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4.11.12

A aposta nas energias renováveis de Obama e do PS em Portugal

 

O Homem da frustração, para as classes baixas e médias baixas, Obama, tem seguido a cartilha democrata em setor chave para a sustentabilidade: a energia renovável. De recordar a importância que teve a vitória de Al Gore, sim a vitória, que Gore teve mais votos nas presidenciais do que Bush filho, dizia, para a assumpção do desenvolvimento sustentável, como paradigma da governação democrata de Obama.
 
Ou seja, nem tudo é mau nesta sua presidência:
 
O primeiro mandato de Obama foi caracterizado por uma aposta nas energias renováveis, uma estratégia muito criticada pelo partido Republicano, e o presidente apresentou os resultados desta estratégia passados 4 anos desde o seu início. “Nós dobrámos o uso de energia renovável e milhares de americanos tem hoje emprego a construir turbinas de vento e baterias duradouras. Só no último ano reduzimos as importações de petróleo em um milhão de barris por dia,[31.000 milhões€] mais do que qualquer administração na história recente. E hoje, os Estados Unidos da América são menos dependentes de petróleo estrangeiro do que em algum momento das duas últimas décadas”.
 
 
E em Portugal, o que fizeram os Governos PS?
 
Segundo Catarina Jesus, mestre pela Católica, no seu estudo sobre o Impacto Macroeconómico do Sector das Energias Renováveis em Portugal:
 



Conclui-se que o sector das energias renováveis apresenta um impacto significativo a nível da criação de riqueza em Portugal, uma vez que tem vindo a crescer a um ritmo superior ao da economia nacional, sendo expectável que represente aproximadamente 2% do PIB nacional em 2015 (face a 0,9% em 2005). Também no que diz respeito ao ambiente, o seu impacto é relevante, uma vez que contribui significativamente para a redução das emissões de CO2

Porém, é ao nível do emprego indirecto e da dependência energética que o sector permite maiores benefícios, devido ao elevado potencial para criação de postos de trabalho nos restantes sectores da economia e à redução significativa da importação de combustíveis fósseis e de energia eléctrica, que se traduz numa poupança considerável a nível da balança comercial portuguesa.
 
No que diz respeito à capacidade instalada em fontes de energias renováveis, a energia eólica evoluiu de forma acelerada: representando em 2005 apenas 17% da capacidade total instalada para produção eléctrica a partir de fontes de energia renovável, face a um domínio da energia hídrica na ordem dos 75%, atingiu em 2010 41% deste mix, sendo expectável que em 2015 supere já a energia hídrica – que representará apenas 40% do mix, face aos 48% da energia eólica.
 
Estima-se que em 2005 o contributo directo do sector das energias renováveis para o PIB português tenha sido de aproximadamente 700 milhões de euros, com a energia hídrica destacada enquanto a mais relevante (77%). A evolução do sector e de cada uma das fontes de energia renovável que o compõem, nomeadamente a energia eólica, justificam a evolução da sua contribuição directa para o PIB nacional. Em 2010, esta rondava valores próximos dos 1.300 milhões de euros, [Crescimento de mais de 80%] dos quais uma percentagem já significativa – quase 40% – se devia à energia eólica. Segundo as estimativas efectuadas, é expectável que em 2015 o impacto directo do sector das energias renováveis na economia portuguesa atinja um montante de aproximadamente 1.900 milhões de euros, dominado pela preponderância dos sectores hídrico (34%) e eólico (42%), mas apresentando também contribuições razoáveis das restantes fontes renováveis, em particular da energia solar fotovoltaica (14%, considerada para efeitos do gráfico no âmbito das "Outras Energias Renováveis").
 



Em 2005 a actividade do sector das energias renováveis contribuiu de forma indirecta para os restantes sectores da economia em cerca de 600 milhões de euros. A fonte renovável que registou a maior contribuição indirecta para o PIB dos restantes sectores da economia foi a energia hídrica (81%). Em 2010, o impacto indirecto do sector das energias renováveis no PIB português ascendeu a 1.100 milhões de euros [Crescimento de mais de 80%], dos quais 30% se deviam à energia eólica (face a apenas 11% em 2005).

