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15.5.12

A força das pequenas coisas...

Em Setembro de 2010, fruto da avaliação então realizada de muitas sugestões orais apresentadas pelos turistas no parque de campismo e nos dois postos de turismo do Município – Turismo junto à Mata dos Sete Montes e Casa Vieira Guimarães, no início da corredoura do mestre (Rua Serpa Pinto) - a vereação socialista do Turismo tomou a decisão de adquirir 10 bicicletas, que custaram cerca de 150€/cada.

O objectivo era simples: colocar à disposição dos turistas, nos postos de turismo, no parque de campismo e eventualmente no quartel dos bombeiros, bicicletas que pudessem ser usadas prioritariamente pelos turistas, através de um pagamento simbólico, o qual garantisse a logística da sua movimentação e manutenção. Isto além de iniciar um projeto-piloto de promoção e introdução de uma lógica ciclável à cidade de Tomar

A entrega do pelouro cerca de um mês depois, inibiu de todo a concretização desse projecto e a vereação que se lhe seguiu, da responsabilidade dos sociais-democratas deixou o projecto a “marinar” durante todo este tempo. As bicicletas no entretanto estiveram guardadas no quartel de bombeiros, aguardando utilização conveniente, só tendo sido daí removidas para armazém no parque de campismo, no início deste ano, após terem aí sido vandalizadas depois a entrega do pelouro dos bombeiros por parte dos socialistas no final de Novembro de 2011. Quando saímos o ano passado todas as 10 bicicletas se encontravam em pleno funcionamento, tendo sido inclusive verificadas e tido pequenas manutenções no decurso do mês de Outubro de 2011.

Ou seja, quase dois anos depois, os sociais-democratas foram INCAPAZES de dar uso a dez bicicletas adquiridas com o intuito de promover o uso ciclável da cidade e prover a mais um serviço ao turista.

A ideia em 2010 era ainda observar qual o impacto da medida e eventualmente se esta tivesse sucesso, adquirir mais bicicletas, sendo certo que felizmente já estão a aparecer no mercado empresas que alugam bicicletas e promovem o seu uso junto dos turistas e dos cidadãos da Cidade, demonstrando a estratégia acertada da iniciativa da vereação socialista há dois anos.

Na última Assembleia Municipal foi de novo aprovada proposta da bancada socialista, com o intuito de pressionar o Município a dar sequência à estratégia encetada em 2010 pela vereação socialista. Foi aprovada por ampla maioria, apenas com os votos contra dos “caçadores” do PSD, Presidentes de Junta da Serra e dos Casais, com o argumento que “as bicicletas não serviam para ir à caça “(sic)!

É assim a política em Tomar: INCOMPETÊNCIA, INVEJA e um qb de BOÇALIDADE!

E depois querem que sejamos respeitados em algum lado. É que o fato de termos o Património Mundial classificado pela UNESCO, não dá cultura ou capacidade aos momentâneos titulares do poder local, por osmose. Este é um pequeno exemplo de que a diferença se faz, também, nas PEQUENAS COISAS.

Nesta como em outras matérias, os socialistas podem e devem ser avaliados pelos Tomarenses.

14.5.12

Oh meus senhores, então como é?

Desde que deixei de ser responsável pelos Bombeiros e proteção civil, em Novembro de 2011, já é o segundo caso relatado, de uma descordenação na prestação de socorro a escassas centenas de metros do quartel dos Bombeiros.


O que se passa?
Não há coordenação porquê?
Não há bombeiros suficientes de serviço para assegurar a saída de uma ambulância que não seja do INEM e depois executar a chamada "passagem de dados para o CODU", no caso de ser necessário, dada a emergência detetada?

Ou passa-se mais alguma coisa?
Será que mercê do não pagamento de trabalho extraordinário a atual vereação responsável anda a autorizar "dispensas de compensação", necessáriamente ilegais ao luz do atual enquadramento jurídico da função pública e que reduzem os homens de serviço em cada turno?

Ou há desmotivação nos homens, no comando e no "sistema"?
Podem os cidadãos acreditar que esta descordenação acabou? Que não faltarão homens e viaturas para executar os serviços que os cidadãos de Tomar pagam, com 800.000€/ano?

11.5.12

PPD recusa pedir assitência financeira para a Câmara de Tomar: até quando?

Ontem realizou-se mais uma reunião de Câmara, com uma extensíssima ordem de trabalhos, que mais uma vez não conseguimos acabar, situação característica dos últimos meses, em especial depois do fim da partilha de poder, decretada pelo PS em Novembro de 2011.

Além de um conjunto vasto de decisões tomadas, de que vou dando conta com mais regularidade através do mural do facebook, aqui ao lado, esteve presente  a Informação nº88/2012, da Divisão Financeira, dando conta da execução orçamental e da situação financeira no final do 1ºTrimestre de 2012 (31 de Março de 2012).

O se apresenta como relevante nesta informação é a constatação de que as finanças do Município se encontram, pela primeira vez, num PONTO CRÍTICO!

A propósito deste assunto questionei diretamente o Sr. Presidente, responsável pelas finanças do Município há 15 anos,  SE E QUANDO PENSAVA PEDIR ASSISTÊNCIA FINANCEIRA AO GOVERNO, em resultado dos numeros apresentados, a exemplo da situação de assistência em que os Municípios de Alcanena, Alpiarça e Chamusca se encontram.

O Presidente informou que não contava pedir essa assistência financeira, apesar de o dia de amanhã ninguém saber e da dívida de Tomar, com reflexo nos números do 1ºTrimestre, advir da integração da dívida de 6,5 milhões de euros à ParqueT.

