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1.1.25

Novo perfil académico (Academia e ORCID)

Na sequência dum conjunto vasto de formações realizadas nos últimos anos, decidi incluir neste repositório histórico de pensamentos e interesses - já com duas décadas de "uso" os links para o meu perfil académico.

Aí poderão, com outro nível de detalhe, ser lidos artigos, trabalhos e outras publicações, as quais permitem também - à sua maneira, transmitir pensamentos, conhecimento e, quando e se disso for caso, alguma ciência.

O link é este: Academia.edu

Ou então este: ORCID.org


23.2.24

A TEORIA DO CAOS - da onda mundial do disparate, ao "bater de asas da borboleta" no Portugal de 2014

Artigo publicado no Jornal "O Templário", de 19/2/024 (Pag.6) (https://otemplario.pt/)


À partida quando nos referimos a isto - a teoria do caos, somos levados a pensar que estamos a tratar de algo na área da Filosofia, mas não. A imprevisibilidade na área científica nunca foi segredo, mas a coisa ganhou ares de estudo científico sério no início da década de 1960, quando o meteorologista americano Edward Lorenz descobriu que fenómenos aparentemente simples, acabam por ter um impacto extremamente relevante na vida. Ele "inventou" o efeito borboleta, quando aplicando a um simulador meteorológico uma pequena e infinitésima alteração matemática, esta acabaria por alterar por completo o padrão das massas de ar no futuro.

Uma solução no atrator de Lorenz impressa em alta resolução no plano x-z, o chamado "efeito borboleta", das equações de Edward Lorenz (1963)

Na teoria de Lorenz não entrava o PS, quando este postulou a sua teoria, pois na década de sessenta do século passado, este ainda não existia - viria a ser fundado em 1973, mas como adiante veremos, ele ajudará a provar essa mesma teoria.

Estamos em 2014, em Maio, e o PS acaba de ganhar as eleições europeias, após em outubro do ano anterior ter ganho 150 presidências das 308 Câmaras Municipais do País - a maior vitória dum Partido sozinho até então observado. 

António José Seguro - um político do interior do país (Penamacor), que nos anos 80 estudou no ISCTE em Lisboa e após um percurso europeu e nacional nas juventudes partidárias - contra o primeiro Governo de maioria absoluta (de Cavaco Silva, 1985-95), viria a ser Professor Universitário (na Universidade Autónoma de Lisboa) e em 2011 eleito Secretário-geral do PS, após a clamorosa derrota de José Sócrates, no rescaldo do seu segundo Governo (2009-11).

Com duas vitórias seguidas - autárquicas e europeias, Seguro em 2014 estava em ótima posição para vir a ser Primeiro Ministro, uma vez que nesse mesmo mês de Maio, o PS liderava as sondagens publicadas, com cerca de 38%, contra 32% da direita unida (PSD-CDS) que estava a governar o País. As eleições estavam programadas para cerca de 18 meses depois - em Outubro de 2015.

Era terça-feira, dia 27 de maio de 2014 e, chegado a casa na hora de almoço abri a televisão e vejo um inefável Presidente da Câmara de Lisboa - António Costa a definir a vitória do PS de dois dias antes, como de "poucochinha". Logo ali percebi, que estávamos perante um "cheque" ao Rei.

A História que se seguiu já todos a conhecemos: Seguro viria a ser substituído na liderança do PS, através dumas primárias em que mais de 177 mil cidadãos (a maioria não-militantes), na sua maioria eleitores habituais de partidos à esquerda do PS, acabariam poor escolher Costa para liderar e ser este o candidato socialista às eleições de 2015, as quais contra todas expetativas perdeu para a coligaçãod e direita PSD-CDS, liderada pelo então Primeiro-Ministro Passos Coelho. Depois, juntou todos os partidos de esquerda, obteve a maioria dos deputados no Parlamento e formou Governos, um primeiro com o apoio de todos, um segundo com o apoio de alguns e um terceiro, após uma crise por eles provocado, no qual obteve uma inexpectável maioria absoluta, a 30/1/2022.

