o Plano de Pormenor do Flecheiro e Mercado, aprovado há uma década atrás, não a prevê, mas sabemos bem que se fosse essa a intenção, podia já ter sido proposta a suspensão parcial do mesmo nessa interseção, facto devidamente comprovado pela revisão do mesmo Plano de Pormenor atualmente em curso e a ser trabalhado pelos serviços da autarquia.

O erro de tal inexistência prende-se com o custo da não-oportunidade, ou seja, construída a Ponte do Flecheiro em 2007, abrindo a nova Av. Luis Bonet até ao cruzamento da ARAL, baseada num estudo de tráfego, o qual preteriu um atravessamento a sul, na zona do Padrão, por decisão política, continua-se, sem alteração nesta requalificação o erro de não aproveitar a oportunidade para colocar uma rotunda, que permitisse a rápida e segura transição e tráfego entre as quatro avenidas, junto à ARAL.
Atual cruzamento da ARAL, onde deveria ser construída uma rotunda
Atual rotunda do Padrão, cuja dimensão podia ser replicada para a ARAL

Segundo informações dadas pelo atual vereador responsável pelo pelouro, na sessão pública de apresentação deste projeto de execução, meramente seguidista do Plano traçado no âmbito do Programa Polis (2002-2009),  esta intervenção será completada por uma maior deriva do trânsito pesado, que chegue à entrada sul de Tomar, no Padrão, para a Av. Fonseca Simões (GNR) e daí até ao Terminal Rodoviário na Várzea Grande, que também já tem estudo prévio, de onde ressalta o desaparecimento de estacionamento e coloca uma bolsa de estacionamento para autocarros de turismo na Placa Central desta em frente ao atual Terminal Rodoviário.

Não é claro se tal obrigatoriedade tem expressão na sinalética, que neste Projeto não existe, nem sequer se o outro tráfego de pesados – de mercadorias, será também derivado para a Av.Fonseca Simões, como aventou o vereador, libertando assim a Av. Nuno Álvares Pereira desse tráfego, o qual ficará assim estacionado na Av. Combatentes da Grande Guerra, aguardando o semáforo e daí derivando para a Av. Torres Pinheiro, seguindo o atual percurso. 

Se tal vier a ser a opção municipal, dado que o troço da Av. Nuno Álvares, segundo o atual projeto de execução, “não se possui estudo de tráfego, nem se espera que exista uma grande quantidade de pesados, pelo que a classe de tráfego será T7", ou seja pouca carga de tráfego pesados(!). Tal decisão, em sede de Projeto de Execução, tem consequências óbvias na capacidade de carga para a qual será dimensionado a via. Tal decisão não é reversível. 

E, ou bem que é esta a carga prevista – numa estrada nacional, para a qual não há alternativa viável ao tráfego de pesados – uma vez que a A13 é portajada, nem há garantia que a Av.Fonseca Simões tenha sido dimensionada para tal carga. Podemos ficar assim, com um problema insolúvel para o futuro, ou pelo menos com aumento de gastos brutais num futuro próximo.

Neste projeto de execução, assumidamente interligado com o de requalificação da Várzea Grande, onde a redução de estacionamento será na ordem dos 30%, é aqui de cerca de 10%. Menos 9% de lugares na Av.Nuno Álvares Pereira e menos 16% na Av.Torres Pinheiro. Segundo informação dada pelo vereador, tal será devidamente compensado – aos residentes, com mais estacionamento no futuro – sem data – no âmbito da requalificação do Flecheiro.

Há aspetos muito positivos nesta intervenção, de que ressalta, a renovação de todas as infraestruturas no sub-solo, nomeadamente as de águas e esgotos, a utilização de piso de paralelos calcários para todo o estacionamento, o aumento do numero de árvores de porte médio adaptados ao uso e, espacialmente na Av.Torres Pinheiro, em ligação paisagística com a Rua dos Arcos e assim, ao centro histórico. 

