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23.10.26

Corredor cultural entre o Alentejo (PT) e a Extremadura (ESP)

 

Universidade de Évora lança «A Fronteira da Cultura», que cria um corredor cultural entre o Alentejo e a Extremadura

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A Universidade de Évora promoveu, no dia 19 de outubro, a sessão pública de lançamento da iniciativa “A Fronteira da Cultura”, que contou com a assinatura da Declaração de Évora, que materializa um corredor cultural transfronteiriço entre o Alentejo e a Extremadura, entre Portugal e Espanha.

A iniciativa, que pretende afirmar o território transfronteiriço como um espaço de criação cultural e de cooperação ibérica, na prática irá promover a partilha de recursos culturais e facilitar a circulação de músicos, exposições, peças de teatro e cinema entre as duas regiões, criando oportunidades de colaboração e aproximando instituições, agentes culturais e públicos de ambos os lados da fronteira.

A sessão de lançamento da iniciativa contou com intervenções de António Candeias, Reitor da Universidade de Évora, de Antonio Sáez Delgado, Vice-Reitor para a Cultura e Sociedade da Universidade de Évora, e de Representantes das entidades parceiras, nomeadamente, de Ricardo Pinheiro, presidente da CCDRA – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, de José Luís Gil Soto, Secretario General de Cultura da Junta de Extremadura e de Rafael Mateos, Alcalde do Ayuntamiento de Cáceres.

“Um espaço de proximidade humana e cultural”

Na vídeo mensagem dirigida aos participantes, dado estar na China integrado na Comitiva do Ministro da Educação em visita àquele país, o Reitor da Universidade de Évora, António Candeias, destacou o potencial histórico e cultural deste território e as oportunidades que oferece para o desenvolvimento de novas formas de colaboração. Entre Évora, Estremoz, Elvas, Badajoz, Mérida e Cáceres, existe, nas palavras do Reitor, “um espaço de proximidade humana e cultural” que reúne condições únicas para “desenvolver novas formas de cooperação”.

António Candeias salientou que a iniciativa pretende afirmar esta região transfronteiriça como um “espaço cultural partilhado, capaz de afirmar uma identidade própria, atrair criadores e estimular novas dinâmicas artísticas e culturais”. O objetivo passa também por conquistar “uma posição diferenciada no panorama cultural ibérico e europeu”, acrescentou.

“A cultura tem uma capacidade extraordinária para aproximar pessoas, criar oportunidades e transformar os lugares onde vivemos”, sublinhou António Candeias, defendendo que o trabalho conjunto “poderá transformar este corredor cultural num território de referência, reconhecido pela vitalidade da sua criação e pela capacidade de estabelecer pontes entre comunidades, instituições e países”.

O Reitor destacou ainda que a força do projeto dependerá da diversidade dos parceiros envolvidos, da partilha de recursos e experiências e da confiança mútua, essenciais para transformar ideias comuns em realizações concretas.

A participação da Universidade de Évora reflete, segundo o Reitor, o compromisso da instituição com a valorização cultural do Alentejo e o desenvolvimento regional, através de uma ligação ativa à sociedade e da construção de parcerias que ultrapassam fronteiras geográficas e institucionais. “A Universidade de Évora assume este compromisso com entusiasmo e com um profundo sentido de responsabilidade”, afirmou António Candeias, reiterando a visão de uma Universidade aberta à sociedade e capaz de contribuir para um futuro “mais criativo, mais inclusivo e mais aberto ao mundo”.

“Estamos a iniciar um caminho que queremos longo e fecundo”, concluiu o Reitor, apelando à construção de um projeto comum capaz de afirmar o potencial cultural deste território transfronteiriço.

Uma fronteira marcada pela Cultura

Já Antonio Sáez Delgado, Vice-Reitor para a Cultura e Sociedade da Universidade de Évora, a iniciativa representa a construção de “uma espécie de aliança estratégica” entre entidades culturais das duas regiões, assente na disponibilização e partilha de recursos. A ambição é afirmar a fronteira luso-espanhola como um território reconhecido pela qualidade e diversidade da sua produção cultural. 

“Temos uma grande capacidade para criar cultura e para produzir cultura de qualidade”, sublinhou o Vice-Reitor em declarações aos jornalistas, defendendo a necessidade de valorizar esta identidade cultural e de reforçar o reconhecimento do território no contexto ibérico.

“Ganhamos a possibilidade de transformar a cultura num espaço de conhecimento do outro, que é diferente de nós”, afirmou o responsável, destacando a importância da cultura enquanto instrumento de aproximação entre pessoas e territórios.

Para Antonio Sáez Delgado, a iniciativa procura também “contrariar a perceção destas regiões como espaços periféricos”, afirmando-as como territórios com capacidade para assumir um papel de destaque no ecossistema cultural ibérico. O nome “A Fronteira da Cultura” traduz essa intenção. Apesar de reconhecer que “a cultura não tem fronteiras”, a designação pretende, segundo o responsável, “afirmar a fronteira entre o Alentejo e a Extremadura como uma marca de identidade cultural, à semelhança de outras regiões transfronteiriças reconhecidas pelas suas dinâmicas económicas ou turísticas”.