A questão que levou a que fizesse essa pergunta é o fato, demonstrado e assinalado na referida Informação 88/2012, é a de que o Município de Tomar se encontrar em DESIQUILÍBRIO FINANCEIRO CONJUNTURAL, nos termos definidos no DL 38/2008, de 7 de Março, o que "candidata" o Município a PEDIR EMPRÉSTIMO PARA SANEAMENTO FINANCEIRO à tutela Governamental. 

É a primeira vez em que o Município de Tomar apresenta TODOS os quatro indicadores financeiros ULTRAPASSADOS, para que tal seja possivel:

- O endividamento líquido, de 18,2 Milhões€ é superior a 125% das receitas correntes (17,5 Milhões€);

- As dívidas a fornecedores, de 16,6 Milhões€, é superior a 40% das receitas totais (13,4Milhões€);

- Os passivos totais, de 73,2 Milhões€, são mais do dobro das receitas totais (67 Milhões€);

- O prazo médio de pagamento, de 201 dias é superior a seis meses.


Perante esta situação CRITICA, a minoria do PPD do Sr.Tenreiro, que nos (des)governa há 15 anos, não pensa em pedir assistência financeira, mas não tem garantia de poder honrar todos os compromissos istentes até ao final do ano. Aliás já até ao fim do mês de Junho, terá de reduzir em 5% a dívida a fornecedores existentes a 31 de Dezembro de 2011 e até ao final do ano terá de reduzir 10% da mesma dívida. Como o fará, sem assistência financeira, nos termos da Lei? Não sabe, mas eu explico: não consegue com as atuais disponibilidades, ainda mais difíceis de libertar em função da Lei dos Compromissos, que este Governo PPD/PP inventou para destruir o poder local.

Isto não é gestão: é COLOCAR EM CAUSA O FUTURO DE TODO O CONCELHO! 

10.5.12

“A classe dominante nunca será capaz de resolver a crise. Ela é a crise!”

Rob Riemen (http://www.robriemen.nl/en/rob-riemen-biografie.html), filósofo holandês em entrevista ao Jornal i, na sua passagem por Lisboa há quinze dias atrás

Por Joana Azevedo Viana, publicado em 23 Abr 2012, http://www.ionline.pt/mundo/rob-riemen-classe-dominante-nunca-sera-capaz-resolver-crise-ela-crise-1 


Mann e Franklin Roosevelt são dois dos homens que mais inspiram Rob Riemen, que esteve em Lisboa na semana passada a convite de Mário Soares para falar sobre o direito à resistência e para apresentar o seu último livro, “Eterno Retorno do Fascismo”. A chegada da fotojornalista ao lobby do Ritz acabou por dar o mote à conversa com o i.

A Patrícia foi uma das fotojornalistas em trabalho agredida pela polícia na greve geral de há um mês em Portugal.
Pela polícia?!

Sim. O episódio parece remeter para o “Eterno Retorno do Fascismo”...
Sim, falo disso neste livro. Estamos a lidar com o pânico da classe dominante, que se habitua ao poder para controlar a sociedade. Isso que me contas é um acto de pânico. E o interessante é que a classe dominante só entra em pânico quando perde a autoridade moral. Sem a autoridade moral, só lhe resta o poder que se transforma em violência.

O fascismo continua latente?
A minha geração cresceu convencida de que o que os nossos pais viveram nunca voltaria a acontecer na Europa. Quando vocês se livraram do fascismo nos anos 70, nos anos 90 devem ter pensado que não mais o viveriam. Mas uma geração depois, já estamos a assistir a uma espécie de regime fascista na Hungria, na Holanda o meu governo foi sequestrado pelos fascistas, pelo sr. [Geert] Wilders [do Partido da Liberdade]... Com uma nota comum a todos que é o ódio à Europa. Para Wilders, o grande inimigo era o Islão e agora são os países de alho.

Países de alho?
É o que ele chama a países como o vosso, Espanha, Polónia... A Europa tornou--se uma ameaça. Com a II Guerra Mundial aprendemos a lição de que a única saída, depois de séculos de sangue derramado, era ter uma Europa unida e agora as forças contra [essa união] estão a ganhar controlo. É o primeiro ponto.

E o segundo?
A actual classe dominante nunca será capaz de resolver a crise, porque ela é a crise! E não falo apenas da classe política, mas da educacional, da que controla os media, da financeira, etc. Não vão resolver a crise porque a sua mentalidade é extremamente limitada e controlada por uma única coisa: os seus interesses. Os políticos existem para servir os seus interesses, não o país. Na educação, a mesma coisa: quem controla as universidades está ali para favorecer empresas e o Estado. Se algo não é bom para a economia, porquê investir dinheiro?

Nos media o mesmo.
Sim. No geral, os media já não são o espelho da sociedade nem informam de facto as pessoas do que se está a passar, existem sim para vender e vender e vender.

E as consequências estão à vista.
Pois, estamos a assistir à desintegração da sociedade. Tudo é baseado na premissa de que as pessoas devem ficar mais ricas e é daqui que vem a crise financeira, daqui e deste comportamento totalmente imoral e irresponsável de um pequeno grupo de pessoas que não podia importar-se menos [com a sociedade] e sem interesse em ser responsável. Quando uma sociedade está focada na economia, na economia, na economia e na economia, perde-se a noção do que nos dá qualidade de vida. E quando somos privados dessa noção, surge um vazio.

