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5.4.12

A razão de quem diz a verdade sobre a saúde no Médio Tejo

A história escreve-se pela mão dos corajosos, não dos covardes, não dos seguidistas, não dos que se "vergam". E a razão, essa pérola da essência humana, injustamente distribuída, constitui como a verdade, um difícil fardo, que nem todos estão preparados para deter.

Vem isto a propósito do muito que se tem dito e escrito sobre os cuidados de saude na nossa região. Das alterações em que o nossa terra tem estado a ser "laboratório", em prejuízo dos mais débeis, dos mais idosos, de quem sofre e de quem precisa. Claro que os privilegiados, os usurpadores dos recursos do Estado ou os especuladores que vivem à conta do favor do estado para alicerçarem a sua riqueza, dirão sempre que as alterações que se efetuam são para "melhoria do sistema". Mentira digo eu. É mentira sabemos nós.

Desde há meses que o Governo PPD-CDS vem impondo no Médio Tejo no geral e em Tomar em particular, uma das suas mais draconianas políticas: "a poupança na saúde". Mentira. Não se trata de qualquer poupança, mas apenas e só de transferir a despesa do Estado para as famílias, reduzindo o acesso aos cuidados de saude, seja pelo encerramento de serviços, a começar pelas urgências, seja pelo aumento exponencial das taxas de pagamento. Só para se ter uma ideia é hoje mais barato ir a um médico privado com convenção com a ADSE do que ir à unidade de saude familiar do Serviço nacional de saude (centro de saúde ou extensão médica).

Querem poupar? Façam boa gestão: dos recursos humanos, dos equipamentos que têm à disposição, das instalações pagas com financiamento comunitário e com o dinheiro de todos nós. Não se deixem ficar nas mãos dos fornecedores: de mão de obra especializada, de serviços complementares de diagnostico, das farmacêuticas... Façam gestão e não favores!

Tenho andado estupefato com o chorrilho de mentiras que, a propósito das alterações na saúde, vêm sendo ditas e escritas na nossa região. De tudo o que se está a fazer, nem um estudo, nem uma avaliação que sustente as opções tomadas. Nada! O mais e completo amadorismo, cedência a lobbies, aplicação cega das políticas mais neo-fascistas alguma vez seguidas em Portugal.

Em lugar de gerir fecha-se! Em lugar de perseguir os "ladrões", prendem-se os "roubados", neste caso "fechando-os" em casa e até que a doença alastre e o recurso aos cuidados hospitalares se dê apenas para o "corredor da morte". O desprezo pelas pessoas é de tal forma gritante, que se pergunta mesmo se esta gente acha que se safa mesmo sem ir parar com os costados a tribunal, por evidente e ostensivamente negligente incumprimento do serviço publico a que estão obrigados?

Mas por via das dúvidas leiamos quem sabe, quem há varias anos acompanha o processo hospitalar e que se lhes tivessem dado ouvidos há mais anos, muitos dos problemas que hoje vivemos não se estariam a passar:

(in site radio Hertz)

MÉDIO TEJO – Comissão de Utentes da Saúde faz balanço das mudanças implementadas no CHMT

A Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo escolheu a sede da Junta de Freguesia de Santa Maria dos Olivais para realizar o primeiro balanço das recentes mudanças levadas a cabo nos três hospitais do CHMT.

Em conferência de imprensa, Manuel José Soares, porta-voz da Comissão, apresentou casos concretos, alguns deles dramáticos, para justificar que as coisas não estão bem, nomeadamente no que diz respeito às urgências da Unidade de Abrantes, algo já admitido pela própria autarca Maria do Céu Albuquerque. Manuel José Soares falou em duplicação de serviços e num episódio concreto que resultou na morte de uma senhora: «Há duplicação dos serviços de urgência. Há pessoas que vão para o Hospital de Tomar, depois seguem para Abrantes e, de seguida, regressam, outra vez, à unidade de Tomar.