Por seu turno, Ricardo Pinheiro salientou o “espírito de cooperação” que está presente na iniciativa, desejando que “a cooperação se materialize neste projeto em que cada entidade é mais um parceiro que está à disposição", como é o caso da CCDR-Alentejo. Que cada vez mais consigamos dar estes passos de proximidade e melhoria pelo bem comum”.

José Luis Gil Soto, Secretario General de Cultura da Junta de Extremadura, sublinhou que “a fronteira entre Espanha e Portugal através da cultura pode ser redesenhada”, desejando que “depois deste acto, consigamos fazer a ponte e que a cultura nos una em tudo o que for necessário, sendo também um motor de desenvolvimento”.

Por fim, Rafael Mateos, Alcalde Ayuntamiento de Cáceres, destacou a importância da iniciativa que une os dois lados da Fronteira, que considerou que irá “marcar um antes e um depois para ambos os lados da fronteira”, desejando que em breve Cáceres possa ser escolhida para ser a Capital Europeia da Cultura em 2031, seguindo as pegadas de Évora 2027, porque “acreditamos na importância que a cultura tem para construir todo um território”.

Uma comunidade cultural aberta à participação

“A Fronteira da Cultura” envolve mais de duas dezenas instituições e agentes culturais que assumem conjuntamente o compromisso de criar novas pontes entre territórios, entre artistas, investigadores e comunidades, estimulando projetos comuns.

Contudo, como referiu aos jornalistas Antonio Sáez Delgado, “A Fronteira da Cultura pretende crescer e acolher novos participantes. O projeto está aberto a associações, municípios, instituições e companhias artísticas que queiram contribuir para a dinamização cultural do Alentejo e da Extremadura”.

“A ideia é que esteja sempre em aberto, criar uma comunidade cultural em aberto”, explicou o responsável, acrescentando que a participação não se limita às entidades fundadoras. Companhias de teatro, dança e outras estruturas artísticas poderão também integrar esta rede, através das organizações participantes.

As Instituições que integram desde já “A Fronteira da Cultura” são: Universidade de Évora; Câmara Municipal de Évora; CCDRA – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo; Fundação Eugénio de Almeida; MEIAC – Museo Extremeño e Iberoamericano de Arte Contemporáneo; Évora 2027; INATEL; Universidad de Extremadura; Museo Helga de Alvear; Ayuntamiento de Cáceres; Diputación de Cáceres; Museo Vostell Malpartida; Ayuntamiento de Mérida; Orquesta de Extremadura; Diputación de Badajoz; Junta de Extremadura; Ayuntamiento de Badajoz; Festival Ibérico de Cine; Fundación Ortega Muñoz; MACE - Museu de Arte Contemporânea de Elvas; Câmara Municipal de Elvas; ARTMOZ; e Câmara Municipal de Estremoz.

Na Declaração de Évora, assinada pelas instituições fundadoras, destaca-se a riqueza do património cultural, histórico e criativo deste território, que reúne universidades, museus, teatros, centros de arte, arquivos, fundações, festivais e outras instituições com uma intensa atividade cultural. A articulação entre estas entidades poderá contribuir para ultrapassar a tradicional lógica de fronteira e afirmar uma nova centralidade cultural entre Portugal e Espanha.

Com a assinatura da Declaração, as instituições subscritoras manifestam a vontade de integrar uma comunidade aberta de cooperação, promovendo o conhecimento mútuo, o contacto regular e a partilha de informação, iniciativas, criadores, investigadores e públicos. O compromisso prevê ainda a identificação de recursos, experiências, espaços e projetos que possam ser partilhados, bem como a exploração de oportunidades de colaboração que reforcem a projeção nacional e internacional deste corredor transfronteiriço.

A Universidade de Évora assume um papel ativo neste processo, disponibilizando-se para assegurar a gestão dos procedimentos associados à iniciativa.

A entrada em funcionamento do projeto está prevista para o primeiro trimestre de 2027, após a criação da plataforma digital e do banco de recursos culturais.

A primeira fase deverá centrar-se na cultura contemporânea, estando prevista uma duração inicial de aproximadamente dois anos. Numa fase posterior, a cooperação poderá alargar-se ao património, através da partilha de estruturas e recursos, e, numa terceira etapa, ao turismo, com a preparação de propostas turísticas que valorizem a oferta cultural do território transfronteiriço.

19.10.26

Criado o Instituto Confúncio da Universidade de Évora

 

Instituto Confúcio da Universidade de Évora quer ser «uma verdadeira ponte entre pessoas, culturas, instituições e gerações»

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A Universidade de Évora (UÉvora) inaugurou, a 16 de outubro, o Instituto Confúcio, um novo espaço dedicado ao ensino da língua chinesa e à divulgação da cultura e civilização chinesas. A iniciativa representa um novo passo na estratégia de internacionalização da UÉvora e no reforço das relações académicas, científicas e culturais entre Portugal e a China, criando oportunidades de colaboração entre instituições de ensino superior e de aproximação à comunidade alentejana.

O Instituto Confúcio da Universidade de Évora, que resulta de uma parceria entre a Universidade de Évora, a City University of Macau, a Beijing Language and Culture University e a Chinese International Education Foundation, assume como missão central a promoção do ensino e do estudo da língua e cultura chinesas, criando oportunidades de aprendizagem, investigação e cooperação entre as comunidades académicas e a sociedade. A sua atividade visa igualmente fomentar o diálogo intercultural, reforçar o conhecimento mútuo e consolidar os laços entre Portugal e a China.

