Como mudar o Seguro de Vida Crédito Habitação de forma muito simples, poupando substancialmente?
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FACULTATIVAS - CONTRATOS DE CRÉDITO AOS CONSUMIDORES PARA IMÓVEIS
DESTINADOS A HABITAÇÃO...
22.10.19
21.10.19
A "bolha", o ser vivo mais estranho da terra...
Notícia original, aqui
A personagem principal desta notícia parece saída de um filme de terror, mas é na realidade o protagonista de uma exposição em França. Esta quarta-feira, o Parque Zoológico de Paris apresentou um misterioso organismo conhecido como “bolha”. De seu nome científico Physarum polycephalum, este ser vivo unicelular amarelado tem a aparência de um fungo, mas age como um animal.
Integrado numa nova exposição deste parque francês que estará aberta ao público a partir deste próximo sábado, a “bolha” não tem boca, nem estômago, nem olhos, mas consegue detectar comida e digeri-la. O Physarum polycephalum tem quase 720 sexos, consegue mover-se sem patas ou asas e conseguem regenerar-se em dois minutos se for cortado ao meio.
“A bolha é um dos grandes mistérios da natureza”, afirmou Bruno David, director do Museu de História Natural de Paris, do qual o Parque Zoológico de Paris faz parte. “Este ser vivo é surpreendente porque não tem cérebro, mas é capaz de aprender. Se juntarmos duas bolhas, a primeira transmitirá os seus conhecimentos à outra”, acrescentou.
Integrado numa nova exposição deste parque francês que estará aberta ao público a partir deste próximo sábado, a “bolha” não tem boca, nem estômago, nem olhos, mas consegue detectar comida e digeri-la. O Physarum polycephalum tem quase 720 sexos, consegue mover-se sem patas ou asas e conseguem regenerar-se em dois minutos se for cortado ao meio.
“A bolha é um dos grandes mistérios da natureza”, afirmou Bruno David, director do Museu de História Natural de Paris, do qual o Parque Zoológico de Paris faz parte. “Este ser vivo é surpreendente porque não tem cérebro, mas é capaz de aprender. Se juntarmos duas bolhas, a primeira transmitirá os seus conhecimentos à outra”, acrescentou.
De acordo com o jornal francês Le Monde, este é um organismo primitivo, que terá surgido há 500 milhões de anos, antes do aparecimento do reino animal. Como é unicelular, no início da sua vida é difícil de localizar, mas quando cresce pode ser encontrado em florestas temperadas ou em certas grutas.
Em laboratório, pode estender-se por até dez metros quadrados. “Podemos criar bolhas de todos os tamanhos, não há bem um limite”, assinala Audrey Dussutour, especialista na bolha do Centro Nacional de Investigação Científica francês (CNRS). No sábado, a investigadora fará a apresentação “A bolha, um ovni na biologia” no Parque Zoológico de Paris, o primeiro do mundo a exibir este organismo.
Para que se consigam ter exemplares suficientes para a exposição, a partir da mesma amostra têm sido criados novos exemplares no zoo todos os dias. “Nunca nos pára de surpreender. Pode morrer de várias formas, mas também ficar dormente. Nesse estado, pode quase ser imortal… Mesmo se for colocado no microondas durante alguns minutos”, conta Audrey Dussutour.
E a sua classificação continua a ser um mistério. “Não sabemos onde colocá-lo na árvore da vida”, disse Bruno David ao Le Monde. Como tem um modo de se reproduzir parecido com o dos cogumelos, até à década de 1990 ainda foi considerado um deles. Desde então, integra a classe Myxogastria. “Sabemos, de certeza, que não é uma planta, mas não sabemos bem se é um animal ou um fungo”, referiu ainda à agência Reuters Bruno David. “E comporta-se de forma surpreendente para um ser que parece um cogumelo. Afinal, tem o comportamento de um animal e é capaz de aprender.”
O Physarum polycephalum é conhecido como bolha devido ao filme de terror e ficção científica chamado “A Bolha”. Neste filme, protagonizado por Steve McQueen, um ser gelatinoso consumia tudo por onde passava numa pequena localidade da Pensilvânia, Estados Unidos.
20.10.19
19.10.19
São os nossos impostos que pagam as Joacines deste País...
Demorei anos a perceber o verdadeiro alcance daquilo que são as políticas de integração em Portugal. Senão vejamos:
A Joacine, atualmente com 37 anos, africana de nascimento e cidadã portuguesa, com dupla nacionalidade, foi estudar para o ISCTE, findo o secundário, onde terá terminado a sua licenciatura em 2003/4.
Das várias pesquisas que fiz, naturalmente incompletas, apresenta-se sempre como “ativista política” e “investigadora”, deduzo que com uma daquelas bolsas de investigação que as universidades ajudam a candidatar a fundos públicos.
Ou seja, depois da licenciatura obtida, com igual e natural mérito face aos demais estudantes, espero que não tenha havido qualquer discriminação - positiva ou negativa, pelo facto de ser africana e/ou mulher.
