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25.8.18

Realojamentos, sem pagamentos de renda? Que barracada...

Então vamos ver se entendi. 


Decide-se intervir na resolução do Flecheiro, no meu entender muito bem. 

Decide-se uma estratégia mista - decisões da Comissão Política do PS de 2014, entre as quais construir habitação social.

Executa-se parte das construções em local por mim proposto em 2015 - junto à GNR, tarde e a más horas.

Opta-se por construir em madeira, em "habitações temporárias" (tipo Parque Nómada de Coimbra), quando poderiam ser em alvenaria, eventualmente suspendendo o PDM na zona, por manifesto interesse publico.

E vão-me dizer que nestes três anos não houve tempo para definirem as regras, um regulamento se necessário, para que pagassem a habitação social que vão ocupar? 

Estão a brincar, com os cidadãos de Tomar e, muito especialmente, com os ciganos???

Votaram neles? Agora amanhem-se! 

Uma gestão de ATL, é o que é...


Quem não pode arreia, nunca ouviram?

Tomar merece isto?🤔



A notícia da Rádio Hertz - ver a partir do minuto 29:30

Um problema com três décadas, com sucessivas governações Municipais, exigia-se que na execução, qualquer que fosse a Câmara, o fizesse com acerto. 

Sim porque tarde ou cedo o problema tinha de terminar, pois não se pode permitir durante décadas a ocupação indevida de terrenos privados e públicos e aceitar que duzentas pessoas vivam em condições indignas para um País da Europa no século XXI. 

Mas porque raio não fazem nada de jeito?


De notar que a principal característica que é exigida a um político é a capacidade de decisão. E deve sempre fazê-lo, com responsabilidade, com compreensão plena das consequências da sua ação. 
Sim, especialmente porque gere a coisa pública, os bens dos outros, que momentaneamente estão "à sua guarda". Elegemos pessoas para tomarem decisões por nós, para interpretarem o interesse geral e não, como começa a enfadar em Tomar, para nos perpetuarem com um corolário, digamos simpaticamente, de negligências sucessivas. 
Decidir tarde e mal é quase tão mau como não decidir. 

Tomar merece isto?🤔

A consultar:

22.8.18

Colapso Ponte Morandi - Génova (Itália)

Impressionantes imagens da via inferior à Ponte Morandi, nos momentos do seu colapso, a 14 de agosto de 2018.
 Atente-se ao pormenor do gato no final...




A explicação técnica do porquê caem as pontes, pelo Prof. Fernando Branco (Catedrático do Instituto Superior Técnico).


Uma possivel explicação deste caso em concreto (em castelhano).

19.8.18

Bimbalhão - aquele que não sabe, nem sonha...

*Artigo de opinião, por Luis Ferreira - ex-vereador da Cultura do Município de Tomar

O Bimbalhão, não tem género, nem idade.

Espraia-se por aí, ao sabor da oportunidade. 
Tanto pode ser um operário, armado em chico-esperto, que na oportunidade da caixa de ferramentas sempre aberta, furta aquele equipamento útil, como o caixa do Banco que, de tanto fazer transferências autorizadas com a password do sub-gerente, lá decide tentar a sua sorte. 
Tanto pode ser o condutor que estaciona em segunda fila, numa qualquer rua das nossas cidades ou o esmerado  e diligente empresário das Florestas que arrenda ao Zé da cidade os pinhais do avô, para aí plantar Eucaliptos, privatizando os lucros e nacionalizando os prejuízos, depois de arderem...

O que o Bimbalhão, o chico-esperto de serviço, nunca conta é com a esperteza dos outros e só vendo a sua oportunidade, se esquece que nela reside também o seu erro...

O Bimbalhão é culto ou, pelo menos, fala com eles
Julga ele que o facto de existir é já uma dádiva para os demais. Mas, de quando em vez, lá lhe foge a voz para a verdade, quando considera por exemplo que ou a cultura dá dinheiro (e/ou votos!) ou esta não serve para nada.

O Bimbalhão, personagem fictícia, mas bem identificável por cada um de nós, pode até ter pelo voto, a legitimidade do poder de decisão e, usando-o, estar convencido que o faz pelo melhor do seu interesse.

Não é o caso em Tomar, onde já pela segunda vez este ano, o Bimbalhão decide colocar um mamarracho digno da Feira do Gado de Beja ou do Festival do Tremoço de Curral de Moinas, em plena Praça da República de Tomar, destruindo a leitura do lugar.