O "poucochinho" de 2014 - um pequeno bater de asas do então Presidente da Câmara de Lisboa, sentado em 285 milhões€ de indemnização pelos terrenos do Aeroporto de Lisboa, "dados" pelo Governo de direita, em 2012 - para que este pudesse privatrizar a ANA aos franceses da Vinci e, com isso hipotecar por várias dácadas a autonomia decisória do país em relação às infraestruturas aeroportuárias. Dizia, este "bater de asas", levou o PS a um sucesso impossível de prever, conduzindo uma parte do partido (e do País) a acreditar que os fins justificavam os meios e que no mundo da política "normal" era assim que a o "sistema" funcionava.

Estranhamente, ou talvez não, também em 2014, a Russia de Putin iniciava a atual Guerra em que nos encontramos - anexando partes do território da atual Ucrânia, incluindo a histórica província russa da Crimeia, onde estava fundeada a maior frota Russa, depois Soviética e depois mais uma vez Russa, numa das poucas saídas permentes do grande Império "continental" Euroasiático Russo tem para o mar temperado.

O mundo fez durante anos vista grossa à nova Guerra que se havia iniciado e, hoje, já quase todos sabem que a Guerra Mundial, na qual estamos mergulhados começou nesse ano - 2014 e, não irá terminar antes de se percorrerem - muito provavelmente, mais uma década, pelo menos. Depois desse início de Guerra, a vitória de Trump em 2016 - após o descalabro racista das presidencias de Obama, o Brexit - na determinação das interferências da guerra de fake promovida a partir da Rússia, passando pela vitória de Bolsonaro no Brasil, a pandemia iniciada na China e a total constrição dos direitos de cidadania, conquistados em mais de 230 anos da Idade Moderna (pós 1789), foram apenas mais factos que nos trouxeram até hoje.

Em Portugal, desde esse ano de 2014, a esquerda - e o PS a líderá-la, julgou que finalmente os ventos da História a haviam colocado no lugar certo, naquele que parecia o momento certo. Nada de mais errado. O "bater de asas" desse dia 27 de maio de 2014, levaria apenas a que parte da sociedade olhasse e visse aquilo que "nós" não víamos: que o Rei ía nu, que o "sistema" que havia sido laboriosamente construído  durante décadas, primeiro sob o contributo de Soares, Freitas e Sá Carneiro, depois por Cavaco e Guterres, e finalmente com o concurso diferenciado de Barroso e Sócrates, tinha chegado ao limite.

De incío meras expressões de um neo-liberalismo retrógrado Passista, alicerçado nuns think-thanks das Universidades de direita portuguesas, mas rapidamente transmutados para a "Internacional" a soldo de Moscovo, direta ou indiretamente conectadas, misturando os descamisados da globalização, aos tolos de todas as matizes e classes sociais, do mais iletrado ao doutorado, cujo o único ponto de contacto é / era a revolta perante a expetativa que a esquerda, que o "sistema", lhe havia durante décadas prometido, mas que fruto dos "bateres de asas à lá-Costa", apenas lhes criavam a sensação de que os fins justificavam os meios usados para chegar ao poder, como se esse fosse um fim em si mesmo.

Se nos idos de 2014, o mundo parecia continuar numa Paz eterna e o ato de Costa pareceu "legítimo", hoje sabemos já que tal como no modelo científico de Lorenz - e sim, ele acabou por criar as equações matemáticas que ajudaram a demonstrar a TEORIA DO CAOS,  a bagunça em que estamos mergulhados em 2024, começou nesse dia 27 de maio de 2014, precisamente porque TODOS falhámos ao responder à expetativa das pessoas.

Como diria o atual Secretário-geral dum PCP em desaparecimento eleitoral, Paulo Raimundo: "Essa é que é a questão essencial"!

Nem está em dúvida que se vive MUITO MELHOR hoje do que há uma década atrás. No mundo, na Europa e em Portugal. TODOS os indicadores o demonstram. A questão não é, NUNCA foi essa. 

Também na União Soviética de 1989 se vivia melhor do que na União Soviética de 1979 ou de 1969, mas não foi por isso que o sistema comunista então ruiu: foi precisamente porque a expetativa da maioria das pessoas foi defraudada. As pessoas olham e têm a perceção, sempre ampliada pelas centrais de produção de fakes direta ou indiretamente contrladas a partir de Moscovo, de que a corrupção alastra, de que os muito ricos estão cada vez mais ricos e melhoram substancialmente mais rápido a sua condição de vida que o Homem da rua, que a liberdade é condicionada por uma comunicação social clássica e "mentirosa", que a ciência também ela é "falsa" - daí o permanente crescimento do negacionsimo científico, na perceção continuada do "nós" - os cidadãos comuns, contra "eles" - os instalados no poder, uma determinada elite dirigente desconectada do idadão comum.