Na cerimónia de inauguração, o Reitor da Universidade de Évora destacou a importância deste projeto para o aprofundamento de uma relação histórica de amizade e cooperação entre os dois países, sublinhando o papel das universidades na aproximação entre povos e culturas.

“Gostaria que este Instituto Confúcio fosse muito mais do que um espaço de aprendizagem de uma língua. Que fosse uma verdadeira ponte entre pessoas, entre culturas, entre instituições e entre gerações”, afirmou António Candeias, defendendo a criação de um espaço de diálogo intercultural, aprendizagem e encontro, mas também de desenvolvimento de novas parcerias académicas e científicas.

O Reitor expressou ainda o reconhecimento da Universidade de Évora à City University of Macau, à Beijing Language and Culture University e à Chinese International Education Foundation pelo apoio à criação do Instituto, salientando que o envolvimento destas instituições constitui uma “oportunidade para aprofundar institucionais, científicas e humanas que queremos duradouras” com o universo académico e cultural chinês.

Da cultura à ciência: novas oportunidades de cooperação

A ligação à China assume particular relevância no percurso de internacionalização da Universidade de Évora, que tem vindo a desenvolver projetos de colaboração com instituições chinesas em diferentes áreas do conhecimento. Neste contexto, António Candeias destacou o papel da City University of Macau como parceiro privilegiado na aproximação entre as duas comunidades académicas, tendo dado como exemplo o Laboratório Conjunto China-Portugal em Ciências da Conservação do Património Cultural, criado no âmbito da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota. O projeto reúne a Universidade de Soochow, a City University of Macau e a Universidade de Évora, através do Laboratório HERCULES, promovendo a investigação conjunta na conservação e valorização do património cultural.

Para António Candeias, esta colaboração demonstra a capacidade da cooperação internacional para gerar conhecimento que dificilmente seria alcançado de forma isolada. Uma abordagem que a Universidade pretende alargar a outras áreas científicas e tecnológicas, nomeadamente às ciências agroalimentares, à gestão da água, à ciência de dados, às tecnologias digitais e à inteligência artificial.

Sobre a inteligência artificial, o Reitor da UÉvora salientou que “constitui uma das mais profundas transformações científicas, tecnológicas e sociais do nosso tempo”, sendo que “a Universidade de Évora pretende participar ativamente nesta transformação, promovendo uma abordagem interdisciplinar, responsável e centrada nas pessoas”.

“A cooperação com as universidades chinesas pode assumir aqui um papel muito relevante, através de projetos conjuntos de investigação, da formação avançada, da mobilidade académica e do desenvolvimento de novas aplicações da inteligência artificial em áreas tão diversas como o património cultural, a saúde, o ambiente, a agricultura e as humanidades digitais”, apontou António Candeias, afiançando que “acredito que a complementaridade das nossas competências científicas e a diversidade das nossas perspetivas culturais podem constituir uma importante mais-valia. E acredito igualmente que o Instituto Confúcio pode ajudar a criar as condições humanas e culturais necessárias para aprofundar estas relações”.

Uma ponte assente no respeito mútuo, na confiança e no conhecimento

A inauguração do Instituto Confúcio reforça também a dimensão cultural da cooperação entre Portugal e a China, cuja história conta com mais de 500 anos de contactos e intercâmbios. Neste percurso, Macau assume um lugar singular enquanto espaço de encontro entre as culturas portuguesa e chinesa, demonstrando como o diálogo intercultural pode promover o enriquecimento mútuo sem comprometer as identidades de cada povo.

“Aprender uma língua é muito mais do que adquirir uma nova competência de comunicação. É aprender a compreender outra cultura, outra história e outra forma de olhar para o mundo”, afirmou o Reitor, sublinhando a importância do conhecimento como instrumento para ultrapassar distâncias, combater preconceitos e construir relações de confiança.

O novo Instituto Confúcio pretende, assim, constituir uma oportunidade para estudantes, docentes, investigadores e para toda a comunidade alentejana “conhecerem melhor a língua, a cultura e a civilização chinesas”, sublinhou, desejando que o mesmo “seja uma verdadeira ponte, assente no respeito mútuo, na confiança, no conhecimento e na convicção de que temos muito a aprender uns com os outros”.

Na conclusão da sua intervenção, António Candeias estabeleceu um paralelismo entre as rotas marítimas que aproximaram Portugal e a China ao longo dos séculos e os novos caminhos da cooperação internacional. “Se no passado os oceanos foram os caminhos do encontro entre os nossos povos, hoje são as universidades que podem ajudar a abrir novos caminhos para o conhecimento e para a cooperação”, salientou, concluindo: “Podem contar com a nossa Universidade para continuar a aprofundar esta relação e para transformar as oportunidades que hoje se abrem em resultados concretos para os nossos estudantes, para a investigação e para as nossas comunidades”.

“Um novo marco na cooperação educativa entre a China e Portugal”

Já para QU Zhaowei, Diretor da Comissão de Assuntos Universitários e Secretário do Comité do Partido da Universidade de Língua e Cultura de Pequim, o Instituto Confúcio da Universidade de Évora representa “um novo marco na cooperação educativa entre a China e Portugal”. “É também uma importante iniciativa de intercâmbio cultural e humano, assim como a expressão concreta do esforço conjunto das três universidades na procura do bem comum e da aproximação dos povos”, sublinhou.