A Praça da República de Tomar, onde são identificáveis entre outras, quatro leituras espaciais distintas de época, importância arquitetónica e histórica, tem o seu eixo principal entre a fachada manuelina da Igreja de S.João Baptista e as imponentes arcadas de suporte ao Palácio de D.Manuel, propositadamente mandado por este construir para aí albergar a administração municipal da vila de Tomar, ambos do início do século XVI.

A Praça da República, vista centrada no seu centro, numa espetacular foto de Orlando Oliveira
Ora, sendo a Praça um óbvio centro desta cidade e do seu núcleo histórico, assim projetada, concebida e sempre ao longo da história respeitada como tal, mal se percebe que o Bimbalhão não faça o esforço de entender, que só pode ser respeitado pela História, quem perante ela reconhece a sua pequenez e atuando em consonância com essa humildade, tudo faz para a preservar e respeitar, sem a deixar de viver.


O Bimbalhão, não tem género, nem idade. 
Não é só autarca, governante ou dirigente. Ele é cada um de nós, quando olha e não vê. Quando apenas procura a satisfação imediata da sua necessidade, sem cuidar de prover ao interesse geral e, especialmente quando de forma displicente, vai pelo mais fácil, o que  nem sempre equivale a ser até o mais barato.

O Bimbalhão é, em Tomar, o nosso maior problema. Ele destrói mais do que constrói: a nossa identidade, a nossa espetativa, o nosso futuro, mas destrói especialmente porque não é capaz de respeitar o nosso passado.
Efeito visual do "palco de Feira", sobre a leitura do Palácio D.Manuel


Que excelentes iniciativas culturais como os Caminhos do Ferro, integrado na programação cultural em rede, em boa hora desenvolvido pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, por responsabilidade do Município de Tomar, trouxeram pela primeira vez o mamarracho deste palco em Abril-Maio. 
Tal aluguer continuou por ocasião do último Fanfarrão, neste mês de agosto. 
Esperemos que os próximos eventos que necessitem de palco na Praça da Republica, não continuem a servir de praia para o Bimbalhão fazer das suas. 

Tomar não é a Reboleira e para pinderiquices, já basta aquela vergonha (in)estética junto ao rio. Pode ser-se moderno, pode mesmo ser-se pós-urbano, mas deve-se saber cuidar de ter a sensibilidade devida para, aproveitando o espírito do lugar, saber valorizá-lo e não, como nestes exemplos, afrontar a sua leitura e, em prejuízo geral, cuidar apenas do facilitismo. 

Fazer bem exige trabalho, exige atenção, exige empenho e, no final, é para isso que pagamos à Presidente, à Vereação e aos dirigentes municipais dos setores em apreço. Se o seu sonho é gerirem Curral de Moinas, então que vão para lá...


Tomar não merece, decididamente, isto.

13.8.18

Deixem o fogo andar à vontade...

Com a devida vénia ao Pedro Cosme, tomo o seu texto base, que aqui transcrito e não sendo propriamente esta a minha opinião, achei interessante a abordagem.


Eucaliptos e pinheiros não fazem uma floresta

Portugal tem bom clima para a criação do eucalipto mas, apesar de serem árvores e serem a principal árvore da floresta australiana, é um erro dizer em Portugal que um terreno lavrado, esterilizado o seu solo e plantado com eucaliptos é uma floresta.
Uma verdadeira floresta é um ecossistema complexo, com dezenas de espécies vegetais que, no caso português, as mais importantes têm que ser as diversas espécies de sobreiros, o castanheiro e, acessoriamente,  o loureiro e o medronheiro e outras recordações da floresta laurissilva que vigorava antes da última glaciação (há 10 mil anos).  Deve ainda ter clareiras e espaços entre as árvores onde possa crescer vegetação rasteira.

Fig. 1 - Para ser floresta tem que ter estas espécies como base (fonte)

Quando vemos os incêndios

O que vemos arder são pinheiros e eucaliptos que, para termos uma floresta saudável e rica, deveriam desaparecer para todo o sempre juntamente com as acácias que estão a invadir vastas zonas do nosso país.
Se os pinheiros e eucalíptos que ocupam 20% do nosso território contribuem com 0.3%, do nosso PIB, enquanto comunidade devemos defender o fim desta pratica silvícola porque estes terrenos deveriam ser ocupados com floresta diversificada.
Os eucalíptos e pinheiros têm uma produtividade tão pequena e causam um impacto negativo tão grande em termos ecológicos e de uso (porque motivam a destruição da verdadeira floresta) que os bombeiros, em vez de andarem a apagar os fogos nestes terrenos, deveriam usar gasolina para acabar com essas pragas florestais.
Estes terrenos deveriam ser destinados à verdadeira floresta, a quercínea, onde coabitam mais de 7000 plantas diferentes (ver). 

