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6.9.11

APOSTAS FEITAS E DESCONTINUADAS: DESENVOLVER O TURISMO EM TOMAR

(Artigo publicado no Jornal "Cidade de Tomar" de 7 de Outubro de 2011)
A aposta no turismo é decisiva para a cidade e o concelho de Tomar. Tem-se perdido demasiado tempo e desperdiçado oportunidades para fazer do turismo uma base económica relevante para a nossa qualidade de vida.

O concelho tem recursos patrimoniais e humanos e uma centralidade geográfica, que lhe permitem desenvolver o turismo ao ponto de recuperar a posição que teve e que perdeu na região com a indústria.

Existem oportunidades e condições para que o turismo proporcione desenvolvimento económico e social à cidade e ao concelho, gerando de forma sustentável rendimentos, empregos, negócios, cultura, educação e melhor qualidade de vida para a população e para as futuras gerações.

Há que desenvolver o processo de criação de riqueza pelo turismo, dando continuidade à mobilização das pessoas e das instituições, para projectos que captem recursos financeiros e empreendedorismo para transformar os recursos humanos e culturais, o património material e imaterial, a paisagem e a natureza em bens e serviços que atraiam mais visitantes e turistas nacionais e estrangeiros, gerando uma economia de turismo sustentada.

O turismo cultural constitui já hoje, uma área de oportunidade e o grande desafio para criar uma indústria turística rentável e sustentável e com benefícios para as populações. O turismo cultural proporciona meios e motivação para manter e valorizar o património histórico e para desenvolver práticas culturais contemporâneas, enriquecendo o legado que vamos deixar para as gerações futuras.

Como a nossa experiência tem confirmado, não basta ter o Convento de Cristo e esperar que o turismo se desenvolva por geração espontânea, os turistas passam por lá e não ficam na cidade, os negócios associados ao turismo não se desenvolvem, o comércio tem estado estagnado, o centro histórico com escassa vida e, excepção ao ano de 2010, com cada vez menos turistas.

O uso e a apropriação do centro histórico pela população e pelos turistas é uma aposta decisiva que tem de ser assumida, programada e executada de forma sistemática, com a liderança da Câmara Municipal e o envolvimento das pessoas e das diversas instituições.

Não basta dizer que Tomar é a “Cidade Templária”, há que desenvolver o conceito e levá-lo à prática. Tomar tem condições para ser o grande centro da temática templária, com uma imensa visibilidade internacional, em termos culturais, científicos e turísticos. Este é um desafio central e parece ter sido uma oportunidade perdida por falta de continuidade das “boas práticas” implementadas em alguns momentos pela autarquia na área da gestão turística.

Tomar pode vir a ser um grande pólo de competitividade no turismo cultural se esse desafio for claramente assumido e continuado. Além do imenso património do concelho e da região envolvente, dispomos do Instituto Politécnico, com competências e valências únicas no país no turismo cultural, na conservação e restauro, na arqueologia, na fotografia, na pintura e nas tecnologias da informação e comunicação. Temos a Delegação do Turismo de Lisboa e Vale do Tejo, a Associação Portuguesa de Turismo Cultural, já com uma projecção interessante e trabalho desenvolvido, temos uma Escola Profissional que prepara jovens para os serviços do turismo, temos diversas empresas de eventos e aventura, com provas dadas na formação e na gestão de actividades de animação e de operação turística, temos o grupo de teatro Fatias de Cá com grande notoriedade nacional e excelente trabalho, música erudita, a grande figura de Fernando Lopes Graça, jazz e outras artes do espectáculo, artesanato e folclore, doçaria conventual, etc, etc…

Os recursos existem e são muitos, a grande questão reside na criação de condições para articular todos estes actores num processo sistemático organizado, com visão e gestão estratégica, com capacidade para gerar sinergias. Já se viu que não basta assinar protocolos e tirar a fotografias para publicar na imprensa local… Desenvolver o Turismo é obter resultados: as pessoas não “comem” marketing ou propoaganda!

E, além dessa aposta central no turismo cultural, é preciso apostar também na diversificação de ofertas – turismo de negócios, turismo de natureza, turismo rural, turismo activo e desportivo, recreio náutico, gastronomia e vinhos e eventos com grande projecção nacional e internacional.

É este, parte do caminho estratégico que foi pensado e seguido durante a nossa jornada de ligação com a promoção turística local, no decurso do ano de 2010.

Os “grandes eventos”, realizados nos últimos anos, como sejam a festa dos Tabuleiros, o Congresso da Sopa, os eventos Lego, os Festivais Tomarimbando e Bons Sons, as recriações e assinalamentos históricos como as “Estátuas vivas”, o “Cerco ao Castelo de 1190” ou a “Esgrima Histórica” na Linhaceira, passando pelas Jornadas Europeias do Património, o “Nabão” activo, como exemplo de cooperação inter-associativa (Pedreira-Sabacheira) para eventos de turismo natureza, o I Festival Internacional de Acordeons dos Templários, os mercados 1900 ou da República, recordam-nos que o potencial existe e, se devidamente promovido por uma estratégia de divulgação permanente e sustentada, dá resultados efectivos, como aconteceu durante 2010, onde ao aumento de visitas de turistas à Cidade, correspondeu o natural aumento de receitas da Hotelaria e por consequência da economia local.

Temos mantido e sustentado que só uma estratégia que promova a concretização de eventos em pelo menos 26 dos 52 fins-de-semana do ano, sejam eles turísticos, culturais ou desportivos, criará efectivamente uma “indústria turística” no Concelho. Só as grandes obras, na envolvente do Castelo ou no Complexo da Levada e, ainda sem projecto museológico, são pouco. São essencialmente “Hardware”.

Importa pois dar atenção ao “Software”. E com Monumentos fechados a maior parte do dia e dos dias, sem horários perceptíveis, ao sabor de “humores” da administração, pouco se poderá adjuvar. Lamentamos assim, que o esforço realizado no ano de 2010, ao estipular um horário de abertura contínuo dos Monumentos entre as 10H e as 18H, excepto à segunda-feira, não tenha tido continuidade. Como é de lamentar que a aposta continuada na promoção, usando os meios de comunicação social nacionais e as brochuras promocionais regulares, usando cada evento para vender o seguinte, não tenham tido continuidade.
Se nos destinos turísticos de referência se trabalha dessa maneira, porque não em Tomar?

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