A sociedade kitsch que refere no livro?
Sim, em que a identidade das pessoas não depende do que elas são, mas do que têm. Quando se torna tão importante ter coisas, serves um mundo comercial, porque pensas que a tua identidade está relacionada com isso. Estamos a criar seres humanos vazios que querem consumir e ter coisas e que acabam por se vestir e falar todos da mesma forma e pensar as mesmas coisas. E a classe dominante está muito mais interessada em que as pessoas liguem a isso do que ao que importa.

A classe dominante teme que as pessoas comecem a questionar tudo?
Claro que sim! Frederico Fellini, o realizador italiano, disse um dia: “Eu sei o que é o fascismo, eu vivi-o, e posso dizer- -vos que a raiz do fascismo é a estupidez. Todos temos um lado estúpido, frustrado, provinciano. Para alterar o rumo político, temos de encontrar a estupidez em nós”. Mas se as pessoas fossem um bocadinho mais espertas, não iriam para universidades estúpidas, nem veriam programas estúpidos na TV. Existe uma elite comercial e política interessada em manter as pessoas estúpidas. E isso é vendido como democracia, porque as pessoas são livres de escolher e blá blá.

Quando não é assim.
Não, não, não, não! [Bento de] Espinoza – muito obrigado a Portugal por o terem mandado para a Holanda – explicou que a essência da democracia é a liberdade, mas que a essência da liberdade não é teres o que queres; é usares o cérebro para te tornares num ser humano bem pensante. Se não for assim, se não fores crítico perante a sociedade mas também perante ti próprio, nunca serás livre, serás sempre escravo. Daí que o que estamos a viver não tenha nada a ver com democracia.

Tem a ver com quê?
Vivemos numa democracia de massa, uma mentira que abre os portões a mentirosos, demagogos, charlatães e pessoas más, como vimos no séc. XX e como vemos agora.

O retorno do fascismo é inevitável?
Vamos fazer uma pausa (risos). Acho que não podemos entregar-nos ao pessimismo. Se acharmos que estamos condenados, que não há saída, que é inevitável, mais vale bebermos champanhe (risos). A razão pela qual publiquei esta dissertação e o meu outro livro, “Nobreza de Espírito”, e pela qual dou estas palestras e entrevistas é porque a primeira coisa de que precisamos é de pôr a verdade em cima da mesa.

E como podemos fazer isso?
Primeiro, admitindo que as coisas estão a correr mal e não apenas no nível económico. Relembremos uma grande verdade do poeta Octávio Paz: “Uma crise política é sempre uma crise moral.” Quando reconhecemos a verdade nisto, percebemos que a crise financeira é também ela uma crise moral. E aí devemos questionar de que tipo de valores universais estamos a precisar e o que é que devemos ter na sociedade para confrontar isto. Aí percebemos que há coisas erradas no sistema de educação.

Por causa de quem o controla?
Porque não está interessado na pessoa que tu és, mas no tipo de profissões de que a economia precisa. Se o preço é falta de qualidade, se o preço é falta de dignidade humana, é haver tanta gente jovem sem instrumentos para lidar com a vida e para descobrir por si própria o sentido da vida ou que significado pode dar à sua vida, então criamos o “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley. Aqui surge a sociedade kitsch. E a dada altura já é segunda-feira, a festa acabou, chegou a crise financeira e as pessoas já não conseguem pagar esta sociedade e surgem políticas de ressentimento, que é o que fazem os fascistas e é o que o sr. Wilders está a fazer de forma brilhante.

Que políticas são essas?
Em vez de tentar fazer algo positivo com as preocupações das pessoas e com os problemas que existem, explora-os.

De que forma?
Usando a velha técnica do bode expiatório. “Isto é por causa do Islão, por causa dos países de alho, por causa dos polacos. Nós somos as vítimas, vocês são o inimigo.” Ou “Isto é por causa da esquerda e das artes e da cultura, os hobbies da esquerda.” Este fulano [Wilders] é contra tudo o que pode alertar as pessoas para o facto de ele ser um dos maiores mentirosos de sempre.

Como as artes e a cultura que referiu?
Sim. O que temos de enfrentar é: se toda a gente vai à escola, se toda a gente sabe ler, se tanta gente tem educação superior, como é que continuam a acreditar nestas porcarias sem as questionar? E porque é que tanta gente continua a achar que quando X ou Y está na televisão é importante, ou quando X ou Y é uma estrela de cinema é importante, ou quando X ou Y é banqueiro e tem dinheiro é importante? A insanidade disto... [suspiro] Se tirarmos as posições e o dinheiro a estas pessoas, o que resta? Pessoas tacanhas e mesquinhas, totalmente desinteressantes. Mas mesmo assim vivemos encantados com a ideia de que X ou Y é importante porque tem poder. É a mesma lengalenga de sempre: é pelo que têm e não pelo que são, porque eles são nada. E a educação também é sobre o que podes vir a ter e não sobre quem podes vir a ser.

Reformar o ensino seria uma solução?
Eu não sou pedagogo e quero mesmo acreditar que existe uma variedade de formas de chegar ao que penso que é essencial: que as pessoas possam viver com dignidade, que aceitem responsabilidade pelas suas vidas e que reconheçam que o que têm em comum – quer sejam da China, Índia, África ou esquimós – é que somos todos seres humanos. Sim, há homens e mulheres, homossexuais e heterossexuais, pessoas de várias cores, mas somos todos seres humanos. Não podemos aceitar fundamentalismos e ideologias e sistemas económicos como o capitalismo, mais interessados em dividir as pessoas do que em uni-las.