A substituição do atual piso da Av.Combatentes da Grande Guerra – excessivamente ruidoso, bem como a melhoria da iluminação que será toda substituída pela nova tecnologia LED, com possibilidade de gestão inteligente e remota, é também um aspeto a destacar. A requalificação ambiental dos dois antigos postos de abastecimento de combustíveis – da GALP e da ARAL, com retirada dos respetivos depósitos do sub-solo, completam a regeneração necessária neste espaço urbano de entrada da cidade.

A excessiva redução do espaço canal, dos atuais 9 metros de via, para 6,5 metros, com a colocação de duas ciclovias, uma de cada lado da Av.Nuno Álvares, não se encontra devidamente justificada, ficando esta entrada da cidade, “apertada”, quando as demais estão “mais libertas”. Veja-se o exemplo da atual Rua de Coimbra ou mesmo a Av. Marquês de Tomar, a partir da descida da Rua de Leiria ou a Estrada da Serra.

Quanto às ciclovias propostas, duas na Av. Nuno Álvares e uma na Avenida Torres pinheiro e Av. Combatentes da Grande Guerra, não está claro no plano, nem nas explicações dadas pelo vereador em sede de apresentação pública do mesmo, da interligação destas ciclovias com as demais existentes ou a construir na cidade. 

Duvida-se assim, de força lícita, que a necessidade de duas ciclovias na Av. Nuno Álvares não se encontra devidamente sustentada a nível de necessidade, eficácia e eficiência da utilização deste modo suave de transporte, face às interligações já eficazes ou a sê-lo em futuro próximo. Tal decisão, não é reversível, tendo consequências diretas na redução do estacionamento e na redução da via de 9 metros para 6,5 metros, o que coloca outras questões de mobilidade e segurança para os demais utilizadores de outros modos de locomoção – sejam veículos, sejam pessoas.

Sem alternativa ao atravessamento de pesados, que não tenham como destino a própria cidade, face ao pagamento de portagens na A13, mantendo a Infraestruturas de Portugal a titularidade da propriedade formal da EN110 e EN113, de forma a justificar esse contrato de concessão que permitiu portajar a A13 na circulação à cidade de Tomar, entre a Rotunda da Zona Industrial e a Manobra, esta opção de redução brutal da via – estamos a falar de menos 28% de área para circulação, pois serão apenas duas vias reais e não as atuais três possíveis, o que levanta questões graves de constrangimento e segurança em caso de acidentes e avarias, as quais transformarão esta entrada, a manter-se a autorização e passagem de pesados – de todo o tipo, num verdadeiro quebra-cabeças no futuro.

O atual projeto de execução contam ainda uma opção errada, com impacto ambiental direto, o qual está em dissonância com o próprio objetivo do Projeto, razão da valorização do seu mérito a nível de candidatura ao Centro2020, que é a total substituição dos passeios pedonais de calçada, para pavimento contínuo em betão pintado. A diferença de valor orçamental entre as duas soluções será de cerca de 12-15mil€, o que representará apenas cerca de 1,5-1,7% do orçamento global. Ou seja, não é por questões financeiras que os passeios em calçada, decerto se não manterão.

Menos calçada, numa zona de cheia e dificuldades de drenagem, significa menos infiltração de água no solo, o que prejudica a sustentabilidade da intervenção. Sabemos bem que a manutenção é mais cara, mas tem uma ligação mais conducente com todo o ambiente urbano de uma cidade que terá na História um dos seus mais elevados valores de projeção. Será um erro, ambiental e paisagístico, manter-se esta opção.

Da análise efetuada subsiste no autor, uma dúvida, relacionada com a iluminação, pois a opção tomada de na Av Nuno Álvares, em lugar da capacidade luminosa proposta ser a mesma dos dois lados da via, propõe luminárias – a 8 metros de altura dos dois lados, mas do lado este com 78W de potência e no lado oeste de apenas 37W. Do estudo em computador apresentado, vê-se bem que a mancha não será homogenia em toda a avenida, especialmente se confrontada com a mancha de iluminação prevista para a Av. Torres Pinheiro, com luminárias cruzadas, de ambos os lados da via e com igual potência (37W).

