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6.3.21
11.10.12
Livros revisitados - crescer nas Bandas filarmónicas
Coluna no Jornal "O Templário", publicada em Outubro de 2012
Um estudo
sobre a construção da identidade musical dos jovens portugueses, da
doutorada em psicologia da música, Graça Mota, é o livro revisitado que hoje
lhe propomos.
Desde 1986, altura em que a Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto iniciou o
programa de formação de professores de educação musical, que se constatou que
uma boa parte dos candidatos ao curso tinham não só iniciado a sua formação
musical nas Bandas Filarmónicas, como
mantinham com estas uma relação significativa de continuidade e de uma pertença
muito própria, quer em termos dos laços familiares quer dos afectos e das
afiliações culturais e sociais.
A investigação que deu origem a este livro teve
como objectivo geral a busca de compreensão acerca do papel que a participação
nas Bandas Filarmónicas representa na
construção da identidade musical de jovens portugueses. A análise dos dados
recolhidos junto de alunos e ex-alunos, permitiu construir social e
culturalmente o contexto das Bandas
Filarmónicas e compreender o papel que estas têm, na estruturação das suas
identidades musicais.
Numa edição das Edições Afrontamento, com
o ISBN 978-972-36-1000-0, a autora faz-nos um retrato do porquê e do que é ser
músico, numa Banda Filarmónica.
Sintomáticos alguns dos testemunhos abordados,
como este de Alice, estudante e professora, de que, ser músico numa Banda
Filarmónica, “é a base de tudo aquilo o
que eu sou hoje, do que quero ser. A banda foi onde eu cresci, posso dizer,
onde eu me fiz alguma coisa… É como uma mãe ter um filho”. Este percurso
pessoal, único e irrepetível, converge para uma construção do indivíduo mais
completa. Aliás, este tipo de partilha, de mundividência de estímulos, partilha
a música, com muito do que os desportistas e os seus estudiosos nos ensinam
também.
Mas porque se vai para uma Banda Filarmónica? Segundo o estudo, são as ligações familiares ou
de amizade que imperam na escolha, uma vez que de entre o universo estudado 63%
tinham tido algum familiar ligado às bandas. De notar, que o estudo incidiu
sobre estudantes para professores de educação musical. No entanto esta
frequência, denota algo que também em Tomar constatamos: o fato de muitos
músicos terem algum familiar agora ou no passado ligado à música e às Bandas. Sejam às atualmente existentes:
Paialvo, Nabantina, Gualdim-Pais ou Pedreira, ou às extintas das Fábricas de
Fiação, Matrena ou das Curvaceiras.
Ao longo dos últimos mais de 150 anos, no
desenvolvimento de uma pré-sociedade industrializada, que nunca se chegou a
implantar em Portugal, mas que em Tomar chegou a ocupar praticamente 50% da
população, nos anos 60/70 do Sec.XX, muitos músicos houve por aqui. Não foi
estranho a esse fenómeno, bem como à sua qualidade em diversos momentos, a
instalação em Tomar, junto do seu Regimento de Infantaria, de uma Banda Militar e da importância desta no
contexto regional, acompanhando assim a importância regional de Tomar, que
chegou a ser sede de uma Região Militar com o mesmo nome.
Ainda antes da expansão do ensino oficial da
música, a partir dos anos 90 com o ensino vocacional artístico, já em Tomar
cerca de 1000 crianças aprendiam música todos os anos, a diferentes níveis.
Fomos pioneiros e ajudámos a promover alguns dos
nossos líderes políticos no seu seio, demonstrando assim o carácter ecléctico e
completo da importância da música no geral, e das Bandas Filarmónicas no particular, no nosso devir nabantino. Só
para dar dois exemplos da mesma geração, hoje à roda dos 35 anos, o atual líder
do PSD local, João Tenreiro, foi durante anos músico da Nabantina e o ex-líder
do PS local, Hugo Cristóvão, também o foi na Gualdim-Pais. Pela qualidade de
ambos, se percebe da importância e já agora, da força do viver em comunidade
musical, em Tomar.
Um
estudo a não perder e uma aprendizagem a fazer. Sempre!
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Livros revisitados,
Pensamento e Maçonaria
5.10.12
Livre arbítrio - Moral e Ética
Aproveitando o facto de hoje ser o ultimo aniversário da implantação da Republica (1910) e da outorga da independência do Condado Portucalense do Reino de Leão (1143), pelo Tratado de Zamora e portanto do inicio da nacionalidade Portuguesa, inicio uma série de escrito de avaliação sobre o "Livre arbítrio", essa "coisa" geral que nos distingue uns aos outros e os humanos dos outros animais.
Será no fundo um pequeno guia para uso e leitura, centrado na panorâmica social e político local, para uso indiscriminado de homens livres e outros, nestas vésperas de fim de regime, muito por culpa dos que tendo a obrigação de "ler" e "perceber" os sinais, nada fazem, mas sabem criticar quem tem a coragem de afirmar "o Rei vai nu". E vai! Convém não esquecer. Todos somos responsáveis pelo que fazemos mas, também nestes tempos de total egoísmo, pelo que deixamos fazer. Vidé a negação que durante anos existiu sobre a existência dos campos de concentração nazis... É que a ditadura começa em cada um de nós e o antídoto é o Livre arbítrio.
Vamos por isso começar pela Motal e pela ética:
Moral e Ética
1. O que são normas morais?
Por tópicos:
- As normas morais são regras de convivência social;
- As normas morais obedecem sempre a três princípios:
# auto-obrigação,
# universalidade,
# incondicionalidade;
- São sempre importantes, mesmo que não efectivamente cumpridas.
As normas morais são regras de convivência social ou guias de acção, porque nos dizem o quedevemos ou não fazer e como o fazer.
As normas morais obedecem sempre a três princípios. Primeiro que tudo, são sempre caracterizadas por uma auto-obrigação, ou seja, valem por si mesmas independentemente do exterior, são essenciais do ponto de vista de cada um. Também são universais, e são universais porque são válidas para toda a Humanidade, ninguém está fora delas e todos são abrangidos por elas. Por último, as normas morais são também incondicionais, visto que não estão sujeitas a prémios ou penalizações, são praticadas sem outra intenção, finalidade.
Mesmo que não sejam cumpridas, as normas morais existem sempre, na medida em que o Homem é um ser em sociedade e nas suas decisões tenta fazer o bem e não o mal. E por vezes, mesmo que as desrespeite, o Homem reconhece sempre a sua importância e o poder que elas têm sobre ele.