E tem os matagais.
Os meus avós referiam que, no tempo deles, no monte quase não havia árvores. 
A arborização que vemos hoje, em 75% dos casos,  apenas apareceu no Sec. XX (fonte). Até então, havia uma vastidão de terrenos de pastoreio principalmente de ovelhas.
Quando as ovelhas pastam num terreno, nenhuma árvore consegue crescer pois a ovelha come os rebentos. No caso das cabras, o animal embirra com a casca das árvores e marra com os cornos até destruir tudo. Passados uns anos de pastoreio, a floresta fica sem árvores e dá origem a um campo aberto. Depois da Idade do Ferro, a floresta portuguesa apenas resistiu nos terrenos mais acidentados e onde havia o risco de ataque de lobos.
Como as ovelhas não comem a giesta nem as acácias, se o pastor não incendiar regularmente o terreno, estes arbustos tomam conta do terreno e formam um matagal (o maquis degradado).  Por isso, o nosso território evoluiu nos últimos milhares de anos juntamente com o fogo estando o ecossistema florestal preparado para isso. Até há plantas que apenas nascem depois de um incêndio e outras renascem e florescem dias depois do incêndio.

Fig. 2 -  Limpa-se uma faixa de terreno e, depois, num dia frio e sem vento, fogo na coisa.

No Sec XIX, com a industrialização e emigração, o pastoreio recuou e no Sec XX, com apoio do Estado Novo, avançou a instalação do pinheiro e, a partir dos anos 1960 (com a deslocalização das fábricas de pasta papel dos países mais desenvolvidos para cá), do eucalipto.


Agora, está na hora de entregar a floresta à Natureza

Na minha opinião a floresta deve ser abandonada ao seu destino natural.
Se arder, arde, se não arder, não arde.
Aqui e alí pode haver um contra-fogo, uma queimada preventiva mas a regra deve ser o deixa arder e não o tentar apagar a todo o custo.
Os proprietários florestais devem ter a consciência de que o Estado não pode apagar os fogos florestais. É o risco normal das actividades agrícolas. Tal como pode vir um granizo que destrói as uvas ou um vendaval que destrói as estufas, vem um incêndio que destrói as árvores. Cada um tem que viver com esse risco.
Quanto às ocupação urbana, deve prevalecer face às árvores. Quando uma pessoa achar que os terrenos vizinhos põem em risco as suas propriedades, sem necessidade de fazer prova, deveria ser livre de desmatar o terreno pagando o valor económico do mesmo (0.024€ por ano/m2).
Eu defendo, e os da Quercus têm andado calados, que a floresta industrial de pinheiros e eucalíptos deveria ser destruída. 

Fig. 3 - A limpeza das matas acabou com o pica-pau das nossas florestas


Os incêndios não causam qualquer prejuízo social

Um incêndio causa prejuízo ao proprietário do terreno mas não existe qualquer prova de que cause prejuízo para o meio ambiente ou para a sociedade.
Se usarmos aquela simulação que eu fiz, o incêndio florestal causa a perda, em média,  da produção de 7.5 anos que corresponde a 0.160€/m2 (o terreno desvaloriza de 2.25€/m2 para 1.09€/m2). Uma pessoa que tenha 5000m2 de árvores tem um prejuízo de 800€. Isto é menos que limpar o terreno um  ano e só arde de longe a longe.
É certo que os incêndios apenas existem porque passam de uns terrenos para os outros. Apesar de parecer uma esternalidade negativa, é uma coisa que faz parte do risco da vida do silvicultor. Hoje passa dali para aqui mas amanhã pode passar daqui para ali. Ninguém acusa ninguém disso, faz parte da exploração silvícola.
E isso de que as árvores fazem oxigénio e absorvem CO2 é um mito pois, para isso, as árvores não podem ser cortadas.
Assim que se cortam (e se destroem), absorvem de novo o oxigénio e libertam o CO2.
Por isso tudo, deixem o fogo andar à vontade.