Em conclusão julga-se acertado propor:

1 – O imediato pedido de suspensão parcial do PP do Flecheiro e Mercado, para colocação de rotunda nas interseções entre as Avenidas Torres Pinheiro, Luis Bonet, Nuno Álvares e Combatentes da Grande Guerra e consequente correção do projeto de execução para a sua realização – fora de financiamento comunitário, ou seja para ficar na Fase2, para não criar reavaliações neste;

2 – Optar claramente por passeios pedonais em calçada, em toda a zona de intervenção, em detrimento do uso de pavimento contínuo em betão pintado;

3 - Previsão de inibição completa do transporte de pesados pela Av. Nuno Álvares Pereira – com exceção de cargas e descargas locais, com deriva deste para a Av. António Fonseca Simões, a manter-se o estreitamento da via em 28%;

4 – Em alternativa, optar pela colocação de uma única ciclovia na Av. Nuno Álvares Pereira, reduzindo menos a via e garantindo a interligação desta com as demais existentes e em projeto para a cidade, de forma global;

5 – Rever a proposta de Luminárias, a nível de potências e localizações, de forma a tornar o projeto elétrico mais equilibrado;

6 – Melhorar o estudo de opções de estacionamento, para que não haja redução do estacionamento disponível, o qual terá impacto, quer no comércio existente, quer nos residentes, que verão, em toda a área maior pressão, especialmente nas ruas contíguas e não abrangidas pelo atual Projeto de Execução.

3.11.17

1º Gala Internacional do Acordeão de Tomar - video promoção

Este foi o video de promoção institucional da 1ºGala Internacional de Acordeão dos Templários, no ano das comemorações das "Heranças dos Séculos", a propósito dos 850 anos do início da construção do Castelo Templário de Tomar - em 1160.


28.10.17

Pelouros entregues só ao PS é não perceber nada do que se passa por aqui...

Neste momento no meu Concelho já todos os pelouros estão entregues, organizados e em ação, apenas distribuídos entre os eleitos do PS, o que é absolutamente legítimo.

À exceção da junta urbana e na de Paialvo, onde não havia maioria, o PS numa acordou com o BE (com acordo escrito e ida para o executivo) e noutra com o CDS (só para viabilizar o executivo), descartando o seu anterior aliado que a nível concelhio lhe deu sustentação no anterior mandato, com acordo escrito é válido para todo o Concelho: a CDU.

Tendo ganho a Câmara, apenas por 5,7% (40,2 contra 34,5), quando em todo o Distrito o PS conseguiu vitórias por mais de 20%, mesmo em Constância onde ganhou pela primeira vez, o PS não percebe o que se passa em Tomar e as razões pelas quais teve o pior resultado das suas 13 vitórias distritais e abaixo dos 43% que seriam o somatório PS+Pedro Marques...

A liderança PS na Câmara, aposta tudo na bipolarização, sem o golpe de asa de quem, sabendo o que faz e com uma liderança sustentada, quando em maioria distribui pelouros pela oposição, mesmo não necessitando do seu voto, envolvendo dessa forma os demais eleitos no esforço diário da governação e assim, demonstrando a sua capacidade de liderar e obter o melhor de cada um para o desenvolvimento do Município. Se cumprissem, os ganhos seriam sempre para quem lidera, se falhassem, seriam prejudicados na eleição seguinte. 

Historicamente líderes fortes e a sério, de Concelhos tão distintos como Rio Maior (com Silvino Sequeira - PS) ou Tomar (com António Paiva - PSD), os quais o souberam fazer. E em vários mandatos.

Bem. Mas isso eram líderes políticos que não tinham medo da sombra e sabiam para onde conduzir os seus Concelhos. Mesmo que não concordemos com o "sítio" para onde nos conduziram, como é o meu caso em relação a Antonio Paiva (PSD) 1998-2006, essa era a atitude inteligente a fazer no atual caso em Tomar.

