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10.12.16

Várzea Grande: A aposta em requalificar sem reduzir estacionamento


REQUALIFICAÇÃO DA VÁRZEA GRANDE
 
Desde há dezenas de anos que a Várzea Grande carece de uma intervenção requalificante, que lhe permitisse vários usos.
No início deste mandato foi decidido, em reuniões conjuntas dos autarcas eleitos pelo PS e, posteriormente, em reuniões de coordenação política entre o PS e a CDU, que seria neste mandato que finalmente se acabaria com o mar de pó aí existente, desde sempre.
 
Chegou a haver, inclusive a ideia de deslocalizar o mercado semanal do estacionamento do Mercado Municipal, para este espaço.
 
Uma das abordagens realizada apontava para este desenho (2015), o qual apenas interviria no piso, que permitiria um uso misto - de estacionamento, feira semanal e feira anual, com a colocação de uma grande ilha ecológica junto ao interface rodoferroviário, mas não alteraria as vias de circulação atualmente em uso, nem no enquadramento arbóreo atual. Uma intervenção light, que custaria cerca de 400.000€.
 
 

 
Posteriormente, já no decurso deste ano, seguiu-se outra abordagem, aumentando a área de intervenção, reativando-se a criação do parque de estacionamento para autocarros e realinhamento de toda a via norte do atual Palácio da Justiça, com profunda intervenção no recoberto arbóreo e com a alteração da via oeste (junto ao Convento de S.Francisco) e criação e uma rotunda em frente à Estação - com relocalização da Estátua ao Soldado Desconhecido, o que implicará sempre um acordo coma Liga dos Combatentes, uma vez que foi por iniciativa desta e por subscrição pública que a mesma aí foi colocada. Em média as hipóteses avançadas, implicarão um investimento superior a 1 milhão de euros.
 

 
I. ENQUADRAMENTO MORFOLÓGICO, HISTÓRICO E SOCIOLÓGICO
(breve respaldo histórico de enquadramento)
 
Desde a fundação de Tomar até aos nossos dias este rossio manteve a designação de Várzea Grande, apesar de retalharem sucessivamente o extenso retângulo, transformando-o num hipotético quadrado.
 
Deram-lhe vários nomes que nunca perduraram. Basta recordar alguns deles: Largo Conde Ferreira em 15 de Outubro de 1891, Largo do Conselho Hintze Ribeiro em 28 de Dezembro de 1901, Largo Cândido dos Reis em 10 de Outubro de 1910 e, mais recentemente, Largo 5 de Outubro. Cenário de vários acontecimentos históricos, foi sempre local de feiras e de paradas militares.
 
Após 17 de Julho de 1562, quando o Principal da Ordem obteve licença régia para o efeito e a Câmara cedeu o terreno para a construção do convento na Várzea Grande. O Cardeal D. Henrique, que era, ao tempo, Mestre de Ordem de Cristo, opôs-se, alegando que a Várzea era também propriedade da Ordem.
 
Gera-se grande polémica entre a Câmara da Vila e o Convento de Cristo, pois este último considerava-se dono de parte da Várzea Grande. Tendo sido necessário a intervenção energética de Filipe III em 15 de Maio de 1624, que resolveu a favor da Câmara mandando colocar um padrão a atestar a sentença dada, a favor do povo de Tomar.
 
Em 1783 nos Livros dos Acórdãos Camarários, diz-se que o «Rossio da Várzea Grande do Povo desta Vila é um dos mais nobres que há por todas as vilas e cidades do Reino, dado pelos Monarcas deste Reino, para o recreio deste Povo.»
 
Pinho Leal no seu «Portugal Antigo e Moderno» (1873) escreve, com algumas imprecisões: «Várzea Grande – onde desemboca a estrada real de Lisboa. Tem 2 km de circunferência. Cultivada e o resto tapetado de relva, sempre verde, é sombreada por uma fresca alameda de frondoso arvoredo. É também adornada com elegante cruzeiro, de primorosa escultura. É monolítico sobre degraus, com as armas de Portugal e no seu fastígio de uma cruz sobre esfera armilar, empresa (emblema) do rei D. Manuel que mandou construir».
 
 
II. MOTIVOS QUE JUSTIFICAM A INTERVENÇÃO
 
A requalificação surge da necessidade de recuperar o espaço, enquanto espaço colectivo, convertendo-o em espaço de socialização, ponto de encontro da população local, palco de acontecimentos diversos, com equipamentos que potenciem novos usos, espaço este capaz de aumentar a auto estima das populações que o utilizam. E também por neste espaço e na sua envolvente estarem concentrados vários monumentos classificados e de grande importância histórica.
 
