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9.9.08

TOMAR ESTÁ HÁ QUINZE ANOS À DERIVA - III

Anterior opinião que escrevi sobre a deriva que leva Tomar nestes últimos quinze anos de gestão PSD e de Pedro Marques, mereceu da parte deste último uma resposta pública onde me ameaçou com queixa judicial por difamação, a exemplo do seu conhecido “bom feitio” para opiniões divergentes.

Teimosamente o Vereador Pedro Marques insiste em não querer ver os três seguintes factos políticos:

Primeiro, foi durante a sua vigência de Presidente de Câmara, especialmente entre 1994 e 1997, que “Tomar esteve na boca do mundo como antro de oportunismo e favor fácil”.

Segundo, “o facto de ter sido o único Presidente eleito sobre o qual recaíram suspeitas de favorecimento de interesses particulares, as quais nunca foram provadas”, foi razão próxima à tomada de decisão da Comissão Política do PS de Tomar, em 1996 e por unanimidade, da sua não recandidatura a Presidente de Câmara nas eleições 1997. Entende ser isto difamação? Pois de facto, como diz o povo, “só enfia a carapuça quem quer”.

Se “não foram provadas”, porque se preocupa hoje com isso, como fez questão de lembrar em plena Assembleia Municipal de 27 de Junho deste ano? Quando o que estava aí em discussão era uma decisão sobre uma operação urbanística (UOPG4- Estrada da Serra), no seu tempo começada e que já havia dado lugar a um frontal protesto por parte do Vereador do PS, na reunião de Câmara de 22 de Abril de 2008? Foi aliás o Vereador que veio lembrar a circunstância dos processos em que esteve envolvido, nessa mesma Assembleia.

Terceiro, ao pretender voltar a ser candidato em 2005 pelo PS, não teve o mesmo ninguém a propô-lo, de entre os 30 membros com direito a voto na Comissão Política Concelhia do PS, pelo que obviamente nem foi considerado como candidato.

É importante recordar que um dos actuais Deputados Municipais dos IpT e promotor de espúrio baixo assinado, era na altura dirigente do PS e nem mesmo ele o propôs para Presidente. Esse cidadão, aliás, só não foi candidato pelo PS por não gostar do lugar onde havia sido colocado na lista, o que atesta a ética e os valores pelos quais se movem alguns dos apoiantes do Vereador.

Teimosamente acha-se difamado por o considerar hoje “um cadáver político” e “um furúnculo do sistema político”. O que é certo é que Pedro Marques e a sua forma de gestão, possíveis nos anos 90, nada têm a haver com as necessidades de um Concelho como o de Tomar no Sec.XXI. A água não passa duas vezes por baixo da mesma ponte como todos nós sabemos. É algo que está a mais, pelo simples facto de que a manter-se no sistema é um dos factores de atraso e retrocesso do Concelho, um verdadeiro custo de contexto. Esta é a minha opinião, há qual tenho todo o direito e sobre a qual não retiro uma vírgula!

O chamar à atenção desse facto, foi no sentido de relembrar o porquê da decisão do PS em 1996. Decisão essa que continuo a considerar hoje bem tomada, como os factos posteriores vieram a demonstrar, em virtude de nunca mais Tomar voltar “a estar na boca do mundo como antro de oportunismo e favor fácil”.

Teimosamente o Vereador continua a não querer perceber que todas estas verdades são públicas, testemunhadas por dezenas de pessoas, autarcas e cidadãos, ouvintes das rádios locais, articulistas e leitores dos Jornais locais da época.

Acha-se difamado? Está no seu direito! Mas que não retiro uma única palavra ao que escrevi, isso garanto que não retiro. É a minha opinião de análise política, perante factos da vida pública Tomarense que vivi, testemunhei e onde fui interventor. Recordo que ao tempo era também membro da Comissão Política Concelhia do PS como hoje e Deputado Municipal, também como hoje.

É minha firme convicção que a liberdade de expressão e a livre circulação de informação, incluindo o debate livre e aberto de assuntos de interesse público, são numa sociedade democrática de importância crucial para o desenvolvimento colectivo e realização do homem enquanto ser social, bem como para o progresso e bem estar gerais da sociedade no pleno gozo, por todos, dos direitos e deveres relativos às liberdades fundamentais.

Nunca, mesmo que tente, poderá o Vereador Pedro Marques colocar uma mordaça na minha livre opinião sobre, nomeadamente, a sua actuação política como homem público que é e como Presidente de Câmara que foi. Tenho esse direito e movo-me perante um outro paradigma de gestão pública, de ética republicana de serviço público, de Homem Livre e à luz dos interesses colectivos da modernidade do Sec.XXI e não do século passado.

Para conseguir amordaçar-me, nem cem processos em Tribunal o conseguiriam! Já outros no passado o tentaram, por outros meios, sem qualquer sucesso.

De facto os eleitores de Tomar conhecem-no bem, isso é certo.

Não se esquecem do que se passou no seu tempo de Presidente de Câmara, o que também é verdade.

E a bem do interesse público, convém que nunca mais o esqueçam.