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1.1.25

Novo perfil académico (Academia e ORCID)

Na sequência dum conjunto vasto de formações realizadas nos últimos anos, decidi incluir neste repositório histórico de pensamentos e interesses - já com duas décadas de "uso" os links para o meu perfil académico.

Aí poderão, com outro nível de detalhe, ser lidos artigos, trabalhos e outras publicações, as quais permitem também - à sua maneira, transmitir pensamentos, conhecimento e, quando e se disso for caso, alguma ciência.

O link é este: Academia.edu

Ou então este: ORCID.org


23.2.24

A TEORIA DO CAOS - da onda mundial do disparate, ao "bater de asas da borboleta" no Portugal de 2014

Artigo publicado no Jornal "O Templário", de 19/2/024 (Pag.6) (https://otemplario.pt/)


À partida quando nos referimos a isto - a teoria do caos, somos levados a pensar que estamos a tratar de algo na área da Filosofia, mas não. A imprevisibilidade na área científica nunca foi segredo, mas a coisa ganhou ares de estudo científico sério no início da década de 1960, quando o meteorologista americano Edward Lorenz descobriu que fenómenos aparentemente simples, acabam por ter um impacto extremamente relevante na vida. Ele "inventou" o efeito borboleta, quando aplicando a um simulador meteorológico uma pequena e infinitésima alteração matemática, esta acabaria por alterar por completo o padrão das massas de ar no futuro.

Uma solução no atrator de Lorenz impressa em alta resolução no plano x-z, o chamado "efeito borboleta", das equações de Edward Lorenz (1963)

Na teoria de Lorenz não entrava o PS, quando este postulou a sua teoria, pois na década de sessenta do século passado, este ainda não existia - viria a ser fundado em 1973, mas como adiante veremos, ele ajudará a provar essa mesma teoria.

Estamos em 2014, em Maio, e o PS acaba de ganhar as eleições europeias, após em outubro do ano anterior ter ganho 150 presidências das 308 Câmaras Municipais do País - a maior vitória dum Partido sozinho até então observado. 

António José Seguro - um político do interior do país (Penamacor), que nos anos 80 estudou no ISCTE em Lisboa e após um percurso europeu e nacional nas juventudes partidárias - contra o primeiro Governo de maioria absoluta (de Cavaco Silva, 1985-95), viria a ser Professor Universitário (na Universidade Autónoma de Lisboa) e em 2011 eleito Secretário-geral do PS, após a clamorosa derrota de José Sócrates, no rescaldo do seu segundo Governo (2009-11).

Com duas vitórias seguidas - autárquicas e europeias, Seguro em 2014 estava em ótima posição para vir a ser Primeiro Ministro, uma vez que nesse mesmo mês de Maio, o PS liderava as sondagens publicadas, com cerca de 38%, contra 32% da direita unida (PSD-CDS) que estava a governar o País. As eleições estavam programadas para cerca de 18 meses depois - em Outubro de 2015.

Era terça-feira, dia 27 de maio de 2014 e, chegado a casa na hora de almoço abri a televisão e vejo um inefável Presidente da Câmara de Lisboa - António Costa a definir a vitória do PS de dois dias antes, como de "poucochinha". Logo ali percebi, que estávamos perante um "cheque" ao Rei.

A História que se seguiu já todos a conhecemos: Seguro viria a ser substituído na liderança do PS, através dumas primárias em que mais de 177 mil cidadãos (a maioria não-militantes), na sua maioria eleitores habituais de partidos à esquerda do PS, acabariam poor escolher Costa para liderar e ser este o candidato socialista às eleições de 2015, as quais contra todas expetativas perdeu para a coligaçãod e direita PSD-CDS, liderada pelo então Primeiro-Ministro Passos Coelho. Depois, juntou todos os partidos de esquerda, obteve a maioria dos deputados no Parlamento e formou Governos, um primeiro com o apoio de todos, um segundo com o apoio de alguns e um terceiro, após uma crise por eles provocado, no qual obteve uma inexpectável maioria absoluta, a 30/1/2022.