Infelizmente para nós, continuaremos a ser governados por gente menor, sem dimensão de Estado, e sem capacidade para conduzir sem ver para além do capô do carro. 
E, sempre, sempre à pendura...

Tomar merece isto?

22.10.17

Tomada de posse em Tomar, sem sonho, sem imagética, sem capacidade demonstrada...

Tomada de posse dos novos eleitos locais do Município de Tomar, no Cine-Teatro Paraíso.
Foto mediotejo.net - novo executivo municipal 2017/21 (da esquerda para a direita) Luis Ramos(PSD), Célia Bonet(PSD), Hugo Cristóvão(PS), Anabela Freitas(PS), José Delgado(PSD), Filipa Fernandes(PS) e Helder Henriques(PS) 

Assisti com interesse a mais esta cerimónia, hoje despida da pompa republicana de há quatro anos, ausente que esteve a guarda de honra dos Bombeiros Municipais, e perante uma assistência que não conseguiu ocupar mais de dois terços da plateia do Cine-Teatro. 

O mais positivo foi indiscutivelmente a paridade do executivo municipal, circunstância da eleição de três mulheres e de quatro homens para a vereação. O executivo anterior que mais paridade teve, foi o de 2009-13, com duas vereadoras, do qual humildemente fiz parte. 

Dois discursos pontuaram o encerramento. Bem, discursos é uma força de expresso: meros apontamentos. 

Zeca Pereira foi reeleito presidente da Assembleia, por 16 votos (15 do PS e 1 do presidente independente), contra 13 da lista do PSD e com três votos em branco (2CDU e 1BE). 

Do seu apontamento, realce para o agradecimento que fez a sua eleição, pelos eleitores (!), esquecendo que foram os seus pares que o elegeram. Fez menção ainda "à maioria que os eleitores lhe deram", quando "apenas" obteve 38,5% dos votos (34% para o PSD) e elegeu 10 deputados em 21. Bem. É o que temos! 

Seguiu-se o apontamento da presidente da Câmara, indiscutivelmente por si escrito, onde de forma simples colocou a nu a sua quase completa vacuidade, que já se havia observado nas intervenções tidas na campanha eleitoral. 

Três únicas questões abordadas: 

1 - as três obras previstas, com financiamento comunitário previstas, para os próximos dois anos: Palhavã, Várzea Grande e Avenida Nuno Álvares Pereira; 

2 - as novas competências a serem transferidas do Estado para a administração autárquica, sem qualquer referência de concreto para a vida dos tomarenses, conseguindo assim explicar do porquê delas nos serem prejudiciais; 

3 - a posição de Tomar no contexto da reorganização administrativa, entre a manutenção na de Lisboa e Vale do Tejo, ou aux contraire com a plena integração na região Centro ou, aqui a única novidade face à campanha eleitoral, a introdução da hipótese de criação de uma nova região do Ribatejo e Oeste - velha aspiração dos socialistas de Tomar. 

Tudo repetido. 
Sem ponta de sonho, nem caminho, sem imagética, nem capacidade demonstrada. 

O que podemos esperar dos próximos quatro anos? Apenas e só o que se viu nos últimos dois. 
(Não é de estranhar pois todos sabemos que, mesmo depois de cortada a cauda da lagartixa, continua a saltar durante muito tempo, parecendo ter vida). 

Sobre a forma de organizar o Município - pelouros e outras formas de melhorar o serviço às populações, ou ainda mais importante: de qual o desenvolvimento que se irá implementar no Concelho, nada! 

Tomar merece isto? 


Post Scriptum
Compare os discursos e conclua por si mesmo:

2013                           2017

Tomada de posse em 2013, com Guarda de Honra dos Bombeiros Municipais de Tomar 

16.10.17

Incêndios e mortos demais e profissionalismo, demenos...

(em atualização)
Março de 2013 - para recordar que a seguir aos incêndios, vêm as cheias, e o problema é o mesmo

Este fim de semana, de 14 e 15 de outubro de 2017, viu a repetição para bem pior do malogrado fim de semana de 12 a 15 de agosto e, felizmente a nível de mortes e feridos graves, cerca de metade do fim de semana de 16 e 17 de junho.