 
III. CRITÉRIOS GERAIS E OBJECTIVOS DA INTERVENÇÃO
 
Afirmar este espaço como público, de acesso a todos os habitantes, eliminando as barreiras arquitectónicas que contribuem para um espaço de exclusão, dotar toda a área de um ponto de encontro por excelência, valorizando as estruturas espaciais contribuindo na garantia e procura de melhores condições de acessibilidade, de mobilidade, de ambiente urbano e de integração paisagística; destacando os monumentos históricos e outros elementos construídos, dotando este espaço de infraestruturas adequadas á sua vivência permanente, tais como percursos pedonais, troço da ciclovia urbana, mobiliário urbano, áreas verdes tratadas, assim como:

• Contribuir para requalificar o espaço colectivo, reforçando a unidade com os restantes sistemas espaciais existente na malha urbana, nomeadamente numa nova solução de pavimentos que integre uma equilibrada articulação de materiais de revestimento, adequados aos diferentes propósitos de funcionamento;

• Criar uma identidade colectiva e uma imagem forte e facilmente integrável no sistema de identidade do concelho de Tomar;
 
• Apresentação de soluções tipológicas e construtivas que introduzam qualidade ao espaço público;
 
• Definição de opções que estabeleçam um ordenamento funcional, hierarquizando o espaço e suas utilizações;
 
• Introdução de equipamentos capazes de incrementar novos usos dos espaços (exemplos:paragem de autocarros de turismo, largo da Igreja S.Francisco, paragem de táxis, etc);
 
• Possibilidade de introdução de elementos urbanos e escultóricos capazes de criar identidades de referência, contribuindo para a construção de factores emotivos que potenciam a apropriação do espaço;
 
• Introdução e/ou melhoramento de infra estruturas urbanísticas;
 
• Introdução de equipamentos de iluminação pública com soluções de excelência, adaptados aos distintos casos específicos;
 
• Introdução de uma nova estrutura verde que integre espaços relvados, colocação de novos elementos arbóreos e arbustivas de modo a garantir uma melhor integração e valorização paisagística e de ambiente urbano local.
 
 
IV. PROGRAMA DA INTERVENÇÃO
 
A obra define uma intervenção global com critérios gerais unificadores de toda a intervenção, não deixando de apresentar soluções específicas para cada tipologia de espaço, no que diz respeito a soluções formais, técnicas e funcionais. As soluções a desenvolver responderam aos objectivos pretendidos e aos critérios adoptados face ao local intervencionado e ao seu contexto histórico, morfológico, formal e social, tendo sempre em consideração a necessidade de manter o projecto dentro dos limites orçamentais propostos.

Considera-se esta, uma obra fundamental para afirmar a estratégia de reabilitação e regeneração adoptada pelo Município.
 
A proposta sugere as seguintes medidas de intervenção:
a) criação de zonas de estacionamento organizado;
b) remodelação integral do pavimento e do perfil dos arruamentos;
c) criação de zonas de percursos pedonais ao longo das linhas arbóreas;
d) colocação de linhas arbóreas novas e reforço da arborização existente, assim como de áreas verdes;
e) implantação de mobiliário urbano diverso, bancos, papeleiras, bebedouros e dissuasores de trânsito, etc;
f) implantação de sinalética de tráfego, orientação, institucional e toponímia;
g) criação de percurso quer a poente como a nascente em lajedo de pedra, que remete para a imagem passada e atual do terreiro;
h) criação de uma placa circular em frente do edifício da estação da CP que contempla a relocalização do monumento ao soldado desconhecido criando um foco de destaque;
i) criação de uma paragem de táxis coberta, com informação turística, bem como uma zona de tomada e largada de passageiros;
j) formalização de um adro em frente da Igreja de São Francisco que servirá de zona de recepção a este espaço, reforçando e valorizando o monumento no cartaz turístico e cultural do concelho;
l) redefinir o eixo da via perpendicular à Igreja de S. Francisco, procurando enaltecer o monumento e integra-lo na requalificação global da Várzea, prevendo o realinhamento da via frente ao Tribunal, esta via terá dois sentidos de tráfego,
m) instalação de um balcão de apoio á informação turística junto da paragem de autocarros de turismo;
n) remodelação e requalificação dos espaços verdes situados em frente ao museu.
o) instalação de uma unidade de sanitários públicos e de um Posto de Transformação para satisfazer as necessidades dos futuros eventos a realizar neste espaço;
p) remodelação da iluminação pública, com tipologia actual e adaptada ao uso;
q) colocação de 2 ilhas para recolha de lixos em locais estratégicos;
r) instalação de uma área para carregamento de viaturas eléctricas;
s) correção da rede de drenagem de águas pluviais, esgotos domésticos, infraestruturas elétricas e de águas, que colidam com a área de intervenção;
Parque de Autocarros de Turismo - onde foi em tempos a Messe Militar
Deste estudo, de 2016, destacavam-se 3 hipóteses de intervenção:
 