O "poucochinho" de 2014 - um pequeno bater de asas do então Presidente da Câmara de Lisboa, sentado em 285 milhões€ de indemnização pelos terrenos do Aeroporto de Lisboa, "dados" pelo Governo de direita, em 2012 - para que este pudesse privatrizar a ANA aos franceses da Vinci e, com isso hipotecar por várias dácadas a autonomia decisória do país em relação às infraestruturas aeroportuárias. Dizia, este "bater de asas", levou o PS a um sucesso impossível de prever, conduzindo uma parte do partido (e do País) a acreditar que os fins justificavam os meios e que no mundo da política "normal" era assim que a o "sistema" funcionava.

Estranhamente, ou talvez não, também em 2014, a Russia de Putin iniciava a atual Guerra em que nos encontramos - anexando partes do território da atual Ucrânia, incluindo a histórica província russa da Crimeia, onde estava fundeada a maior frota Russa, depois Soviética e depois mais uma vez Russa, numa das poucas saídas permentes do grande Império "continental" Euroasiático Russo tem para o mar temperado.

O mundo fez durante anos vista grossa à nova Guerra que se havia iniciado e, hoje, já quase todos sabem que a Guerra Mundial, na qual estamos mergulhados começou nesse ano - 2014 e, não irá terminar antes de se percorrerem - muito provavelmente, mais uma década, pelo menos. Depois desse início de Guerra, a vitória de Trump em 2016 - após o descalabro racista das presidencias de Obama, o Brexit - na determinação das interferências da guerra de fake promovida a partir da Rússia, passando pela vitória de Bolsonaro no Brasil, a pandemia iniciada na China e a total constrição dos direitos de cidadania, conquistados em mais de 230 anos da Idade Moderna (pós 1789), foram apenas mais factos que nos trouxeram até hoje.

Em Portugal, desde esse ano de 2014, a esquerda - e o PS a líderá-la, julgou que finalmente os ventos da História a haviam colocado no lugar certo, naquele que parecia o momento certo. Nada de mais errado. O "bater de asas" desse dia 27 de maio de 2014, levaria apenas a que parte da sociedade olhasse e visse aquilo que "nós" não víamos: que o Rei ía nu, que o "sistema" que havia sido laboriosamente construído  durante décadas, primeiro sob o contributo de Soares, Freitas e Sá Carneiro, depois por Cavaco e Guterres, e finalmente com o concurso diferenciado de Barroso e Sócrates, tinha chegado ao limite.

De incío meras expressões de um neo-liberalismo retrógrado Passista, alicerçado nuns think-thanks das Universidades de direita portuguesas, mas rapidamente transmutados para a "Internacional" a soldo de Moscovo, direta ou indiretamente conectadas, misturando os descamisados da globalização, aos tolos de todas as matizes e classes sociais, do mais iletrado ao doutorado, cujo o único ponto de contacto é / era a revolta perante a expetativa que a esquerda, que o "sistema", lhe havia durante décadas prometido, mas que fruto dos "bateres de asas à lá-Costa", apenas lhes criavam a sensação de que os fins justificavam os meios usados para chegar ao poder, como se esse fosse um fim em si mesmo.

Se nos idos de 2014, o mundo parecia continuar numa Paz eterna e o ato de Costa pareceu "legítimo", hoje sabemos já que tal como no modelo científico de Lorenz - e sim, ele acabou por criar as equações matemáticas que ajudaram a demonstrar a TEORIA DO CAOS,  a bagunça em que estamos mergulhados em 2024, começou nesse dia 27 de maio de 2014, precisamente porque TODOS falhámos ao responder à expetativa das pessoas.

Como diria o atual Secretário-geral dum PCP em desaparecimento eleitoral, Paulo Raimundo: "Essa é que é a questão essencial"!

Nem está em dúvida que se vive MUITO MELHOR hoje do que há uma década atrás. No mundo, na Europa e em Portugal. TODOS os indicadores o demonstram. A questão não é, NUNCA foi essa. 

