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1.3.17

1 de março 2017: Cumprimos!

Discurso proferido por ocasião do dia do Município de Tomar, na sessão temática da Assembleia Municipal de Tomar, realizada no Cine-Teatro Paraíso, por Luis Ferreira*

@Hugo Machado, fotografia

Ex.mos,
Presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal
Deputado da Assembleia da República

Senhora e senhores Vereadores
Senhoras e senhores Presidentes de Junta de Freguesia
Senhoras e senhores Deputados Municipais
Senhoras e senhores Presidentes das Câmaras Municipais de Abrantes e Entroncamento
Senhora Presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo

Digníssimos,
Comandante do Regimento de Infantaria nº 15
Comandante do Estabelecimento Prisional de Tomar
Comandante da Divisão Policial de Tomar
Comandante do Destacamento Territorial de Tomar da GNR
Senhores anteriores autarcas do município e das freguesias
Senhores Diretores dos Agrupamentos de Escolas Templários e Nuno de Santa Maria
Senhor Comandante dos Bombeiros Municipais
Senhoras e senhores presidentes das Assembleias de freguesia e demais autarcas presentes
Dirigentes associativos e do escutismo do Concelho

Ilustríssimos,
Homenageados de honra nesta cerimónia

Ex.mos
Trabalhadores e dirigentes do município
Guarda de honra ao estandarte dos Bombeiros Municipais de Tomar
Jornalistas
Tomarenses que nos seguem através da rádio e da internet
Demais entidades convidadas, civis e militares, cidadãs e cidadãos presentes
  
Eis que cumprimos!
857 anos depois, ainda aqui estamos!

Tendo o privilégio de me dirigir a todos os tomarenses, não quero deixar passar a oportunidade para a todos e a cada um saudar, com um carinho especial.
Ser de Tomar, hoje como ontem, é mais do que aqui ser residente, nascido ou enamorado pelo topónimo, é um estar, um querer, um construir um mundo diferente, necessariamente mais livre, mais igual, mais fraterno.
É captar, na leitura do Arquiteto, o ESPÍRITO do LUGAR!
Da partilha do cavalo que os pobres cavaleiros templários, que fundaram o nosso castelo, temos a obrigação de com estratégia e sem titubear, conquistar a nova posição de Tomar, na globalização do seculo XXI.
O desafio de construir a Nova Tomar, usando as pedras, trabalhadas, do nosso passado.

Acreditar e querer. Eis que cumprimos!
São estas as palavras de ordem deste tempo sempre novo.
Estamos assim libertos da espinhosa tarefa de percorrer o corolário dos anos, que pesam como herança sobre todos os Tomarenses, aqui hoje presentes ou, cada vez mais ausentes na diáspora Templária, que tem a dimensão da simbólica ecuménica, a qual transportamos todos os dias.
O nosso Mestre Gualdim Pais, que respeitosamente homenageámos na Praça
através do Senhor Comandante do Regimento de Infantaria nº15, tributário do 2º Regimento de Infantaria de Olivença, com mais de 250 anos e representante da milenar instituição castrense, desde sempre presente ao Vale de Tomar, e dos máximos representantes do povo de Tomar -,
com a deposição das três coroas de flores, com as cores do ar, da terra e do fogo e alimentadas pela água que nos humectou.

Pois que sendo certo, que neste dia 1 de Março celebramos a fundação do nosso castelo, castelo templário e uma das forças motrizes da defesa da nossa querida Pátria em toda a sua história; evocamos não só o nosso passado, mas antes de tudo isso, o nosso futuro.

Um futuro que vincará a liderança, não conquistada pelas curvas das refregas da torpeza básica, ou no lançar da descrença nos outros, ou na ultrapassagem da mesquinhez nas esquinas dos corredores bafientos de um poder torpe, morto e ultrajante da memória colectiva, do mais antigo estado-nação de uma Europa que se corrói,
sem encontrar a Linha,
sem encontrar o Vale,
sem encontrar o Porto, que a latina expressão in hoc signo vinces – com este signo vencerás, nos ilumina há quase nove séculos em Tomar.

Tomar é um concelho, por isso mesmo, cheio de História e de simbolismo.
Temos honra no nosso passado, e também confiança no nosso futuro. Um futuro alicerçado nos valores templários, e na construção de uma sociedade onde os valores da liberdade, da igualdade e da fraternidade, sejam o centro da nossa atuação.
A história julgará, como sempre.
O tempo presente afirmará, como sempre.
O futuro demonstrará, como sempre.
E, como sempre, quem aposta nas pessoas e quem sabe que é com as pessoas que se deve estar, honra o passado, desenvolve o presente e ganha o futuro.

Homenagear os seus mais queridos, dignificando o seu legado, não nos escondendo nos baús hipotéticos ou reais de onde tirámos, por exemplo, o que vemos todos os dias à nossa volta.
Sim, porque hoje, simbolicamente, o SEGREDO de Tomar revela-se.

Vai demorar tempo. Vai exigir esforço. Vai custar muito a muitos. Dos de cá e dos de lá. Dos que crêem e dos que não crêem. Dos que começam e nunca acabam e dos que acabando, julgam ter começado.

Dos que da Honra, pensam saber a Verdade.
Dos que da Justiça, perscrutam o Progresso.
De todos e de nenhuns, os símbolos pelos TEMPLOS espalhados e à mão de semear, do ZÉNITE  ao NADIR. Da cruz – das cruzes -, das pias batismais, hoje tina, ontem talvez cálice – graal -, quiçá…

O nosso maior tesouro, não o Oiro escondido no Poço dos Olivais, de Santa Maria, além da ponte; o maior tesouro do concelho são mesmo as pessoas e as suas tradições.
O trabalho diário de todos é a maior riqueza do concelho.           

O trabalho autárquico é um trabalho de proximidade e de todos ouvir. Nenhum cidadão deve ser excluído na sua opinião e na construção do concelho de Tomar, não olhando a que freguesia pertence.
Muito mal estaria um poder político que se afastasse do respeito e dos desejos do seu povo. Não é conhecida nenhuma organização que consiga prestar serviços aos cidadãos, que consiga garantir a resolução dos problemas das pessoas, sem respeitar e tratar com dignidade e respeito os seus trabalhadores.

Eis que cumprimos.
NINGUÉM deve ficar para trás.
A inovação e a educação devem continuar uma prioridade.
Tendo incorporado no passado os saberes milenares guardados pelas civilizações de antanho, o nosso futuro far-se-á pelo desenvolvimento sustentável, que deveremos colocar na estratégia que trilhamos.
Este é o tempo em que temos mais um momento de busca, de desejo, de sonho.

Eis que cumprimos!
E, para continuar a cumprir, estou convicto que com as vossas mãos,
juntas,
unidas,
quais NÓS de uma corda simbólica que percorra, não só esta sala, mas as ruas e praças, de todas as Praças,
De todos os lugares, daqui e de lá, e
Tal como o poeta [Pessoa] descreveu na sua Mensagem: Senhor falta cumprir-se. Que se cumpra Tomar!

Non nobis, domine, sed nomini tuo da gloriam

          
Viva Tomar!
Viva Portugal!


*Deputado Municipal não adstrito, eleito pelo PS

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