Liberdade, igualdade e fraternidade, são valores intangíveis que devem nortear todos os homens livres e de bons costumes

6.3.14

O Banqueiro anarquista

Rever "Livros revisitados", numa colaboração que tive à alguns anos com o jornal "O Templário"

LIVROS REVISITADOS
O banqueiro anarquista

O Livro desta semana, “O banqueiro anarquista”, de Fernando Pessoa, na edição da chancela Ática, da Guimarães Editores (ISBN 978-972-665-556-5), no ano de 2009, envolve-nos numa esotérica viagem, pelo mundo do “realismo ficcional”, de que só Fernando Pessoa seria capaz, desvendando a contradição entre a filosofia anarquista, muito ao gosto do primeiro quartel do Sec.XX e a profissão de banqueiro.
A trama da ficção, desenrola-se numa conversa entre um banqueiro, aparentemente anarquista que justifica os seus ideais a um amigo, que pensa inconciliável o estatuto de banqueiro com a política anárquica. O banqueiro expõe, então uma série de pontos de vista e ideias com a mais racional linha de pensamento, justificando a sua profissão, dizendo-se ainda um homem praticamente livre, uma vez que é imune ao peso do capital.

Sendo uma ficção, com o traço de génio de um Pessoa, é hoje especialmente interessante revisitá-lo, nomeadamente pela actualidade do conceito do “Banqueiro” do mundo, seja ele quem for, que parece alimentar-se numa cada vez maior “anarquia”, que destrói continentes, países, Cidades e aldeias, famílias e pessoas.

Neste “caos de milhões”, com que diariamente somos bombardeados, redescobrimos a importância das coisas simples, como o prazer do convívio com os amigos numa Cidade com Monumentos abertos todo o dia, com o gosto de ter um Rio mais limpo ou com a benesse de sabermos que todas as crianças, nossos filhos ou netos, podem ir ao cinema ou ao teatro, independentemente de viverem no campo ou na cidade, como nalguns Concelhos deste País.

Como o autor nos interpela directamente para a luta dos tempos idos, presentes e futuros, com um “realmente, quem se esquiva a travar um combate não é derrotado nele. Mas moralmente é derrotado, porque não se bateu”, diz o banqueiro que se acha anarquista. E na vida diária do nosso Concelho não será assim?

A quantos combates, quem nos tem governado, se tem procurado esquivar até hoje? Quantos mais falhanços no desenvolvimento de Tomar serão precisos, para que percebamos que nem somos governados nem por banqueiros, nem por anarquistas, mas pela pior das soluções humanas: os imobilistas?

Pessoa desafia-nos, nesta obra, a reencontrarmos o conceito de liberdade, “…para si e para os outros, para a humanidade inteira.”, “estar livre da influência ou da pressão das ficções sociais”, “ser livre tal qual nasceu e apareceu no mundo, que é como em justiça deve ser; e quer essa liberdade para si e para todos os mais”.

Ora, não é mesmo chegado o tempo de Tomar se libertar dos imobilistas, incapazes de resolverem qualquer dos problemas que o Concelho padece há anos, lhes juntou outros problemas, como por exemplo o pagar milhões por uma obra que vale tostões? Porquê e com que interesse? Quem ganha com a falta de liberdade no nosso Concelho? Quem e porquê nos quer mais pobres hoje em Tomar, do que éramos há 14 anos atrás? Não será altura de nos libertarmos destas amarras, desta falta de rasgo e humanidade, de quem nos tem governado?

26.2.14

“A Maçonaria pode contribuir para uma democracia mais saudável”, segundo António Reis

António Reis grão-mestre da obediência maçónica Grande Oriente Lusitano (GOL), até 2011, daquela que é a mais antiga organização maçónica que existe em Portugal, tendo-se formado em 1802.


António Reis é Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. De passagem em Viseu, o Grão-Mestre do GOL, acedeu a ser entrevistado pelo Jornal do Centro para falar sobre a organização em Portugal e na região.
O Grão-Mestre António Reis vai ser amanhã substituído no cargo por Fernando Lima, ex-líder da Sociedade Lusa de Negócios, gestor de empresas e actual presidente da Sociedade Galilei.
António Reis cumpriu dois mandatos de três anos à frente do GOL. Na fotografia desta página, o grão-mestre é fotografado no principal templo maçónico em Portugal, no Palácio Maçonico em Lisboa.

