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20.4.16

Concentrar Escolas e Alunos na Cidade? Um erro caro, muito caro!


Quando foi aprovada a Carta Educativa, em março de 2008, pela anterior maioria PSD, o destino foi traçado para muitas antigas escolas. A estratégia nunca foi a de levar em linha de conta o interesse das famílias, dos alunos ou sequer do Concelho, mas apenas uma lógica meramente economicista e o desenvolvimento de uma visão de um Concelho concentrado na Cidade.

Inauguração do Pavilhão da Linhaceira, a 17 de abril de 2016, que irá servir o futuro Centro Escolar, marca a inversão da estratégia de mais de uma década de destruição da área rural do Concelho de Tomar (foto mediotejo.net)
Por estes dias - por este ano - a discussão centrou-se nas Escolas de Paialvo, de Santa Cita e do pré-escolar do Fetal (Além da Ribeira), como no ano passado foi por exemplo na Sabacheira. Na ausência de estratégia de Tomar, ou melhor, numa estratégia errada, querendo concentrar tudo na Cidade. Ourém por exemplo, apostou em criar vários centros escolares distribuídos pelo Concelho, onde muitas das nossas crianças já andam.
 
Sabemos que nos últimos 15 anos, encerramos cerca de 44 salas de aula, Escolas e Jardins de Infância, no Concelho de Tomar, fruto em primeira instância do reduzido numero de nascimentos e da saída de centenas de famílias, nomeadamente as mais jovens e em idade de procriar, para outras regiões do País e mesmo do Estrangeiro, onde estas conseguiram encontrar trabalho, mais dificilmente existente em Tomar e nas proximidades. Só a título de exemplo, no ano de 2014 nasceram apenas no Concelho 192 crianças.

Sempre defendi que o Concelho de Tomar não pode deixar de ser harmonioso no seu desenvolvimento e na sua ocupação. E para isso a existência de pequenas escolas com qualidade e proximidade, onde as famílias procuram qualidade e excelência, pode conviver bem com centros escolares um pouco maiores, se não concentrados na Cidade.
Exemplo de edifício escolar desativado no Concelho
Ora, o caminho desenhado pela Carta Educativa, aprovada pela Assembleia Municipal, contou então com os votos contra do PS, dos independentes, da CDU, do BE e do presidente da junta de freguesia das Olalhas, Tomé Esgueira, eleito pelo PSD.
Os motivos então invocados pela oposição (PS/IpT/CDU/BE) prenderam-se essencialmente com o modelo de desenvolvimento do Concelho: Paiva e o PSD pretendiam um Concelho concentrado na Cidade, com centros escolares centrados nesta e na sua primeira periferia: Casais, Carregueiros, Machuca e S.Pedro, a oposição de então não.
Ao decidir da forma em que foi decidido, a Carta Educativa assim aprovada, deixou "a descoberto" largas áreas territoriais do nosso Concelho, especialmente aquelas situadas mais longe da Cidade, desde logo Olalhas, Paialvo, Asseiceira, Sabacheira, Além Ribeira e Alviobeira. Isso teve como consequência o sucessivo encerramento de salas e Escolas nessas periferias e a construção do Centro Escolar na Venda Nova.
 
Na minha opinião continua a haver espaço para todas as tipologias e a decisão do Município, de não concentrar demasiado, devia mesmo ser assumida como política oficial: repetir em Tomar os erros do Ministério é ser seguidista e não defender o interesse do futuro do Concelho.
 
Foi exatamente isso que a presidente de câmara Anabela Freitas disse na recente inauguração do Pavilhão da Linhaceira, onde deu relevo a que este seria o Pavilhão do futuro Centro Escolar, na linha aliás do que foi a decisão que a câmara tomou em 2014, com os votos favoráveis do PS e dos independentes. Essa decisão então tomada, não contou estranhamente - ou talvez não -, com o apoio do vereador da CDU e naturalmente também não contou com o apoio do PSD.
Maquete do futuro Centro Escolar da Linhaceira, a executar nos próximos anos
 
O caminho então iniciado, de criar outros centros de desenvolvimento do Concelho, não centrados unicamente na Cidade, onde a próxima decisão que a Assembleia Municipal vai tomar, de criação de uma Área de Reabilitação Urbana na aldeia de Cem Soldos, faz parte, é o caminho correto.
 
Assim, sendo essa a opinião da presidente e o caminho decidido pela câmara municipal, estranha-se que o esforço não seja o de manter um desenvolvimento equilibrado, com a presença, especialmente de jardins de infância, pelo território municipal. Isso é perfeitamente compatível, com a melhoria das condições do primeiro ciclo e com a construção de um novo plano estratégico de atuação na área da Educação, que:
- contribua para a melhoria da qualidade do ensino;
- permita uma acessibilidade rápida das famílias aos equipamentos educativos;
- contribua para um desenvolvimento harmonioso e equilibrado do território, promovendo a inclusão e a igualdade de oportunidades.
 
Para mim, tudo o resto é mais do mesmo e é considerar correto que ter um Concelho concentrado na Cidade e na sua primeira periferia. Discordo! Basta ver que os Concelhos de Ourém, Ferreira do Zêzere, Constância e a partir deste ano Torres Novas, terão cada vez mais alunos do Concelho de Tomar nos seus equipamentos. Pergunta-se: porquê e para quê?
 
Dar continuidade e insistir neste caminho - de um Concelho todo concentrado na Cidade, seria para TODOS nós um erro caro, muito caro.


Post Scriptum:
Alguns links para documentos produzidos, aquando da aprovação da Carta Educativa, em Março de 2008, nomeadamente as posições do PS de Tomar.

[declaração de voto do então vereador do PS (Fev2008), sobre a Carta Educativa]
[Carta aberta aos tomarenses, sobre a Carta Educativa - Mar2008]
[Declaração conjunta dos partidos da oposição antes da votação da Carta Educativa - Abr2008]

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