Desenvolveu depois estudos de mestrado e de doutoramento, sobre temas inenarráveis e de irrelevante interesse nacional, naturalmente financiada pelos nossos impostos, os quais devem ter feito falta noutros setores educativos e/ou de desenvolvimento do interior de Portugal, onde desde que a Joacine se licenciou, fecharam mais de 80% das escolas primárias e se perdeu mais de 30% da população (nalguns casos até quase 50%) - em 25 anos.
O problema não é, objetivamente, ela ser africana ou mulher. O problema está em que não parece que ela, nestes 29 anos em Portugal, tenha desenvolvido qualquer outra forma de ação que não estivesse alocada ao radicalismo feminista ou rácico..
Investigadora no ISCTE, bolseira e/ou contratada a recibos verdes, para fazer estudos sobre os temas que são públicos, paga por todos nós para estudar e nos impor ideias simples, como por exemplo o empoderamento - essa nova seita das feministas ou da ausência de racismo por parte dos africanos face aos brancos - tudo matérias abordadas pelas suas teses.
Hoje é, pelo voto do povo, e muito bem - deputada, onde vai continuar a viver dos nossos impostos e tentar impor a sua - e de parte da universidade portuguesa, agenda radical, a qual cada vez se aproxima mais da revolução cultural de Mao Tsé Tung, na China dos anos 60.
Sim.
Agora percebo, que a nossa liberdade de viver uma vida normal, de liberdade de expressão e de respeito pela diferença, está de novo em causa, como o esteve durante séculos, enquanto a igreja católica queimava na fogueira, quem se atrevia a pensar fora do dogmatismo fanático que defendia.
Que gaita.
Aos 52 anos descobri isto tudo e pergunto-me: onde falhei, enquanto cidadão e político, para dar espaço aos Mamadus e Joacines desta vida.
✊🏻🙁🤙🏿

18.10.19
17.10.19
Que tsunami é este que lidera os protestos na Catalunha?
Notícia original aqui
Autoridades espanholas estão a investigar quem poderá estar por detrás da plataforma Tsunami Democràtic, a que Pep Guardiola deu voz e rosto na segunda-feira à noite. Nasceu no início de setembro e defende a não-violência e os bloqueios como os que paralisaram o aeroporto de El Prat.

Autoridades espanholas estão a investigar quem poderá estar por detrás da plataforma Tsunami Democràtic, a que Pep Guardiola deu voz e rosto na segunda-feira à noite. Nasceu no início de setembro e defende a não-violência e os bloqueios como os que paralisaram o aeroporto de El Prat.
A resposta à sentença dos ex-líderes independentistas catalães foi liderada nas ruas por uma plataforma chamada Tsunami Democràtic, que nasceu no início de setembro nas redes sociais e teve o aval dos partidos e das associações ligadas ao movimento pela independência da Catalunha.
O bloqueio do aeroporto de El Prat foi a primeira grande ação do grupo cujo objetivo é gerar "uma crise generalizada no Estado espanhol". Ninguém sabe quem são os seus líderes, que pediram ao treinador do Manchester City, Pep Guardiola, para ler o primeiro grande comunicado desta plataforma.
As autoridades espanholas já estão a investigar. "Acabaremos por saber quem está por detrás deste movimento", disse o ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, diante das câmaras da TVE. Noutra televisão, laSexta, o ministro quis deixar claro que "não se perseguem ideias", mas investigam-se "factos com aparência criminosa importante".
Como funciona?
A Tsunami Democràtic, que se apresenta como a resposta cidadã à sentença do Supremo Tribunal, mostrou a sua capacidade de mobilização ao convocar os protestos que bloquearam o aeroporto de Barcelona. Uma das manobras foi a distribuição de falsos bilhetes de avião para permitir aos manifestantes ultrapassar a primeira barreira de segurança, quando as autoridades só estavam a deixar entrar nos terminais quem mostrasse um cartão de embarque.
A plataforma atua dentro da mesma lógica clandestina que permitiu a organização do referendo independentista de 1 de outubro de 2017, com o transporte das urnas de voto para as assembleias sem que as autoridades o conseguissem travar. Cada membro do grupo tem uma tarefa e procura outro indivíduo para comunicar a etapa seguinte. A comunicação é feita entre intermediários, que podem até nem se conhecer, não entre um líder e os seguidores.
No seu site, que foi registado a 23 de julho numa ilha das Caraíbas, reiteram que são por uma ação não violenta e estão dispostos a suportar o sofrimento em vez de o infligir. "Não lutaremos violentamente se eles nos atacarem", refere, e incluem um guia básico de conselhos legais sobre o que podem as autoridades policiais fazer e que direitos têm aqueles que possam ser detidos ou retidos pela polícia. Incluem links para o perfil de Twitter (onde têm quase 165 mil seguidores), de Instagram (91 mil seguidores) e o canal de Telegram do grupo (ontem já tinha quase 249 mil membros).
Nesta terça-feira apresentaram uma app para coordenar as ações. "Já tínhamos dito: a resposta és tu. Ontem ficou muito claro que a força são as pessoas. Isto só começou. Agora devemos preparar-nos para o imparável tsunami democrático", indicaram, com o link para a aplicação. Dizem que é segura, anónima e privada. Mas só funciona depois de ser validada por um código QR, que cada utilizador tem de procurar dentro do seu grupo de confiança. Depois, dirá qual a disponibilidade e os recursos que têm, recebendo a partir daí as convocatórias para novas ações.