E no Hospital Nossa Senhora da Graça, para além dos casos dramáticos de que temos conhecimento, há registo para longos períodos de espera. Já em Torres Novas, há o exemplo de uma pessoa que morreu... Para já, há o tempo inacreditável que passam nas macas e, depois, ainda andam de um lado para o outro. Uma senhora sentiu-se mal. Já tinha um episódio de AVC e tinha Lupus. A senhora, do Entroncamento, chamou o 112 e, depois, foi encaminhada para Torres Novas. E perante o quadro clínico, Torres Novas encaminha a senhora para Abrantes. A estabilização foi feita e, depois, a senhora foi remetida para a medicina interna de Torres Novas novamente. Na quinta-feira, durante a tarde, com a cardiologia a funcionar, a senhora sente que tem novo episódio. Em vez de chamarem os médicos que estão no serviço, metem a senhora numa ambulância para a urgência de Abrantes. Conclusão: a senhora acabou por falecer. Dou outro exemplo: numa insuficiência respiratória, uma pessoa de idade... Em Tomar não há medicina interna mas em Torres Novas existe esse serviço.

A pessoa chega lá e em vez de a internarem a começarem a fazer o tratamento, mandam-na para a urgência de Abrantes, onde está muito tempo à espera... e depois está de regresso a Torres Novas. Falo, agora, de um caso de um doente de urologia, que chega à urgência do Hospital de Tomar. Pegam na pessoa, levam-na para Abrantes e depois de realizarem o tratamento de estabilização é que a mandam para internamento na urologia. De tal maneira que há profissionais que dizem que os doentes estão a chegar muito mal tratados porque estão horas demais em maca. É evidente que tudo isto tem de ser corrigido. E nós alertámos e já apresentámos soluções».

Manuel José Soares garante que a Comissão de Utentes já apresentou propostas de alternativa ao funcionamento que tem sido implementado, dando como exemplo a necessidade da existência, nos três hospitais, do internamento da medicina interna e da pediatria, para além de um serviço de urgência adaptado à procura: «Já que o Conselho de Administração diz que o processo é dinâmico e tem que sofrer correções, então nós avançamos com a nossa proposta no sentido de poder utilizar, de melhor forma, os meios que temos.

Por razões humanas e por razões clínicas é necessário que a urgência, mesmo com a designação de básica, seja readaptada e reavaliada face à procura e à tipologia de doenças de que há registo, isto para além da necessidade de que os internamentos de medicina interna e de pediatria sejam feitos nas três unidades. E há que dar o exemplo da urologia... Praticamente não havia registo de operações em Abrantes e, agora, em Tomar, já multiplicou os números algumas vezes. Entendemos, é um facto, que algumas valências devem ser centralizadas mas, ao menos, que estas apresentem trabalho! Na verdade, ainda ninguém viu nenhum plano de acção para o ano de 2012.

Por exemplo, como é que a cirurgia vai funcionar? Quais são as metas que a cirurgia tem de atingir? Ninguém nos diz como é que os trezentos doentes que eram assistidos no Centro Hospitalar do Médio Tejo, na área da infecciologia... Sabemos que nem há consultas nem tratamentos, pelo que as pessoas até estão a ser aconselhadas a ir para Santarém, que já tem problemas de sobra, e para Leiria. E também não há indicação de quando voltam as consultas de obstetrícia e ginecologia a Tomar».

Ainda na conferência de imprensa, registo para outros dados, à escala nacional, apresentados pela Comissão de Utentes, concretamente face ao número de óbitos nos primeiros meses de 2012. Manuel José Soares lamenta que as pessoas sejam prejudicadas: «Os cuidados de saúde estão mais distantes, mais caros e os utentes e respectivos familiares estão a sofrer. E ninguém até hoje disse que estas situações não se passam! E estes relatos chegam-nos por mails, por testemunhos directos e por observação, uma vez que a Comissão de Utentes também vai às urgências ver o que se passa.

Por exemplo, em Tomar, na terça-feira da semana passada, nem o próprio ecrã que indica os tempos estava a funcionar. Foi necessário protestar para que a normalidade fosse reposta. O próprio presidente do Conselho de Administração diz que os picos na urgência aconteceram só no surto de gripe. Mas a verdade é que há surto de gripe todos os anos. A verdade é que não houve nenhuma semana, do ano de 2012, onde houvesse registo para menos óbitos relativamente às semanas correspondentes do ano passado».

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