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23.10.26

Corredor cultural entre o Alentejo (PT) e a Extremadura (ESP)

 

Universidade de Évora lança «A Fronteira da Cultura», que cria um corredor cultural entre o Alentejo e a Extremadura

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A Universidade de Évora promoveu, no dia 19 de outubro, a sessão pública de lançamento da iniciativa “A Fronteira da Cultura”, que contou com a assinatura da Declaração de Évora, que materializa um corredor cultural transfronteiriço entre o Alentejo e a Extremadura, entre Portugal e Espanha.

A iniciativa, que pretende afirmar o território transfronteiriço como um espaço de criação cultural e de cooperação ibérica, na prática irá promover a partilha de recursos culturais e facilitar a circulação de músicos, exposições, peças de teatro e cinema entre as duas regiões, criando oportunidades de colaboração e aproximando instituições, agentes culturais e públicos de ambos os lados da fronteira.

A sessão de lançamento da iniciativa contou com intervenções de António Candeias, Reitor da Universidade de Évora, de Antonio Sáez Delgado, Vice-Reitor para a Cultura e Sociedade da Universidade de Évora, e de Representantes das entidades parceiras, nomeadamente, de Ricardo Pinheiro, presidente da CCDRA – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, de José Luís Gil Soto, Secretario General de Cultura da Junta de Extremadura e de Rafael Mateos, Alcalde do Ayuntamiento de Cáceres.

“Um espaço de proximidade humana e cultural”

Na vídeo mensagem dirigida aos participantes, dado estar na China integrado na Comitiva do Ministro da Educação em visita àquele país, o Reitor da Universidade de Évora, António Candeias, destacou o potencial histórico e cultural deste território e as oportunidades que oferece para o desenvolvimento de novas formas de colaboração. Entre Évora, Estremoz, Elvas, Badajoz, Mérida e Cáceres, existe, nas palavras do Reitor, “um espaço de proximidade humana e cultural” que reúne condições únicas para “desenvolver novas formas de cooperação”.

António Candeias salientou que a iniciativa pretende afirmar esta região transfronteiriça como um “espaço cultural partilhado, capaz de afirmar uma identidade própria, atrair criadores e estimular novas dinâmicas artísticas e culturais”. O objetivo passa também por conquistar “uma posição diferenciada no panorama cultural ibérico e europeu”, acrescentou.

“A cultura tem uma capacidade extraordinária para aproximar pessoas, criar oportunidades e transformar os lugares onde vivemos”, sublinhou António Candeias, defendendo que o trabalho conjunto “poderá transformar este corredor cultural num território de referência, reconhecido pela vitalidade da sua criação e pela capacidade de estabelecer pontes entre comunidades, instituições e países”.

O Reitor destacou ainda que a força do projeto dependerá da diversidade dos parceiros envolvidos, da partilha de recursos e experiências e da confiança mútua, essenciais para transformar ideias comuns em realizações concretas.

A participação da Universidade de Évora reflete, segundo o Reitor, o compromisso da instituição com a valorização cultural do Alentejo e o desenvolvimento regional, através de uma ligação ativa à sociedade e da construção de parcerias que ultrapassam fronteiras geográficas e institucionais. “A Universidade de Évora assume este compromisso com entusiasmo e com um profundo sentido de responsabilidade”, afirmou António Candeias, reiterando a visão de uma Universidade aberta à sociedade e capaz de contribuir para um futuro “mais criativo, mais inclusivo e mais aberto ao mundo”.

“Estamos a iniciar um caminho que queremos longo e fecundo”, concluiu o Reitor, apelando à construção de um projeto comum capaz de afirmar o potencial cultural deste território transfronteiriço.

Uma fronteira marcada pela Cultura

Já Antonio Sáez Delgado, Vice-Reitor para a Cultura e Sociedade da Universidade de Évora, a iniciativa representa a construção de “uma espécie de aliança estratégica” entre entidades culturais das duas regiões, assente na disponibilização e partilha de recursos. A ambição é afirmar a fronteira luso-espanhola como um território reconhecido pela qualidade e diversidade da sua produção cultural. 

“Temos uma grande capacidade para criar cultura e para produzir cultura de qualidade”, sublinhou o Vice-Reitor em declarações aos jornalistas, defendendo a necessidade de valorizar esta identidade cultural e de reforçar o reconhecimento do território no contexto ibérico.