Os protestos contra a sentença dos líderes independentistas, condenados a penas entre os 9 e os 13 anos de prisão, continuaram nesta terça-feira, com cortes de estradas na Catalunha e mais cargas policiais.
O que querem?
"A luta não violenta não acabará até que se termine a repressão e se respeite o direito à autodeterminação como se fez no Quebeque ou na Escócia", disse o treinador do Manchester City, Pep Guardiola, que leu na segunda-feira à noite um comunicado da plataforma e se tornou o rosto do movimento que não tem um líder conhecido. Guardiola falou em inglês, com legendas em castelhano e catalão.
16.10.19
15.10.19
Metabolismo Urbano – As Cidades Também Comem
Artigo original, publicado aqui
Por Daniela Ferreira, Engª. do Ambiente formada pelo Instituto Superior Técnico
Estamos habituados a pensar numa cidade como uma unidade de urbanismo. Uma unidade física que nos abriga e acolhe no dia-a-dia corriqueiro das nossas vidas. Todavia, em 1965, Abel Wolman olhou a cidade de uma forma diferente.
No seu trabalho designado “O metabolismo das cidades” desenvolveu o conceito de metabolismo urbano que viria a mudar toda uma forma de pensar sobre elas.
O metabolismo urbano é definido como a quantificação das necessidades de materiais e bens necessárias ao suporte das tarefas humanas nas cidades, incluindo a remoção e deposição dos resíduos.
De uma forma mais simples, Wolman olhou para a cidade de uma perspetiva orgânica e biológica e viu que, à semelhança de todos os organismos vivos, também a cidade precisava de uma fonte de energia e de alimento para que pudesse crescer e desenvolver-se da forma como a conhecemos.
Depois da primeira definição de Wolman, mais de quarentena anos depois, Kennedy e os seus colegas aprimoraram o conceito, definindo-o como a soma total dos processos técnicos e socioeconómicos que ocorrem nas cidades, e que resultam no seu crescimento, produção de energia, e eliminação de desperdícios sob a forma de resíduos.
Desta forma, o conceito de Metabolismo Urbano é baseado na metáfora ecossistémica onde as cidades são consideradas sistemas complexos, que para crescerem necessitam de consumir matérias-primas, água e ar (que são extraídos do ambiente e que são posteriormente transformadas parcialmente em produtos). Dado que os processos de transformação das matérias-primas têm grandes ineficiências deles resultam resíduos e emissões que são devolvidos à natureza, fechando-se assim o ciclo de materiais.
Os problemas ambientais surgem não só na fase de deposição dos desperdícios mas também durante todo o processo de crescimento da cidade.
Para que se possa compreender quais as ações a desenvolver, com o intuito de minimizar as consequências ambientais nefastas resultantes do metabolismo das cidades, é necessário proceder à contabilização e monitorização dos fluxos de materiais bem como das quantidades envolvidas, para que se possa mais facilmente ter uma ideia dos possíveis impactes.
De acordo com a primeira lei da termodinâmica (a lei da conservação da massa), tudo o que entra num sistema é igual ao que sai mais o que nele fica acumulado. Este princípio básico referente ao balanço da matéria é verdadeiro em qualquer sistema, pelo que também é válido para as cidades.
A metodologia prática que permite uma análise do metabolismo urbano de uma cidade é designada por Análise de Fluxo de Materiais (AFM).
A AFM permite contabilizar os materiais que fluem dentro do sistema (cidade), os seus stocks e fluxos que a atravessam, e ainda contabilizar o resultado dos seus outputs que são descarregados no ambiente sob a forma de poluição, resíduos ou exportações.
A AFM usa como ferramenta a técnica de contabilização de fluxos de materiais (CFM) que consiste num modelo simplificado das inter-relações da economia da cidade com o ambiente, no qual a economia da cidade funciona como um subsistema do ambiente dependente de um constante fluxo de materiais e energia.
Para a elaboração de uma contabilização de fluxos materiais é necessário definir o sistema que vai ser analisado (normalmente uma cidade ou área metropolitana), bem como o horizonte temporal durante o qual este vai estar a ser analisado (p. ex. um ano ou um intervalo de anos) e ainda possuir dados estatísticos que permitam a contabilização de todas as produções, extrações, importações, exportações, resíduos, e emissões de materiais na cidade em análise.
Estando reunidos todos os parâmetros acima descritos passamos a dispor de tudo o que é necessário para se elaborar o balanço entre as entradas (extração de recursos naturais e importação de bens) e as saídas (resíduos, emissões atmosféricas, para o solo e para a água, e exportações) que irá resultar no cálculo da acumulação de stock de materiais (ver ilustração 1).
Importa notar ainda que esse stock se manifesta sob a forma das infraestruturas, parque imobiliário e bens de investimento duráveis no sistema económico em análise.