Por fim, WANG Yanjie, Conselheira para a Educação e Cultura, Embaixada da República Popular da China em Portugal, na sua intervenção destacou que a inauguração do Instituto Confúcio da Universidade de Évora representa a criação de um novo “elo de ligação entre Portugal e a China”. “A criação do Instituto Confúcio da Universidade de Évora abrirá uma nova porta para que a população em geral e os estudantes em particular possam conhecer melhor a China, aprender a língua chinesa e descobrir a cultura chinesa”, afiançou.

A cerimónia de inauguração, que decorreu na Sala dos Docentes do Colégio do Espírito Santo, contou com um momento musical a cargo da Escola de Artes da Universidade de Évora, com as intervenções institucionais, com uma apresentação cultural pelo Instituto Confúcio da Universidade de Lisboa e, por fim, com o descerramento da placa do Instituto Confúcio da Universidade de Évora.

LIU Jun, Presidente da Universidade da Cidade de Macau, e  ZHAO Lingshan, Vice-Presidente e Secretário-Geral da Fundação Chinesa para a Educação Internacional também deixaram palavras de felicitações através de vídeo mensagens.

Entre os principais objetivos do Instituto Confúcio da Universidade de Évora encontram-se a oferta de aulas de língua chinesa, a formação e capacitação de professores, a produção de materiais e recursos didáticos e a implementação de programas de intercâmbio linguístico e cultural. A nova estrutura pretende também promover exames e certificações na área da língua e cultura chinesas, desenvolver investigação e prestar serviços de consultoria em educação, cultura e outras temáticas relacionadas com a China.

O Instituto Confúcio da Universidade de Évora, cujos cursos de mandarim devem começar a ser ministrados no início do próximo ano, para alunos, docentes e comunidade em geral, vai funcionar na Casa Cordovil, no centro de Évora.

15.10.26

Futuro do Hidrogénio Renovável, no Alentejo

 

Alentejo testa o futuro do hidrogénio renovável

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Produção em Sines, utilização em edifícios de Évora, mobilidade no Alandroal e uma comunidade energética na Ilha de Culatra são algumas das aplicações concretas previstas pelo projeto H2tALENT, coordenado pela Universidade de Évora.


Mais do que produzir hidrogénio renovável, o projeto H2tALENT pretende demonstrar, em condições reais, como este combustível pode ser integrado em diferentes setores. Para isso, o projeto está ligado a vários locais de implementação que funcionarão como “laboratórios vivos” para demonstração, experimentação e formação.

No Alandroal, o projeto prevê apoiar a conversão de frotas municipais e de serviços públicos para sistemas movidos a hidrogénio. A mobilidade será assim uma das áreas em que a tecnologia será testada diretamente no território, incluindo a utilização de veículos movidos a hidrogénio.

Em Évora, o foco estará na utilização do hidrogénio no sistema de aquecimento edifícios. Entre as demonstrações previstas encontra-se a utilização de um misturador de hidrogénio e gás natural na piscina municipal, permitindo testar uma aplicação concreta do hidrogénio renovável no setor dos edifícios.

Já na Ilha de Culatra, o projeto terá uma vertente diferente, centrada no desenvolvimento de uma comunidade de energia renovável, com armazenamento de energia eléctrica na forma de hidrogénio e a sua integração com redes inteligentes. Desta forma, o sistema funcionará como uma “bateria de hidrogénio”, produzindo hidrogénio renovável com o excesso de energia eléctrica na altura de maior produção solar, armazenando esse hidrogénio para produzir novamente energia eléctrica na altura de maior demanda e menor produção solar.

Estas aplicações complementam a componente de produção prevista para Sines, onde está projetada uma unidade de produção de hidrogénio renovável de 15 megawatts. O hidrogénio renovável produzido poderá ser posteriormente injectado na rede de gás natural e/ou transportado para diferentes locais de utilização, permitindo testar uma cadeia que vai da produção ao transporte, armazenamento e consumo.

“Pretendemos ir desde a produção de hidrogénio renovável até ao transporte e à utilização, cobrindo toda a cadeia de valor”, explica Hugo Gonçalves Silva, professor do Departamento de Física da Universidade de Évora e coordenador do H2tALENT.

No conjunto, o projeto prevê a produção de mais de 500 toneladas de hidrogénio renovável por ano, destinadas a diferentes aplicações na indústria, mobilidade e edifícios.

Iniciado em 2024 e com duração prevista até 2030, o H2tALENT pretende criar um Vale do Hidrogénio no Alentejo, aproveitando infraestruturas existentes e novos investimentos para desenvolver e testar soluções ao longo de toda a cadeia de valor.

A dimensão internacional é outra das componentes do projeto. O consórcio reúne 29 parceiros de sete países, incluindo universidades, empresas, municípios, centros tecnológicos e entidades públicas, procurando transformar os resultados obtidos nos locais de demonstração em soluções que possam ser replicadas noutras regiões.

Através destes “laboratórios vivos”, o H2tALENT pretende, assim, passar da investigação e do planeamento para a demonstração de aplicações concretas, avaliando no terreno como o hidrogénio renovável pode ser integrado nos transportes, nos edifícios e nos sistemas energéticos locais.