“Ganhamos a possibilidade de transformar a cultura num espaço de conhecimento do outro, que é diferente de nós”, afirmou o responsável, destacando a importância da cultura enquanto instrumento de aproximação entre pessoas e territórios.

Para Antonio Sáez Delgado, a iniciativa procura também “contrariar a perceção destas regiões como espaços periféricos”, afirmando-as como territórios com capacidade para assumir um papel de destaque no ecossistema cultural ibérico. O nome “A Fronteira da Cultura” traduz essa intenção. Apesar de reconhecer que “a cultura não tem fronteiras”, a designação pretende, segundo o responsável, “afirmar a fronteira entre o Alentejo e a Extremadura como uma marca de identidade cultural, à semelhança de outras regiões transfronteiriças reconhecidas pelas suas dinâmicas económicas ou turísticas”.

Por seu turno, Ricardo Pinheiro salientou o “espírito de cooperação” que está presente na iniciativa, desejando que “a cooperação se materialize neste projeto em que cada entidade é mais um parceiro que está à disposição", como é o caso da CCDR-Alentejo. Que cada vez mais consigamos dar estes passos de proximidade e melhoria pelo bem comum”.

José Luis Gil Soto, Secretario General de Cultura da Junta de Extremadura, sublinhou que “a fronteira entre Espanha e Portugal através da cultura pode ser redesenhada”, desejando que “depois deste acto, consigamos fazer a ponte e que a cultura nos una em tudo o que for necessário, sendo também um motor de desenvolvimento”.

Por fim, Rafael Mateos, Alcalde Ayuntamiento de Cáceres, destacou a importância da iniciativa que une os dois lados da Fronteira, que considerou que irá “marcar um antes e um depois para ambos os lados da fronteira”, desejando que em breve Cáceres possa ser escolhida para ser a Capital Europeia da Cultura em 2031, seguindo as pegadas de Évora 2027, porque “acreditamos na importância que a cultura tem para construir todo um território”.

Uma comunidade cultural aberta à participação

“A Fronteira da Cultura” envolve mais de duas dezenas instituições e agentes culturais que assumem conjuntamente o compromisso de criar novas pontes entre territórios, entre artistas, investigadores e comunidades, estimulando projetos comuns.

Contudo, como referiu aos jornalistas Antonio Sáez Delgado, “A Fronteira da Cultura pretende crescer e acolher novos participantes. O projeto está aberto a associações, municípios, instituições e companhias artísticas que queiram contribuir para a dinamização cultural do Alentejo e da Extremadura”.

“A ideia é que esteja sempre em aberto, criar uma comunidade cultural em aberto”, explicou o responsável, acrescentando que a participação não se limita às entidades fundadoras. Companhias de teatro, dança e outras estruturas artísticas poderão também integrar esta rede, através das organizações participantes.

As Instituições que integram desde já “A Fronteira da Cultura” são: Universidade de Évora; Câmara Municipal de Évora; CCDRA – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo; Fundação Eugénio de Almeida; MEIAC – Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo; Évora 2027; INATEL; Universidad de Extremadura; Museo Helga de Alvear; Ayuntamiento de Cáceres; Diputación de Cáceres; Museo Vostell Malpartida; Ayuntamiento de Mérida; Orquesta de Extremadura; Diputación de Badajoz; Junta de Extremadura; Ayuntamiento de Badajoz; Festival Ibérico de Cine; Fundación Ortega Muñoz; MACE - Museu de Arte Contemporânea de Elvas; Câmara Municipal de Elvas; ARTMOZ; e Câmara Municipal de Estremoz.

Na Declaração de Évora, assinada pelas instituições fundadoras, destaca-se a riqueza do património cultural, histórico e criativo deste território, que reúne universidades, museus, teatros, centros de arte, arquivos, fundações, festivais e outras instituições com uma intensa atividade cultural. A articulação entre estas entidades poderá contribuir para ultrapassar a tradicional lógica de fronteira e afirmar uma nova centralidade cultural entre Portugal e Espanha.