A expetativa atual do Homem da rua é de que a vida dos seus filhos será bem pior que a sua e que entre o hoje e o amanhã, o melhor dos dois dias está a ser o hoje. E isso, sejamos honestos, é mortal para a Liberdade e para a Democracia, como nós a vivemos e durante décadas a concebemos.

No final deste "pequeno passo mais para o CAOS" - o dia 10 de março, podemos acordar muito pior do que como acordámos em todos os dias a seguir à eleições realizadas depois de 27 de maio de 2014 - o dia do tal "bater de asas". Mas, uma coisa tenho para mim como adquirido: os nossos líderes - da direita clássica, à esquerda, não o entenderam ainda e, garanto-vos que quanto mais tarde o entenderem pior será para todos nós: o que vem aí é bem feio e mais uma prova de que a TEORIA DO CAOS está hoje mais atual do que nunca.

Ah. E já agora, convem que TODOS percebamos que estamos em Guerra. E ela é mais do que contra os inimigos da ciência e da civilização - na Ucrânia ou em Gaza, mas contra nós próprios. E essa é a mais difícil Guerra de se travar. 

Mas, podem acreditar-me: tal como postulei em 2008 - que até 2020 o mundo entraria em Guerra - tal o impacto que teria a crise do sub-prime do EUA no equilíbrio económico-social mundial, não é muito difícil prever hoje, de que até 2030 poderemos vir a ter - em Portugal, na Europa e no Mundo um ocaso das Liberdades, do Saber e da Civilização na qual nascemos e que julgámos durante décadas (poder) ser permanente.

A Teoria do Caos aí esta, a prová-lo, dia após dia!

Saibamos portanto trabalhar para mudar o rumo dos acontecimentos, que a sorte faz-se.

12.2.21

Análise de risco para Portugal 2021 - pela CIP (Confederação Empresarial de Portugal)

Para a melhor compreensão do estado da arte atual, dos desafios que se colocam a um país, que vem perdendo, ao longo da última década competitividade, olhemos para um resumo, elaborado pela CIP, de análise - do ponto de vista dos que produzem valor, a nossa situação:

(Extrato do documento "2021 – Vencer a crise e assumir uma estratégia de desenvolvimento e competitividade")


Riscos

Em termos genéricos, os grandes riscos que o país enfrenta este ano são:

1) Incapacidade de recuperar rapidamente a atividade e o emprego

2) Arrastamento deste processo de destruição de valor

3) Desperdício da oportunidade de reforma do país

2021 é um desafio a vencer. Mas sabemos que há riscos exógenos, que, como tal, não são variáveis que possamos controlar, mas que devemos identificar e ter em devida conta nas decisões económicas. Atrevo-me a chamar a atenção para 4 riscos específicos de 2021:


Covid e vacinação

A melhor notícia do final do ano foi a aprovação de algumas vacinas contra a COVID19, pelo que tal significa em termos de esperança (fundamentada) de controlo da pandemia, de contenção das mortes e de normalização da atividade económica.

Há ainda muitas dúvidas e dificuldades que têm a ver com a diversidade de vacinas, com os problemas de logística, com a produção e de distribuição da vacina, com a durabilidade da imunização, etc.

Todos os cidadãos estão conscientes do potencial impacto imenso e terrível das questões de saúde pública e esta é, portanto, a grande e angustiante dúvida que temos para 2021.


Brexit

A segunda melhor notícia do final do ano para a UE (e o Reino Unido) foi o acordo sobre a relação futura com o Reino Unido.

Este acordo é muito importante pois o Reino Unido é atualmente um dos principais parceiros económicos da União Europeia, e também de Portugal. A existência de um acordo é determinante para as empresas pois reduz o impacto do fim do período de transição, ao dar a necessária certeza jurídica e deve minimizar as perturbações nas trocas de bens e serviços.