E de onde pode vir a união?
Só pode ser baseada na aceitação de que existem valores universais. A Europa é um exemplo maravilhoso disso: há esta enorme riqueza de tradições e línguas e histórias, mas continuamos a conseguir estar abertos a novas culturas e é onde pessoas vindas de qualquer parte podem tornar-se europeias. Mas isto só acontece se valorizarmos e protegermos o espírito democrático. A democracia é o único modelo aberto e o seu espírito exige que percebamos que Espinoza estava certo, que o difícil é mais interessante que o fácil, que não devemos temer coisas difíceis porque só podemos evoluir se estivermos abertos ao difícil, porque a vida é difícil. Que para lá das habilidades de que precisamos para a profissão em que somos bons, todos precisamos de filosofia, todos precisamos da arte e da literatura para nos tornarmos seres humanos maduros, para perceber o que as nossas experiências internas encerram. É para isto que existem as artes, é por isso que vais ver um bom filme e ouves boa música e lês um poema.

É por isso que a cultura está sob ataque? Aqui em Portugal o actual governo eliminou o Ministério da Cultura.
E é isso que o partido fascista está a fazer na Holanda e é o que outros estão a fazer em todo o lado. Óbvio! Quem quer matar a cultura são as pessoas mais estúpidas e vazias do mundo. Claro que é horrível para eles olharem-se ao espelho e verem “Sou apenas um anão estúpido”.

Por isso querem livrar-se da cultura?
Por isso e porque ela ajuda as pessoas a entender o que realmente importa. O medo da elite comercial é que as pessoas comecem a pensar. Porque é que os regimes fascistas querem controlar o mundo da cultura ou livrar-se dele por completo? Porque o poeta é a pessoa mais perigosa que existe para eles. Provavelmente mais perigoso que o filósofo. Quando usam o argumento de que a cultura não é importante e de que a economia não precisa da cultura, é mentira! Isso são as tais políticas de ressentimento, um grande instrumento precisamente porque eles nos querem estúpidos.

E alimentam essa estupidez.
Claro. A geração mais jovem tem de questionar as elites de poder. Sim, vocês precisam de emprego, mas, acima de tudo, precisam de qualidade de vida. E essa qualidade está relacionada com várias coisas: com a qualidade da pessoa que amas e com a qualidade dos teus amigos, com o que podes fazer que é importante e significativo para ti. Quando vês que te estão a tirar isso, percebes que não estão no poder para te servir, querem é que a sociedade os sirva.

A democracia parece estar limitada a ir às urnas de x em x anos. O que é afinal uma verdadeira democracia?
Quando Sócrates foi levado a julgamento disse “Vocês já não estão interessados na verdade” e isso continua a ser assim. É por isso que chamei ao meu primeiro livro “Nobreza de Espírito”, porque para a teres não precisas de dinheiro, nem de graus académicos. Nobreza de espírito é a dignidade de vida a que todos podem ter acesso e é a essência da democracia. O espírito democrático é mais do que ir às urnas e se eles [políticos eleitos] não se baseiam nessa nobreza, os sistemas colapsam, como estão a colapsar. Foi Platão que disse que “a democracia pode cometer suicídio” e é assim que começo o “Eterno Retorno do Fascismo”. A grande surpresa para Ortega y Gasset foi que, livres do poder da Igreja e da tirania e aristocracia, finalmente havia democracia e o que fazemos? Estamos a matá-la! Isso aconteceu em Espanha, em Portugal, em Itália, na Alemanha, esteve perto de acontecer em França... Há um livro lindíssimo que Sinclair Lewis escreveu, “Não pode acontecer aqui”, mas a verdade é que pode facilmente acontecer nos EUA. O livro de Philip Roth, “A Conspiração contra a América”, prova-o.

Em 2009 escreveu uma carta a Obama, então presidente eleito. Quatro anos depois, que avaliação faz do mandato?
Na altura era a favor de Hillary Clinton.

Porquê?
Porque acho que ela tem instintos políticos muito melhores e mais experiência política que Obama. Estava na América no dia em que ele foi eleito, a 4 de Novembro de 2008, e foi um momento histórico, mas teria sido igualmente histórico se a América tivesse escolhido uma mulher. O problema com Obama é que não é um grande presidente. [risos]

Em que sentido?
Tornou-se demasiado vulnerável aos interesses infestados. Teve uma equipa económica com pessoas que vieram todas de Wall Street, como Larry Summers e Timothy Geithner. O poder do dinheiro no sistema político americano é assustador! E ele não conseguiu escapar a isso. E depois a política é uma arte e demasiados intelectuais pensam que, por terem lido sobre política, sabem de política. Não é verdade. A política tem a ver com pequenos passos, grandes passos são impossíveis numa democracia. Mas vamos esperar e rezar para que Obama seja reeleito. Senão vamos ter um problema, todos nós. E já agora, que no segundo mandato ele consiga fazer mais, tem esse dever.