Com a assinatura da Declaração, as instituições subscritoras manifestam a vontade de integrar uma comunidade aberta de cooperação, promovendo o conhecimento mútuo, o contacto regular e a partilha de informação, iniciativas, criadores, investigadores e públicos. O compromisso prevê ainda a identificação de recursos, experiências, espaços e projetos que possam ser partilhados, bem como a exploração de oportunidades de colaboração que reforcem a projeção nacional e internacional deste corredor transfronteiriço.

A Universidade de Évora assume um papel ativo neste processo, disponibilizando-se para assegurar a gestão dos procedimentos associados à iniciativa.

A entrada em funcionamento do projeto está prevista para o primeiro trimestre de 2027, após a criação da plataforma digital e do banco de recursos culturais.

A primeira fase deverá centrar-se na cultura contemporânea, estando prevista uma duração inicial de aproximadamente dois anos. Numa fase posterior, a cooperação poderá alargar-se ao património, através da partilha de estruturas e recursos, e, numa terceira etapa, ao turismo, com a preparação de propostas turísticas que valorizem a oferta cultural do território transfronteiriço.

19.10.26

Criado o Instituto Confúncio da Universidade de Évora

 

Instituto Confúcio da Universidade de Évora quer ser «uma verdadeira ponte entre pessoas, culturas, instituições e gerações»

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A Universidade de Évora (UÉvora) inaugurou, a 16 de outubro, o Instituto Confúcio, um novo espaço dedicado ao ensino da língua chinesa e à divulgação da cultura e civilização chinesas. A iniciativa representa um novo passo na estratégia de internacionalização da UÉvora e no reforço das relações académicas, científicas e culturais entre Portugal e a China, criando oportunidades de colaboração entre instituições de ensino superior e de aproximação à comunidade alentejana.

O Instituto Confúcio da Universidade de Évora, que resulta de uma parceria entre a Universidade de Évora, a City University of Macau, a Beijing Language and Culture University e a Chinese International Education Foundation, assume como missão central a promoção do ensino e do estudo da língua e cultura chinesas, criando oportunidades de aprendizagem, investigação e cooperação entre as comunidades académicas e a sociedade. A sua atividade visa igualmente fomentar o diálogo intercultural, reforçar o conhecimento mútuo e consolidar os laços entre Portugal e a China.

Na cerimónia de inauguração, o Reitor da Universidade de Évora destacou a importância deste projeto para o aprofundamento de uma relação histórica de amizade e cooperação entre os dois países, sublinhando o papel das universidades na aproximação entre povos e culturas.

“Gostaria que este Instituto Confúcio fosse muito mais do que um espaço de aprendizagem de uma língua. Que fosse uma verdadeira ponte entre pessoas, entre culturas, entre instituições e entre gerações”, afirmou António Candeias, defendendo a criação de um espaço de diálogo intercultural, aprendizagem e encontro, mas também de desenvolvimento de novas parcerias académicas e científicas.

O Reitor expressou ainda o reconhecimento da Universidade de Évora à City University of Macau, à Beijing Language and Culture University e à Chinese International Education Foundation pelo apoio à criação do Instituto, salientando que o envolvimento destas instituições constitui uma “oportunidade para aprofundar institucionais, científicas e humanas que queremos duradouras” com o universo académico e cultural chinês.

Da cultura à ciência: novas oportunidades de cooperação

A ligação à China assume particular relevância no percurso de internacionalização da Universidade de Évora, que tem vindo a desenvolver projetos de colaboração com instituições chinesas em diferentes áreas do conhecimento. Neste contexto, António Candeias destacou o papel da City University of Macau como parceiro privilegiado na aproximação entre as duas comunidades académicas, tendo dado como exemplo o Laboratório Conjunto China-Portugal em Ciências da Conservação do Património Cultural, criado no âmbito da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota. O projeto reúne a Universidade de Soochow, a City University of Macau e a Universidade de Évora, através do Laboratório HERCULES, promovendo a investigação conjunta na conservação e valorização do património cultural.

Para António Candeias, esta colaboração demonstra a capacidade da cooperação internacional para gerar conhecimento que dificilmente seria alcançado de forma isolada. Uma abordagem que a Universidade pretende alargar a outras áreas científicas e tecnológicas, nomeadamente às ciências agroalimentares, à gestão da água, à ciência de dados, às tecnologias digitais e à inteligência artificial.