Em resumo, através desta abordagem, uma cidade é conceptualizada sob a forma de um sistema que está interligado ao sistema ambiente, que extrai e transforma materiais deste último, mantem-nos acumulados durante um período de tempo e deposita-os de novo no ambiente no fim da sua utilização.
Atendendo a que mais da metade da população do mundo vive hoje em cidades, e as maiores áreas urbanas do mundo estão a crescer a um ritmo alucinante, tendo como exemplo as megacidades – regiões metropolitanas com população superior a 10 milhões – que de 1975 passaram de apenas 3 para 20 atualmente, torna-se cada vez mais relevante pensar sobre as cidades do ponto de vista metabólico, daí a importância do conceito de metabolismo urbano.
Através da análise e compreensão exaustiva de todos os fluxos inerentes às cidades, poderemos compreender quais as políticas e metas a adoptar a fim de se conseguir obter um efetivo controlo do crescimento urbano, e minimizar as consequências ao nível ambiental que esse crescimento acarreta.
O conceito de metabolismo urbano constitui-se assim, como uma ferramenta fulcral de conhecimento que permite às entidades responsáveis, identificar, analisar e planear de forma mais consciente todas as acções a desenvolver, que permitirão mitigar os efeitos do crescimento urbano desmesurado, que se tem vindo a fazer sentir nas últimas décadas e suas respetivas consequências que em tanto se têm demonstrado nefastas ao meio ambiente.
**** *** ** * [NOVO ARTIGO, original a ser lido aqui]
A Importância do Metabolismo Urbano para as Cidades Contemporâneas
20 de Junho de 2018, 20:00 , por Jason Daniel Lang Achermann
Já ouviram falar no Metabolismo Urbano? Já pensou na cidade como um organismo vivo e que, como qualquer outro ser vivo, ela poderia possuir relações de transformação de substâncias para manter vivo seu funcionamento? Sim isso é possível, a abordagem teórica do metabolismo urbano compara a cidade a um organismo vivo e assim estuda e analisa os processos metabólicos dos sistemas urbanos.
Ele utilizou dados nacionais sobre a utilização dos recursos naturais, o autor partiu do princípio que o estudo e quantificação dos fluxos de matéria e energia que entram e saem das fronteiras cidades, permite a compreensão do seu funcionamento.
Todos os metabolismos são sistemas abertos, ou seja trocam matéria e energia com o meio em que estão inseridos, e necessitam de energia exterior para manter o seu funcionamento. E nas cidades não é diferente, isso pode ser visto nas residências, ruas e bairros, que necessitam de energia para funcionamento dos eletrodomésticos, sinais de transito, iluminação das vias etc.
Em todo e qualquer ambiente urbanizado ocorrem processos constantes de extração, transferência, acumulação e disposição de matéria e energia provenientes de ambientes naturais, sendo água, matérias primas, energia e nutrientes os quatro fluxos fundamentais analisados nos metabolismos urbanos.
Com o passar dos anos e aprimoramentos da metodologia de análise, a abordagem do Metabolismo Urbano se tornou uma ferramenta poderosa de gestão da água, da energia, dos materiais e dos nutrientes que entram e saem das fronteiras das cidades, pois a ajuda à evitar os desperdícios desses recursos. Entender o metabolismo de uma cidade, ver a sua evolução com o tempo e comparar com o de outras cidades permite criar diretrizes voltadas à redução dos impactos ambientais.
Metabolismo mais eficientes consomem menos recursos naturais, buscar maior eficiência energética nas cidades é fundamental no contexto de crescentes escassez de recursos que estamos vivenciando nos dias atuais. Uma cidade que se situa em um deserto é quase inteiramente dependente de consumos externos e portanto tem um metabolismo muito custoso. Através da Análise do Fluxo de Materiais (AFM) e da Análise do Ciclo de Vida (ACV), estuda-se as interações existentes entre as cidades e os outros ambientes do planeta terra, já que a biosfera nada mais é do que vários sistemas e subsistemas que interagem entre si. Essa relação de sistemas pode ser cooperativa ou competitiva, dilapidadora ou simbiótica e portanto, em geral, quanto mais harmônicos são os processos, mais favorável é o metabolismo.
A AFM e ACV são as metodologias mais utilizadas e fundamentais, dentro da abordagem teórica do metabolismo urbano, para avaliar a sustentabilidade das cidades.
A AFM tem como propósito tem a contabilização e a análise dos fluxos e estoques de materiais, substâncias, necessidades energéticas e das emissões das cidades. O princípio base é a conservação da matéria, isto é, os fluxos que entram num subsistema são iguais aos fluxos que saem. Com os dados de entrada e saída de materiais e energia de um determinado sistema são geradas as equações de balanço traduzem o funcionamento do sistema.
Já a Análise do Ciclo de Vida (AFM), nada mais é do que, uma metodologia de construção de modelos que representam os fluxos de entradas e saídas de energia, água, produto, alimento ou serviço em todo seu ciclo de vida, desde a extração da matéria-prima, transporte, fabricação, uso, até sua destinação final.
Diversos países e instituições internacionais já perceberam que pensar em soluções para consumo exagerado de recursos naturais da nossa sociedade não é mais uma questão de opção.