Obama legalizou em Janeiro a detenção por tempo indefinido e sem julgamento de qualquer suspeito de ligação a redes terroristas. O que pensa disso?
Se lhe perguntasse sobre isso, ele dir-lhe--ia: “Aqui que ninguém nos ouve, não tive alternativa”. O problema sério com que estamos a lidar tem a ver com o poder dos media. Eles querem vender e só podem vender se tiverem notícias de última hora constantes. Têm de alimentar este monstro chamado público. Tudo tem de ser a curto prazo. Na política é o mesmo, é sobre o dia seguinte. Onde está a elite política que quer pensar à frente, a um ou dois anos? Onde estão os media que expliquem às pessoas a importância do longo prazo? Na economia é o mesmo. Tudo tem de ser agora. Perdemos a noção de tempo. No mundo político, as pessoas deviam poder dizer: “Não sei a resposta a essa questão. Dê-me uma semana e falarei consigo.” Mas se um político disser “Não sei”, é morto. Vivemos a política do instante, onde as questões estruturais são esquecidas. Veja, estou cá [em Lisboa] a convite de Mário Soares. O que quer que se pense sobre ele ou sobre Mitterrand, etc, essa geração viveu a guerra, experienciou a vida, leu livros. Cometeram erros? Claro que sim, mas é uma classe completamente diferente de tantos actuais políticos, jovens, sem experiência, que não sabem nada. Nada! Se lhes perguntarmos que livros leram, eles quase têm orgulho de não ler!

O que pensa dos movimentos como os Occupy ou o 15M de Espanha?
É extremamente esperançoso que estejamos a livrar-nos da passividade. Finalmente temos uma nesga de ar, mas precisamos de um próximo passo, protestar não basta. A História mostra-nos que as mudanças vêm sempre de um de três grupos: mulheres, jovens ou minorias. Acho que agora vai ter de vir dos jovens. Se isto continuar por mais três ou cinco anos, o seu futuro estará arruinado, não haverá emprego, casas, segurança social, nada. É tempo de reconhecer isto, de o dizer publicamente, de parar e depois avançar. Se os jovens pararem os jornais, os jornais acabam. Se os jovens decidirem que não vão à universidade, ela fecha.

Mas parece não haver união para isso.
É preciso solidariedade! Será que é preciso ir ver o Batman outra vez? Qual é o papel do Joker? É dividir as pessoas!

Os actuais políticos são Jokers?
No mínimo não estão a fazer o que deviam. Não estão a dizer a verdade. O perfeito disparate de que todas as nações europeias não podem ter um défice superior a 3% é pura estupidez económica. Temos de investir no futuro. Como? Investindo numa educação como deve ser, que garanta seres humanos bem pensantes e não apenas os interesses da economia. Investindo na qualidade dos media... O dinheiro que demos aos bancos é milhões de vezes superior ao que é preciso para as artes, a cultura, a educação...

A WikiLeaks revelou que a CIA espiou o 15M e que divulgou um documento onde diz ser preciso evitar que destes movimentos “surjam novas ideologias e líderes”.
Uau! Isso prova o que defendo! Não sabia disso mas é muito interessante. Veja, porque é que temos democracias? Porque percebemos que o poder é um animal estranho para todos os que o detêm e que ninguém é imune a ele. Se dermos poder às pessoas elas começam a comportar-se como pessoas poderosas. Philip Zimbardo levou a cabo esta experiência, o Efeito Lucifer, na qual uns fingiam ser prisioneiros e outros guardas. A experiência teve de ser parada, porque os “prisioneiros” começaram a perder a sua individualidade e a portar-se como escravos e os “guardas” tornaram-se violentos e sádicos. De repente percebemos: “Uau, é isto a natureza humana, é disto que somos capazes.” Lição aprendida: há que controlar o poder, venha ele de onde vier.

A sociedade é que pode controlá-lo?
Sim, todos têm de aceitar uma certa responsabilidade. Os intelectuais têm de se manter afastados do poder, porque só assim podem dizer a verdade. Os media também, porque sem sabermos os factos a democracia não sobrevive. Se esses mundos de poder não tiverem total controlo, as pessoas têm tentações. Quem tem dinheiro quer mais dinheiro, quem tem poder quer mais poder. E há que garantir a distribuição equilibrada destas coisas na sociedade.

Só quando soube que vinha entrevistá-lo é que li sobre o Instituut Nexus.
Está perdoada, não somos famosos. (risos)

Porque é que decidiu criá-lo?
Quando estava na universidade percebi que já não é o sítio onde podemos adquirir conhecimento e onde há conversas intelectuais, essenciais à evolução. Na altura conheci um judeu que dedicou tudo – tempo, energia, dinheiro – a resgatar o que Hitler queria destruir: a cultura europeia. Abriu uma editora, uma biblioteca, uma livraria. Tornou-se meu professor e começámos um jornal, o Nexus, e depois da primeira edição percebemos que tínhamos de levar a ideia a outro nível e criar uma infraestrutura aberta onde intelectuais de todo o mundo pudessem discordar uns dos outros e falar de tópicos importantes. Qualquer pessoa pode participar pagando 10 euros. Estamos sempre esgotados e temos pessoas a vir de todo o mundo.

Qual será a próxima conferência?
É a 2 de Dezembro, sobre “Como mudar o mundo”. O Slavoj Zizek vai lá estar, um deputado britânico conservador também, [o escritor] Alessandro Baricco. E no próximo ano vamos abrir um café com uma livraria europeia e um salão cultural, num antigo teatro de Amesterdão. Se tivesse dinheiro gastava-o a abrir um assim em cada cidade, arranjava orquestras... Temos de reconstruir as infraestruturas culturais, precisamos disso com urgência. E temos de ser nós porque as elites no poder não o vão fazer. 