Sobre a inteligência artificial, o Reitor da UÉvora salientou que “constitui uma das mais profundas transformações científicas, tecnológicas e sociais do nosso tempo”, sendo que “a Universidade de Évora pretende participar ativamente nesta transformação, promovendo uma abordagem interdisciplinar, responsável e centrada nas pessoas”.

“A cooperação com as universidades chinesas pode assumir aqui um papel muito relevante, através de projetos conjuntos de investigação, da formação avançada, da mobilidade académica e do desenvolvimento de novas aplicações da inteligência artificial em áreas tão diversas como o património cultural, a saúde, o ambiente, a agricultura e as humanidades digitais”, apontou António Candeias, afiançando que “acredito que a complementaridade das nossas competências científicas e a diversidade das nossas perspetivas culturais podem constituir uma importante mais-valia. E acredito igualmente que o Instituto Confúcio pode ajudar a criar as condições humanas e culturais necessárias para aprofundar estas relações”.

Uma ponte assente no respeito mútuo, na confiança e no conhecimento

A inauguração do Instituto Confúcio reforça também a dimensão cultural da cooperação entre Portugal e a China, cuja história conta com mais de 500 anos de contactos e intercâmbios. Neste percurso, Macau assume um lugar singular enquanto espaço de encontro entre as culturas portuguesa e chinesa, demonstrando como o diálogo intercultural pode promover o enriquecimento mútuo sem comprometer as identidades de cada povo.

“Aprender uma língua é muito mais do que adquirir uma nova competência de comunicação. É aprender a compreender outra cultura, outra história e outra forma de olhar para o mundo”, afirmou o Reitor, sublinhando a importância do conhecimento como instrumento para ultrapassar distâncias, combater preconceitos e construir relações de confiança.

O novo Instituto Confúcio pretende, assim, constituir uma oportunidade para estudantes, docentes, investigadores e para toda a comunidade alentejana “conhecerem melhor a língua, a cultura e a civilização chinesas”, sublinhou, desejando que o mesmo “seja uma verdadeira ponte, assente no respeito mútuo, na confiança, no conhecimento e na convicção de que temos muito a aprender uns com os outros”.

Na conclusão da sua intervenção, António Candeias estabeleceu um paralelismo entre as rotas marítimas que aproximaram Portugal e a China ao longo dos séculos e os novos caminhos da cooperação internacional. “Se no passado os oceanos foram os caminhos do encontro entre os nossos povos, hoje são as universidades que podem ajudar a abrir novos caminhos para o conhecimento e para a cooperação”, salientou, concluindo: “Podem contar com a nossa Universidade para continuar a aprofundar esta relação e para transformar as oportunidades que hoje se abrem em resultados concretos para os nossos estudantes, para a investigação e para as nossas comunidades”.

“Um novo marco na cooperação educativa entre a China e Portugal”

Já para QU Zhaowei, Diretor da Comissão de Assuntos Universitários e Secretário do Comité do Partido da Universidade de Língua e Cultura de Pequim, o Instituto Confúcio da Universidade de Évora representa “um novo marco na cooperação educativa entre a China e Portugal”. “É também uma importante iniciativa de intercâmbio cultural e humano, assim como a expressão concreta do esforço conjunto das três universidades na procura do bem comum e da aproximação dos povos”, sublinhou.

Por fim, WANG Yanjie, Conselheira para a Educação e Cultura, Embaixada da República Popular da China em Portugal, na sua intervenção destacou que a inauguração do Instituto Confúcio da Universidade de Évora representa a criação de um novo “elo de ligação entre Portugal e a China”. “A criação do Instituto Confúcio da Universidade de Évora abrirá uma nova porta para que a população em geral e os estudantes em particular possam conhecer melhor a China, aprender a língua chinesa e descobrir a cultura chinesa”, afiançou.

A cerimónia de inauguração, que decorreu na Sala dos Docentes do Colégio do Espírito Santo, contou com um momento musical a cargo da Escola de Artes da Universidade de Évora, com as intervenções institucionais, com uma apresentação cultural pelo Instituto Confúcio da Universidade de Lisboa e, por fim, com o descerramento da placa do Instituto Confúcio da Universidade de Évora.