Também na União Soviética de 1989 se vivia melhor do que na União Soviética de 1979 ou de 1969, mas não foi por isso que o sistema comunista então ruiu: foi precisamente porque a expetativa da maioria das pessoas foi defraudada. As pessoas olham e têm a perceção, sempre ampliada pelas centrais de produção de fakes direta ou indiretamente contrladas a partir de Moscovo, de que a corrupção alastra, de que os muito ricos estão cada vez mais ricos e melhoram substancialmente mais rápido a sua condição de vida que o Homem da rua, que a liberdade é condicionada por uma comunicação social clássica e "mentirosa", que a ciência também ela é "falsa" - daí o permanente crescimento do negacionsimo científico, na perceção continuada do "nós" - os cidadãos comuns, contra "eles" - os instalados no poder, uma determinada elite dirigente desconectada do idadão comum.

A expetativa atual do Homem da rua é de que a vida dos seus filhos será bem pior que a sua e que entre o hoje e o amanhã, o melhor dos dois dias está a ser o hoje. E isso, sejamos honestos, é mortal para a Liberdade e para a Democracia, como nós a vivemos e durante décadas a concebemos.

No final deste "pequeno passo mais para o CAOS" - o dia 10 de março, podemos acordar muito pior do que como acordámos em todos os dias a seguir à eleições realizadas depois de 27 de maio de 2014 - o dia do tal "bater de asas". Mas, uma coisa tenho para mim como adquirido: os nossos líderes - da direita clássica, à esquerda, não o entenderam ainda e, garanto-vos que quanto mais tarde o entenderem pior será para todos nós: o que vem aí é bem feio e mais uma prova de que a TEORIA DO CAOS está hoje mais atual do que nunca.

Ah. E já agora, convem que TODOS percebamos que estamos em Guerra. E ela é mais do que contra os inimigos da ciência e da civilização - na Ucrânia ou em Gaza, mas contra nós próprios. E essa é a mais difícil Guerra de se travar. 

Mas, podem acreditar-me: tal como postulei em 2008 - que até 2020 o mundo entraria em Guerra - tal o impacto que teria a crise do sub-prime do EUA no equilíbrio económico-social mundial, não é muito difícil prever hoje, de que até 2030 poderemos vir a ter - em Portugal, na Europa e no Mundo um ocaso das Liberdades, do Saber e da Civilização na qual nascemos e que julgámos durante décadas (poder) ser permanente.

A Teoria do Caos aí esta, a prová-lo, dia após dia!

Saibamos portanto trabalhar para mudar o rumo dos acontecimentos, que a sorte faz-se.

9.11.22

Riscos e Perigos no colapso da Barragem do Castelo do Bode

Num interessante trabalho, publicado na revista InfoGeo, de 2007/08, os autores José Luis Zêzere, catarina Ramos, Eusébio Reis, Ricardo Garcia e Sérgio Oliveira, deixaram-nos, a pag.37, a sua visão sobre "perigos naturais, tecnológicos e ambientais, na Região do oeste e vale do tejo", onde são abordadas diversas vertentes dos perigos (e riscos, quando consideradas as consequências para as pessoas).

Iremos debruçarmos-nos nos riscos / perigos inerentes ao colapso da Barragem do Castelo do Bode, não sem antes fazer uma referência a uma reunião em que participei, em 2014, no Centro Distrital Operações e Socorro do Distrito de Santarém, nas suas instalações em Almeirim, onde sobre esta questão foi afirmado que ...

"Não há ainda um Plano de Emergência para o Risco Especial de Colapso da Barragem do Castelo do Bode"!!!

Neste mapa notemos a existência de uma falha geológica que atravessa o coroamento da Barragem, com terminus de um tipo de rocha e a imediata passagem para outra, de características muito diferentes.
link para o mapa geológico da região de Tomar: 

Entendamos-nos: construíram uma Barragem, em 1957, em cima de uma falha geológica, na passagem de dois tipos de afloramentos rochosos diferentes, com comportamentos sísmicos diferentes e reação a temperaturas diferentes? 
A sério?



29.8.22

Por uma Política de Sustentabilidade Local

Deveremos olhar para as questões atuais do Ambiente numa perspetiva cada vez mais integradora do sentir das pessoas e das comunidades e, cada vez mesmo normativa/impositiva, mas sim auto-assumida, pois só a integração dos conceitos e a sua vivência no dia a dia, permitirão que eles se concretizem.