13.10.26

21.9.26

Pedro Ferreira (SCOCS) tomou posse como Presidente da FAJUDIS

 

O tomarense Pedro Ferreira, membro da Direção do SCOCS - Sport Clube Operário de Cem Soldos, tomou posse, neste domingo dia 20 de setembro, como Presidente da Direção da Federação das Associações Juvenis do Distrito de Santarém (FAJUDIS), para o mandato 2026-28.


Saber mais sobre a FAJUDIS,
aqui


13.9.26

NOITE EUROPEIA DOS INVESTIGADORES - ÉVORA 2026 - 25/Setembro

 



NOITE EUROPEIA DOS INVESTIGADORES - ÉVORA 2026
“A Ciência Encontra a Cidade”

25 de setembro de 2026 | 17h00–22h00
Praça 1.º de Maio, Évora

A Noite Europeia dos Investigadores regressa a Évora para mais uma noite de encontro entre a ciência e a cidade.

Ao longo da tarde e da noite, a Praça 1.º de Maio transforma-se num espaço de descoberta, participação e diálogo, com mais de 100 atividades científicas, culturais e interativas dirigidas a públicos de todas as idades.

Demonstrações, oficinas, jogos científicos, conversas, percursos temáticos e propostas culturais darão a conhecer a investigação desenvolvida na Universidade de Évora e por diferentes entidades da região, mostrando como a ciência está presente no quotidiano e contribui para compreender e responder aos desafios da sociedade.

A participação é gratuita e aberta a toda a comunidade.

A NEI Évora 2026 é organizada pela Universidade de Évora, através do IIFA – Instituto de Investigação e Formação Avançada e do MED – Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento, e pela Câmara Municipal de Évora, contando com o apoio de Évora 2027 – Capital Europeia da Cultura e de outras entidades parceiras locais e regionais.

Com os melhores cumprimentos,

A Equipa Organizadora da NEI Évora 2026

Raquel Eustáquio :: Sofia Eufrázio :: Luis Gomes

9.9.26

Portugal no contexto das políticas europeias para o Património Cultural | CIDEHUS - Artigo conjunto | Bombico at al. (2026)

 Artigo completo aqui


Cultural challenges of a changing Europe

Desafios culturais de uma Europa em mudança

Sous la direction de Sónia Bombico



Artigo

Portugal no contexto das políticas europeias para o Património Cultural

Sónia Bombico, Luís Ferreira, Leonor Dias Nogueira et Catarina Moura

p. 13–91

Resumo

O texto analisa a participação e o posicionamento de Portugal nas principais políticas e iniciativas europeias no domínio do património cultural, enquadrando-os na evolução das políticas culturais da União Europeia e do Conselho da Europa. 

Partindo de um enquadramento conceptual e institucional das políticas europeias para o património, o estudo centra-se na análise de quatro iniciativas de referência: a Marca do Património Europeu, os Itinerários Culturais do Conselho da Europa, a plataforma digital Europeana e os Prémios Europeus do Património/Europa Nostra Awards. 


A metodologia adotada combina uma abordagem exploratória de natureza quantitativa e qualitativa, recorrendo à análise de dados institucionais, relatórios oficiais e bases de dados europeias, complementada pela leitura dos resultados de dois Eurobarómetros sobre o Património Cultural e a Cultura, realizados em 2017 e 2025, respetivamente. 


Os resultados evidenciam uma participação portuguesa globalmente consistente e, em alguns domínios, particularmente relevante, como no caso dos Prémios Europa Nostra e da Marca do Património Europeu. Contudo, identificam-se fragilidades estruturais, nomeadamente na coordenação estratégica, na construção de narrativas europeias consistentes e na presença digital, bem como assimetrias persistentes no contexto europeu. 


O artigo evidencia a necessidade de reforçar a articulação entre políticas nacionais e europeias, bem como de promover modelos de governação mais integrados e participativos.



Auteurs

7.9.26

5.9.26

Bons Sons - O contributo possivel do Turismo Sustentável ao Turismo Regenerativo, uma síntese

 


A crescente complexidade dos desafios ambientais, sociais e territoriais associados ao desenvolvimento turístico tem conduzido ao questionamento dos paradigmas tradicionais de sustentabilidade. Embora o desenvolvimento turístico sustentável continue a constituir uma referência central para o planeamento e gestão dos destinos, diversos autores têm vindo a argumentar que a mitigação dos impactos negativos do turismo é insuficiente para responder aos desafios contemporâneos, defendendo a necessidade de abordagens capazes de gerar benefícios líquidos para os territórios, comunidades e ecossistemas (Bellato, Frantzeskaki & Nygaard, 2022; Bellato & Pollock, 2023; Sheldon, 2022).

Neste contexto emerge o conceito de turismo regenerativo, entendido como uma abordagem orientada para a revitalização dos sistemas socio-ecológicos, o fortalecimento das capacidades comunitárias e a criação de relações mutuamente benéficas entre visitantes, residentes e territórios. Ao contrário das abordagens centradas na minimização de impactos, o turismo regenerativo procura contribuir ativamente para processos de transformação territorial, reforçando a resiliência ecológica, cultural, social e económica dos lugares (Bellato, Frantzeskaki & Nygaard, 2022; Bellato & Pollock, 2023; Sheldon, 2022).