Estamos em fase de aplicação prática do Brexit e do acordo comercial pelo que temos que assegurar que a burocracia não penaliza a economia. No caso de Portugal, tal como foi identificado no estudo que a CIP atempadamente apresentou, há que salvaguardar a importância do Reino Unido como parceiro (histórico) e aproveitar as oportunidades que esta nova realidade produz e abre.


Sistema financeiro

Tem sido identificado como um dos riscos latentes o volume de moratórias do sistema bancário (decorrentes da legislação aprovada para efeito de combate aos efeitos da COVID19). Em setembro, havia empréstimos de 46 mil milhões de euros sob moratórias de crédito (24,4 mil milhões de crédito a famílias, 21,6 mil milhões de crédito a empresas).

O próprio Governador do Banco de Portugal declarou muito recentemente que “As moratórias atingem em Portugal uma dimensão muito significativa, muito maior do que a média do conjunto da área do euro e da União Europeia”.

Acresce a este respeito que o sistema bancário português foi muito abalado na última década, que continuamos numa fase “atípica” de juros negativos e há registo de movimentos de concentração de bancos na Europa, o que obriga a ter uma atenção muito especial sobre esta questão, que será sempre impactante na economia nacional.


Instabilidade Política

É dos manuais que o desenvolvimento dos países exige um enquadramento institucional robusto. 

Quem acompanha a conjuntura portuguesa tem percebido como, ao longo do tempo, houve avanços e recuos, maiorias de circunstância e medidas apenas fundamentadas em geometria política que têm adiado reformas e conduzem a uma instabilidade perfeitamente nefasta para o horizonte das decisões económicas.

Num ano de 2 eleições nacionais e com um Governo formalmente apoiado por apenas uma bancada parlamentar, tem havido diversas ameaças (veladas?) de crise política. Independentemente da sua origem, motivações e até legitimidade, a simples hipótese de crise causa instabilidade. 

Por outro lado, deveria ser claro que mudanças políticas não devem fazer alterar questões essenciais para o país e para as quais, descontadas questões de forma e de pormenor ou de protagonista, têm um amplo consenso.

2.12.20

No surto gripal de 2014/15, houve 5591 mortes...

Há apenas cinco anos era assim...

E ninguém se lembrou de parar o País por causa disso.






28.11.20

Educação e Economia 4.0, pelo Daniel Adrião

Orgulho em ter trabalhado para a sua tentativa de eleição a Secretário-geral da JS, em 1994. Quem tem qualidade e valor, acabará sempre por fazer a diferença.

Obrigado Daniel

Ontem em Leiria, na sessão “Cuidar de Portugal”, no âmbito da candidatura à Presidência da República da minha Camarada Ana Gomes, que tenho a honra de apoiar, fui convidado para falar sobre o tema “Educação e Economia 4.0”.

Para quem se interessa por uma política com substância e construtiva, partilho aqui a minha intervenção, em que procurei dar um modesto contributo para uma visão estratégica que nos permita descolar da cauda da Europa, reinventado Portugal no horizonte de uma geração, através da aposta na competitividade e na socialização do crescimento.


24.11.20

Atingido o pico da segunda vaga, é tempo de antever a retoma (e de mudar de vida)

Por estes dias dever-se-á estar a atingir, em Portugal, o pico da segunda vaga, como aliás já foi atingido há uma semana na generalidade dos Países europeus.

Esta segunda vaga, deverá atingir cerca de 6-7x mais casos positivos do que a primeira - muito fruto da enorme capacidade de testagem agora existente. A nível de internamentos (em enfermaria e cuidados intensivos), estaremos a falar de 3-4x mais e a nível de óbito de 2-3x mais.

Nesta segunda vaga, fruto da aprendizagem da primeira, foi possível não fechar nem as escolas, nem as fronteiras, e organizar melhor a resposta do sistema de saúde, que já em anos anteriores havia estado à beira da rutura com os surtos gripais de 2014-15 (com 5500 mortes), de 2017-18 (com 3700 mortes) e de 2018-19 (com 3300 mortes). O numero de óbitos, acumulado entre as primeira e segunda vaga, irá estar à volta dos 5000-5200 óbitos, fazendo desta doença, uma doença de elevada mortalidade, mas não muito superior a surtos gripais mais severos, conforme os anteriormente relatados.