1ª Hipótese
Prevê o aproveitamento da placa central da Várzea Grande para estacionamento automóvel de viaturas ligeiras, em paralelepípedos de pedra calcária afastados entre si para que possibilite a existência de um relvado de sequeiro no intervalo e simultaneamente possibilite a colocação de elementos para futura amarração de equipamentos por ocasião da feira anual sem danificar ou levantar a base do pavimento.
 
Esta solução faculta a existência de uma vasta área de estacionamento, com acesso e saída controlada. Pese o facto de que necessitará da existência de manutenção e controlo sobre o trafego de viaturas ou equipamentos que posteriormente venham a pretender utilizar este espaço.
 
Para as viaturas de autocarros de turismo, propõe-se o seu estacionamento no espaço anteriormente ocupado pela Messe Militar, efectuando-se a sua saída pelo adro na frente da igreja de S. Francisco.
 
2ª Hipótese (a apresentada nas imagens aqui publicadas)
Esta hipótese remete-nos de grande forma para o previsto na primeira hipótese, com execpção da retirada de estacionamento junto ao Pelourinho e o respetivo tratamento de uma faixa ortogonal em lajedo de pedra semelhante à prevista na frente da Igreja de S. Francisco, libertando o espaço e a enaltecer o monumento.
 
O espaço previsto para o estacionamento de autocarros de turismo torna-se mais acolhedor e inovador pela característica da sua forma. Impedindo qualquer uso na apropriação do espaço frente á igreja nas operações de saída.
Prevê-se a manutenção das árvores, bem como o seu reforço nos canteiros a Nascente e a Poente do Tribunal. Sendo que esse espaço além do percurso proposto seja na globalidade tratado.
 
3ª Hipótese
É previsto o tratamento do pavimento central da Várzea Grande, com um piso final á base de saibro compactado, sem qualquer uso de estacionamento. Ficando o estacionamento regrado em toda a área periférica da Várzea e arruamentos.
 
Esta solução permite enaltecer a Várzea Grande, remetendo-a para a Praça maior, elemento simbólico – histórico e cultural, o qual existente em apenas algumas cidades, facto que Tomar tem esse singular privilégio.
Enaltecendo quer o conjunto edificado existente, como a praça na sua globalidade. O Pelourinho terá uma base maior igualmente em lajedo de pedra remetendo-o para uma força e domínio maior sobre a praça. Fortalecendo a presença do edifício quer do Tribunal Judicial como do conjunto monumental da Igreja de S. Francisco.
 
A ladear a praça teremos o conjunto das linhas de árvores definindo os alinhamentos, a simetria e geometria da praça, como promovendo os sítios e percursos de estar e de passagem.
 
Para a área de estacionamento dos autocarros de turismo adotar-se-á o previsto na segunda hipótese.
 
Nesta hipótese prevê-se igualmente que nos canteiros a Nascente e a Poente do Tribunal judicial, as árvores sejam mantidas com reforço de mais uma ou duas unidades. Sendo que esse espaço além do percurso previsto seja na globalidade tratado.


NOTA FINAL
Estas são algumas das abordagens já realizadas, quer pelos serviços do Município, especialmente a equipa TomarHabita, mas também por equipas externas.

Em todo o caso, seria essencial que não se perdesse mais tempo, uma vez que a intervenção deveria ter avançado, segundo o que havia sido combinado com os autarcas socialistas, logo a seguir à Feira de Santa Iria de 2015. Com os atrasos sucessivos e,s e tal não avançar muito em breve, fica em risco a realização da Feira de Santa Iria de 2017.

Entendo como essencial que qualquer intervenção possa e deva garantir que não haja qualquer redução da oferta de estacionamento atualmente existente, uma vez que sendo este local uma grande porta de entrada da cidade, paredes meias com o centro histórico, deve ser de garantir um nível de oferta de estacionamento na casa dos atuais 400 lugares, gratuitos, porque fora das zonas de estacionamento tarifado, aprovados neste mandato na Assembleia Municipal.

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