2. Qual a diferença entre a moral e a ética?
Por tópicos:
- A moral tem um carácter:
# Prático imediato
# Restrito
# Histórico
# Relativo
- A ética:
# Reflexão filosófica sobre a moral
# Procura justificar a moral
# O seu objecto é o que guia a acção
# O objectivo é guiar e orientar racionalmente a vida humana
Apesar de terem um fim semelhante: ajudar o Homem a construir um bom carácter para ser humanamente íntegro; a ética e a moral são muito distintas.
A moral tem um carácter prático imediato, visto que faz parte integrante da vida quotidiana dassociedade e dos indivíduos, não só por ser um conjunto de regras e normas que regem a nossa existência, dizendo-nos o que devemos ou não fazer, mas também porque está presente no nosso discurso e influencia os nossos juízos e opiniões. A noção do imediato vem do facto de a usarmos continuamente.
Será no fundo um pequeno guia para uso e leitura, centrado na panorâmica social e político local, para uso indiscriminado de homens livres e outros, nestas vésperas de fim de regime, muito por culpa dos que tendo a obrigação de "ler" e "perceber" os sinais, nada fazem, mas sabem criticar quem tem a coragem de afirmar "o Rei vai nu". E vai! Convém não esquecer. Todos somos responsáveis pelo que fazemos mas, também nestes tempos de total egoísmo, pelo que deixamos fazer. Vidé a negação que durante anos existiu sobre a existência dos campos de concentração nazis... É que a ditadura começa em cada um de nós e o antídoto é o Livre arbítrio.
Vamos por isso começar pela Motal e pela ética:
Moral e Ética
1. O que são normas morais?
Por tópicos:
- As normas morais são regras de convivência social;
- As normas morais obedecem sempre a três princípios:
# auto-obrigação,
# universalidade,
# incondicionalidade;
- São sempre importantes, mesmo que não efectivamente cumpridas.
As normas morais são regras de convivência social ou guias de acção, porque nos dizem o quedevemos ou não fazer e como o fazer.
As normas morais obedecem sempre a três princípios. Primeiro que tudo, são sempre caracterizadas por uma auto-obrigação, ou seja, valem por si mesmas independentemente do exterior, são essenciais do ponto de vista de cada um. Também são universais, e são universais porque são válidas para toda a Humanidade, ninguém está fora delas e todos são abrangidos por elas. Por último, as normas morais são também incondicionais, visto que não estão sujeitas a prémios ou penalizações, são praticadas sem outra intenção, finalidade.
Mesmo que não sejam cumpridas, as normas morais existem sempre, na medida em que o Homem é um ser em sociedade e nas suas decisões tenta fazer o bem e não o mal. E por vezes, mesmo que as desrespeite, o Homem reconhece sempre a sua importância e o poder que elas têm sobre ele.
2. Qual a diferença entre a moral e a ética?
Por tópicos:
- A moral tem um carácter:
# Prático imediato
# Restrito
# Histórico
# Relativo
- A ética:
# Reflexão filosófica sobre a moral
# Procura justificar a moral
# O seu objecto é o que guia a acção
# O objectivo é guiar e orientar racionalmente a vida humana
Apesar de terem um fim semelhante: ajudar o Homem a construir um bom carácter para ser humanamente íntegro; a ética e a moral são muito distintas.
A moral tem um carácter prático imediato, visto que faz parte integrante da vida quotidiana dassociedade e dos indivíduos, não só por ser um conjunto de regras e normas que regem a nossa existência, dizendo-nos o que devemos ou não fazer, mas também porque está presente no nosso discurso e influencia os nossos juízos e opiniões. A noção do imediato vem do facto de a usarmos continuamente.
A ética, pelo contrário, é uma reflexão filosófica, logo puramente racional, sobre a moral. Assim, procura justificá-la e fundamentá-la, encontrando as regras que, efectivamente, são importantes e podem ser entendidas como uma boa conduta a nível mundial e aplicável a todos os sujeitos, o que faz com que a ética seja de carácter universalista, por oposto ao carácter restrito da moral, visto que esta pertence a indivíduos, comunidades e/ou sociedades, variando de pessoa para pessoa, de comunidade para comunidade, de sociedade para sociedade.
O objecto de estudo da ética é, portanto, o que guia a acção: os motivos, as causas, os princípios, as máximas, as circunstâncias; mas também analisa as consequências dessas acções.
A moral também se apresenta como histórica, porque evolui ao longo do tempo e difere no espaço, assim como as próprias sociedades e os costumes. No entanto, uma norma moral não pode ser considerada uma lei, apesar da semelhança, porque não está escrita, mas sim como base das leis, pois a grande maioria das leis é feita tendo em conta normas morais. Outra importante característica da moral (e esta sim a difere da lei) é o facto desta ser relativa, porque algo só é considerado moral ou imoral segundo um determinado código moral, sendo este diferente de indivíduo para indivíduo.
Finalmente, a ética tem como objectivo fundamental levar a modificações na moral, com aplicação universal, guiando, orientando, racionalmente e do melhor modo a vida humana.
3. A ética aplicada
Cada vez é mais necessária uma ética aplicada, uma ética que coexista com o quotidiano das pessoas. Esta ética deve ser específica, dividida em ramos, para melhorar analisar cada situação, sendo um bom exemplo disso os códigos éticos para as diferentes profissões. Isto acontece porque as pessoas têm que entender que as suas acções têm consequências não só para si mas também para os outros, e que estas não podem ser encaradas só de um ponto de vista. (dar um exemplo: clonagem, personalismo, bioética, ética da informação, ética do jornalismo, etc.)
Créditos
3. A ética aplicada
Cada vez é mais necessária uma ética aplicada, uma ética que coexista com o quotidiano das pessoas. Esta ética deve ser específica, dividida em ramos, para melhorar analisar cada situação, sendo um bom exemplo disso os códigos éticos para as diferentes profissões. Isto acontece porque as pessoas têm que entender que as suas acções têm consequências não só para si mas também para os outros, e que estas não podem ser encaradas só de um ponto de vista. (dar um exemplo: clonagem, personalismo, bioética, ética da informação, ética do jornalismo, etc.)
Créditos
@Patrícia Silva
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Livros revisitados,
Pensamento e Maçonaria
8.6.12
Livros revisitados - A onze de Setembro
A onze de Setembro
“- Pai, espero que compreendas… é difícil…(…)
- Sabes, pode parecer estranho! Tenho de contar com a tua ajuda nesta situação,
não é nada fácil… - justificou-se Simone (…) – Eu amo… uma mulher”, escreve
Virgílio Saraiva, o autor do romance de que falaremos esta semana.
Numa edição de 2007, da Papiro Editora,
com o ISBN 978-989-636-151-8, o autor tomarense Virgílio Saraiva deslumbra-nos
com um inusitado epílogo do seu livro “A onze de Setembro”.