A ENTREVISTA:
A Maçonaria justifica-se na sociedade em que hoje vivemos?
A razão principal que levou ao nascimento da Maçonaria mantém-se actual. Tem a ver com a necessidade de construir pontes entre os homens, para além das divergências de carácter ideológico, político, partidário e, sobretudo, religioso.
Foi a partir da necessidade de superar essas divergências, de encontrar um local ou uma organização onde se pudesse conviver, debater, ser tolerante e respeitar as ideias dos outros, que nasceu a Maçonaria no princípio do século XVIII, em Inglaterra. Era uma Inglaterra dividida por lutas religiosas e partidárias muito intensas.
O que vemos hoje é ainda um mundo muito dividido e partilhado por ideologias e opções políticas e religiosas diferentes e com tendência para cair em fundamentalismos, quer de carácter religioso, quer de carácter ideológico.
A Maçonaria apresenta-se como forma de combater esses vícios e esses fundamentalismos e proporcionar às pessoas uma plataforma de entendimento que supere essas divisões.
É isso que faz sentido no mundo de hoje em que todos nós estamos cada vez mais a ser testemunhas da gravidade das consequências desses fundamentalismos de vária ordem.

E de que forma é que a Maçonaria tem acção no cenário que acaba de traçar?
Congregando, antes de mais, as elites de cada sociedade e de cada país no culto dos valores da tolerância, fraternidade, compreensão mútua, da procura da verdade sem dogmatismos de qualquer espécie.
Nas lojas do Grande Oriente Lusitano (GOL) encontram-se pessoas com diferentes opções religiosas, políticas e ideológicas. Convivem de forma fraterna, discutem os problemas do país, as grandes questões da filosofia e da ciência, sem se hostilizarem.
Na sua vida profana, como dizemos, podem ter opções diferentes, militarem até em partidos diferentes, e na sua loja procurarem opções em conjunto para os problemas da humanidade e do país, em particular.

De que forma é que os maçons intervêm na sociedade? Há alguma determinação nesse sentido por parte do GOL?
Reconhecemos uma grande liberdade de actuação para cada membro da Maçonaria. Mas não há dúvida nenhuma que os estimulamos a todos a empenharem-se na área da solidariedade social da filantropia. A dimensão filantrópica caracteriza a maçonaria desde as suas origens.
Em Portugal esta forma de actuar teve especial importância quando o Estado-providência era muito frágil no nosso país. Falo em fins do século XIX e início do século XX. Altura em que os maçons foram sempre gente empenhada em organizações de solidariedade social. E fundaram muitas que ainda hoje existem, como o Montepio Geral, fundado por maçons no século XIX.
Algumas instituições foram fundadas por maçons e ainda hoje estão na posse do Grande Oriente Lusitano, como são os casos dos internatos de S. João, em Lisboa e no Porto.
Dei exemplos de vestígios, quase simbólicos, do que era a imensa actividade filantrópica da Maçonaria portuguesa.
Mas o que hoje prevalece na Maçonaria é a dimensão cívica, cultural e ética. O que pretende ser é uma vanguarda ética e cívica que defende grandes valores: a liberdade de consciência, a igualdade, a justiça, a tolerância, a cidadania e a laicidade, naturalmente. A separação entre a Igreja e o Estado foi, em grande parte, obra da Maçonaria portuguesa através dos governos da primeira república.
Pretendemos ser defensores acérrimos destes valores. Constituímos uma espécie de elite que está sempre pronta a bater-se por eles e, depois, cada um opta pela melhor maneira prática de os defender. Pode fazê-lo dentro de um partido político, de uma associação cultural e cívica, através do tipo de profissão que acaba por escolher. Tudo isso contribui para levar por diante a defesa dos valores que defendemos.

Falou na política. Esse é dado como um meio no qual a Maçonaria exerce influência. De que forma existe e como vê essa acção?
É preciso que fique muito claro que a Maçonaria não é uma organização política nem um outro tipo de partido político. Não pretende ser uma organização de massas, muito longe disso, mas sim que os seus membros possam influenciar a vida dos partidos políticos em que militam com base nos valores que apontei.
A Maçonaria não é uma organização formada para dar ordens aos partidos políticos ou tentar manipulá-los, nem que lhe obedeçam como marionetes na sua mão. E nem isso era possível pelo que já expliquei. Pode contribuir para uma democracia mais saudável, para evitar sectarismos e posições demasiado fechadas e promover o diálogo entre as diferentes forças políticas.
Tudo isso pode ser uma relação útil por parte de maçons na sua relação com a vida partidária e com a vida política. Não telecomandamos os partidos políticos, os governos ou a Assembleia da República. Há deputados maçons sem dúvida, em diferentes partidos, há ministros e secretários de Estado maçons, sempre os houve, mas o que se passa é que não obedecem a nenhuma central de comando. O Grão-Mestre não é o dono de uma central que movimenta os peões no xadrez do tabuleiro político ou partidário.