LIU Jun, Presidente da Universidade da Cidade de Macau, e  ZHAO Lingshan, Vice-Presidente e Secretário-Geral da Fundação Chinesa para a Educação Internacional também deixaram palavras de felicitações através de vídeo mensagens.

Entre os principais objetivos do Instituto Confúcio da Universidade de Évora encontram-se a oferta de aulas de língua chinesa, a formação e capacitação de professores, a produção de materiais e recursos didáticos e a implementação de programas de intercâmbio linguístico e cultural. A nova estrutura pretende também promover exames e certificações na área da língua e cultura chinesas, desenvolver investigação e prestar serviços de consultoria em educação, cultura e outras temáticas relacionadas com a China.

O Instituto Confúcio da Universidade de Évora, cujos cursos de mandarim devem começar a ser ministrados no início do próximo ano, para alunos, docentes e comunidade em geral, vai funcionar na Casa Cordovil, no centro de Évora.

15.10.26

Futuro do Hidrogénio Renovável, no Alentejo

 

Alentejo testa o futuro do hidrogénio renovável

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Produção em Sines, utilização em edifícios de Évora, mobilidade no Alandroal e uma comunidade energética na Ilha de Culatra são algumas das aplicações concretas previstas pelo projeto H2tALENT, coordenado pela Universidade de Évora.


Mais do que produzir hidrogénio renovável, o projeto H2tALENT pretende demonstrar, em condições reais, como este combustível pode ser integrado em diferentes setores. Para isso, o projeto está ligado a vários locais de implementação que funcionarão como “laboratórios vivos” para demonstração, experimentação e formação.

No Alandroal, o projeto prevê apoiar a conversão de frotas municipais e de serviços públicos para sistemas movidos a hidrogénio. A mobilidade será assim uma das áreas em que a tecnologia será testada diretamente no território, incluindo a utilização de veículos movidos a hidrogénio.

Em Évora, o foco estará na utilização do hidrogénio no sistema de aquecimento edifícios. Entre as demonstrações previstas encontra-se a utilização de um misturador de hidrogénio e gás natural na piscina municipal, permitindo testar uma aplicação concreta do hidrogénio renovável no setor dos edifícios.

Já na Ilha de Culatra, o projeto terá uma vertente diferente, centrada no desenvolvimento de uma comunidade de energia renovável, com armazenamento de energia eléctrica na forma de hidrogénio e a sua integração com redes inteligentes. Desta forma, o sistema funcionará como uma “bateria de hidrogénio”, produzindo hidrogénio renovável com o excesso de energia eléctrica na altura de maior produção solar, armazenando esse hidrogénio para produzir novamente energia eléctrica na altura de maior demanda e menor produção solar.

Estas aplicações complementam a componente de produção prevista para Sines, onde está projetada uma unidade de produção de hidrogénio renovável de 15 megawatts. O hidrogénio renovável produzido poderá ser posteriormente injectado na rede de gás natural e/ou transportado para diferentes locais de utilização, permitindo testar uma cadeia que vai da produção ao transporte, armazenamento e consumo.

“Pretendemos ir desde a produção de hidrogénio renovável até ao transporte e à utilização, cobrindo toda a cadeia de valor”, explica Hugo Gonçalves Silva, professor do Departamento de Física da Universidade de Évora e coordenador do H2tALENT.

No conjunto, o projeto prevê a produção de mais de 500 toneladas de hidrogénio renovável por ano, destinadas a diferentes aplicações na indústria, mobilidade e edifícios.

Iniciado em 2024 e com duração prevista até 2030, o H2tALENT pretende criar um Vale do Hidrogénio no Alentejo, aproveitando infraestruturas existentes e novos investimentos para desenvolver e testar soluções ao longo de toda a cadeia de valor.

A dimensão internacional é outra das componentes do projeto. O consórcio reúne 29 parceiros de sete países, incluindo universidades, empresas, municípios, centros tecnológicos e entidades públicas, procurando transformar os resultados obtidos nos locais de demonstração em soluções que possam ser replicadas noutras regiões.

Através destes “laboratórios vivos”, o H2tALENT pretende, assim, passar da investigação e do planeamento para a demonstração de aplicações concretas, avaliando no terreno como o hidrogénio renovável pode ser integrado nos transportes, nos edifícios e nos sistemas energéticos locais.

13.10.26