Precisamos para isso de uma Política de Sustentabilidade Local, integrada por:
- A definição de uma visão estratégica;
- A construção de uma Carta de Compromisso;
- A clara identificação dos parceiros;
- A Formação adequada ao competentes necessidades;
- A participação popular e institucional;
- A articulação de uma Agenda com os instrumentos de Gestão Territorial.

17.5.22

13.5.22

Liquens


 

1.5.22

Egipto será um grande exportador de hidrogénio verde para a Europa

Notícia original de PPL (28/4/2022)


Com a redução da dependência do petróleo e gás russos como objetivo, a Europa tem acelerado planos para introduzir outras fontes de energia, bem como para produzir hidrogénio verde. Assim sendo, assinou um acordo importante.

Este resultará na criação de uma unidade de produção de hidrogénio verde na Zona Económica do Canal de Suez.

Canal de Suez, onde será instalada uma grande unidade de produção de hidrogénio

A Europa está numa corrida para reduzir a dependência energética que estabeleceu com a Rússia. O objetivo passa por ter pelo menos 40 GW de capacidade instalada em eletrolisadores, aos quais se juntarão outros 40 GW localizados fora do território. Estes exportarão parte da produção para o nosso mercado.

Nesse sentido, a Europa assinou um acordo com a Masdar, propriedade do fundo estatal de Abu Dhabi Mubadala, e com a empresa energética do Egito Hassan Allam Utilities. Este acordo irá promover a criação de uma grande unidade de produção de hidrogénio verde na Zona Económica do Canal de Suez.

O Egipto goza de abundantes recursos solares e eólicos que permitem a geração de energia renovável a um custo muito competitivo. Um fator-chave para a produção de hidrogénio verde. O Egipto está também muito próximo de mercados onde se espera que a procura de hidrogénio verde aumente mais, proporcionando uma forte oportunidade de exportação para locais como a Europa.

De acordo com os envolvidos no projeto, a primeira fase das instalações estará operacional em 2026, garantindo 100.000 toneladas de metanol verde por ano, por forma a abastecer os navios no Canal de Suez. Posteriormente, o objetivo é que as instalações de eletrolisadores garantam a produção de 4 GW até 2030, uma vez que seria o suficiente para produzir cerca de 2,3 milhões de toneladas de amoníaco verde para exportação, bem como para fornecer hidrogénio verde às indústrias locais.

Se queremos chegar a emissões zero líquidas, não o podemos fazer apenas através das energias renováveis. Precisamos de algo para assumir o papel atual do gás natural, especialmente para gerir a sazonalidade e a intermitência, e isto é o hidrogénio.

Alertou Michele DellaVigna, chefe da unidade de negócios de ações de mercadorias da Goldman Sachs para a região da Europa, Médio Oriente e África, numa entrevista à CNBC.

 

30.12.21

22.12.21

Evolução da sexta vaga da pandemia (7/1)

Tal como no ano passado, o mês de dezembro assistiu à entrada de mais uma vaga pandémica, a qual tenho definido como "vaga invernal".

Estamos neste momento a finalizar a 5ª vaga (a 11 de janeiro), que tenho defindo como "vaga outonal", ainda visivel no gráfico de hoje.

Temos assim, em termos de resumo das vagas outonais e invernais, o seguinte:


2ªvaga (outonal de 2020):

INICIO: 2/10/2020        PICO: 14/11/2020        FIM: início de janeiro 2021

3ªvaga (invernal de 2020/21):

INICIO: meados de dezembro        PICO: 28/1/2021        FIM: 10/3/2021


5ªvaga (outonal de 2021):

INICIO: 24/10/2021        PICO: 8/12/2021        FIM:11/1/2022

6ªvaga (invernal de 2021/22):

INICIO: início de dezembro (provavelmente em 13/12/2021)        

PICO: entre 22 e 30 de janeiro 2022        

FIM: início de março de 2022


Nota: usamos como método de calculo as médias dos 7 dias anteriores (de forma a aplanar os fins de semana e os feriados) e consideramos inicio e fim de vaga pandémica a média superior ou inferior a 750 novos casos diários. Consideramos ainda que as 2ª/5ª vagas e 3ª/6ª, decresceram a um rácio médio diário de 1/1,2 em relação à sua efetiva subida.