Mas qual é a marca que pretendem deixar com a influência que têm na acção de um partido político, por exemplo?
É sobretudo uma marca no plano ético. O maçon tem que ser exemplar na sua conduta ética na política, num partido político ou num órgão de soberania como um governo ou a Assembleia da República. O mesmo deve acontecer se for professor ou gestor num banco ou numa empresa. Deve pautar a sua actividade por padrões de excelência profissional.

Se, como defendem, os grandes desenvolvimentos da humanidade estão ligados aos maçons, de que forma têm a marca da maçonaria os desenvolvimentos de Portugal do pós 25 de Abril?
Dou um exemplo concreto que tem a ver com a zona onde estamos, a região Centro do país. É o caso da Lei do Serviço Nacional de Saúde. É uma extraordinária Lei, que mudou completamente o panorama da Saúde em Portugal, principalmente no acesso que a ela tem a população. É da autoria de um grande maçon que me antecedeu no cargo de Grão-Mestre: António Arnaut, um homem de Coimbra.
A Lei do Serviço Nacional de Saúde foi discutida na loja maçónica à qual pertencia António Arnaut e recebeu contributos dos irmãos daquela loja antes de ter sido apresentada e aprovada na Assembleia da República em 1979.
O mesmo tinha acontecido 60 ou 70 anos antes com a famosa Lei de Separação entre a Igreja e o Estado, apresentada por Afonso Costa na Loja do Futuro, em Lisboa. Estes são casos concretos em que a Maçonaria interveio na vida política e na legislação do país.

Não pretendem dominar, mas sim orientar e influenciar. É assim?
É uma boa síntese essa. Não dominar, não manipular, mas fazer com que os valores maçónicos possam enformar a legislação do país e até o comportamento dos políticos.

Quantos maçons existem em Portugal?
No Grande Oriente Lusitano somos cerca de dois mil.

Em Viseu, segundo apurámos, existem cerca de meia centena de maçons. Quantas lojas existem na cidade?
Temos duas lojas em Viseu. A loja Alberto Sampaio e a loja Alves Martins – a mais recente -, em homenagem ao famoso bispo de Viseu, que era maçon. Na nossa obediência, o GOL, são as que existem em Viseu.

O que é preciso para se ser maçon? Como se entra para a Maçonaria?
Actualmente entra-se para a Maçonaria por cooptação [admissão numa organização com dispensa de formalidades originariamente exigidas]. São os próprios maçons que na sua vida profana [exterior à organização] encontram pessoas com qualidades e interesse nas questões que ocupam e preocupam os maçons e os convidam a entrar. É a maneira mais comum de entrar, ou seja, através de um convite de um maçon a um não maçon.
Mas não é obrigatório que seja sempre assim. Com a internet é mais fácil as pessoas aproximarem-se de nós sem ser através de mediação.
Os pedidos são muito bem analisados e objecto de inquirições e várias conversas – que chamamos de sindicâncias – que obrigam a um conhecimento completo da vida da pessoa e das motivações que têm para se aproximar da Maçonaria.
Só ao fim de um longo e rigoroso escrutínio é que essa pessoa é convidada e presta provas. Chamamos a isso a iniciação. A pessoa é sujeita depois a um interrogatório rigoroso e exigente em que pode passar ou chumbar. Qualquer maçon, por um motivo diverso, pode levantar oposição à entrada de um candidato. O escrutínio passa não só pelas pessoas da loja que o convidou, como também de todos os membros da obediência.

Há quem pense que a Maçonaria não passa hoje em dia de uma agência de empregos. O dever de entreajuda dos maçons pode levar a que se pense assim? É uma enormidade dizê-lo?
Há dois prismas para analisar essa questão.
É claro que a maçonaria é uma fraternidade. É uma sociedade em que os irmãos, como nos designamos, se procuram entreajudar como numa família. Se há a possibilidade de ajudar um dos membros é claro que o maçon o fará.
Mas não é esse o objectivo da Maçonaria. Nenhum de nós interfere na questão dos empregos contornando a Lei. Procuramos ajudar-nos uns aos outros como numa família sem utilizar aquilo a que se chama de cunha, no sentido de prejudicar outras pessoas para que aquele que é meu irmão possa obter um emprego.