Os festivais de música realizados em territórios rurais portugueses constituem um contexto privilegiado para analisar esta transição paradigmática. Estes eventos são frequentemente associados à dinamização económica, valorização cultural, reforço identitário e promoção turística dos territórios anfitriões. Contudo, permanece insuficientemente compreendido em que condições estes contributos ultrapassam uma lógica de desenvolvimento turístico sustentável e passam a configurar processos efetivos de regeneração territorial.


Bibliografia citada:

Bellato, L., Frantzeskaki, N., & Nygaard, C. A. (2022). Regenerative tourism: A conceptual framework leveraging theory and practice. Tourism Geographies, 25(4), 1026–1046. https://doi.org/10.1080/14616688.2022.2044376

Bellato, L., & Pollock, A. (2023). Regenerative tourism: A state-of-the-art review. Tourism Geographies, 27(3–4), 558–567. https://doi.org/10.1080/14616688.2023.2294366

Sheldon, P. J. (2022). Designing regenerative tourism. Edward Elgar Publishing. https://doi.org/10.4337/9781800377486




1.9.26

Do Turismo Sustentável ao Turismo Regenerativo: o contributo para processos de transformação territorial dos espaços rurais portugueses

No âmbito do Programa de Doutoramento em Turismo que tenho vindo a frequentar na Universidade de Évora, irei ao longo dos próximos anos, desenvolver uma investigação subordinada ao tema:

Do Turismo Sustentável ao Turismo Regenerativo: O contributo dos festivais de música para processos de transformação territorial dos espaços rurais portugueses


O Plano de Trabalho Proposto e Cronograma do Projeto de Tese, no âmbito do Doutoramento em Turismo da Universidade de Évora, foi aceite pelo Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades - CIDEHUS, onde atuarei como Investigador Doutorando.

O email de investigador, é o luis.js.ferreira@fa.uevora.pt

Sinopse da investigação a desenvolver:

A presente investigação analisa o contributo dos festivais de música (Portugal, 2023) realizados em territórios rurais (Vasta et al., 2023) portugueses para processos de transformação territorial alinhados com princípios de sustentabilidade de regeneração (Nkunzi & Nyikana, 2025; Nugroho et al. 2025). Parte-se do reconhecimento de que sustentabilidade e regeneração não devem ser entendidas como categorias fechadas nem como etapas automaticamente sucessivas (Ho, 2026), mas como lógicas que podem coexistir, em diferentes graus, no mesmo festival e território.

A investigação distingue turismo regenerativo, práticas regenerativas e regeneração territorial, sendo esta última entendida, como um processo multidimensional, gradual e duradouro, resultante da interação entre festival, comunidade local, autarquias, associações, agentes económicos, visitantes e outras dinâmicas territoriais (Roriz & Oliveira, 2023; Fusté-Forné & Hussain, 2025; Turčinović et al., 2025).

A pergunta central é: Em que condições, através de que mecanismos e com que limites os festivais de música realizados em territórios rurais portugueses contribuem para processos de transformação territorial alinhados com princípios de sustentabilidade e/ou de regeneração?

Será adotada uma metodologia de estudos de caso múltiplos (Yin, 2018), com recurso a métodos mistos, em que a componente qualitativa terá uma centralidade interpretativa, enquanto a componente quantitativa terá uma função complementar e contextualizadora, no âmbito de um paradigma positivista já explorado por Portugal (2023), na sua análise de comportamento de turistas em Festivais, em Portugal. A investigação combinará revisão da literatura, análise documental, entrevistas, observação participante (direta e indireta), questionários, dados secundários e reconstrução da trajetória territorial de cada caso. Pretende-se desenvolver um quadro de avaliação que distinga indicadores de atividade, resultado e impacto, permitindo construir perfis multidimensionais de contributo territorial.








A aventura vai, portanto, começar em breve!

28.8.26

Festa do Avante assinala 120 anos do nascimento de Fernando Lopes-Graça

O templário 26/8/2026 - Notícia completa, aqui

A Festa do Avante assinala 120 anos do nascimento de Fernando Lopes-Graça. Espaço da Organização Regional de Santarém será dedicado ao compositor tomarense. Coro Misto da Canto Firme interpretará obras do músico no dia 5 de setembro



20.8.26

PLANAPP | os policy briefs da 3.ª edição do Science4Policy (2025)

O PLANAPP acaba de disponibilizar na Biblioteca de Policy Briefs os documentos resultantes da edição de 2025 do concurso Science4Policy (S4P-25), promovido em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Com esta publicação, passam a estar reunidas num mesmo espaço as sínteses de evidência produzidas nas três edições já concretizadas do concurso, a par dos documentos elaborados no âmbito das Mesas Redondas.

O S4P-25 foi a edição com maior adesão desde o lançamento da iniciativa, em 2023: das 60 propostas elegíveis, foram aprovadas 27 candidaturas, distribuídas por 20 linhas temáticas prioritárias definidas pela a REPLAN – Rede de Serviços de Planeamento e Prospetiva da Administração Pública, no quadro das Agendas Temáticas da Estratégia Portugal 2030. Concluídos no segundo trimestre de 2026, os estudos mobilizaram um financiamento global de cerca de 1,3 milhões de euros.