(situação a 3/1/2022)


(situação a 30/12/2021)



(situação a 26/12/2021)


(situação a 22/12/2021)


(situação a 18/12/2021)



18.12.21

Aí está a sexta vaga da pandemia

(Acompanhe aqui a sua atualização regular)


Tal como no ano passado, o mês de dezembro assiste à entrada de mais uma vaga pandémica, que tenho definido como a "vaga invernal".

Tal parece estranho, uma vez que ainda parecia estarmos em pleno crescimento da 5ª vaga, que eu defindo como "vaga outonal", ainda bem visivel na primeira semana de dezembro.

Temos assim, em termos de resumo das vagas outonais e invernais, o seguinte:

2ªvaga (outonal de 2020):

INICIO: 2/10/2020        PICO: 14/11/2020        FIM: início de janeiro 2021

3ªvaga (invernal de 2020):

INICIO: meados de dezembro        PICO: 28/1/2021        FIM: 10/3/2021


5ªvaga (outonal de 2021):

INICIO: 24/10/2021        PICO: 8/12/2021        FIM: meados de janeiro 2021

6ªvaga (invernal de 2021):

INICIO: início de dezembro        PICO: meados de janeiro 2022        FIM: final de fevereiro de 2022



6.12.21

2.12.21

Tecnologia 5G….Mais um Detetor de Histéricos, Promotores do Medo

Artigo original, da autoria do Dr. João Júlio Cerqueira - Médico Especialista em Medicina Geral e Familiar, aqui


Existe um podcast brutal chamado “Pessimists“. No fundo, faz uma avaliação histórica sobre a reação da sociedade após o aparecimento de algumas tecnologias ou inovações. Desde o Walkman até à Valsa, passando pela Eletricidade e acabando na Bicicleta. Até o Ursinho de Peluche foi considerada uma monstruosidade horrível capaz de destruir a sociedade tal qual a conhecemos…
O que se conclui é sempre o mesmo: existe uma franja da sociedade que não lida bem com a mudança. Acha que o mundo vai implodir com o surgimento destas novas tecnologias/inovações”. São histéricos ignorantes, promotores do medo que colocam a emoção à frente da racionalidade.
E um bom exemplo é a tecnologia 5G. Basicamente, a implementação desta tecnologia será o fim da Humanidade. Levará à nossa extinção! Vai dar cabo das nossas glândulas sudoríparas, promover envelhecimento precoce, alterar o nosso sistema hormonal e destruir o nosso DNA. E, óbvio, causa cancro…tinha que causar cancro senão ninguém ficava suficientemente assustado. E como o ambiente está em voga, também causa a morte dos insectos e dos pássaros. Olhem esta frase incrível de uma tola promotora do medo:
“É interessante notar que nos últimos 20 anos perdemos 80% dos nossos insetos. E se tivermos 5G, perderemos 100% dos nossos insetos. Quando os insectos forem, nós também vamos.”
Já estão suficientemente assustados? Ainda não? Eu estou assustado, horrorizado, por ter que partilhar o planeta Terra com este tipo de gente inútil, ignorante, que continuam a lutar contra a evolução da sociedade.
Claro que, independentemente do que eu disser aqui, serei um comprado da “Big Wireless”, os estudos citados serão patrocinados pela “Big Wireless” e não podemos confiar na ciência porque a “Big Wireless” tudo domina…só o Zé, que fez um vídeo de Youtube sobre o tema, é que será de confiança.
É o que parece acreditar o Hugo Gonçalves Silva, Professor Auxiliar no Departamento de Física da Universidade de Évora. Faz um artigo publicado no Jornal Económico a denunciar os “perigos” da tecnologia 5G. O Xô Prossor começa bem:
“Existe extensa literatura a denunciar os variadíssimos perigos das telecomunicações móveis e é de estranhar que isto não seja do conhecimento dos centros tecnológicos que a estão a implementar e que, além disso, tal não seja transmitido à opinião pública.”
Quando achas que tu descobriste a pólvora e as centenas/milhares de investigadores que trabalham nos centros tecnológicos “não têm conhecimento do perigo” das tecnologias que eles investigam e implementam, talvez seja altura de reconsiderares a tua posição. A OMS (1, 2), o National Cancer Institute, o National Institute of Environmental and Health Sciences, o EC Scientific Committee on Emerging and Newly Identified Health Risks  (e podia continuar), referem que as radiações eletromagnéticas, nos níveis a que estamos expostos, são seguras. Deixam a porta aberta para um eventual aumento de risco de leucemia infantil, apesar da relação ser fraca. E, com exposição prolongada ao telemóvel, aumento do risco de neuroma do acústico. No entanto, à medida que a investigação tem avançado, tem ido no sentido de nos dar cada vez mais segurança relativamente à inocuidade destas tecnologias. E isso tem sido demonstrado mesmo em estudos laboratoriais e com animais, onde há sempre a tendência de utilizar doses massivas de exposição ao material testado, por forma a garantir que é mesmo seguro nas doses a que nós estamos expostos.
Portanto, o Xô Prossor, no seu artigo, usa um livro, uns vídeos de Youtube, a campanha do PAN sobre a “informação ao público” para os perigos do 5G e uns artigos da treta escolhidos a dedo que acariciam o seu viés de confirmação. Diga-se que o Xô Prossor já nos tinha brindado com este tipo de referências bibliográficas, de alta qualidade, num artigo publicado no Público. Mas claro…os centros tecnológicos são uns ignorantes que desconhecem a literatura produzida sobre este tema. Um clássico Dunning-Kruger…
Espero que o Xô Prossor tenha oportunidade de ler este artigo do The Guardian, porque aborda os sites que usa como “fontes” e também um dos seus ídolos na batalha contra o 5G, o Sr. Martin Pall. Que se destaca por ser um Lair Ribeiro Anglo-Saxónico. Se a ciência diz assim, ele diz assado.