A trama é densa e se termina com a assunção de
uma homossexualidade recalcada no feminino, começa com “um simples soutien, de
tonalidade creme, algo amarrotado ao fundo da cama, permitia denunciar, com um
relativo grau de certeza, uns tentadores seios completamente libertos e desnudado”.
Mas desengane-se o leitor, se pensa que nosso especialista em direito de
consumo do Município, nos traz um demoníaco livro erótico. Antes sim uma viagem
pela vida, pelas vidas, pelos tempos, dos 25 de Abril, de antes e depois, ao 11
de Setembro, apenas como marcas de caminhos, de sonhos, de frustrações. Enfim:
pedaços de uma vida de portugueses como você, como eu, como alguém com quem se
pode cruzar dentro de minutos, na corredora ou no jardim.
Dado à estampa em 2007, este livro aborda entre
outros o eterno tema da diáspora Portuguesa, que pode ser a de Tomar, numa
ante-visão de discussão sobre o que nos estão a fazer, ao País desde há um ano
e a Tomar desde há quase quinze. Há amores e desamores, encontros e perdas,
pautas de liberdade, com orquestras noutros registos, como nos convida um
interessante prefácio de Paulo Fonseca, hoje edil de aureana, ao tempo
representante do poder na scalabis dos toiros.
Mas o que me interessa relevar hoje, além do
interesse da leitura integral, única e envolvente, é o epílogo com que começa
esta crónica. É que num tempo em que as crises nos atacam por todos os lados,
também a assunção das homossexualidades, como caminho de respeito pelas
diferenças e opções legítimas e privadas dos cidadãos, não tardará a estar, de novo,
em causa. Moralismos e atavismos à parte, o diferente começa de novo a
ser olhado de soslaio. E isso tem de ser combatido: de caras e sem tibiezas!
“Mas, meu Deus?! – em pânico. [O Pai] –
Mas porquê?! - Deus não responde! A verdade é que nos amamos, gostamos
uma da outra, (…) [responde Simone]. Deus não responde. Nem condena. Não
pode condenar, porque não existindo ou mesmo que o pudesse, não o faria
decerto. Assim está nas escrituras: dar a outra face. Daríamos nós?
Toleraríamos nós se um amigo ou uma amiga próxima se assumisse, mesmo numa
terra pequena como Tomar, como homossexual. Perceberíamos que essa opção, fruto
da liberdade, em que todos nascemos, a qual condicionamos apenas por
aculturação, que essa opção, era ela própria sinal que haveria esperança para a
nossa terra?
Aguardemos…
Obrigado pelo desassossego, Virgílio.
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Livros revisitados
18.5.12
Livros revisitados - O Fim da Fé!
Livro revitado desta semana, na habitual coluna do Jornal "O Templário"
“Comparada com os horrores da Europa medieval, ou com os horrores que
subsistem em grande parte do mundo muçulmano, a influência da religião no
Ocidente até parece relativamente benigna. Mas não nos deixemos iludir por tais
comparações. O grau com que as ideias religiosas continuam a determinar as
políticas dos Governos constitui um perigo sério para todos nós”, escreve Sam
Harris, o filósofo americano que escreveu o livro desta semana.
Numa edição de 2007, da Tinta da China, com o ISBN
978-972-8955-21-2, sob o título O FIM DA
FÉ, este livro é auto-considerado com o livro negro da religião, construído
numa abordagem pós-11 de Setembro, onde as considerações realistas sobre a
influência das religiões no mundo antigo e moderno, nos levam à pergunta:
porquê e para quê? Será este o tempo em que evoluamos, finalmente, para o fim da fé?
Neste livro, a Fé é apresentada
como a principal fonte da violência mundial, na medida em que é ela que lança as bases para a intolerância
dogmática e que “justifica” o tratamento inumano das populações que
professa, ou não professam, outros credos. “A
Bíblia [O livro mais lido e vendido no
mundo até hoje], tudo leva a crer, é obra de um conjunto de homens e
mulheres perdidos no deserto que julgavam que a terra era plana e para quem um
carrinho de mão representaria um extraordinário exemplo de tecnologia de ponta”,
dispara o autor, numa provocação da irracionalidade
subjacente à Fé, às religiões e aquilo que elas podem representar num mundo
onde proliferam as armas e se aumentam como nunca as possibilidade de fazer mal
ao próximo.
Este é um livro que não deverá ler, se partir do preconceito de que há coisas que não se discutem. Nele,
também a moderação religiosa ou ateísta é igualmente contestada, pois promove a
ideia de que a fé pertence exclusivamente ao foro privado e íntimo, colocando-o
numa espécie de santuário inviolável, onde não há espaço para o debate público.
“Mas a mim parece-me por demais evidente
que as pessoas normais não podem queimar académicos geniais na praça pública só
porque estes supostamente blasfemaram contra o Alcorão [em 1994 em Islamabad, um reputado Médico foi indiciado
por o fazer e barbaramente assassinado pelo povo em fúria], ou celebrar
a morte violenta dos seus filhos [homens-bomba
suicidas, todas as semanas em algum lugar do médio oriente], a menos que
acreditem em algumas coisas altamente improváveis sobre o universo. Como a
maioria das religiões não possui mecanismos através dos quais as suas crenças
fundamentais possam ser testadas e validadas, cada nova geração de crentes está
condenada a herdar as superstições e os ódios tribais dos seus predecessores”,
conclui www.sam.harris.org.
Uma, entre as muito curiosas
comparações e realidades analisadas, é que “a influência da fé nas nossas leis
penais tem um preço considerável. (…) quando olhamos para as nossas leis sobre
drogas – melhor, para a totalidade das nossas leis contra o vício – o único
princípio organizador que parece fazer sentido entre elas é que qualquer coisa
que possa ofuscar radicalmente a oração e a sexualidade procriativa como fonte
de prazer seja declarada ilegal. (…) as preocupações com a saúde dos cidadãos,
ou com a sua produtividade, são meros pretextos neste debate, como a legalidade
do álcool e dos cigarros bem comprova”.
Um
livro, a que seguramente ninguém é indiferente e que vivamente recomendo a
leitura, agora que estamos na época das peregrinações e a tentação a poucos minutos do nosso pé.
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Livros revisitados
21.4.12
Livros revisitados - "A economia parasitária"
Há ícones que não morrem e Raoul Vaneigem é um deles. Nascido em 1934, ele é um dos teóricos da geração que produziu o Maio de 68. Belga de origem, cidadão de si e do mundo, considerado o mais Libertário e menos político dos membros da “Internacional situacionista”, movimento estético, político e filosófico que considerava de igual forma as opressões capitalistas e comunistas, perante o cidadão comum.