Em 2008, instituições de nove países da União Europeia lançaram o Sustainable Urban Metabolism for Europe (SEMA)[2] com o intuito de desenvolver soluções integradas, através da abordagem do Metabolismo Urbano, para o consumo de recursos nas cidades europeias. Mais recentemente, em dezembro de 2017, a ONU Brasil lança um vídeo[3] explicativo sobre o atual ritmo acelerado de consumo dos recursos naturais no mundo e a importância do metabolismo urbano nesse contexto.
Além da energia que se usa efetivamente, todos os sistemas perdem, ou dissipam, quantidades significativas de energia durante seu funcionamento. As transferências energéticas do sistema são feitas com perdas e esse fenômeno é compreendido na física como uma tendência à “desordem”, ou entropia.
Esse tendência à entropia é a base da Segunda Lei da Termodinâmica que diz que todos os sistemas tendem à se desorganizar e para se manterem ordenados gastam muita energia. Aqui entra uma coisa interessante: tender à desorganização é uma lei dos nossos corpos, nossas casas, nossas cidades e do Universo inteiro. Os seres vivos e as cidades são sistemas que necessitam de grandes quantidades de energia para não entrarem em desordem.
Já percebeu o caos que se instaura na sua cidade quando falta luz e água ou quando faltam alimentos e produtos básicos para sobrevivência em locais atingidos por guerras ou desastres naturais? Já imaginou como seria o funcionamento do sistema de transporte da sua cidade se as reservas de petróleo do mundo se esgotassem?
Historicamente, as sociedades sempre usaram os recursos naturais para produzir instrumentos, mercadorias, alimentos, abrigo, etc. Porém, com as revoluções industriais, o desenvolvimento das máquinas e a utilização dos combustíveis fósseis as sociedades intensificaram exponencialmente o uso de matéria e energia, pois as descobertas tecnológicas diversificam e acentuam a produção. A economia antes baseada no trabalho humano passou a se basear nas máquinas, o comercio de produtos foi intensificado, e com isso as atividades exercidas pelos humanos passaram a depender mais do que nos períodos anteriores do consumo de matéria e energia.
É praticamente impossível imaginar o funcionamento das nossas cidades hoje sem a utilização de fontes energéticas não renováveis como os combustíveis fósseis.
Basicamente, os metabolismos das cidades possuem dois tipos de funcionamento: o linear e o circular.
O Metabolismo Linear consiste em um sistema composto por fluxos unidirecionais, em que a maior parte da matéria e energia incorporada ao interior do sistema, é utilizada e ejetada depois como resíduos. Nesses metabolismos muito pouco é reaproveitado, por isso eles precisam de grandes quantidade de recursos e energia para manter o seu funcionamento. A quantidade de energia que precisa entrar nos metabolismo lineares é elevada, bem como a quantidade de resíduos e emissões produzidos, com desperdício de energia e matéria. Já o Metabolismo Circular, imita (mimetiza) os ecossistemas naturais e biológicos que possuem ciclos fechados, nesses metabolismos o que é resíduo para uma atividade é matéria prima para outra e as fontes de energia costumam ser renováveis, assim como na natureza. Os princípios fundamentais dos metabolismos circulares são conservação, recuperação e reutilização.
METABOLISMO LINEAR
METABOLISMO CIRCULAR
Em Estocolmo (Suécia), por exemplo, um projeto foi desenvolvido para revitalizar a área industrial e portuária de Hammarby Sjöstad. O objetivo do projeto foi criar sinergias entre abastecimento de energia, água e gestão de efluentes e resíduos. Os fluxos metabólicos foram reduzidos por causa de um sistema integrado de infraestrutura, foram usadas células de combustíveis, painéis solares, fornos de biogás e telhados verdes. Como resultado se conseguiu reduzir em pelo menos 20% o consumo energético de toda área de Hammarby Sjöstad.
Imagem Aérea de Hammarby Sjöstad [4]
As cidades contemporâneas de todo o mundo possuem em sua maioria metabolismos lineares abertos, consomem muito de outros lugares, possuem uma taxa de reutilização de resíduos muito baixa e altas taxas de desperdício.
Exemplos como o de Estocolmo ainda são pontuais e pouco comuns, porém diante do cenário atual de destruição ambiental, mudanças climáticas e esgotamento de recursos naturais, não podemos mais sustentar nossos modelos de cidades e economia.
Nesse sentido é fundamental que o planeamento e a gestão das nossas cidades incorporem princípios e metodologias sustentáveis. Diante da crescente destruição do nosso planeta por que não aprender com os sistemas naturais, que se sustentam a milhões de anos na terra?
As cidades precisam tornar seus metabolismo mais circulares e sustentáveis, reduzindo os impactos ambientais. Precisamos que as políticas, planos e ações urbanas imitem – mimetizem - os ecossistemas naturais e biológicos, e dessa forma incorporem resíduos de cadeias produtivas como matéria prima para outras, utilizem fontes de energia renováveis de baixo impacto, melhorem a eficiência metabólica em relação ao consumo de água e energia, para assim reduzir os impactos globais.