Muitos mortos - no total destes quatro meses, cerca de uma centena e mais de duzentos feridos - muitos dos quais graves, são o balanço humano, de um sistema de gestão e manutenção da proteção civil nacional. As leis de bases da proteção civil evoluíram, a lei autarquica também e, desde há quatro anos, que os presidentes de junta são também eles, formalmente, responsáveis pelo primeiro nível de proteção às populações.

Os principais braços armados do sistema de combate - aquele sobre o qual mais atentos acabamos por estar, que são os bombeiros, são menos hoje que eram há uma década ou duas, mais mal financiados e mais desigualmente distribuídos pelo território: muitos onde há muita gente - e muitos transportes de doentes, que são aquilo que verdadeiramente os financia, e pouco sonde há pouca gente, mas muita floresta e muita necessidade, especialmente no Verão - ou melhor, de maio a outubro.

O sistema teve até 2011, um dos epicentros de coordenação, que acabava por dar respaldo ao poder governamental e a conseguir "limar" arestas entre os diferentes concelhos, garantindo que os técnicos, primeiro do serviço nacional de bombeiros, até 2002, e depois dos serviços nacionais de proteção civil (distritalizados), que eram os Governos Civis. 
A sua suspensão, a mando do governo que teve de gerir a implementação do acordo com a Troika, não teve a necessária e consequente substituição, por nenhum, nível de poder, com igual legitimidade, levando a que de então para cá, os problemas se agravassem.

Sei-o, por experiência própria, pois servi entre 2005 e 2009, como adjunto do governador civil do Distrito de Santarém e, entre 2009 e final de 2011, como vereador a tempo inteiro com o pelouro da proteção civil. Nesses períodos, houve um dos piores verões de que há memória - 2005 e em Tomar, o Tornado de 2010. A presença e existência do Governo Civil, como niveis de autoridade sobre os técnicos da ANPC (Autoridade Nacional de Proteção Civil), porque detinha competência própria e delegada do secretário distrital, mas também porque era o interlocutor dos presidentes de Câmara perante o governo, sendo assim respeitado por estes na sua ação de coordenação. Depois da suspensão dos Governos Civis, nenhum vereador com responsabilidades na proteção civil ou presidente de Câmara, dá ouvidos ou sequer perde tempo com qualquer CODIS (Comandante Distrital da ANPC) ou outras estruturas técnicas análogas. 

Faltando o elo político, a nível de proximidade com os Municípios, pensar que aquela coisa chamada Comunidades Intermunicipais, geridas por presidentes de Câmara, tem alguma hipótese de substituir os Governos Civis é um mito que, bastou ouvir a Presidente da CIM do Médio Tejo, aquando dos incêndios do fim de semana de 12-15/Agosto, falando quase sempre como presidente do Município de Abrantes, incapaz que era/foi/será de o fazer num contexto semi-regional. Não pode, não tem, nunca será reconhecido pelos seus pares e, especialmente pelos técnicos da ANPC distritalizados, como autoridade própria, capaz e necessária, para impor coordenação.

Obviamente que ninguém acredita que este Secretário de Estado - Jorge Gomes, profundamente conhecedor do sistema, pois foi Governador Civil de Bragança, ou do seu Chefe de Gabinete - Adelino Gomes, que foi adjunto do Governador Civil de Leiria, consiga ou possa desdobrar-se entre os 18 distritos do País, garantindo a coordenação política, que é o primeiro nível que os operacionais necessitam.

O Primeiro Ministro vai falar e a seguir a ele, a matraca presidencial fará mais um chorrilho de apelos e visitas, mas creiam-me que, por muito pouco popular que possa ser, a reposição em funcionamento dos Governos Civis é, sob o ponto de vista político e funcional, absolutamente necessário, pois funcionava, pois era respeitado, pois era sempre mais barato que estarmos a braços com mais de 100 mortos e várias centenas de feridos. 

Chega!