O grande erro, já todos percebemos, foi fechar a economia e, entender que era com redução de horários dos estabelecimentos comerciais, que se resolvia uma propagação de uma doença respiratória. A teoria até é simples: se as pessoas não saírem de casa, e em absurdo nada nelas entrar - pessoas e bens, a probabilidade de contaminação tende para zero. Ora, não só isso não existe, como não é possível, nem sequer desejável. Fruto de tal abordagem, centenas de milhar de portugueses perderam o emprego, viram os seus rendimentos reduzidos em valores substanciais e, conforme todas as estimativas o demonstram houve desde março entre 7000-8000 mais mortos, fora os de COVID, em resultado da degradação da saúde geral da população, pelo medo, pelo pânico e pela histeria criada pela chegada desta doença desconhecida e muito hiperbolado por um poder político incapaz de atuar com o necessário sangue frio, como por exemplo a Suécia soube atuar.

Sabemos que 2/3 dos óbitos acontecem em pessoas com mais de 80 anos e mais de 90% entre os maiores de 50. Sabemos que 40% dos óbitos deram-se entre pessoas que viviam confinados em lares e infra-estruturas análogas e que já teremos cerca de 15% da população com contacto - e portanto com anti-corpos para este novo vírus, como tal pressupostamente "naturalmente" vacinados.

Mais mortos, menos empregos e economia, mais degradação geral de um nível de vida fraco, e que a cada ano se afasta dos seus congéneres europeus, sendo que em menos de uma década, Portugal, se nada for feito, será mesmo o País mais pobre da União Europeia, sendo ultrapassado até pela Bulgária e pela Roménia, é um dos resultados dos ensinamentos destas duas vagas da nova doença, aos quais acrescem um poder político sem capacidade nem rasgo para criar uma estratégia de médio prazo, capaz de inverter o ciclo.


É neste quadro que nos colocamos, perante a saída desta segunda fase, a qual poderá estar terminada no final do ano. Tal será coincidente com o começo do processo de vacinação, nos países da Europa - Portugal incluído. Talvez antes de uma terceira vaga - a qual poderá acontecer entre janeiro e março, talvez antes da habitual fase de surto gripal de inverno (fruto dos rinovírus), entre janeiro e fevereiro. A incerteza é ainda grande, mas todos os estudos e projeções apontam para dois factos: a vacinação geral começará no primeiro trimestre, em todos os países europeus e o movimento "normal" dos cidadãos começará após isso.

Neste enquadramento, independentemente do que os Governos façam, os cidadãos sabem sempre antecipar as tendências, haja ou não terceira fase, seja esta maior ou menor do que a primeira ou a segunda, perante uma vacinação a avançar e o aumento da perceção de que a taxa de mortalidade, segundo os últimos estudos, se situação (no final) na casa dos 0,3%, o que é apenas ligeiramente superior aos surtos gripais mais intensos, os quais rondam os 0,2%. Por exemplo, na Suécia, onde os surtos gripais são particularmente intensos e mortais, a mortalidade geral do País está este ano, cerca de 1-2% abaixo, mesmo considerando a nova doença COVID, ao contrário de Portugal, onde o aumento se cifra entre os 12-15% acima.

Nesta antecipação de tendências, é fácil percecionar que, tal como aconteceu nos meses do terceiro trimestre, especialmente em todo o interior do País - e essa vai ser uma tendência sustentada, haverá um aumento de fluxos turísticos, alimentados pelos nacionais e já de algum turismo estrangeiro, sendo expetável que tenhamos uma Páscoa já quase normal e um excelente verão, que aproximará os números globais do País, para o ano de 2015-16, mas com os números do interior ao nível de 2019 ou até superiores.

Na nova realidade do pós-pandemia COVID-19, o turismo será mais de interior, fora dos grandes fluxos de Lisboa, Algarve e Madeira e nunca, como na próxima década, tantos quererão viver na "província", em lugar de o fazer nas grandes áreas metropolitanas. O novo paradigma vai criar uma economia diferente, de menor concentração de pessoas e de maior qualidade de vida. As grandes cidades ficarão para uma cada vez maior mole de excluídos, vivendo de subsídios permanentes, os quais pagaremos de bom grado, para que não nos chateiem: a segurança é também um valor de cada vez maior relevância.

Por tudo isso, independentemente dos Governos, iremos viver melhor e com melhor qualidade de vida na próxima década, do que vivemos, na fúria consumista da última.