O livro de hoje, que não o seu mais conhecido “Traité de savoir-vivre à l'usage
des jeunes générations”, de 1967, que foi um verdadeiro manual panfletário do Maio de 68, é uma compilação portuguesa derivada da obra francesa "Nous qui désirons sans fin”, de 1996, na sua 1ª edição da Antígona, em 1999, com o ISBN 972-608-103-3, intitulado “A economia parasitária”.
des jeunes générations”, de 1967, que foi um verdadeiro manual panfletário do Maio de 68, é uma compilação portuguesa derivada da obra francesa "Nous qui désirons sans fin”, de 1996, na sua 1ª edição da Antígona, em 1999, com o ISBN 972-608-103-3, intitulado “A economia parasitária”.
É difícil ler Vainegem, sem um pequeno calafrio na espinha, tal o alcance dos seus raciocínios, pensamentos e prospetivas. Ele, como quase todos os libertários, assume a palavra e a acção, como uma verdadeira arma, nesta guerra permanente entre o satus quo e a modernidade assumida pelo Novo.
“O estádio parasitário da economia é atingido quando o valor de USO tende para zero e o valor de TROCA para o absoluto”, conclui clarividente Vaneigem, a páginas 50, relembrando a “economia de casino”, segundo a expressão de Mário Soares, na qual vivemos há décadas no mundo. Ora, quando observamos, especialmente desde 2007, ao descalabro da especulação financeira e ao sistemático roubo do trabalho, da produção, dos bens, numa espiral de superlativos económicos, sobre a essência do Homem, seja a sua vida, as suas relações, a sua vivência em sobreposição à sua “sobrevivência”, compreendemos este apologético conceito gritado por Vaneigem, em 1996, mais de uma década antes.
“A economia parasitária já não tem outra matéria a explorar que não seja ela mesma. Abandona a produção e aumenta o imposto sobre o trabalho. Retira-se do consumo e ameaça tirar ao consumidor o seu poder de compra se este não lhe confiar o depósito do salário, das poupanças, doa bonos, da reforma, o dinheiro dos gastos quotidianos, tudo coisas que doravante os Bancos reservam para seu lucro e emprestam a taxas usuárias.” (…)
“Isso de uma pessoa gastar e se agitar sem escrúpulos, como o discurso dominante levava o consumidor a fazer, são águas passadas. A falta de rendimentos obriga doravante o consumidor a poupar e a poupar-se, ao mesmo tempo que o dinheiro de sobrevivência que lhe é recusado reflui e vai frutificar nas mãos de uma oligarquia financeira.” (…)
“Prazer, saber, conforto, saúde, tudo isto são coisas que cada vez menos se podem vender e comprar, devendo cada vez mais sacrificarem-se com vista a sanear um orçamento onde os interesses privados proclamam ter por base o interesse público, não em virtude do que dão à sociedade, mas em função do que dela SACAM!” (…)
“Mas o totalitarismo económico deixou entretanto de precisar de homens políticos ou de ideologias. Bastam-lhe funcionários que administrem mundialmente a dívida pública e a falência dos estados nacionais”.
Perante o escrito de Vaneigem, em 1996, sobre a realidade que hoje é para todos nós cada vez mais evidente, é lícito perguntarmo-nos: deveremos encontrar ou não outro caminho? Há ou não outra solução para os povos, para o País, para a nossa terra?
Sou daqueles que acredita que sim e que, da leitura dos mais vanguardistas e da aprendizagem assim obtida, evitaremos a instalação, já a operar-se, de um sistema neo-fascista, o qual reduz o indivíduo a coisa e a coisa a bem transaccionável especulativamente!
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16.3.12
Livros revisitados - A revolução e o nascimento do PPD
Marcelo Rebelo de Sousa, o autor do nosso livro de hoje, termina-o com a seguinte frase que mistura a análise e a profecia: “Este é um dos encantos do PPD/PSD: a salutar junção de um basismo intenso, com uma abertura ecuménica e um caos organizativo insuperável”. Mas vamos por partes, que Marcelo nesta 5ª edição da Bertrand Editora, em 2000, com o ISBN 972-25-1143-2, nos faz atravessar o momento político único de 1974-75, da criação do PPD a 6 de Maio de 1974, por Francisco Sá Carneiro, até à eleição em 25 de Maio de 1975 do seu sucessor, o ilustre maçom e lutador anti-fascista, Emídio Guerreiro. Justifica-se uma leitura atenta deste documento histórico, aliás para se entender melhor, algumas das conivências históricas entre o PPD e os desvios de alguma esquerda não orgânica, mas profundamente anti-PS, que ao longo das suas 553 páginas nos pode deliciar, com um retrato na primeira pessoa, de um dos períodos mais marcantes da história do Portugal republicano.Além da tese da construção do PPD pela junção de três “linhas”, que segundo Rebelo Sousa, foram a “linhagem católico-social, nascida entre 1955-65, como reacção contra o corporativismo de Estado”, como primeira linha e como segunda, a “linhagem social-liberal e, aqui e ali, também social-democrata, defensora da democratização do Estado Novo, com intervenção destacada na pessoa de muitos dos deputados da chamada ‘ala liberal’ durante boa parte dos anos do Marcelismo (1969-73)”. A estas duas, a páginas 14, soma o autor uma terceira, “linhagem tecnocrático-social, sobretudo preocupada com os imperativos de desenvolvimento e justiça.(…) A SEDES – associação para o desenvolvimento económico e social – criada em 1970, onde pontuou entre outros, o futuro primeiro-ministro António Guterres, que nunca trilhou esta “junção” que fundou o adversário PPD.
Sintomático dos tempos então vividos, a frase que Galvão Teles terá dito a Rebelo Sousa a 27 de Abril de 1974, à saída da faculdade de direito: “Se não fosse a ala liberal [da Assembleia Nacional 1969-73], a SEDES e o Expresso, agora haveria um enorme vazio à direita dos socialistas”, posiciona desde logo o PPD, para ser o adversário natural e fundamental da visão de liberdade, igualdade e solidariedade, perseguida e já promovida então pelo Partido Socialista. A misturada de variados interesses, ideologicamente antagónicos, socialmente espúrios, conservativos dos valores e do status quo, dentro do já citado “caos organizativo”, suportado por interesses económicos e órgãos de comunicação social, fizeram a génese daquilo que o PPD é, até hoje.