Cada policy brief traduz um estudo de investigação aplicada num documento curto e orientado para a decisão, que delimita o problema de política pública, sistematiza a evidência disponível e propõe opções e recomendações dirigidas a quem formula e decide. Os trabalhos foram desenvolvidos por equipas de instituições de ensino superior e centros de investigação de diferentes regiões do país, em articulação com organismos da Administração Pública das áreas governativas a que os desafios dizem respeito.

Os temas cobertos acompanham a amplitude das prioridades nacionais, abrangendo o equilíbrio demográfico e a redução das desigualdades, a digitalização, a inovação e as qualificações, a transição climática e a sustentabilidade dos recursos, bem como a competitividade e a coesão territorial.

Ao tornar estes conteúdos acessíveis a partir de um único ponto de entrada, o PLANAPP consolida a Biblioteca como infraestrutura de intermediação de conhecimento, aproximando a produção científica dos tempos e das necessidades da decisão pública e estimulando o diálogo entre a Administração Pública, a comunidade científica e os restantes atores do ecossistema das políticas públicas.

Esta divulgação integra-se no esforço de implementação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que financia esta ação.

16.8.26

Mais uma tentativa de limitar a Laicidade do Estado - comunicado da Associação Ateísta Portuguesa


COMUNICADO

Recentes notícias reportam que "deputadas do partido [Chega] abraçam a dimensão religiosa da sua atividade política"* através da formação do Movimento Mulheres Conservadoras Portugal, que também conta com personalidades dos partidos PSD e CDS-PP.

A Associação Ateísta Portuguesa alerta para o avanço institucional e político de grupos cujos objetivos podem colocar em causa a laicidade do Estado português, que não pode reconhecer nenhum tipo de dimensão religiosa no exercício das suas funções, da mesma forma que não pode exercer controlo político sobre a prática religiosa da sua população.

Um dos princípios estruturantes da sociedade contemporânea diz respeito à posição de laicidade do Estado, princípio esse que assegura que este não adota qualquer religião, garantido desse modo a liberdade religiosa dos cidadãos.

A criação de um movimento ultraconservador, com o aparente aval do Partido Chega, configura um ataque consciente e deliberado contra o princípio da Laicidade, assumindo-se como um projeto atentatório dos mais básicos direitos humanos, em particular os das mulheres e de algumas minorias sexuais e confessionais e, em geral, os de todos os cidadãos.

O referido movimento ultraconservador não esconde os seus objetivos, propósitos e finalidades: há uma intenção declarada de promover um retrocesso civilizacional, constitucional e axiológico, reintroduzindo a religião na esfera pública, nomeadamente na ação parlamentar, com impactos diretos na liberdade de pensamento e de expressão dos cidadãos, mediante alterações nas políticas de Educação, de Saúde e de Solidariedade Social.

A importação de fenómenos que tanto têm prejudicado o Brasil, como o desenvolvimento de uma bancada evangélica no parlamento, parece ser um caminho possível se não provável para este movimento, se aliado a outros do mesmo teor, que se têm vindo a formar nos últimos anos. A infiltração de ideias religiosas entre as pessoas eleitas para legislar conduz a um país onde a fé pessoal se sobrepõe ao interesse público.

A Associação Ateísta Portuguesa, não pode deixar de manifestar  a sua preocupação relativamente às consequências nefastas decorrentes da perniciosa influência deste movimento e chama a especial atenção das entidades públicas (órgãos de soberania, partidos políticos e demais instituições), da sociedade civil e de todos os cidadãos para a importância da defesa da laicidade do Estado.


A Direção da Associação Ateísta Portuguesa

12.8.26

Inteligência Artificial: princípios para uma utilização responsável no dia a dia (e na educação)

 Notícia original aqui


Escrito por Diogo Matos, Analista de Sistemas da FCT, na unidade de serviços digitais FCCN


A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma novidade para passar a fazer parte do nosso quotidiano. Utilizamo-la, muitas vezes, sem nos apercebermos, em diferentes tarefas do dia a dia. Na educação, não é diferente: pode ajudar professores a poupar tempo, apoiar alunos na aprendizagem e contribuir para processos mais eficientes. Mas, como qualquer tecnologia com um impacto crescente nas nossas vidas, exige critérios claros, sentido crítico e uma utilização responsável.

Ao longo deste artigo, partilhamos um conjunto de boas práticas e princípios essenciais para utilizar a IA de forma informada, responsável e consciente, potenciando os seus benefícios sem perder de vista os desafios e riscos associados.

1. Transparência acima de tudo

A utilização responsável da Inteligência Artificial começa pela transparência. Sempre que recorremos a estas ferramentas para apoiar ou produzir um trabalho, um texto, uma análise ou uma decisão, devemos divulgar esse facto de forma clara. Isto aplica-se a alunos que recorrem a esta tecnologia para um trabalho escolar, a professores que a utilizam para preparar materiais, e a qualquer profissional que a integre no seu processo de trabalho.

A transparência não é apenas uma questão ética, é o que permite que quem recebe o trabalho possa avaliar corretamente o que está a ler e como foi produzido.

2. Uma ferramenta, não um substituto

Os modelos de Inteligência Artificial podem ser aliados valiosos em diferentes tarefas, desde a criação de conteúdos e análise de informação, até à organização de ideias, à realização de tarefas repetitivas ou à identificação de aspetos que possam ter sido esquecidos. No entanto, o seu papel deve ser o de apoio, e não o de substituição.