 


Nota:

Esta é a discussão que se fará cada vez mais na nossa sociedade.
Seremos ou não capazes de dizer NÃO, quando necessário? De dizer que o "rei vai nu", como em Tomar por exemplo, onde se tenta vender a ideia que será o Turismo a nossa salvação, mas nem sequer o Município consegue garantir que os Monumentos estão abertos todos os dias? Ou o Posto de Tuirismo aberto à hora de almoço? Ou um apoio e acompanhamento condigno do associativismo? Ou um encaminhamento célere a todos os processos de investimento, passem eles pelo livenciamneto de construção ou de outro tipo de interação com o Município.

Uma sociedade como a nossa, que se subjuga ao império da "fé", do "pobres mas honrados", do "não incomodes" quem manda, põe e dispõe. Nos dois anos que tive oportunidade de ter responsabilidades diretas na autarquia vi de tudo e de tudo darei, em tempo, conta.
É mau, é muito mau. A ditadura dos costumes que se vive em Tomar, onde uns poucos, muito poucos, impõem a sua vontade à esmagadora maioria que paga e não bufa. E isto pode continuar até quando? Até quando podemos tolerar o que se passa em Tomar? Dívidas permanentes. Incapacidade de cobrar o que é devido. Más decisões e má gestão. Maus investimentos. Incapacidade de levar a Cidade e o Concelho para onde quer que seja. Desrespeito pelos trabalhadores da Câmara, pelos cidadãos. proteção dos fortes, dos mais ricos, dos nascidos "em berço de oiro" ou amigos do amigo... Um compadrio e uma corrupção de costumes sem par, que atravessa todos os setores. E ninguém faz nada? Até quando?
Os filosofos têm este condão de nos alertar, de nos ajudar a acordar!
Afinal queixamo-nos de quem? De nós próprios, talvez. É que a maior das ditaduras começa na nossa incapacidade de mudarmos o pequeno mundo que nos rodeia! E aí cada um pode, e deve, fazer a diferença! É o que todos os dias tento fazer há já mais de três décadas, desde que aos 11 anos ajudei a organizar a minha primeira greve... 

9.5.12

Como "roubar" todos, numa economia de guerra

Com a devida vénia ao 'camarada' Rui Simões, da Linhaceira, reproduzo para relembrar o tempo difícil e estranho que vivemos. Partilho a sua preocupação sobre a equiparação da atual situação portuguesa à da "economia de guerra", que visivelmente vivemos...

A jogada do Pingo Doce e a alienação da população no seu melhor... pior, só a iminência dum conflito armado.
Com o saco cheio, foram cantando e rindo, mas tesos para o resto do mês.

A jogada Pingo Doce

O Pingo Doce deve ter arrecadado à volta de 90 milhões de euros em poucas horas em capitalização de produtos armazenados.
De onde saiu o dinheiro: algum do bolso, mas grande parte saiu das contas bancárias por intermédio de cartões. Logo, os bancos vão acusar a saída de tanto dinheiro em tão pouco espaço de tempo, no principio do mês, em que os bancos contam com esse dinheiro nas contas, para se organizarem com ele. Mas, ainda ganham algum porque alguns compraram a crédito.

 

Ora, se o Pingo Doce pedisse esse dinheiro à Banca iria pagar, digamos a 5%, em 5 anos, 25% da quantia. Assim não paga nada. O povo deu-lhe boa parte do seu ordenado a troco de géneros. Alguns vão ver-se à rasca porque com arroz não se paga a electricidade.
O resto, 75% da quantia aparentemente "oferecida", distribuiu-se assim:
1 - Uma parte dos produtos (talvez 20 a 25%) devem estar a chegar ao fim do prazo de validade. Teriam de ser amortizados como perdas e lançados ao lixo. Enquanto não fosse lixo seria material que entraria como existência, logo considerado como ganho e sujeito a impostos. Assim poupam-se impostos, despesas de armazenamento (logística, energia, pessoal) e o povinho acartou o lixo futuro.
2 - Outra parte (10 -15%) seria vendida com os habituais descontos de ocasião e as promoções diárias. Uma parte foi ainda vendida com lucro, apesar do "desconto".
3 - O Pingo Doce prescinde ainda de 30 a 40 % do que seria lucro por motivos de estratégia empresarial a saber:
4 - Descartar-se da concorrência das pequenas empresas. Quem comprou para dois meses, não vai às compras nesse mesmo tempo.
5 - Aumentar a clientela que agora simpatiza com a cadeia "benfeitora".
6 - Criar uma situação de monopólio ao fazer pressão sobre os preços dos produtores (que estão à rasca e muitos são espanhóis) para repor os novos stocks em grande quantidade.
7 - Transpor já para euros parte do capital parado em armazém e levá-lo do país uma vez que a Sede da Empresa está na Holanda. Não vá o diabo tecê-las e isto voltar ao escudo nos próximos tempos o que levou já J. Martins a passar a empresa para a Holanda.
8 - Diminuir com isto o investimento em Portugal, encurtar a oferta de produtos, desfazer-se de algum armazém central e com isso despedir alguns funcionários. O consumo vai diminuir no futuro e o Estado quer "imposto de higiene" pago ao metro quadrado.

9 - Poupança em todo o sistema administrativo e em publicidade. A comunicação social trabalhou para eles.

Mesmo que tudo fosse ilegal, a multa máxima para Dumping é de 15 a 30.000 Euros, para o resto não há medidas jurídicas. Verdadeiramente isto são "Peanuts" em sacos de Pingo Doce, empresa do homem mais rico de Portugal. A ASAE irá só apresentar serviço.

