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12.7.08

O PROFESSOR, O MESTRE e O CACHOPO

Confesso que andei na escola primária e aí tive aquele que considero o mais marcante professor de toda a minha vida até hoje. O seu nome é reconhecido por muitos da minha geração e de outras pois este professor exerceu a sua actividade durante muitos anos, tendo inclusivé sido Vereador na Câmara Municipal de Ourém. O Professor Diamantino, entretanto falecido há já uns anos, deixou em mim um indelével respeito pela profissão de Docente, que viria mais tarde a dar o devido valor pelo facto de ter durante sete anos partilhado a minha vida com as aventuras e desventuras dessa profissão com a mãe dos meus filhos.

Mas o meu professor primário, homem sério e recto, excelente pedagogo, despertou em mim o gosto por aprender as letras e muito especialmente os números. Julgo que foi com o professor primário que eu, como penso que todos, aprendemos as mais elementares operações matemática.

Aprendemos por exemplo a contar, a subtrair, a multiplicar e a dividir. Não sei se foi aí que aprendi a dividir 60 por 37, se calhar foi até mais tarde, mas os ensinamentos que o meu professor primário me deu foram essenciais para saber fazer essa e outras contas.

Hoje há um professor primário, de nome trincão, que não sabe contar. Por vezes dou comigo a pensar que nem sequer saberá ler, mas isso são contas de outro rosário, que para aqui não são chamadas. Infelizmente não só não sabe contar, como ainda parece estar naquele estádio de desenvolvimento do conhecimento em que pensa que o mundo gira em torno dele.

Juro que me lembro do meu filho que tem hoje 7 anos, de já ter passado essa fase, mas pode só ser impressão minha, que como todos sabem não sou pedagogo e portanto incapaz de chamar a outro cachopo ou um outro qualquer epitáfio quando perdido de razão, de nada mais me lembraria do que proferir impropérios só pelo prazer de "apalhaçar" a vida.

Mas afinal porque é que é importante que o professor primário, saiba dividir 60 por 37?
É que dava jeito que por exemplo se soubesse que cada hora tem 60 minutos e não mais.
É que era ter um pouco de cultura se se soubesse interpretar que "proporcional", quer dizer proporcional e não uma qualquer outra coisa que nos sirva em cada ocasião.
É que era humilde perceber que quando se é um(1) em 37, é-se apenas um em trinta e sete e não mais. Especialmente quando se trata de ser eleito e se exerce mandato em nome do povo, convem aprender a respeitar não só a vontade dos que votaram em nós, mas também dos que votaram nos outros.

Penso que para se poder exercer em Portugal a profissão de professor primário, hoje diz-se do primeiro ciclo do ensino básico, é mesmo preciso saber um pouco mais do que ler e escrever, sendo também preciso saber contar.
Juro que o meu Professor primário sabia. ~
Juro que todos os professores com os quais tenho trabalhado ao longo da vida, e têm sido centenas, também sabem. Então porque raio é que o Bloco de Esquerda escolheu logo para seu Deputado Municipal o único que não sabe contar? É preciso azar!

Então a dita personagem, egocêntrica e afectada, desata num conjunto de impropérios para quem propõe e suporta que se a distribuição dos tempos para se falar numa assembleia devem ser proporcionais, se uma hora tem apenas 60 minutos e se ele é um único eleito, muito naturalmente só poderia ter um tempo na casa de 37/60, o que na minha terra dá cerca de 1 minuto e 37 segundos.

Ora o afectado deputado acha que o facto de numa hora, que tem 60 minutos, poder falar 4 minutos, quando por direito só teria 1 minuto e 37 segundos é uma injustiça? Pois tem absoluta razão! Como diz o povo "quem cabras não tem e cabritos vende, de algum lado lhe vêem"...

De facto, é através do principio de solidariedade entre os diferentes grupos municipais que os que têm mais eleitos, o PSD com 19 e o PS com 10, perdem um pouco do seu tempo para que os que têm menos possam falar um pouco mais. Assim era e assim se mantem.

O PS teria direito, na tal hora que apenas tem 60 minutos, a cerca de 16 minutos e 10 segundos, mas na verdade apenas tem direito a 15. O minuto e dez segundos que o PS perde vai juntar-se a outros minutos que o PSD perde para que o BE, com 1 eleito, a CDU com 2 e os Independentes com 4, possam ter um pouco mais do que teriam direito pela proporcionalidade. O BE fica com 4 (tinha direito a 1min e 37seg), a CDU fica com 6 (tinha direito a 3min e 14seg) e os independentes ficam com 8 (tinham direito a 6min e 28seg). Isto é mais do que justo ou não?

Vir hoje o deputado do Bloco dizer que sempre defendeu uma proporcionalidade com cinco minutos para cada Deputado é não saber fazer contas, pois com 37 eleitos, cada hora passava a ter 185 minutos. Por muito mau que seja este Professor, decerto que ainda saberá fazer contas mínimas ou socorrer-se de um dos seus excelentes colegas para o ensinarem!

Felizmente que o meu filho não o teve como docente!
Felizmente para mim que tive um Mestre como professor primário.
Felizmente para os cachopos da escola de hoje que têm excelentes prossionais, empenhados e astutos o suficiente para ensinarem bem os filhos dos outros e transmitirem valores de respeito, ética e verdade, que felizmanete só a alguns vão faltando!