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15.9.12

Hoje é dia de indignação nacional

Em Tomar o ponto de encontro é na Praceta Raul Lopes, a partir das 17H00, mas haverá mais de 50 cidades do país nesse amplo movimento de indignação "Que se lixe a troika, queremos a nossa vida de volta".

Todos sabemos, a começar pelo Ministro Relvas e pelo PM Coelho, que o fim chegou para este Governo. Vamos só ver quantos meses se mantêm ainda a "fingir" que governam, como aliás aconteceu a Sócrates após 12 de Março de 2011.

A propósito de muitas análises locais ou mais gerais, convém agora ir falando da verdade, essa coisa chata, que o tempo acaba por fazer imergir:

6 comentários:

Virgílio Lopes disse...


Pois...

Mas o slogan da indignação:

"Que se lixe a troika, queremos a nossa vida de volta".

Tem um conteúdo que António José Seguro e a direcção do PS teimam em não entender.

No dia em que os militantes, simpatizantes e votantes do PS os obrigarem a rasgar o indigno compromisso com a troika, abrir-se-á um horizonte de esperança para a esmagadora maioria dos Portugueses.

Só depois desse passo será possível construir uma alternativa.

Mas essa possibilidade só será real no dia em que PS, PCP e BE sejam capazes de apresentar ao país um Governo com os melhores, os mais competentes, os mais sérios - verdadeiros SERVIDORES PÚBLICOS - e um Programa que rompa vigorosamente com a corrupção, o compadrio, o roubo, as mordomias, o amiguismo e outras indignidades na máquina do Estado e da governação do país a todos os níveis.

Sem estas consequências, só voltaremos a mudar de "moscas".

Luis Ferreira disse...

Estimado Virgílio

Por muito que desse jeito a "algum radicalismo", o compromisso do PS é e foi, apenas, com o memorando de entendimento assinado originalmente com os nossos financiadores internacionais, com o objetivo de, através de uma injeção faseada em 2 anos, de um total de 78.000 milhões€, garantir o pagamento de divida emitida anteriormente a Junho de 2011.

Para que isso fosse possível aceitámos na altura um conjunto de objectivos de modernização estrutural, de reformas e em certos timings, os quais, mercê da posterior vitoria eleitoral do PSD e da sua coligação com o CDS, alteraram substancialmente.

Ou seja, trocado por miúdos e em linguagem simples: o que está a ser executado, quer as medidas, quer os timings são OBJETIVAMENTE OUTROS.

Este já não é o compromisso que o PS assinou, mas o PROGRAMA de revanchismo ideológico da direita portuguesa, de destruição do estado social, da escola publica e do serviço nacional de saude, confiem alias o PS denunciou, sem êxito diga-se de passagem, durante a campanha eleitoral do ano passado.

Convém recordar o porquê de estarmos aqui: a recusa de todos os partidos à nossa esquerda e à nossa direita do IV pacote de medidas proposto em Fevereiro de 2011, o célebre PEC IV, o qual se gerido pelo então Governo socialista, nunca seja este impacto de empobrecimento e de destruição da economia.

A nossa proposta, o nosso compromisso era, como continua a ser, com o crescimento da economia, única forma de o nosso Pais, a médio prazo, pagar a sua divida e ter viabilidade.

Por isso, meu caro, se para dançar são precisos dois, para "alinhar" em frentes de esquerda, são precisos vários e, especialmente quem tem no curriculum o deitar abaixo um governo de "esquerda moderada" facilitando com isso o acesso da direita ao poder, também deve mudar...

O que centenas de milhar de pessoas, eleitores da esquerda à direita neste Sábado, dia 15 de Setembro, disseram essencialmente foi: mudem, mudem de rumo, já lá vem outro carreiro. TODOS!

Virgílio Lopes disse...


Luís Ferreira,

Se é verdade que o memorando de hoje já não é o que foi assinado pelo PS, PSD e CDS, é também verdade que o original já era muito mau.

Repare no exemplo da ISLÂNDIA que a comunicação social silencia em absoluto.

Disseram um vigoroso não aos FMIs & Cª, disseram não aos banqueiros e às suas negociatas corruptas. Disseram que só pagavam as dívidas realmente contraídas. E estão a fazê-lo.
Passaram sacrifícios terríveis em nome da defesa da DIGNIDADE NACIONAL.
Mas hoje já estão a levantar-se e a retomar o crescimento económico e o emprego.
Até já levam (pasme-se !) elogios públicos de técnicos do FMI.
Este caminho só foi possível com a UNIDADE DA ESQUERDA!