8.5.12

Bombeiros do Distrito homenageiam o Comandante Joaquim Patrício, sob o alheamento da Câmara de Tomar


Foi comemorado em Tomar, no passado Domingo, o dia do Bombeiro Distrital, numa excelente iniciativa da Direção da Federação dos Bombeiros do Distrito de Santarém, liderada pelo meu camarada e amigo Diamantino Duarte, também administrador delegado da Resitejo e Presidente da Concelhia do PS da Chamusca.
Na ocasiaão, entre várias condecorações impostas, foi homenageado o nosso ex-comandante dos Bombeiros Municipais de Tomar, Joaquim Patrício.
Joaquim Patrício agraciado com o  crachá de ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses, exerceu durante vários anos as funções de Comandante dos Bombeiros Municipais de Tomar, até 2001, depois de ter percorrido toda uma longa carreira de bombeiro, desde os anos 60.
O Comandante Joaquim Patrício é também pai do atual Comandante dos Bombeiros Voluntários de Ferreira do Zêzere, Rui Patrício, que o ano passado se aposentou como bombeiro profissional, depois de trinta anos em serviço nos Municipais de Tomar.
Joaquim Patrício exerce ainda as funções de membro da Junta de Freguesia de S.João Batista, eleito por uma lista de cidadãos independentes.

A simbólica cerimónia, marcada para as 14H30, na Praça da República em Tomar, foi plena de significado para os cidadãos bombeiros e contou com representação de todas as corporações de Bombeiros do Distrito de Santarém, como é hábito nestas iniciativas da Federação de Bombeiros.
A Fanfarra dos Bombeiros de Ourém abrilhantou a cerimónia, onde estiveram inúmeros Presidentes de Câmara, Vereadores, Presidentes de Assembleia Municipal, Presidentes de Junta de todo o Distrito, e ainda a presença dos ex-Governadores Civis do Distrito de Santarém, Paulo Fonseca e Sónia Sanfona, os quais foram também homenageados. Assistentes, infelizmente, poucos!

De lamentar que esta iniciativa, prontamente trazida para Tomar, pela Federação dos Bombeiros do Distrito de Santarém, não tivesse contado com uma divulgação e convite à população por parte da Câmara Municipal, a qual quase se alheou da iniciativa.

Viram a Câmara, através do seu Presidente ou Vereador da proteção civil a dar conta da importância desta realização em Tomar?
Viram-nos procurar que a população se associa-se à homenagem que um seu ex-Comandante de Bombeiros ía receber?
Viram-nos informar de forma que disso se pudesse chamar todos os autarcas, municipais e de freguesia, bem como o dirigismo associativo?
Divulgação no site do Município? Enfim, uma pequena promoção que se visse? Por exemplo aproveitando o "fim de semana da sopa", com uma promoção para as famílias dos Bombeiros que de todo o Distrito aqui se deslocaram, valorizando mais uma vez a nossa Indústria Turística!
Não, apenas tivemos Tomar no seu melhor, naquilo que a gestão do PSD nos habituou: nada de jeito.

Felizmente que a elevação do Comandante Joaquim Patrício, dos Bombeiros Municipais de Tomar e de todos os amigos que temos pelo Distrito, se revelaram mais fortes, do que a inépcia que esta Câmara já nos habituou e sobre a qual não esperamos mais nada até ao seu fim, o qual infelizmente, nunca mais acontece...

Os meus parabéns aos Bombeiros do Distrito de Santarém!
E muito obrigado a todos! Tomar não soube dignificar a vossa deferência, mas o ato ficou registado! 

7.5.12

TODOS FOMOS FRANCESES: Socialistas ganham em França e preparam mudança na Europa

Vitória socialista em França, por 51,9%, contra 48,1% da direita, leva ao retorno dos socialistas ao poder, após a sua saída do Eliseu (Palácio Presidencial em Paris), há dez anos.
A vitória de François Miterrand em 1981 e a sua reeleição em 1986, foram os únicos momentos da história Francesa em que um Presidente da República havia sido de esquerda.

Esta vitória histórica, especialmente pela assumção de uma alteração da política europeia da França, pode mudar tudo no futuro do Euro, enquanto moeda única e por arrastamento de toda a Europa.

Esta vitória soma-se assim à vitória dos Trabalhistas nas eleições locais de Quinta-feira no Reino Unido e à também vitória da esquerda, embora pulverizada, na Grécia. A esquerda, que obteve mais de 45% dos votos, distribuídos pelos quatro principais partidos da esquerda grega (radicais-socialistas, socialistas, comunistas e dissidentes de esquerda), entre os sete que passam a compor o parlamento Grego.

Ontem troquei mensagens com os meus contatos no PASOK e a expetativa é a da realização de novas eleições a breve trecho, após se observar a evolução que a nova Presidência Francesa vai "impor" à Europa. Estranhamente ou talvez não, o futuro da Grécia e também de Portugal está mais nas mãos da Presidência socialista de Holland, do que nas dos seus próprios eleitores.
Inauguramos nestes primeiros anos da segunda década do Sec.XXI uma nova Europa, cada vez mais federal e onde todos esperamos vir a ser "Franceses": pela coragem de mudar de rumo e pelo respeito pela democracia, onde mais de 80% dos eleitores participaram na votação!

Os próximos meses serão decisivos.
Por um lado as eleições legislativas em França, num sistema de eleição de Deputados a duas voltas, onde a disputa esquerda-direita será então decisiva, para se perceber que margem de manobra terá a Presidência de Holland, na impossição da sua agenda de desenovlimento economico e social.
Por outro lado, está a evolução política na Grécia, com ou sem eleições a curto prazo, com ou sem renegociação e/ou saída do Euro. Portugal está a seguir na lista, a Irlanda também; Espanha, Itália e Bélgica igualmente em maus lençois...