4.11.20

"A peste" - Camus

"A primeira coisa que a Peste trouxe à nossa cidade foi o exílio"

Albert Camus, in "A peste" (1940)


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Num dia igual aos outros, na cidade feliz de Oran, de frente para o mar Mediterrâneo, um rato saiu das sombras e veio morrer ensanguentado, numa rua primaveril...


15.10.20

Os navios de cruzeiro como grave fonte de poluição

 Notícia original de 1/10/2019, aqui


Milhares de navios usam 'dispositivos fraudulentos' para despejar águas residuais tóxicas no mar e contornar os padrões de emissão

Milhares de navios usam 'dispositivos fraudulentos' para despejar águas residuais tóxicas no mar e contornar os padrões de emissão
Foto conservada em estoque do navio de cruzeiro na região de Hardangerfjord da Noruega. cookelma / iStock / Getty Images Plus


[Tradução automática do original em ENG]

Você deve saber que os navios de cruzeiro são alguns dos piores poluidores do mundo. Agora, há notícias mais perturbadoras da indústria naval graças a uma investigação bombástica que descobriu que as companhias marítimas globais gastaram bilhões para equipar seus navios com "dispositivos fraudulentos" que contornam os novos padrões de emissões, despejando poluição no mar em vez de no ar . O jornal britânico The Independent revelou a fraude em matéria exclusiva.

De acordo com o The Independent, as empresas de navegação investiram mais de US $ 12 bilhões em uma engenhoca chamada purificador de ciclo aberto, que remove gases nocivos de enxofre dos escapamentos de navios que funcionam com óleo pesado. Como o enxofre não é lançado na atmosfera, os navios estão em conformidade com as novas normas de emissões da Organização Marítima Internacional , que entrarão em vigor em 1º de janeiro de 2020.

A trapaça acontece quando o enxofre é desviado dos canos de escapamento e despejado no mar ao redor do navio, o que aumenta o volume de poluentes lançados nos oceanos e as emissões de dióxido de carbono.

"Imagine o quão longe $ 12 bilhões poderiam ter ido se fossem aplicados no desenvolvimento e implantação de tecnologias para embarcações de emissão zero", disse Bryan Comer, pesquisador sênior do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT), uma organização sem fins lucrativos que oferece pesquisas científicas análise aos reguladores ambientais, ao The Independent .

Os navios que instalaram os purificadores de circuito aberto incluem graneleiros, navios porta-contêineres e petroleiros, que têm os maiores motores e são alguns dos piores poluidores do oceano, de acordo com a Ship Technology , uma publicação do setor de navegação.

Até o momento, 3.756 tiveram lavadores instalados, mas apenas 23 deles, ou 0,6 por cento, têm um lavador de circuito fechado, que captura enxofre e o armazena em tanques até que possa ser transferido para uma instalação segura de descarte no porto, de acordo com a DNV GL, a maior empresa de classificação de navios do mundo, conforme relatado pelo The Independent .

Exhaust Gas Cleaning Systems Association estimou que 4.000 navios estarão operando com purificadores até janeiro.

O subproduto da queima de combustível é brutal. Quando um navio tem um purificador de circuito aberto, ele despeja no mar cerca de 45 toneladas de água poluída para cada tonelada de combustível que queima. O ICCT disse que a água da lavagem que cai no oceano é quente, ácida e contaminada com substâncias cancerígenas e metais pesados, como relatou o The Independent . A poluição por metais pesados ​​tem sido associada a danos ao sistema nervoso central em humanos e animais. Alguns dos outros produtos químicos dos contaminantes foram conectados a cânceres de pele, pulmão, bexiga, fígado e estômago.

O ICCT estimou que apenas os navios de cruzeiro equipados com purificadores queimarão cerca de 4 milhões de toneladas de óleo combustível pesado em 2020 e despejarão 180 milhões de toneladas de água contaminada ao mar.

"Cerca de metade dos cerca de 500 navios de cruzeiro do mundo têm ou em breve terão purificadores instalados", disse Comer ao The Independent . "Os navios de cruzeiro operam em algumas das áreas mais belas e cristalinas do planeta, o que torna isso ainda mais preocupante."

O aumento da acidificação já está devastando os recifes de coral do mundo, uma vez que torna mais difícil para os corais construirem seus esqueletos, de acordo com o Woods Hole Oceanographic Institution .

