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8.4.10

A singular tradição de "consultar o Povo", para decidir a Festa

Realiza-se amanhã mais um acto de importância histórica, para a realização da Festa dos Tabuleiros de 2011. O Presidente da Câmara vai ouvir a população, que convidou através dos "arautos", para saber duas coisas: a primeira se é para se realizar a Festa no ano que vem e a segunda quem se disponibiliza ou quem o povo quer para Mordomo dela.

As tradições, não as Leis ou as regras escritas e aprovadas, são simbolismos, mais ou menos aceites pelas comunidades, as quais estas mais ou menos respeitam e
mais ou menos vão dar continuidade. Como simbolicas que são, as tradições, adquirem estas uma dimensão cultural, porque transmitem um determinado conceito de vida ancestral, projectando-o no momento actual e, mais relevante para o mundo moderno, pode constituir um interessante momento, não um evento, turístico.

Não será o caso ainda este ano, visto que a esse nível apenas temos dado um conjunto de pequenos passos na sua promoção e na assumpção de que a Festa, mais do que um fenómeno religioso ou de tradição, pode e deve na minha humilde opinião ser um evento cultural e turístico, a começar desde logo no "teatro" da escolha do momento e do principal organizador da Festa.

Virá naturalmente o momento em que será possível olhar para a tradição como uma oportunidade, em lugar de ser mais um ritual repetitivo, e em que a própria Festa se constitua como mais do que um elemento para nosso indiscutível gozo pessoal e colectivo, da comunidade Tomarense. A Festa pode ser um grande evento de dimensão turística, criadora de riqueza, não eventual, mas permanente.

Venho dizendo com regularidade que nenhum destino turístico vive só de um produto que garante 1 fim de semana em cada 208. Tomar pode vir a ser um destino turístico, quando e se conseguir ter 26 fins de semana por ano com eventos de alguma dimensão. Aí teremos atingido a dimensão de fileira, onde o evento puxa a existência de rotas - pedestres e interpretativas, de museus, de actividade de animação conexas, da restauração, da hotelaria.

Como temos estado... Bem, como temos estado vamos continuando a estar, mas andando muito devagar. Alem da dimensão, tem-nos faltado colectivamente o arrojo para dar a volta à tradição e colocá-lá ao nosso serviço. As tradições são boas quando elas servem as gerações actuais, se apenas servem para repetirmos os rituais antigos, de serviço aos de antanho, então de nada servem.

Cem anos depois do inicio da Republica, com a criação em Portugal do direito do cidadão existir e 36 anos depois de Abril, com a criação da possibilidade desse cidadão se expressar e decidir, já era altura de termos a coragem de olhar para o que produzimos e darmos-lhe Valor, criando aí sim os empregos e a riqueza que alguramos para os nossos concidadãos.

É que só de tradições ninguem se alimenta!

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