Não é uma questão de opção, não há como escapar da tendência natural a deserdem que rege o nosso universo, precisamos de matéria e energia para manter o funcionamento do nosso corpo e do local em que vivemos.
É preciso que as cidades e sociedades se transformem para que se sustentem, no contexto atual a abordagem do metabolismo urbano assume um papel fundamental e não pode ser excluído do processo de planeamento e gestão das cidades.
[1] WOLMAN, Abel. The metabolism of cities. Scientific American, Volume 213, Pages 179--190 1965.
[2] Metabolismo Urbano Sustentável para Europa
14.10.19
13.10.19
A Ilusão da Energia Renovável: Versão Biomassa
Artigo original publicado aqui
Autor:

Dr. João Júlio Cerqueira
Nascido a 27 de Agosto de 1985
Natural do Porto
Licenciatura em Medicina pela Faculdade de Medicina do Porto (6 anos)
Mestrado Integrado em Cronoterapêutica
Médico Especialista em Medicina Geral e Familiar (4 anos)
Médico Especialista em Medicina do Trabalho (4 anos)
Fundador da marca PT Medical – Serviços de Saúde ao Domicílio em 2013
– Neste momento sem qualquer ligação à empresa.
Vencedor do Prémio João Cordeiro – Inovação em Farmácias em 2015
– Não…não tenho qualquer ligação à indústria farmacêutica.
Orador TEDxPorto, na edição de 2018
Defensor do método científico e na medicina baseada na evidência
Dedicado ao estudo e refutação científica das medicinas alternativas desde 2013
Criador do projeto Scimed, com o objetivo de promover a literacia em saúde da sociedade portuguesa
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Já devíamos ser crescidinhos o suficiente para perceber que não há almoços grátis. E já devíamos ser minimamente racionais para perceber que não existem soluções simples para problemas complexos e que, na ciência, não existem pretos e brancos (a não ser quando falamos de parvoíces com o Reiki, Homeopatia, Acupuntura…aqui abro exceção).
A biomassa é um desses temas que parece simples e, afinal, não é. E é um tema que parece completamente irrelevante mas garanto ao leitor que é dos artigos mais importantes que vai ler no blog. E porquê? Porque a biomassa é considerada energia renovável e representa mais de 60% da produção de energia renovável, na Europa. Sim…quando ouvirem dizer que a energia renovável representa uma parte substancial da energia produzida na Europa, o grande bolo vem da biomassa. Não vem dos ares da serra nem do sol do Alentejo.

Dada a importância deste tipo de produção energética, o rótulo de “renovável” do qual beneficia e ser claramente uma opção política europeia, convém que o leitor perceba a completa acefalia que vai pelos corredores das instituições que decidem o nosso futuro.
O que é a Biomassa?
Biomassa é uma fonte de energia “renovável” que utiliza matéria orgânica como madeira, resíduos madeireiros, serragem de serrarias, resíduos urbanos orgânicos de colheitas agrícolas ou lixo urbano para produção de energia. A produção de energia pode ser feita de diversas formas, incluindo (1) queima de biomassa para gerar calor e/ou accionar turbinas a vapor que produzem eletricidade, (2) transformando matérias-primas em biocombustíveis líquidos e (3) fazendo coleta de gás de aterros sanitários ou digestores anaeróbicos.
Bioenergia a partir da madeira
A grande parte da produção de energia recorrendo à biomassa consiste em utilizar madeira e resíduos lenhosos para produção de eletricidade ou calor.
Os defensores da biomassa afirmam que o desbaste de árvores de pequeno diâmetro, remoção de árvores mortas de florestas superlotadas e a colheita de subprodutos da gestão florestal como galhos, copas de árvores e folhas melhoram a saúde das árvores que permanecem na floresta e ajudam a reduzir a incidência de incêndios florestais.
A biomassa cria empregos e apoia as economias locais, oferecem novos mercados para agricultores e proprietários de florestas. Também pode diminuir a dependência de combustíveis fósseis e, sob certas condições, pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Pode também, em algumas circunstâncias, ajudar a lidar com a quantidade de lixo produzido que é utilizado para a produção de calor ou energia. O ciclo teórico da biomassa é que o se encontra na imagem abaixo:

Parece ser uma ótima opção, certo?
O problema são as assumpções que se seguem.
Há quem assuma que a biomassa é neutra em CO2, já que há CO2 libertado durante a queima da biomassa que é sequestrado posteriormente com a cultura de novas árvores, por exemplo. No entanto, o cenário na prática é muito mais complicado.
Em 2014, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) constatou que: “a neutralidade do carbono não pode ser assumida a priori para toda a energia da biomassa”. A biomassa pode ser neutra em carbono depende do período de estudo, tipo de biomassa usada, tecnologia de combustão utilizada, combustível fóssil está a substituir e que técnicas de gestão florestal são utilizadas nas áreas onde a biomassa é recolhida.
Portanto, a noção que a biomassa é uma energia neutra em CO2 (apesar de ser teoricamente renovável) é errada à partida, conforme uma carta escrita por cientistas ao Congresso Americano em 2010:
“A substituição de combustíveis fósseis por bioenergia não interrompe diretamente as emissões de dióxido de carbono (…).