E isso nota-se. Em Tomar é aliás por demais evidente, nesta semana em que os locais escolhem a sua liderança, entre o arrivismo extremista camarário, de matiz ecuménica enganosamente assumida, mas imprópria para as resposta exigidas ao desesperado momento do Concelho e o conservadorismo liberal, pequeno-burguês, mas geracionalmente adequado nas respostas que pretende dar aos problemas que criaram, e que nos últimos dois anos geriram, com evidente insucesso. Em todo o caso, tal como no início do PREC, retratado no livro, Tomar com este PPD, onde auguro e desejo a continuidade da vitória do grupo liderado por João Tenreiro, não sairá da cepa torna: as mesmas soluções, para os velhos problemas, darão sempre os mesmos resultados. E o que o PPD tem para mostrar em Tomar, são mais de 14 anos de falhanço, atraso em relação às terras vizinhas e inveja e luta fraticida pelo poder.
“Caos”, diz Rebelo Sousa. Eu não diria melhor!
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2.3.12
Livros revisitados - Sistema eleitoral e qualidade da democracia
“Todos sabemos que não há sistemas eleitorais perfeitos. Todos os sistemas têm vantagens e inconvenientes, retratados abundantemente pela ciência política (…) Um sistema eleitoral, num regime democrático deve responder a dois objectivos fundamentais: representação e governabilidade”, escreve António José Seguro, actual líder do PS, no livro revisitado desta semana, onde escreve a par de outras ilustres figuras da democracia parlamentar portuguesa, como André Freire, António Filipe, Vitalino Canas ou Miguel Relvas.
Numa edição especial da “Revista de assuntos eleitorais” (12) em 2009, da Direcção-Geral da Administração Interna, com o ISBN 978-972-9311-98-7, este livro parte de um estudo elaborado por Manuel Meirinho, André Freire e Diogo Moreira, também publicado pela Sextante Editores (Lisboa, 2008), sob o título “Para uma melhoria da representação política, A reforma do sistema eleitoral”.
Da análise e comentário crítico, com elevada mestria diga-se em abono da verdade, escrito por representantes dos seis partidos representados na Assembleia da República, bem como por três académicos, apresenta-se de leitura fácil e agradável ao longo de interessantes 140 páginas.
Os desafios são os de sempre: como conseguir a ligação do cidadão eleitor e o deputado? Como encontrar um sistema que valorize todos os votos entrados na urna? Como separar, através do voto, os bons e os maus representantes do povo?
Segundo António Filipe, do PCP, o sistema eleitoral português não comporta mais perdas de proporcionalidade, uma vez que a existência de pequenos círculos eleitorais, que elegem 2/3/4 Deputados, mais não faz do que híper representar os dois partidos mais votados do sistema.
Já segundo Pedro Bastos, do CDS-PP, o nosso sistema eleitoral, passa dois dos três testes essenciais dos sistemas democráticos.
Passa o teste da governabilidade, facto também destacado por Vitalino Canas e António Seguro, uma vez que só em dois casos, depois de 1987, houve governos que não completaram a legislatura e nunca em resultado de “bloqueio” parlamentar, mas ou por sua iniciativa ou do presidente da república.
Passa ainda o teste da proporcionalidade, também destacado por André Freire e Miguel Relvas, uma vez que apesar de existirem alguns círculos eleitorais muito pequenos, a existência de dois grandes círculos, Lisboa e Porto, reduz a distorção de proporcionalidade. Essas variações valorizam partidos que obtêm mais de 20% dos votos. O único teste que não passa é o da representatividade: literalmente, tirando os deputados “televisionados”, ninguém sabe quem são, o que fazem ou o que pensam.
O estudo aqui discutido apresenta propostas que estão a ser trabalhadas pelos estados-maiores dos dois principais partidos portugueses: Em primeiro lugar a introdução de um duplo voto, na eleição para a Assembleia da Republica, onde o eleitor votasse simultaneamente na lista de deputados do seu círculo (de 5 a 10 deputados) e um círculo nacional, de forma a garantir a proporcionalidade da eleição; Em segundo lugar o eleitor passaria a dispor da possibilidade de ao votar na “sua lista”, escolher o deputado da sua preferência, ultrapassando assim a ordenação imposta pelos partidos políticos. São propostas interessantes de que brevemente ouviremos falar.
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13.1.12
Livros revisitados - "O sim na terra do não"
Colaboração com o Jornal "O Templário", onde com regularidade esta coluna é publicada. Pode ler todos os "Livros revisitados" em http://vamosporaqui.blogspot.com/p/livros-revisitados.html
“Para onde quer que nos viremos, estamos rodeados pelo não”, avisam os autores BJ Gallagher e Steve Ventura, em jeito de análise sintética ao mundo contemporâneo.
Numa edição da editora Bizâncio, em 2007 (1ª edição), com o ISBN 978-972-53-0338-2, esta parábola para vencer a negatividade, de forma sábia e perspicaz, acompanha um herói que se aventura na terra do NÃO à procura do SIM.
Todos os dias, milhares de pessoas colocam a questão: “será que vale a pena?”. E todos os dias alguns sabem responder SIM, quando a maioria se deixa vencer pela ditadura do NÃO. Ou dito de outra forma, numa feliz expressão de George Shaw, dramaturgo irlandês e prémio nobel da literatura, em que este sintetiza o que por vezes nos esquecemos: “O homem razoável adapta-se ao mundo; o insensato insiste em tentar adaptar o mundo a si próprio. Portanto, todo o progresso depende do homem insensato”.
Pois! Progresso numa terra, onde poucos são os que ousam dizer SIM.
Mas terá ela solução? Uma terra que produz teatro como poucas, que tem excelentes executantes regulares na área musical e etnográfica, que detém exemplares únicos de património natural e edificado, que é uma referência no plano da educação, do pré-escolar ao superior, saberá dizer SIM, desde que a tecla tocada seja a correcta. Tal exige compreender que o primeiro passo para a vitória é saber sempre reconhecer o inimigo. Hoje, em Tomar, é de forma determinada o NÃO, sob a forma da ignorância, do medo ou da falta de rasgo.
O livro desta semana conduz-nos através de inúmeros autores e de citações basilares de simplicidade, como quase só a cultura anglo-saxónica parece ser capaz de produzir, como a do escritor Napoleon Hill, um dos mais significativos mestres da auto-ajuda, em que nos relembra: “feliz da pessoa que desenvolveu o autodomínio necessário para manter um rumo directo para o seu objectivo de vida, sem se deixar desviar dos seus fins por elogios ou censuras” ou de que “Não devemos ter medo das novas ideias! Elas podem significar a diferença entre o triunfo e o fracasso”.
Esta é uma viagem para encontrar o SIM, entre os muitos NÃOS. Há menos SINS do que NÃOS, é verdade, mas geralmente precisamos apenas de um – o certo.
Tomar talvez ainda esteja longe de o encontrar, mas será por isso que se deve desistir?