Sobre o 5G…

Já tinha escrito extensamente sobre radiações eletromagnéticas num artigo para a COMCEPT e quando escrevi sobre a charlatona Alexandra Vasconcelos e o seu livro de treta. Portanto, aconselho a ler esses dois artigos se ainda não dominam o tema das radiações eletromagnéticas.  É que, apesar da tecnologia 5G ser nova, as radiações que utilizam são bastante semelhantes às utilizadas pela tecnologia atual. Têm, de facto, frequências mais altas dentro das frequências rádio (imagem abaixo), mas continuam abaixo da luz visível…portanto, se tens medo destas frequências, convém ires viver para algum local subterrâneo sem acesso a qualquer tipo luz…ainda apanhas cancro ou ficas com Alzheimer quando ligas a luz de casa.
A única razão pela qual a tecnologia 5G não tinha sido implementada antes é que tem um trade-off complicado…permite o aumento de transmissão da quantidade de dados, mas é mais susceptível a interferências por objetos na transmissão dessa informação (como árvores ou vidro). Mas não só…quanto maior a frequência da emissão das ondas rádios, menos elas parecem penetrar no corpo e menor a probabilidade de causar danos a órgãos internos. Logo, até este simples facto destrói os argumentos dos tolos anti-5G. Menor penetração das radiações, menor risco de doenças.
É engraçado ver estas ovelhas, que acham que descobriram “a verdade escondida”, estarem simplesmente a ser manipuladas pela contra-informação russa sobre a tecnologia 5G. Só em 2019, os russos emitiram nove documentários sobre os malefícios do 5G. É comum os russos fazerem isso quando não têm capacidade de acompanhar os avanços tecnológicos dos outros países. Fizeram e continuam a fazer isso sobre a segurança dos transgénicos (1, 2, 3, 4).
Mas ainda piora…enquanto a propaganda russa vende os malefícios da tecnologia 5G, os cientistas russos fazem exatamente o contrário…recomendam o seu uso. Dizendo que pode ser usada para tratar cancro, melhorar o funcionamento do sistema imune e acelerar a cicatrização da pele. Aumenta a regeneração celular e até pode ser usada para tratar rugas de pele. Agora, digam lá se isto não é uma comédia da boa.