Embora as emissões de combustíveis fósseis sejam reduzidas ou eliminadas, a combustão de biomassa substitui as emissões de fósseis pelas suas próprias emissões (que podem até ser mais altas por unidade de energia, devido à menor relação energia/carbono da biomassa).
(…) Limpar ou cortar florestas para obter energia, seja para queimar árvores diretamente em usinas de energia ou para substituir florestas por cultivos de bioenergia, tem o efeito líquido de libertar carbono para a atmosfera, que de outra forma ficaria sequestrado.
(…) Isso cria uma dívida de carbono, pode reduzir a captação contínua de carbono pela floresta e, como resultado, pode aumentar as emissões líquidas de gases de efeito estufa por um período prolongado e, assim, minar as reduções de gases de efeito estufa necessárias nas próximas décadas.”
Eu traduzo. Apesar do conceito teórico de biomassa ser positivo, na prática pode ter consequências negativas. Pode levar ao
(1) aumento de desflorestação,
(2) perda de biodiversidade,
(4) colocar mais CO2 na atmosfera que a queima de carvão (!).
Talvez esta última parte seja a mais surpreendente. A Europa é, na realidade, um travesti das energias renováveis. É que as usinas de queima de biomassa produzem mais CO2 do que as usinas de combustíveis fósseis (artigo, artigo, artigo, artigo): os números podem chegar aos 30-50% a mais de CO2 por megawatt-hora em comparação com usinas a carvão modernas e 285% a mais de CO2 do que as usinas de ciclo combinado de gás natural. É que até o transporte da biomassa pode ter mais impacto que os combustíveis fósseis.
Depois, quando a Europa refere que as emissões de CO2 reduziram 22% entre 1990 e 2017, é preciso notar que 60% da produção energética das renováveis vem da biomassa e a forma como isso é contabilizado pode ser extremamente enganadora. A União Europeia e as Nações Unidas decretaram que não é necessário contabilizar uma parte significativa do CO2 produzido pela biomassa.
No final, as reduções apresentadas não passam de um truque contabilístico. Como refere Searchinger, da World Resources Institute: “É um erro contabilidade básico (…) Você poderia deitar abaixo a Amazónia, transformá-la num estacionamento, enviar as árvores para a Europa para substituir o carvão e a Europa reivindicaria uma redução nas emissões“.
Traduzindo por miúdos…se eu arrancar uma árvore com 50 anos para produção de energia ou calor, tenho dois problemas.
Primeiro, como a biomassa tem uma densidade energética inferior ao carvão, vai produzir mais dióxido de carbono por unidade de calor. Segundo, se outra árvore for plantada, temos que esperar décadas para absorver a mesma quantidade de CO2 que produzi com a queima da árvore antiga.
Décadas para que a biomassa seja neutra em CO2.
Dado que o objetivo é reduzir as emissões de carbono nas próximas décadas para limitar o aquecimento global, queimar árvores parece ser uma péssima escolha. Excepto se apenas os resíduos do desbaste das florestas, que é realizado para reduzir o risco de incêndio, forem utilizados. Habitualmente esse resíduos são queimados sem qualquer tipo de vantagem associada, no local do desbaste. O problema é que a utilização destes resíduos dificilmente responde à demanda para a produção de energia.
Como a biomassa é um material de baixa densidade energética, é necessária uma grande quantidade de material para produzir energia. De acordo com a Partnership for Policy Integrity, uma Central de 50 megawatts queima 1200 quilos de madeira verde a cada minuto. Existem algumas investigações no terreno que indicam que árvores inteiras são derrubadas para produção de energia e geralmente de uma maneira insustentável, na Indonesia, Estados Unidos, Eslováquia, Itália, Alemanha e Ilhas Canárias.
Contra o carvão, o laboratório do MIT estimou que a paridade pode levar entre 60 e 90 anos; a Academia Europeia de Ciências é ainda menos otimista, estimando entre gerações e séculos. Se a biomassa substitui o gás natural são necessários no mínimo séculos para atingir a paridade. (É claro que isso pressupõe que o gás natural queima muito mais limpo que o carvão, o que é discutível).
A maioria dos órgãos governamentais e internacionais da OCDE concorda que as ações tomadas nos próximos anos terão efeitos enormes no futuro; até o famoso e cauteloso IPCC, no seu relatório de 2018, deu ao mundo pouco mais de uma década para reduzir as emissões abaixo dos níveis de 2010 para evitar circunstâncias que são claramente catastróficas. Logo, a biomassa não parece ser opção.
Temos também que perceber que os Estados Unidos são grandes exportadores de material de biomassa para Europa, com uns impressionantes 22 milhões de toneladas de pellets de madeira consumidos na UE a cada ano. Considerando que a produção e transporte da biomassa constituem 25% das emissões de CO2 deste tipo de produção energética, isto ainda agrava ainda mais o problema. E como nos EUA a biomassa foi considerada recentemente como sendo neutra em carbono, o que vai acontecer é um aumento da pressão sobre as florestas.