Há um caso verídico de alguém que não consegue subir numa carreira profissional e que é aconselhada a ser membro da Maçonaria ou do Opus Dei para o conseguir. Admite que as pessoas, por este tipo de necessidade ou desejo, procurem a Maçonaria?
Se as pessoas vêm com esse objectivo são rapidamente desiludidas. Nas provas de iniciação é-lhes dito que, com esse objectivo, não podem entrar na Maçonaria. E mais: às pessoas que têm essa preocupação só lhes posso dizer que é muito mais fácil fazê-lo através de um partido político, nomeadamente dos chamados partidos do poder, do que através da Maçonaria ou mesmo do Opus Dei.
Não posso falar em nome do Opus Deis mas, sem dúvida nenhuma que os partidos da área do poder são, esses sim, propulsores da possibilidade de se conseguirem empregos.

A recente questão que surgiu à volta dos serviços secretos portugueses fez transpirar para a comunicação social que a Maçonaria ou alguns dos seus membros estariam envolvidos. Falou-se por exemplo da loja Mozart e de membros seus que estiveram envolvidos na questão…
A loja Mozart pertence à Grande Loja Regular Legal de Portugal, não é o Grande Oriente Lusitano. Essa é chamada a Maçonaria Regular. Nós pertencemos à Maçonaria Irregular, Liberal e Adogmática.
No Grande Oriente Lusitano somos completamente alheios a esse assunto.

O Grande Oriente Lusitano e as suas lojas em Portugal têm sido alvo deste tipo de mediatização quando os seus membros estão envolvidos em questões públicas?
Não tenho ideia disso. Isso tem acontecido mais frequentemente com a Grande Loja Regular Legal de Portugal. Temo-nos mantido bastante alheados disso.
Recorda-se certamente do caso da Universidade Moderna. Mais uma vez isso aconteceu com uma obediência que era a Grande Loja Regular Legal de Portugal.
Temos tido uma grande preocupação em evitar que essas coisas aconteçam connosco. Somos muitíssimo prudentes e exigentes, também no nosso recrutamento, para evitar situações desse tipo.

A Grande Loja Regular Legal de Portugal, de que fala, surgiu por uma dissidência do Grande Oriente Lusitano há cerca de duas décadas. Porque é que isso aconteceu?
Eles saíram do Grande Oriente Lusitano nos anos 80 porque entenderam adoptar a filosofia própria da Grande Loja Unida de Inglaterra e da chamada Maçonaria Regular que se distingue da nossa filosofia em dois aspectos essenciais.
Em primeiro lugar porque obrigam à crença numa religião revelada, qualquer que ela seja e à existência de um princípio sobrenatural. Para os maçons do GOL não impomos nenhuma crença e, ao contrário deles, admitimos ateus e agnósticos no nosso seio porque entendemos que o princípio da liberdade de consciência deve ser levado até às últimas consequências.
A segunda grande diferença é a de que os maçons ligados à Grande Loja Unida de Inglaterra não admitem mulheres na Maçonaria, enquanto nós admitimos a existência de mulheres iniciadas na maçonaria.
Sendo embora uma obediência exclusivamente masculina, o GOL reconhece o direito à iniciação das mulheres, necessariamente noutras obediências, e convida irmãs maçonas a irem aos trabalhos das lojas do GOL e aceita convites para ir a trabalhos de lojas de obediências femininas ou mistas.

O que é uma obediência maçónica mista?
As obediências podem ter lojas exclusivamente masculinas, femininas ou mistas – que admitem os dois géneros.
Há várias obediências mistas em Portugal. Há o chamado Direito Humano, uma obediência fundada nos finais do século XIX em França e que se espalhou por todo o mundo, e existe uma Federação Portuguesa do Direito Humano, com lojas masculinas, femininas e mistas.
Existe também a Grande Loja Simbólica de Portugal, do Rito Antigo e Primitivo Menphis-Misrain, que se caracteriza por praticar um determinado rito. Os ritos são formas diferentes de praticar um ritual dentro de uma loja.

As ramificações que teve ao longo dos anos não enfraquecem o legado histórico, ou o próprio conceito, da Maçonaria?
Sim, isso acontece em todas as organizações. Acontece com o Cristianismo, com as suas várias correntes. É quase inevitável que isso aconteça. É humano, demasiado humano.
Mas isso não impede que as diferentes obediências maçónicas encontrem formas de cooperação. Todos nós partilhamos filosofias comuns: a da tolerância, a da fraternidade, a da laicidade. São valores comuns a todos nós.
Eu tenho as melhores relações pessoais com os grão-mestres de cada uma dessas obediências, até da própria Grande Loja Regular Legal de Portugal. Muitas vezes é necessário trocarmos impressões, analisarmos em comum determinados problemas do país e não nos guerreamos.