As eleições federais de Outono na Alemanha em concomitância com as Presidenciais americanas, poderão finalizar mais um ano de verdadeira instabilidade politica e económica, onde TODOS nos afirmamos como Franceses!

Mesmo na Alemanha, que também teve eleições este fim de semana numa pequena região do Norte, a progressão da esquerda foi significativa, estando marcadas para o próximo fim de semana, importantes eleições numa região com 18 milhões de eleitores (1/3 do eleitorado alemão). Será também oportunidade para se perceber o que vai acontecer no gigante "neo-liberal" europeu...
(http://www.ionline.pt/mundo/cdu-merkel-ganha-eleicoes-schleswig-holstein-esquerda-mais-mandatos

Como cantava Zeca Afonso: venham mais cinco! É que França só pode mudar de novo em 2017. Até lá vamos aproveitar a oportunidade e dar nova esperança aos nossos povos!
Pela derrota da escola de Chicago e da economia de casino...
Obrigado França!

P.S. - Resultados, cidade a cidade
http://elections.interieur.gouv.fr/PR2012/

P.S. - principais notícias
http://www.ps.pt/noticias/noticias/antonio-jose-seguro-felicita-francois-hollande.html
http://publico.pt/1544975
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=551237&tm=7&layout=122&visual=61

P.S. - Evolução dos resultados na Grécia
http://m.publico.pt/Detail/1544952

6.5.12

Post mais visto da semana 18 - IC9 abre dentro de semanas

Na semana em que o IC9 abriu finalmente, cumprindo uma promessa para o desenvolvimento dos Distritos de Santarém e Leiria, o post mais visto por aqui foi o primeiro que publiquei no último mês sobre o assunto.

http://vamosporaqui.blogspot.com/2012/04/ic9-concluido-dentro-de-semanas_18.html

4.5.12

Vinhos de Tomar de novo em alta

A noticia é-nos dado pela Rádio Hertz: A Quinta do Cavalinho (http://quindadocavalimho.com) prossegue a sua afirmação como produtor de vinhos de qualidade, depois de já em 2010 ter ganho um prémio internacional, numa Feira de Vinhos em Itália, numa iniciativa desenvolvida pelo Município de Tomar, ainda na vigência da política de promoção que durante esse ano desenvolvi enquanto vereador do turismo. da zona de Valdonas têm saído excelentes vinhos, fruto de vários anos de uma evolução técnica significativa que esta Casa Agrícola empreendeu. 



É também altura para relebrar que no âmbito da parceria com os quatro produtores do Concelho, foi nesse ano criado o "Kit de vinhos Templários", que a partir dessa altura (2010), ficou à venda nos postos do Turismo Municipal.



Também de salientar, embora com menos surpresa, o 2.lugar obtido pelo tinto do Casal das Freiras, do produtor EngºJosé Vidal, que também já nos habituou a tintos de elevada qualidade, das suas vinhas dos Casais da Madalena (Marmeleiro-Carvalhal Pequeno).

http://radiohertz.pt/?pagina=noticias&id=8843

2.5.12

IC9 ABERTO DESDE HOJE

Conforme fomos aqui anunciando, o IC9 encontra-se totalmente aberto, desde hoje, dia 2 de Maio. Já é assim possível ir de Tomar até à Nazaré em via-rápida, excluindo um pequeno troço de 7Km, na atual EN1.

1º de Maio 2012 - Um dos últimos dias do consumismo tolo!

O dia de ontem , universalmente consagrado aos direitos dos trabalhadores, numa celebração de memória da luta de trabalhadoras e trabalhadores nos Estados Unidos no Sec.XIX, foi em Portugal um averdadeira balbúrdia.

Balbúrdia pelo consumo desenfreado desencadeado pela cadeia do Pingo Doce que decidiu lançar uma campanha inédita de desconto imediato de 50% do valor da fatura, em todas as compras efetuadas precisamente no dia do trabalhador. Esta cadeia, a partir do Continente, "furou" assim o acordo geral entre a generalidade do comércio, que neste dia tem por hábito estar encerrado, dando assim uma justa folga aos seus trabalhadores. Aliás, este dia e o primeiro de Janeiro, são tradicionalmente os únicos dois em que está "quase tudo" fechado.


Este apelo consumista, completamente tolo, em nada resolve a situaçºão cada vez mais complicada em que nos encontramos. Não é pelo fato de consumirmos mais, adquirindo produtos que não produzimos localmente, que melhoramos a situação de emprego nosso, dos nossos familiares e amigos. Estamos literalmente a "empobrecer" alegremente, julgando estar a viver melhor. Já pensou em voltar ao Mercado? À venda de proximidade? Esquecer a aquisição de sofisticados equipamentos "made in china" ou outro qualquer longínquo mercado?

Consumir desalmadamente, como este apelo do 1º de Maio de 2012, apenas nos recorda que o fim deste modelo de desenvolvimento está próximo. Quando os nossos meios financeiros se esgotarem, estas grandes superficies fugirão, como já está a acontecer na cidade de Santarém e ficaremos sem os momentâneos empregos aí criados e sem dinheiro.

Num País em que não se investe na criação de riqueza, mas em que se facilita e apela, apesar das dificuldades criadas todos os dias às famílias pela ditadura das finanças, a uma supressão de direitos e ao consumo mais ignóbil, estamos a destruir valor, a empobrecer e isso não é caminho. Decididamente não é mesmo caminho!