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1.6.12

Afinal qual é o nosso papel estratégico no Médio Tejo?

Durante décadas acreditámos em Tomar, ter um papel preponderante no contexto regional, com a nossa "especial" vocação industrial. Contribuia para essa crença o fato de termos três fábricas de papel, uma fiação e várias destilarias, além de moagens, fundição de metais, rações, madeiras e cerâmicas instaladas. Nesse tempo já outros concelhos da região tinham um papel industrial de relevo, fosse Torres Novas com os setores da destilação ou Abrantes com a industria pesada, além do hoje dito "cluster" ferroviário no Entroncamento. Foi assim durante décadas, tendo nós no Concelho de Tomar a ter perto de dez mil empregos nas áreas/setores industriais.
O ponto alto de tal aocnteceu na década de oitenta, um pouco antes do nosso máximo de população que se deu na primeira metade dos anos 90 do século passado. Entretanto as empresas começaram a fechar, por um lado fruto da integração europeia e da queda continuada das proteções artificiais que mais de 50 anos de protecionismo fascista impuseram a ausencia de Portugal da competição direta internacional e por outro, da desadequação tecnológica ou de capitais dos grupos e  empresas instalados.

Tomar já se afirmava então, a partir da década de oitenta, como polo de serviços importante, especialmente na área da educação e durante quase duas décadas até há bem pouco tempo, foi esse o setor que aqui permitiu criar mais valia, fixação de gentes, com os respetivos empregos, mais ou menos protegidos da "competição" regional/nacional/internacional. O advento desta nova fase europeia de completa desrugalação, especialmente sentida após a "viragem à direita", fortemente operada na última década, tem conduzido a problemas cada vez maiores para zonas "protegidas", como era Tomar e a decadência acentua-se gravemente, sem fim à vista.

Já nos anos 90 do século passado foi prospetivado outro caminho para Tomar, com o Plano Estratégico de Cidade (aprovado em 1997), tendo documentos estratégicos posteriores e já nos últimos anos, vindo a consubstanciar essa visão, esse caminho: o do Turismo!

Mas sobre isso pode-se fazer uma pergunta: o que tem sido EFETIVAMENTE FEITO?
Temos um Departamento de Turismo Cultural no nosso Instituto Politecnico, com o qual até existem protocolos assinados. Que partido tiramos realmente disso? Temos sabido otimizar os recursos disponíveis?
Se sim, porque razão temos NA MAIORIA DOS DIAS E HORAS os nossos MONUMENTO FECHADOS?

Há estratégia que sobrebiva a tanta inépcia e incapacidade?
Sem Industria, sem investimento público em educação, com a destruição dos serviços de saúde no Concelho e o desaparecimento TOTAL do setor MILITAR e SEM APROVEITAR O POTENCIAL DO SETOR DO TURISMO, que futuro para Tomar?

O cartaz de promoção da Cidade "Industrial" de Torres Novas, lembra-nos que também aqui estamos a ser ultrapassados. Até quando?


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