Ao que se sabe a média de idades dos maçons em Portugal anda pelos 50 anos…
Não tenho estatísticas que o comprovem, mas a experiência leva-me a dizer que tem vindo a descer, pelo menos no GOL e nos últimos seis anos.
O que tem havido é cada vez mais interesse na aproximação à Maçonaria por parte dos mais jovens, nas faixas dos 20 e 30 anos.

Lendo alguns dos requisitos para se ser maçon, que estão disponíveis, por exemplo, no sítio da internet do GOL – em www.gremiolusitano.eu –, regista-se, por exemplo que só pode ser maçon quem nunca tenha tido problemas com a Justiça. Nos dias de hoje muitos dos cidadãos têm problemas e questões que levam por vezes a que sejam cometidos pequenos delitos e ao cumprimento de condenações consideradas menores. Esta é uma barreira importante para a aceitação de membros?
Pedimos obrigatoriamente o certificado de registo criminal. Tentamos saber alguma coisa sobre a vida da pessoa, se teve algum problema grave com a Justiça, embora o ter sido condenada uma vez não seja uma mancha para o resto da vida. Mas temos muito cuidado com isso.
Se algum dos nossos membros é alvo de um processo judicial, é acusado e pronunciado pelo juiz, nesse caso é aconselhado a suspender a sua participação na Maçonaria até que haja uma sentença transitada em julgado.
Se a sentença for condenatória a pessoa é aconselhada a demitir-se. Se o não quiser fazer há um Tribunal Maçónico que a pode irradiar da Ordem Maçónica.

Houve muitos nomes de pessoas ilustres da região de Viseu na Maçonaria. Fale-nos sobre alguns. … Aquilino Ribeiro foi maçon, por exemplo?
Foi. Sem dúvida que foi. Aquilino foi iniciado na Maçonaria em Lisboa e creio que na Loja Montanha, a que mais directamente esteve ligada à Carbonária. Para além de maçon, Aquilino Ribeiro era carbonário.
De pessoas mais recentes lembro-me por exemplo de João Soares Louro – antigo presidente da RTP e secretário de Estado da Comunicação Social -, que foi iniciado na Loja Alberto Sampaio.

O nome de Fernando Vale, um histórico da maçonaria portuguesa na região Centro, também está ligado a Viseu…
Fernando Vale é um dos mais ilustres maçons de sempre na nossa história e nesta região, juntamente com Emídio Guerreiro, mais a Norte.

Vivemos em tempo de crise. A Maçonaria está atenta para se adaptar aos novos tempos?
Temos que estar muito atentos a estes sintomas de inquietação que vão proliferando, mas não podemos cair num certo catastrofismo, nem pensar que a democracia está condenada e que se caminha no sentido de uma certa anarquização das respostas políticas. Longe disso.
Há que aperfeiçoar a democracia e os partidos. Não vejo alternativas a uma organização democrática em que os partidos políticos continuam a ter um papel fundamental.

A Maçonaria chegou à Madeira
Está no último dia [julho2011] como Grão-mestre do GOL. Foram gratificantes estes anos?
Foram seis anos muito fecundos em que o GOL cresceu bastante e aumentou até o seu prestígio internacional. Aumentou o número de lojas e obreiros. Faltava-nos a implantação em alguns distritos e, sobretudo, conseguimos abrir uma loja na Madeira, a única Região Autónoma onde ainda não estávamos presentes. Nos Açores temos várias lojas e agora já temos uma oficina na Região Autónoma da Madeira.

Isso acontece numa altura em que há um grande problema político e financeiro entre o Governo central e a Região da Madeira…
É verdade. E não fomos nós os responsáveis do buraco financeiro da Madeira. Mas, concerteza, é útil que a Maçonaria e , em especial, o GOL, estejam agora também presentes na Madeira, o que vai certamente contribuir para melhorar o nível democrático daquele território.

Estão implantados em todo o território nacional?
O único distrito onde não estamos é o de Beja. É um distrito pouco povoado.
De resto estamos presentes em todos os distritos com templos da nossa organização.

18.2.14

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Levantamento histórico dos Bombeiros Municipais de Tomar, pode ser lido aqui


10.2.14

A destruição e a emergência, não escolhem hora nem local

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27.1.14

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Tendo como base a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade... construída com Verdade, Justiça, Honra e Progresso!

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