Apesar de ser hoje uma terra em que NÃO há Presidente legitimado, NÃO há Orçamento para gerir o Município, NÃO há solução para o disparate ParqueT, NÃO há um Mercado Municipal, NÃO há apoio às Associações, NÃO há apoio à fixação de desenvolvimento das Empresas, NÃO há apoio social integrado, NÃO há limpeza urbana em linha com uma cidade turística, nem monumentos abertos todo o dia.
Numa terra onde NÃO há estratégia para quase nada, mas se desdenha daqueles que a têm e a demonstram, haverá ainda hipótese de descobrir um SIM?
Sou dos que acredita que SIM, que vale a pena!
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15.12.11
Livros revisitados - O Fim do Petróleo
O Livro desta semana, “O fim do petróleo”, do autor norte-americano James Kunstler, numa edição Bizâncio (ISBN 978-972-530-298-9), de 2006, questiona-nos mesmo antes da brutal crise financeira, económica e social que se seguiu a 2007, as razões para esta e todas as crises, no advento de uma sociedade com energia muito mais escassa e, naturalmente, mais cara.
Mas se o leitor espera encontrar um livro técnico, cheio de impenetráveis gráficos e tabelas, desengane-se. Kunstler é autor de romances e de ensaios, onde se destaca “Geografia de lugar nenhum”(1993), sempre no sentido de questionar o caminho que vimos seguindo, no “banquete de consumo do petróleo” e, através dele, da economia e da sociedade baseada na energia barata. O autor adverte-nos, no inicio da sua obra, com uma citação de Carl Jung, um dos fundadores da psicologia: “as pessoas não suportam realismo em excesso”. Pois nós em Tomar sabemos bem isso…
Tive oportunidade de assistir a conferência que o autor deu em 2006, na Fundação Caloust Gulbenkian, numa antevisão das consequências do pico de produção de petróleo na passagem do milénio, do pico do consumo mundial de energia, em 2008 e do exponencial aumento dos conflitos, dificuldades de abastecimento de diversos bens e disponibilidades financeiras para os adquirir, até hoje.
Kunstler afirma-se como um pensador da “longa emergência”, que ele está convicto ser o período de várias décadas que passaremos até nos adaptarmos a um mundo onde a energia não estará disponível, nem nas quantidades necessárias, nem em preço acessível: alimentos baseados no petróleo, como é a grande produção cerealífera mundial, estilo de vida suburbana com transportes individuais e colectivos para vencer grandes distâncias diárias, num permanente desafio pela posse da terra, sem mecanização extensiva, … Enfim, um retorno rápido aos níveis de vida e de conforto de à 250 anos atrás.
“Durante a longa emergência, a sociedade terá de concentrar-se novamente em vilas e pequenas cidades e em terras de cultivo existentes entre elas”, desafia-nos a páginas 314, dando-nos mais interessantes pistas de adaptação: “estas vilas localizam-se perto de rios, (…) que possuem muitos locais adequados à produção local de energia hidráulica. Estão rodeadas de terras de cultivo, (…). Os centros das vilas e os seus velhos bairros de habitação, concebidos na era anterior ao petróleo barato, são compactos e densos, podendo-se andar a pé, e estão, em geral, intactos, embora os edifícios se encontrem em mau estado. (…) Podem ser arranjados e convertidos com muito mais facilidade do que as povoações construídas segundo o modelo dos subúrbios. Durante a longa emergência, as obras far-se-ão devagar, prédio a prédio (…)”.
Ao ouvi-lo em 2006, fiquei com a sensação que o nosso Concelho tinha futuro, devendo ser preparado e adaptado para estes desafios que, hoje, ninguém duvida que serão resolvidos pela nossa geração. Urge então colocar mãos à obra, preparando a nossa Cidade, o nosso Concelho, para o desenvolvimento sustentável, como muitos defendem repetidamente, desde 2004. O caminho, quanto a mim, é por aí!
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2.12.11
Livros revisitados - "O Banqueiro Anarquista"
O Livro desta semana, “O banqueiro anarquista”, de Fernando Pessoa, na edição da chancela Ática, da Guimarães Editores (ISBN 978-972-665-556-5), no ano de 2009, envolve-nos numa esotérica viagem, pelo mundo do “realismo ficcional”, de que só Fernando Pessoa seria capaz, desvendando a contradição entre a filosofia anarquista, muito ao gosto do primeiro quartel do Sec.XX e a profissão de banqueiro.A trama da ficção, desenrola-se numa conversa entre um banqueiro, aparentemente anarquista que justifica os seus ideais a um amigo, que pensa inconciliável o estatuto de banqueiro com a política anárquica. O banqueiro expõe, então uma série de pontos de vista e ideias com a mais racional linha de pensamento, justificando a sua profissão, dizendo-se ainda um homem praticamente livre, uma vez que é imune ao peso do capital.
Sendo uma ficção, com o traço de génio de um Pessoa, é hoje especialmente interessante revisitá-lo, nomeadamente pela actualidade do conceito do “Banqueiro” do mundo, seja ele quem for, que parece alimentar-se numa cada vez maior “anarquia”, que destrói continentes, países, Cidades e aldeias, famílias e pessoas.
Neste “caos de milhões”, com que diariamente somos bombardeados, redescobrimos a importância das coisas simples, como o prazer do convívio com os amigos numa Cidade com Monumentos abertos todo o dia, com o gosto de ter um Rio mais limpo ou com a benesse de sabermos que todas as crianças, nossos filhos ou netos, podem ir ao cinema ou ao teatro, independentemente de viverem no campo ou na cidade, como nalguns Concelhos deste País.
Como o autor nos interpela directamente para a luta dos tempos idos, presentes e futuros, com um “realmente, quem se esquiva a travar um combate não é derrotado nele. Mas moralmente é derrotado, porque não se bateu”, diz o banqueiro que se acha anarquista. E na vida diária do nosso Concelho não será assim?
A quantos combates, quem nos tem governado, se tem procurado esquivar até hoje? Quantos mais falhanços no desenvolvimento de Tomar serão precisos, para que percebamos que nem somos governados nem por banqueiros, nem por anarquistas, mas pela pior das soluções humanas: os imobilistas?
Pessoa desafia-nos, nesta obra, a reencontrarmos o conceito de liberdade, “…para si e para os outros, para a humanidade inteira.”, “estar livre da influência ou da pressão das ficções sociais”, “ser livre tal qual nasceu e apareceu no mundo, que é como em justiça deve ser; e quer essa liberdade para si e para todos os mais”.
