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30.4.18

A promoção de Tomar e as polémicas "idiotas"

As últimas duas semanas foram pródigas em acontecimentos relacionados com a promoção de Tomar, sobre a cultura ou melhor sobre a sua eventual falta, de alguns que devendo olhar além do capô do carro, numa expressão muito cara à nossa Presidente da Câmara, usaram de pouca - cultura e tolerância, perante as opiniões diferentes.

É que não tem cultura quem quer, nem é tolerante quem disso faz profissão de fé, mas quem o sabe fazer, hoje como ontem...


Tomemos primeiro a visão da Floresta, em lugar de olhar já para a árvore.
Stand do Município de Tomar, adquirido em 2010, em montagem na ExpoGalicia de Vigo (Galiza)

Mercê de acasos da vida política vi-me nos últimos meses de 2009, com atribuições delegadas na gestão política, e operacional por falta de dirigente, do Turismo Municipal de Tomar. Desde então, as muitas dúvidas que já tinha, reforçaram-se sobre a melhor estratégia para o seu desenvolvimento, baseado ou não, essencialmente no esforço público municipal. 
Aprendi antes, fruto das diferentes funções públicas que fui tendo e, especialmente depois dessa oportunidade que tive, que não havia, nem há, opções únicas nem caminhos totalmente certos. 
Hoje mais do que nunca, tenho imensas dúvidas mais do que quaisquer certezas, sobre o posicionamento estratégico, do desenvolvimento turístico do Município de Tomar.

Mas as poucas certezas que tenho, estão relacionadas com a necessidade de permanentemente promover Tomar e de receber bem os turistas que aqui aportam, resultado ou não dessa estratégia. 
Sobre tudo o resto mantenho uma saudável montanha de dúvidas, quase tão grande quanto as dívidas municipais e os constrangimentos que tal gestão, desde há vários anos, nos obriga a ter em Tomar.


Os bons exemplos do passado e do presente

Decoração promocional de 2018 do Município de Tomar, para Feiras e outros espaços - inaugurado na recente Feira Internacional de Turismo (FIT) na Guarda - especialmente vocacionada para o mercado espanhol
Assim, quanto a mim a estratégia adequada é sempre a de aproveitar todas as oportunidades, sejam elas Congressos, Seminários, Feiras - nacionais e internacionais, bem como os media de grande difusão, nomeadamente televisões, ou os diretamente relacionados com nichos de mercado, para promover Tomar como destino.

Uma estratégia adequada foi a definida há cerca de 20 anos, quando o marketing municipal decidiu agarrar o mote TOMAR, CIDADE TEMPLÁRIA, provendo mesmo antes da moda das temáticas esotéricas (onde se insere a simbólica Templária), especialmente desenvolvida após o sucesso das obras de Dan Brown, como o Código Da Vinci (em 2003). 
Foi, quanto a mim, um dos dois maiores acertos da governação PSD de António Paiva (1998-2007).

Na sequência deste marketing institucional, houve necessidade e vontade de prover à participação de Tomar, de forma autónoma, em certames nacionais e internacionais. 
Mas, no final de 2009, Tomar não tinha sequer um conjunto de elementos de divulgação, que ajudassem a essa presença. 
A forma de promoção era desgarrada, não havia produção de spots televisivos para promover os eventos gastronómicos ou de outra natureza. 
Isso foi feito pela primeira vez em 2010, bem como a produção de um stand institucional, o qual esteve presente pela primeira vez na Expogalecia (Vigo) em outubro/novembro de 2010.
Aí foi feita também promoção da Festa dos Tabuleiros que se realizaria no ano seguinte, através da freguesia de S.Pedro.

Depois de vários anos sem utilização, nem presença de Tomar de forma autónoma em certames nacionais ou internacionais, decidiu este executivo e bem, quanto a mim, julgo que através da vereadora do Turismo, prover à produção de elementos que permitem uma presença institucional autónoma do Município. Não sendo um stand, tem perante este a vantagem da facilidade de montagem, portanto a portabilidade, que por exemplo o produzido em 2010 não tinha. Uma evolução positiva, portanto.


Presença de Tomar na FIT - Guarda, 2018




A presença institucional dos rostos do Município nas redes e eventos externos

Qualquer deslocação de representantes do Município ou de delegações mais ou menos extensas, levantam nesta terra pequena, uma mão cheia de invejas de tamanho na razão inversa à razoabilidade dos detratores.

Recordo-me quando no início do 2013, num esforço pioneiro de um conhecido agente turístico de Tomar, ter arrastado a ADIRN e com ela o então Presidente Carlos Carrão (PSD), à terra espanhola de Ponferrada, com ampla delegação cultural, que abriu portas desta terra Templária, à atual tentativa de criação da Rota Templária - como itenerário cultural europeu, reconhecido pelo Conselho da Europa (sediado em Estrasburgo). Polémica também...