A responsabilidade pela decisão final, seja uma nota atribuída, um diagnóstico, um relatório ou uma simples resposta a um email, continua a ser sempre de uma pessoa. Isto significa que o resultado produzido pela IA deve ser sempre analisado criticamente, em vez de ser automaticamente aceite. Delegar o julgamento por completo a um modelo de IA é abdicar da nossa própria responsabilidade.

3. Fact-checking é uma etapa obrigatória

Os modelos podem errar, e erram com maior frequência do que se imagina. As chamadas “alucinações”, quando é apresentada informação incorreta com total confiança, são um risco real e conhecido. Datas, nomes, citações, referências bibliográficas ou dados estatísticos gerados por Inteligência Artificial devem ser sempre verificados junto de fontes fiáveis antes de serem usados ou partilhados.

Uma boa prática consiste em pedir ao modelo que indique as referências e as fontes utilizadas para sustentar a informação apresentada. Essas referências devem depois ser consultadas e verificadas diretamente pelo utilizador, de forma a confirmar a sua veracidade, fiabilidade e adequação ao contexto.

4. Segurança e privacidade dos dados

Muitas das ferramentas disponíveis recolhem dados dos utilizadores para fins de análise, melhoria dos serviços e, em alguns casos, treino de futuros modelos. Por isso, é fundamental evitar introduzir dados pessoais, confidenciais ou sensíveis nestas plataformas, sejam eles nossos, de alunos ou de colegas.

Antes de utilizar um documento ou colocar uma pergunta que envolva informação identificável, vale a pena parar e pensar: “Este conteúdo pode sair daqui e ser usado para outros fins?” Na dúvida, é preferível anonimizar ou simplesmente não partilhar.

5. Atenção aos enviesamentos

Todos os modelos são treinados com base em grandes conjuntos de dados, recolhidos maioritariamente da internet e de outras fontes já existentes. Isso significa que podem refletir e, por vezes, amplificar enviesamentos presentes nesses dados, como estereótipos de género, preconceitos culturais, desequilíbrios geográficos ou outras formas de representação desigual da realidade.

O utilizador deve estar atento a respostas que pareçam parciais, estereotipadas ou incompletas, e questionar sempre a origem e a neutralidade da informação recebida.

Para professores: transformar princípios em prática

Na educação, a integração responsável da Inteligência Artificial passa não só pela adoção destas ferramentas, mas também pela capacidade de orientar os alunos para uma abordagem crítica e consciente. Neste contexto, existem algumas práticas que podem fazer a diferença dentro e fora da sala de aula.

Definir e comunicar políticas claras de utilização

Uma utilização responsável começa por regras claras. Os alunos devem compreender quando e para que finalidades a Inteligência Artificial pode ser utilizada nos trabalhos académicos, bem como os limites da sua utilização. Por exemplo, pode ser adequada para apoiar a pesquisa ou a organização de ideias, mas não para elaborador um trabalho final na íntegra.

Literacia digital: compreender como funciona a IA

Mais do que utilizar as ferramentas, é importante compreender o seu funcionamento e limitações. Os alunos devem saber que estes sistemas podem cometer erros, apresentar informação incorreta ou refletir enviesamentos presentes nos dados com que foram treinados. Devem ainda perceber que a qualidade das respostas depende, em grande medida, da forma como as perguntas são formuladas.

Reduzir a carga administrativa

A Inteligência Artificial pode ser uma aliada valiosa na redução do trabalho administrativo dos professores, libertando tempo para o que realmente importa: acompanhar os alunos e apoiar o seu processo de aprendizagem. Esta tecnologia pode contribuir para tarefas como o planeamento de aulas, a estruturação de unidades curriculares ou a elaboração de sumários e sínteses dos conteúdos lecionados.

Estas ferramentas podem também facilitar a criação de exercícios, testes e fichas de trabalho, a adaptação de materiais aos diferentes níveis de dificuldade e a necessidades educativas específicas, a elaboração de rubricas de avaliação e a correção de trabalhos. Em todos estes casos, a revisão e validação por parte do professor continuam a ser indispensáveis.

Dar o exemplo na utilização da IA 

Quando um professor usa a Inteligência Artificial de forma transparente e crítica, está também a promover essas boas práticas junto dos alunos. Identificar claramente quando foi utilizada, verificar a informação produzida e manter o julgamento profissional como elemento central da decisão são formas de demonstrar, na prática, o que significa uma utilização responsável.

Preparar o futuro com sentido crítico

A Inteligência Artificial tem vindo a transformar a forma como estudamos, ensinamos e trabalhamos. Quando utilizada com critério, pode apoiar a aprendizagem, simplificar tarefas e aumentar a eficiência em diferentes contextos. No entanto, o seu potencial deve caminhar lado a lado com a transparência, o espírito crítico e o respeito pela privacidade. Mais do que saber utilizar estas ferramentas, é fundamental compreender as suas limitações, validar a informação que produzem e manter sempre o julgamento humano no centro das decisões.

Num contexto em que a IA está cada vez mais presente no nosso dia a dia, desenvolver uma utilização informada e responsável é uma competência essencial para todos. A tecnologia evolui rapidamente. A responsabilidade de a utilizar de forma adequada continua a ser inteiramente nossa.