Ora, não é mesmo chegado o tempo de Tomar se libertar dos imobilistas, incapazes de resolverem qualquer dos problemas que o Concelho padece há anos, lhes juntou outros problemas, como por exemplo o pagar milhões por uma obra que vale tostões? Porquê e com que interesse? Quem ganha com a falta de liberdade no nosso Concelho? Quem e porquê nos quer mais pobres hoje em Tomar, do que éramos há 14 anos atrás? Não será altura de nos libertarmos destas amarras, desta falta de rasgo e humanidade, de quem nos tem governado?
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11.11.11
A MAÇONARIA E OS SEUS PRINCÍPIOS
Façamos hoje uma pequena viagem pelo mundo do pensamento à boleia do Livro “Introdução à Maçonaria”, de António Arnaut, na sua 3ª edição, da Coimbra Editora, de 2001 (ISBN 972-32-1029-0).
Este livro, escrito por quem foi durante vários anos Grão-mestre de uma das obediências maçónicas em Portugal, o Grande Oriente Lusitano, abre-nos um pouco da janela sobre o grande segredo da maçonaria universal, descodificando-a para quem esteja mais atento à sua leitura, intrigando os mais desatentos ou leigos nestas matérias. De leitura agradável, tanto quanto as suas pouco mais de cem páginas permitem.Quando à porta do “Templo” bate um “profano” que deseja ser admitido nos mistérios e privilégios da antiga e nobre ordem maçonica, segundo afirma o “guarda interno”, responde-lhe o “venerável” com um “como pôde ele conceder tal esperança?”, ao que o “guarda interno” responde: Porque é livre e de bons costumes! -sic
É desta forma que o livro abre e nos revela um dos seus primeiros segredos. O ser livre e de bons costumes, parece ser uma das condições ou dos segredos da augusta ordem, segundo um dos seus grãos mestres. E se ele o afirma…
Num tempo de grandes dúvidas sobre a perseverança dos Homens e das Nações, é perfeitamente expectável que a procura de algo mais, dentro e fora de nós, nos anime num caminho de descoberta. António Arnaut, também assumido “pai” do serviço nacional de saúde, fez dos princípios nobres da maçonaria universal a sua prática, na construção de um sistema em que os mais fracos eram apoiados pelo Estado e que TODOS, mas TODOS, teriam acesso aos melhores cuidados de saúde, que o País pudesse fornecer. Foi assim durante quase 40 anos. Foi! Mas rapidamente este Governo nos está a fazer lembrar, que esses valores universais, se não foram alimentados, poderão vir a ser rapidamente destruídos.
A páginas 123 do nosso Livro revisitado, António Arnaut explica ser “A Maçonaria uma instituição universal, essencialmente filantrópica, filosófica e progressiva; tendo por fim procurar a verdade, o estudo da moral e a prática da solidariedade, e trabalha para o bem da Humanidade, contribuindo para o aperfeiçoamento da organização social.” Ao lermos isso percebemos a relevância de defender a existência de extensões médicas, numa lógica de proximidade aos utentes. Deslocar os médicos e os enfermeiros e não as pessoas, “aperfeiçoando a organização social”. Espantosamente, ou talvez não, vemos nos princípios da Maçonaria universal, fragmentos da nossa vida e da organização do nosso Estado Social.
A Maçonaria “tem por princípios a tolerância mútua, o respeito dos outros e de si mesmo e a liberdade absoluta de consciência”, pode ainda ler-se, convocando-nos o autor para a antítese do desejo que temos, quando vemos muito do trabalho dos nossos país e avós em prol do serviço nacional de saúde, a ser destruído pela fobia da poupança louca, que levará a que os cuidados de saúde hospitalares e da medicina preventiva, fiquem apenas disponíveis para quem os possa pagar.
Talvez por isso o livro aponte , entre outros, como maçons ilustres Fleming, o inventor da penicilina, o Presidente americano Lincoln que aboliu a escravatura ou os compositores Beethoven e Mozart. De Portugal relembra-nos o Ministro Costa Cabral, do Sec-XIX, Alfred Keil, o compositor do Hino Nacional, os escritores Eça de Queirós, Almeida Garret, Alexandre Herculano, João de Deus ou o prémio nobel da Medicina Egas Moniz. Será você o próximo?
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Livros revisitados,
Pensamento e Maçonaria
22.10.11
LIVROS REVISITADOS - "O fim da classe média"
O Livro desta semana, “Low Cost”, dos autores Massimo Gaggi e Edoardo Narduzzi, dois Italianos, que na sua segunda edição, da Teorema (ISBN 978-972-695-746-1), no ano de 2006 nos chamavam à atenção para o fim da classe média.Os autores, um jornalista em Nova Iorque e outro empresário de tecnologias, chamavam há cinco anos, antes mesmo da brutal crise que se abateu primeiro sobre os Estados Unidos e depois sobre a Europa, a partir de 2007, ao caminho sem retorno em que se havia transformado o capitalismo “low cost”. Chama no seu último capitulo, a paginas 157, à atenção d”o postulado enunciado por Vilfredo Pareto,…, estabelecia que uma intervenção (politica, económica ou social) seria óptima quando melhorasse o bem-estar de, pelo menos, um indivíduo sem de algum modo prejudicar todos os outros.”
Este modelo, baseado num crescimento económico perpétuo, teve nas marcas globais da Ryanair, Ikea, Wal-Mart, Skype, Zara, Google, bem como na loja chinesa da esquina, o seu último estertor. Comprar barato, transferindo capital para outros mercados, onde o emprego é gerado, leva inexoravelmente ao empobrecimento da comunidade compradora.
Vamos às grandes superfícies e procurando preço baixo, adquirimos produtos agrícolas “low cost”, do Chile, da África do Sul, do Brasil, da Turquia, de Espanha ou de França. Saímos satisfeitos, com o nosso apelo de consumo satisfeito – alma mater da classe média a que todos dizemos pertencer, mas acabámos de ajudar a criar trabalho em cada um desses países, enriquecendo multinacionais que não pagam impostos em pais nenhum, tornando-nos escravos de um sistema que está a terminar.
Com esta acção diária deixámos de adquirir os produtos produzidos localmente, à venda nos nossos comerciantes de bairro ou de aldeia, nos mercados semanais da nossa aldeia ou em Tomar. Transferimos o nosso rendimento para outros países e para outros mercados. Deixamos cair, por encerramento sanitário e indiferença política, o nosso Mercado e dentro em pouco não teremos dinheiro para comer.
Quando pensarmos “low cost”, pensemos que:
1-Quem hoje nos vende os produtos baratos importados e “exporta” o nosso dinheiro para o estrangeiro, quando deixarmos de ter dinheiro para pagar, sai de Tomar, sai do País;
2-Os nossos comerciantes, os nossos produtores, então mais pobres ou inexistentes, não terão a quantidade necessária de produtos para nos fornecer por preço que nós possamos pagar;
3-Sem dinheiro não há comércio, sem comércio não há emprego, sendo que as mais recentes medidas do Governo são, neste contexto, um disparate económico.