Um Partido Socialista digno desse nome não pode ser um "travesti" político. Ou é socialista e, consequentemente, de esquerda. Ou é uma outra coisa qualquer que deve mudar de nome.

E em Portugal, infelizmente para os socialistas e para a maioria dos Poruguese, o PS há muito que deixou de ser um partido de CAUSAS socialistas.

Transformou-se num partido do POTE.

Ao contrário do que afirma, o PS "blairizou-se, transformou-se num partido de direita moderada, um partido verdadeiramente centrista, "ecuménico". Mudou o capote de vermelho para rosa, sempre aberto à concubinagem com os laranjas, a nível nacional e até local.

Quanto aos partidos à esquerda do PS, não julgue que tenho uma postura acrítica e seguidista.
Longe disso, há muitos anos.
O PCP e o BE precisam de repensar-se a si próprios, a sua ligação com a sociedade, a sua postura em relação ao participar no poder e, sobretudo, em soluções alternativas, à esquerda.
Mas isso só pode acontecer a partir do dia em que o PS deixe de ser um partido de "direita moderada" e passe, EFECTIVAMENTE, a ser um partido de esquerda moderada, mas de esquerda. O que hoje, decididamente, não é.

E, não menos importante, passe a ser um partido de causas em vez de ser um partido DE INTERESSES.
Um partido de boys e girls famintos por se abocanhar aos orçamentos e recursos públicos.

Portugal só se endireita com a MORALIZAÇÃO e a DECÊNCIA restauradas em todo o aparelho de Estado e para-Estado.

Só nesse dia os Portugueses passarão a acreditar nos políticos.

Essa é a maior REVOLUÇÃO que urge fazer.

Luis Ferreira disse...

Para que conste e se saiba, uma correção e um pormenor.

Correção:
O FMI financiou em 2.000 milhões$ a Islândia em 2008, para que esta pudesse recuperar a sua economia, após a falência da Banca. Este valor equivale a quase 25%PIB

Pormenor:
A Islândia não faz parte da UE, logo não está sujeita às suas regras e, mais importante ainda, tem banco central próprio e moeda própria, não fazendo parte do Euro

Quanto à avaliação da canhocidade do PS é uma discussão, com os mesmos argumentos, que ouvi antes de qualquer Blair, aos meus camaradas e amigos das outras juventudes de esquerda com os quais partilhei dois anos a Direção do Conselho nacional de juventude, onde fui responsável pelas relações internacionais.

E a mesma conclusão tirei: isto de ser de esquerda não se apregoa, faz-se. Olhe, como quando consegui, sem aumentar a despesa à câmara, melhorar a compensação aos bombeiros Voluntarios do corpo dos BMTomar, nos dois anos em que os geri, em mais de 12%. Ou quando consegui que parte dos ganhos de eficiência obtidos em 2010, fossem em 2011 distribuídos pelos trabalhadores também nos Bombeiros.

Por isso um bem haja e seja bem vindo...

Virgílio Lopes disse...


Já reparou que não respondeu a nenhuma das questões DE FUNDO que suscitei no meu comentário ?

A minha referência à ISLÂNDIA não foi para comparar números. Foi para comparar POSTURAS. Foi para mostrar "a linha que separa" a DIGNIDADE NACIONAL e a SERIEDADE com a SUBMISSÃO e o CENTRÃO DOS INTERESSES.

Quanto ao "...
isto de ser de esquerda não se apregoa, faz-se." , dava pano para triliões de mangas e de manguitos.
Mas hoje, em que a hora trágica impõe convergência, não vou por aí.

Talvez seja melhor deixar isso para o tempo, os Portugueses e a História julgarem.

Deixando, de todo, o auto-elogio e o vitupério.

Luis Ferreira disse...

Meu caro Virgílio, quem tem obra e demonstração prática de aplicar o que diz defender, não deve ter vergonha de o fazer.

Sobre tudo o resto, factos são factos: nos estamos no Euro e na Moeda única e isso, como qq economista tem explicado, torna impossível acções, como as que foram tomadas em 1977 e 1983 em Portugal ou em 2008 na Islândia, após financiamento do FMI.