Comer acabou de falar em navios de cruzeiro e também observou que os depuradores forçam os navios a queimar cerca de 2% a mais de combustível, aumentando suas emissões de CO2.

O total acumulado do transporte marítimo também aumentará drasticamente a poluição da água e terá um impacto devastador na vida selvagem marinha e na qualidade da água ao redor dos portos.

"No Mar do Norte e em algumas partes do Canal da Mancha, a qualidade da água já foi fortemente degradada", disse Lucy Gilliam, ativista da ONG Transport and Environment, com sede em Bruxelas, ao The Independent . "A vida selvagem nessas áreas é provavelmente muito mais vulnerável aos efeitos de navios descarregando enormes volumes de água ácida, poluída e quente de purificadores."

Em resposta ao The Independent , a IMO disse que já "adotou critérios estritos para a descarga de água de lavagem dos sistemas de limpeza de gases de exaustão". Ele acrescentou que está "realizando uma revisão das diretrizes de 2015 sobre sistemas de limpeza de gases de escape. As diretrizes incluem, entre outras coisas, os padrões de descarga de água de lavagem."

  • *** *** ***
  • NOTA:
  • Estima-se que, em virtude da emissão global de micro-partículas por queima de gasoleo - em navios de cruzeiro atracados em portos da UE e das viaturas em circulação, haja por ano um numero de mortes prematuras de mais de UM MILHÃO de cidadãos da UE.

24.8.20

SERVIÇO PÚBLICO - que o Belzebu anda por aí, sem ninguém lhe tocar...


É só para informar que o Belzebu feito Homem, foi visto hoje ao final da tarde nesta localização e não se viram pelas imediações as Cruzadas das viúvas e órfãos das almas penadas, prontas a afogarem de impropérios o dito cujo.

Mais se constatou que os Inquisitores do Santo Ofício, podem assim encomendar livremente as almas penadas, que ao sétimo dia subirão aos Céus conforme as escrituras e ficarão, se disso forem merecedoras, sentadas à direita do Pai.

Ámen!


A imagem pode conter: ar livre, água e natureza

20.8.20

Morreu Mário Duarte, Padre e Tomar não perdeu nada!

Paz à sua alma.

P.S. - Agora que faleceu, não faltarão loas ao dito, quiçá arvorado em semi-Deus, como é típico de todos os deísmos. 
Acontece que era um "malandro". Um bom "malandro". 
Tomar não perdeu nada. A sua família sim. 
E a ela as minhas sentidas condolências.

Fim da história! :)


Notícia, "Cidade de Tomar"

Internado desde o dia 15 de julho no Hospital de Abrantes, o padre Mário Duarte faleceu esta noite. Nascido em 3 de maio de 1960, Mário Duarte Farinha não resistiu a uma pancreatite.

Post Scriptum

Recordando uma das frases mais queridas dos Mestres Anarquistas do Séc.XIX, quando a luta era - efetivamente, pela libertação que a tirania das religiões, aliadas ao poder autocrático dominante, exercia sobre o povo e, especialmente, procurando limitar a atuação dos Livre Pensadores:

“o homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre”. 

Jean Meslier (1664-1729)

24.7.20

Com o CHEGA a subir, são mais vários anos de Costa garantidos!

Parece que há uma última sondagem de verão, que dá o PS a subir uns 2% e o PSD a descer por igual, face às eleições do ano passado. A estratégia suicida de Rio há-de dar resultados, pensa ele...

E a esquerdalha começa a reduzir-se a mero contraponto do Chega. Realmente se o Chega faz o trabalho que competia à oposição de direita fazer - em lugar do (inimaginável) apoio a Costa, por outro lado a esquerdalha deixou de ter agenda. Entre a esquerdalha do Governo - com a agenda social que em tempos foi do BÉ, e ele próprio, o eleitor percebe bem que votar/escolher o PS é bem mais seguro.
E estes extremos - ambos com 7%, estão muito bem um para o outro.
Portanto, tudo como dantes. 

Mais vários anos de Costa, quer o Pedro Nuno Santos goste, quer não goste...

A imagem pode conter: texto que diz "885 Legislativas Estimativa PS 39% PSD 26% BE 7% CHEGA 7%"
ira, A
Gosto
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