Na mesma linha, quando em 2014, uma delegação chefiada pelo atual vice-presidente Hugo Cristóvão (PS), integrando diversos agentes ligados à matéria Templária, se deslocou a Troyes (França), dando continuidade ao esforço da Associação Templ'anima, que integrou a delegação. Esta,  isoladamente abrira caminho em 2012, espaço para esta relação de Tomar com a cidade onde foi efetivamente foi fundada a Ordem dos Templários, no coração da Champagne francesa. Mais polémica...

Novembro de 2015 - membros participantes da reunião da "Rota" em Tomar

Menos de um ano depois, já em 2015, igual delegação, por mim coordenada enquanto chefe de gabinete da presidência e acompanhado por agentes ligados à Festa Templária, incluindo a atual chefe de divisão de cultura, deslocou-se à cidade Templária de Monzon (Aragão), para participar num seminário internacional sobre as ordens religiosas, em continuidade ao esforço de estabelecimento de laços culturais, para fortalecer a futura "Rota". Nova polémica...

Primeira reunião prévia à constituição da Rota dos Templários - Itinerário Cultural Europeu

De todo este esforço de internacionalização, continuado com a presença da Presidente em diversas reuniões, em 2014, 2015, 2016 e 2017, em Ponferrada, em Paris, em Estrasburgo, tendentes à criação efetiva da Rota Templária, levantaram sempre iguais polémicas. Ou, memso as suas deslocações a Córdoba, a Israel ou a outras cidades, sobre a temática judaica. Tomar, parece alimentar-se sempre de alguma tacanhez e invejosice...

De igual forma, as deslocações do vice-presidente a cidades portuguesas ou aos Açores, sobre a temática das Festas do Espírito Santo, sempre estiveram sobre "observação"...

Ou, ou, ou...

Agora é a polémica da vereadora do Turismo se deslocar à India, a expensas municipais, para participar num encontro internacional de um movimento de mulheres - no politiquês correto, de género, da qual faz há anos parte. Levantaram-se diligentes arautos do erro de tal deslocação. Que a vereadora estava diretamente ligada à organização, que o evento não teve qualquer interesse, que daí não advém nenhum ganho para Tomar, etc, etc...
Ficou-se, logo que tal deslocação foi anunciada, através da página de facebook do vice-presidente, confirmado posteriormente na reunião de Câmara pela própria presidente, que para o ano de 2019, se realizará na nossa cidade um evento internacional de tal organização - a www.wef.org.on).

Esta organização, que se assume como "a place for ordinary women to seek to rise to extraordinary heights.A place for dreamers and achievers to learn and explore. A place for living life to its fullest while embracing personal growth. A place to love and care and contribute to societal upliftment", está ligada à ALL Ladies League (www.aall.in), presente em 150 paises assume-se como "the Largest global women chamber in the world", um grupo de "pressão", sobre os direitos das mulheres e da sua eterna luta pela igualdade de direitos e oportunidades.

Alguns dirão que em Portugal e na nossa cidade tal não é necessário, pois além de termos uma presidente e uma vereadora, entre os quatro autarcas a tempo inteiro, metade do gabinete político é do género feminino - chefe de gabinete e adjunta, mas esse é apenas a parte autárquica... Há ainda um longo caminho a percorrer na efetiva igualdade de género em Portugal e em Tomar.

Não vejo como pode Tomar ser prejudicada por esta participação, por esta nossa "aventura" internacional, que se possa juntar ao nosso enérgico grito Templário, ao nosso ecuménico internacionalismo espalhado pela Ordem de Cristo e à nossa permanente e estratégica presença no caminho judaico europeu. Se um dos "negócios" do futuro é a da afirmação de género, sendo certo que 52% da humanidade é do sexo feminino, porque não tirar Tomar partido disso?

O grande erro da vereadora da cultura e do turismo não é ter ido, paga pelo erário público, participar num evento de uma organização da qual desde 2014 faz parte da sua delegação portuguesa, e assim ajudar a promover, mais uma vez Tomar. 
O único erro desta vereadora, da qual se desconhecia até há bem pouco tempo qualquer proximidade com o PS - partido pelo qual foi eleita, como aqui já chamamos à atenção, há meses, foi o de acumular a responsabilidade municipal de gestão da cultura e turismo, com a presidência da direção da Banda Nabantina, associação que tem como atividade exclusiva a cultura

Convém recordar os mais afoitos na crítica do trabalho internacional, da presença durante anos de António Paiva (PSD) - entre 1998 e 2007, num forum internacional de presidentes de Câmara, sobre o qual não se conhecem quaisquer resultados práticos para Tomar, durante uma década inteira.