Neste momento, em que vemos a destruição do nosso presente e a hipoteca do nosso futuro, somos convocados para lutar contra um poder irresponsável que nos empobrece e escraviza a interesses que não são os nossos, nem os dos nossos filhos. E em termos locais, quanto mais tempo suportaremos o não investimento na valorização do Mercado Municipal, por exemplo, que promova a venda dos produtos locais?
Coluna de opinião publicada no Jornal "O Templário", de 21 de Outubro de 2011
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Livros revisitados
17.10.11
LIVROS REVISITADOS - “As Origens dos Municípios Portugueses”
Coluna de opinião publicada, quinzenalmente, no Jornal "O Templário", em 6 de Outubro de 2011.
Ante-scriptum
Tomando como base um Livro, o qual será sempre referido para que o leitor o possa procurar, pretende-se evoluir para uma abordagem quotidiana, ligando-o a factos actuais, semanalmente em menos de quinhentas palavras.
Municípios e Freguesias
Num momento em que estamos perante o “Documento verde da reforma da administração local”, emanado do Governo, que abre caminho para a extinção/fusão administrativa de Freguesias com história e pergaminhos, como sejam as de Além da Ribeira, Alviobeira, Asseiceira, Beselga, Junceira, Paialvo, Pedreira, Sabacheira, Santa Maria e S.João, equacionar o figurino da nossa realidade sócio-cultural, à luz da história e do bom senso, ganha especial relevância.
Há quem diga que se irá poupar dinheiro com a extinção/fusão dessas unidades administrativas, mas dos 768 mil euros que o Estado transfere directamente para todas as 16 Freguesias de Tomar, quanto se poderá poupar com a extinção/fusão destas 10 Freguesias? 70,100,150 mil euros? Onde estão os estudos que o demonstrem e quanto isso vale, na despesa que o Município de Tomar representa globalmente para o Estado? Os estudos são desconhecidos e a expectável poupança, equivalerá a pouco mais de 1,5% das transferências do Estado para as autarquias do Concelho de Tomar, Freguesias e Município considerados.
O que se ganha então, que valha a destruição do caminho iniciado em Tomar, com o Foral de 1162, como decalque integral de um dos primeiros forais dados a Cidades portuguesas, em concreto, ao foral de Coimbra de 1111? De que vale que tenha sido das terras de Tomar e das suas futuras Freguesias, algumas com forais próprias atribuídos, séculos mais tarde, a emanar a estratégia organizadora para a regulação das vilas de Pombal, Castelo do Zêzere (nas cercanias da Praia do Ribatejo), Figueiró dos Vinhos, Ourém, Torres novas, Arega, Abiúl, Vila Ferreira e Atalaia, nos forais atribuídos a tais lugares, entre 1174 e 1222)?
Poupar uns “míseros tostões”, roubando a identidade às comunidades locais, valerá a pena?
Se o objectivo é poupar, porque não se deixa de pagar senhas de presença aos membros das mesas eleitorais e a todos os eleitos locais, que não estejam em funções executivas das freguesias, assembleias e câmaras municipais? Conhecem alguma Associação em que os membros dos órgãos sociais, se não estiverem a tempo inteiro como funcionários, recebam remuneração?
LIVROS REVISITADOS
Ante-scriptum
Tomando como base um Livro, o qual será sempre referido para que o leitor o possa procurar, pretende-se evoluir para uma abordagem quotidiana, ligando-o a factos actuais, semanalmente em menos de quinhentas palavras.
Municípios e Freguesias
“As Origens dos Municípios Portugueses”, de António Matos Reis, na sua 2ª edição, de 2002, da Editora Livros Horizonte (ISBN 972-24-1158-6), conduz-nos a um verdadeiro maná de informação histórica sobre o como e o porquê dos Municípios em Portugal. Curiosa e actual, a sua referência a que “… entre as maiores reformas da nossa organização administrativa, se conta uma descentralização ainda não levada às últimas consequências, e na qual uma das principais linhas de força está na valorização do papel das autarquias”.
Num momento em que estamos perante o “Documento verde da reforma da administração local”, emanado do Governo, que abre caminho para a extinção/fusão administrativa de Freguesias com história e pergaminhos, como sejam as de Além da Ribeira, Alviobeira, Asseiceira, Beselga, Junceira, Paialvo, Pedreira, Sabacheira, Santa Maria e S.João, equacionar o figurino da nossa realidade sócio-cultural, à luz da história e do bom senso, ganha especial relevância.
Há quem diga que se irá poupar dinheiro com a extinção/fusão dessas unidades administrativas, mas dos 768 mil euros que o Estado transfere directamente para todas as 16 Freguesias de Tomar, quanto se poderá poupar com a extinção/fusão destas 10 Freguesias? 70,100,150 mil euros? Onde estão os estudos que o demonstrem e quanto isso vale, na despesa que o Município de Tomar representa globalmente para o Estado? Os estudos são desconhecidos e a expectável poupança, equivalerá a pouco mais de 1,5% das transferências do Estado para as autarquias do Concelho de Tomar, Freguesias e Município considerados.
O que se ganha então, que valha a destruição do caminho iniciado em Tomar, com o Foral de 1162, como decalque integral de um dos primeiros forais dados a Cidades portuguesas, em concreto, ao foral de Coimbra de 1111? De que vale que tenha sido das terras de Tomar e das suas futuras Freguesias, algumas com forais próprias atribuídos, séculos mais tarde, a emanar a estratégia organizadora para a regulação das vilas de Pombal, Castelo do Zêzere (nas cercanias da Praia do Ribatejo), Figueiró dos Vinhos, Ourém, Torres novas, Arega, Abiúl, Vila Ferreira e Atalaia, nos forais atribuídos a tais lugares, entre 1174 e 1222)?
Poupar uns “míseros tostões”, roubando a identidade às comunidades locais, valerá a pena?
Se o objectivo é poupar, porque não se deixa de pagar senhas de presença aos membros das mesas eleitorais e a todos os eleitos locais, que não estejam em funções executivas das freguesias, assembleias e câmaras municipais? Conhecem alguma Associação em que os membros dos órgãos sociais, se não estiverem a tempo inteiro como funcionários, recebam remuneração?
A proximidade da representação popular, tem melhorado significativamente a qualidade de vida das populações: 35 anos de poder democrático autárquico estão aí, em cada rua, fontanário, sede de associação, largo ou jardim, para o demonstrar.
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