A má ciência…

Claro que os promotores das teorias da conspiração 5G, no auge do seu Dunning-Kruger, fazem cherry-picking da ciência que (supostamente) valida a sua opinião. Um desses estudos é de 2016, realizado pela National Toxicology Program. Aqui fica um bom resumo:
“No estudo, ratos e ratinhos foram atingidos por sinais de rádio extremamente poderosos em frequência, incluindo os usados ​​por telemóveis, de forma intermitente, por toda a sua vida. Os únicos resultados significativos do estudo foram estatisticamente significativos, mas por pouco. Baixos o suficiente para representar apenas ruído aleatório nos dados. E os ratos expostos viveram mais do que os controlos não expostos. No entanto, o estudo foi relatado como prova de que os telemóveis causam cancro. Porquê? Porque se detetou um aumento pouco significativo na taxa de um tipo de tumor chamado Schwannoma, mas apenas em alguns ratos machos, nenhum em fêmeas ou nos ratinhos estudados. Até os próprios autores apontaram vários outros fatores confundidores que poderiam ter sido responsáveis ​​pelos resultados. No entanto, o estudo continua sendo a peça de evidência dos defensores da narrativa que as radiações dos telemóveis causam cancro nos seres humanos – uma afirmação que está em oposição direta a todas as montanhas de evidências observacionais que temos de um terço de um século de células difundidas uso do telefone.”
Então…ratos expostos a radiação vivem mais tempo. Parece que os cientistas russos estão no bom caminho. E o facto de terem vivido mais tempo também pode justificar o aumento ligeiro do risco de cancro. Quanto mais velhos, maior esse risco. Mas estas nuances são, obviamente, ignoradas pelo histéricos que não percebem ponta do assunto.

Conclusão

As ovelhas e Xô Prossores Dunning-Krugers que encontraram a verdade escondida, mas que de facto estão a ser manipulados por contra-informação russa ou baseados em má ciência perpetuada por Lair Ribeiros anglo-saxónicos, continuam a esforçar-se por atrasar o desenvolvimento tecnológico e da sociedade humana, baseada nas habituais premissas da promoção do medo e do fim apocalíptico da sociedade com a introdução destas tecnologias. A comunicação social portuguesa devia ter o trabalho de tentar perceber se os comentadores que escrevem estão ou não a falar verdade, de acordo com os factos disponíveis. Não é por ser Xô Prossor que devem aceitar, de bom grado, a perpetuação de desinformação. Mas pronto…o Observador tem lá um tipo que acha que é comediante e fala sobre alterações climáticas. Que fazer…
Não chega? Leiam este artigo, este, este, este, este, este, este……estes são apenas artigos para digestão fácil. Para digestão difícil, ler relatórios das entidades oficiais citados acima.

6.11.21

2.11.21

Nuvens de dióxido de enxofre existentes sobre o Atlântico Norte

Imagem : Quantidade total de dióxido de enxofre | CAMS  - Previsão para 2021-11-03 00:00UTC
Aceder à imagem: https://stream.ecmwf.int/data/gorax-green-000/data/scratch/20211102-2300/1f/render-gorax-green-000-6fe5cac1a363ec1525f54343b6cc9fd8-u2MBaO.png


De acordo com os resultados do modelo do Serviço de Monitorização Atmosférica do programa Copernicus (ECMWF) verifica-se uma intrusão de dióxido de enxofre e de partículas de aerossol sulfato na região dos Açores.

Este evento de aerossóis causa uma redução de visibilidade semelhante à que ocorreu nos passados dias 29 e 30 de setembro de 2021. Embora o transporte se verifique acima dos 5000 m, prevê-se que possa ocorrer um aumento das concentrações de dióxido de enxofre à superfície.

Com a região a ser afetada pela passagem de uma ondulação frontal e a previsão de ocorrência de precipitação, a atual massa de ar deverá ser substituída ao mesmo tempo que a remoção húmida do aerossol se verifica.

Esta situação deverá ser ultrapassada em todo o arquipélago a partir da madrugada de dia 4 de novembro (quinta-feira).

Nota:
Como curiosidade, note-se as manchas elevadas de poluição, de origem antrópica, situadas sobre a Europa do Norte e Central, bem como sobre a américa do Norte, sendo que a sua origem é a do funcionamento das Centrais Elétricas a Carvão ainda aí existentes.


5.10.21

3.8.21