Leiamos algumas notícias...


TOMAR – Concelho representado em Fórum Internacional realizado na Índia. E para o ano… será na cidade nabantina!
O concelho de Tomar está representado na Índia, precisamente no Women Economic Fórum, ocasião aproveitada para a vereadora Filipa Fernandes, eleita pelo Partido Socialista, «estreitar laços» com aquele país asiático e ainda para abrir «possibilidades de investimento», assegurou, nesta segunda-feira, a presidente da autarquia nabantina, Anabela Freitas, que justificou esta presença, também, face ao convite que o Município nabantino recebeu – assim como o de Abrantes – na sequência da presença do Embaixador da Índia em Tomar, por ocasião da recente Festa dos Tabuleiros. E esta parceria já dá frutos uma vez que este Fórum, que “movimenta” cerca de mil pessoas, irá realizar-se pela primeira vez em Portugal em 2019 e o local escolhido… foi Tomar, precisamente entre os dias 23 e 26 de Março. Refira-se, no entanto, que a presença de Filipa Fernandes em Nova Deli tem estado associada a muitas dúvidas e polémica e tanto assim foi que Francisco Madureira, vereador do PSD, pediu para que Anabela Freitas esclarecesse aquilo que estava em causa, não deixando, ainda, de classificar como «importante» este tipo de iniciativas.
Reprodutor de áud
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Notícia do mediotejo.net
Por Elsa Ribeiro Gonçalves
Devido à polémica nas redes sociais sobre a recente deslocação da vereadora Filipa Fernandes (PS) à Índia, para participar no “Women Economic Fórum”, o vereador Francisco Madureira (PSD) solicitou na última reunião de câmara que a presidente da autarquia esclarecesse esta deslocação “para sanar a polémica”, sublinhando que o PSD concorda com tudo o que possa promover Tomar no estrangeiro.
Anabela Freitas (PS) explicou que têm sido estreitados laços com a embaixada indiana de forma a captar investidores para o concelho e que a câmara foi contatada no sentido de, em 2019, Tomar acolher este mesmo evento, onde agora a vereadora participou.

Disse ainda que o município vai aceitar o repto uma vez que permite projetar Tomar a um conjunto vasto de países. O evento vai realizar-se em Tomar em março de 2019.

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A idiotice

O caso podia ter ficado por aqui, como mais um simples nota de rodapé, como todos os anteriores, esperando todos nós como munícipes que da tal presença internacional da vereadora da Cultura, resultem frutos reais e efetivos perante mais esta rede na qual Tomar, ou melhor as mulheres de Tomar, estão agora ligadas. 
Resultados do trabalho internacional, ninguém honestamente pode esperar que aconteçam no dia seguinte ao seu desenrolar.

Volto aqui a dar o exemplo da dimensão Templária, a qual está há vinte anos a ser trabalhada, indo já no quinto mandato autárquico e no terceiro de algum efetivo investimento nas redes, a qual só agora parece ter algum caminho, perante a efetivação da Rota Templária, cujo site (provisório) pode aqui ser visualizado (http://www.templars-route.eu/fr/)
Em Turismo e no trabalho internacional, as ações de promoção e a estratégia, demoram anos a dar resultados, sendo que nem sempre os dá.

Mas, eis que o vice-presidente Hugo Cristóvão, o mesmo que quando presidente do PS local, se disse mais tarde envergonhado com a minha célebre expressão, quando fui vereador da cultura em 2010, ter escrito nas redes sociais sobre o escritor Lobo Antunes, em pleno verão de polémica deste com a instituição castrense a propósito da guerra colonial, de este ser "convencido, pedante e armado ao pingarelho".

O nosso vereador tem sido nos últimos três anos, useiro e vezeiro, em atitudes e expressões na minha opinião inapropriadas à função que superiormente e em nosso nome, exerce. Quer com "ameaças" a cidadãos que com ele discordam, especialmente nas redes sociais, quer com dirigentes associativos que noutras qualidades o criticaram, em plena reunião de Câmara ameaçados - caso da atual vereador Célia Bonet (PSD), quando no mandato passado foi "aconselhada" a calar-se enquanto presidente da Cáritas de Tomar, por receber subsídios da Câmara... Não era este o Hugo Cristóvão que conheci e que mereceu sempre o meu apoio, para o exercício de todas as funções políticas e públicas em que tem estado. O poder parece ter, perante alguns, efeitos nefastos e propiciadores de algum desrespeito perante as opiniões, mesmo que diferentes dos outros.

O comentário incendiário...

Comentários para quê? 
É isto que temos e este o nível a que chegámos em Tomar...

Tomar, merece isto?