A 30 de novembro de 2016, a Comissão Europeia apresentou um projeto de pacote de “energia limpa” para o período até 2030. Uma mudança proposta é aplicar os critérios de sustentabilidade da UE à biomassa usada em usinas de calor e energia cuja produção é de 20 megawatts ou mais. A biomassa precisa de produzir menos 80% emissões de gases de efeito estufa em comparação aos combustíveis fósseis até 2021 e 85% menos até 2026.
Isto pode levar a pensar que a queima de biomassa não resultará em maiores emissões de gases de efeito estufa do que o uso de combustíveis fósseis. No entanto, o documento não deixa claro que o método da UE para calcular emissões assume que a queima de biomassa não produz CO2.
A suposição é de que essas emissões não precisam ser contabilizadas porque o crescimento das plantas absorve tanto CO2 quanto é emitido quando são queimadas. Mas, como explicado, essa suposição não é verdadeira nas escalas de tempo que são importantes para limitar as alterações climáticas. Paradoxalmente, na própria avaliação de impacto da UE, há o reconhecimento de que a queima de biomassa florestal não é neutra em carbono e que o uso de algumas formas de biomassa florestal pode aumentar as emissões: “As emissões biogénicas permanecem altas (superiores às emissões de combustíveis fósseis) além de um prazo relevante para a madeira serrada, tocos, madeira morta grossa”. Mas como a UE não conta essas emissões, pode dizer que está a reduzir a emissão de CO2 quando, na realidade, está a aumentar.
Mas os problemas não se ficam por aqui.
A queima de biomassa de madeira emite tanto ou mais poluição atmosférica do que a queima de combustíveis fósseis – partículas micro (em suspensão), óxidos de nitrogénio, monóxido de carbono, dióxido de enxofre, chumbo, mercúrio e outros poluentes perigosos do ar.
A poluição atmosférica proveniente da biomassa já foi denunciada por várias associações médicas incluindo a American Heart Association e a American Lung Association, que alertam para o perigo para a saúde pública desta opção energética, podendo aumentar o risco de doenças respiratórias, doenças cardíacas, cancro e atraso no desenvolvimento das crianças.
O Biocombustível
O problema não fica apenas pela bioenergia à base de madeira e derivados. Os biocumbustíveis são um problema semelhante. Venderam a ideia que os biocumbustíveis são melhores para o ambiente. No entanto, criar biocombustível a partir de culturas como soja, palma e canola leva a uma maior libertação de gases efeito estufa. O biocombustível produzido a partir de óleo de palma é três vezes mais poluente que o diesel fóssil quando a utilização de terra é levada em consideração:
As plantações de palma, frequentemente usadas para produzir biodiesel, causam desmatamento igualmente devastador na América do Sul, África e Sudeste Asiático. Felizmente, em Março de 2019, a Comissão Europeia decidiu que o diesel derivado do óleo de palma não é uma fonte sustentável de energia e os níveis de óleo de palma no diesel serão reduzidos a zero até 2030.
Um relatório publicado em 2017 pela Royal Academy of Engineering faz uma avaliação do impacto do bioetanol e do biodiesel, chegando a conclusões semelhantes. Os biocumbustíveis de primeira geração, que utilizam culturas inteiras, tendem a ser piores para o ambiente:

Já os biocombustíveis de segunda geração, que utilizam apenas os resíduos das culturas, poderão ter um impacto positivo:

O problema será sempre saber se, de facto, a produção de biocombustíveis usa apenas resíduos. Se não desvia terras dedicadas ao cultivo de alimentos. Se não leva ao aumento da desflorestação para produção de biocombustíveis, com perda de sumidouros de dióxido de carbono, biodiversidade, aumento dos preços dos alimentos, aumento do risco de poluição da água e do solo causada pelo aumento da utilização de fertilizantes e pesticidas, com as consequentes emissões associadas.
Conclusão
Então, o que podemos concluir disto? Podemos concluir que 60% da energia “renovável” produzida na Europa é pouco renovável e nada limpa. Podemos concluir que continuamos a produzir CO2 em larga escala e reduções dessa produção são meramente contabilísticas. Jogo de números, nos bastidores. Podemos concluir que somos governados por acéfalos que preferem este tipo de engodos do que abraçar energias de maior densidade energética, verdadeiramente neutras em CO2 e que não sofre dos problemas de intermitência das renováveis: a energia nuclear.
É incrível assistir a uma “estadista” como a Merkel afirmar que estão a fechar centrais nucleares para combater as alterações climáticas, enquanto mantêm as centrais a carvão, apostam na construção de centrais a gás natural (como falamos também, poderá não ser muito melhor que o carvão) e apostam na biomassa para produção energética.
Também podemos concluir que o biocombustível, vendido como mais “green”, poderá não passar de “greenwashing”. Dado que se prevê um crescimento do setor da bionergia em 250% nos próximos dez anos, podemos concluir que não estamos, realmente, preocupados com as alterações climáticas.
Para que tenham uma ideia, a Agência Internacional de Energia, prevê que um aumento da produção elétrica de 6.4% da queima de madeira em 2035, a colheita comercial de árvores terá que aumentar 137%.
Mas quem defende opções como a energia nuclear, é que anda doido.
São uns criminosos. Está certo.
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