 



Estima-se que a riqueza total gerada por este sector na economia nacional tenha correspondido a cerca de 1.300 milhões de euros em 2005, os quais aumentaram para cerca de 2.400 milhões de euros em 2010 [Crescimento de mais de 80%], sendo expectável que atinjam aproximadamente 3.500 milhões de euros em 2015. A redefinição de apostas e a evolução do sector justificam que, actualmente e no futuro, as fontes de energia renovável que criam mais riqueza a nível da economia nacional sejam, a par da energia hídrica, a eólica e a solar fotovoltaica.

 
O emprego gerado ao nível do sector das energias renováveis apresentou sempre taxas de crescimento superiores face ao emprego nacional. Neste período, Portugal registou uma taxa de crescimento médio anual do emprego no sector das energias renováveis de 8%, substancialmente superior à taxa de crescimento médio anual de -1% apresentada pelo emprego nacional.
 
Nota: Para uma consulta completa aqui
 

BALANÇO DE 2011 NAS RENOVÁVEIS EM PORTUGAL (http://www.apren.pt)

Balanço 2011 - Renováveis em Portugal
A electricidade de origem renovável foi responsável por 46,8 por cento do total do consumo eléctrico em Portugal continental no ano de 2011, segundo o balanço à produção de electricidade da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN).

Em 2011, a produção de electricidade de origem renovável em regime especial (PRE-FER) foi responsável por 25,1 por cento da electricidade consumida em Portugal, dos quais 17,6 por cento foram provenientes da energia eólica. No total, em cada hora de consumo de electricidade em 2011, quinze minutos tiveram origem em centrais renováveis* dos quais onze minutos foram produzidos pela energia eólica.

Tendo por base a aplicação da correcção da hidraulicidade, que tem em conta o facto de 2011 ter sido menos húmido que o ano médio, a incorporação de electricidade renovável no consumo nacional atingiu os 48,9 por cento em 2011, o que representa um aumento face aos 45,1 por cento registados em 2010.

A APREN destaca outros factos de relevo:

• A produção de electricidade de origem renovável* permitiu poupar 721 milhões de euros na importação de combustíveis fósseis (gás natural, carvão, e fuel nas Regiões Autónomas) e 104 milhões de euros em licenças de emissão de CO2. No total, a produção de electricidade renovável por produtores independentes permitiu uma poupança de 825 milhões de euros, mais 195 milhões de euros do que em 2010.

• A produção de electricidade de origem renovável evitou o equivalente à emissão de 8 milhões de toneladas de CO2, um valor que corresponde a mais de 10 por cento do valor total de emissões definido para Portugal.

• No dia 12 de Novembro, entre as 7 e as 8 horas da manhã, todo o consumo de electricidade em Portugal foi assegurado pela Produção em Regime Especial tendo, nesse mesmo dia, 64 por cento do consumo sido assegurado pela produção eólica.

“O aumento do preço dos combustíveis vai reafirmar a importância dos benefícios que o sector traz para o desenvolvimento do País, uma vez que o preço da electricidade renovável é totalmente independente. Este é um factor que contribuí para aumentar a segurança de abastecimento e a independência energética, aspectos fundamentais para o relançamento da economia portuguesa”, afirma António Sá da Costa, presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis.


* PRE Renovável, ou seja, toda a Renovável excluindo a Grande Hídrica.
Fonte: Dados da REN e análise APREN
 
Minha conclusão:
Estes são, alguns dos dados relevantes que nos recordam que boas políticas contribuem para um desenvolviemento económico sustentado é sustentável. Nisto, como em outras áreas, estava o PS no caminho correto e a Presidência Democrata Americana, embora com resultados mais débeis, também.

3.11.12

Como funcionava a ditadura Franco-Alemã de Merkozi

O que vai ler de seguida é o extrato de uma avaliação de um governante francês, de direita, que relata sem escrúpulos que fazia parte de uma estrutura ditatorial, comandada por Merkel, ajudada por Sarkozy e assistida por Obama.

Retrato destes tempos, de circunstancias passada há apenas um ano, de como dois primeiros ministros democraticamente eleitos pelo povo são "literalmente" despedidos pelos algozes de gravata do capitalismo financeiro internacional. Todos eles: Merkel, Sarkozy e Obama, executores a mando dos interesses globais, para os quais os povos são manadas, que ou obedecem ou padecem.

Não vivemos já em guerra?
George Orwel está de revisita a estas primeiras duas décadas do século XXI, com estes  novos "guardas das SS" que mantêm a ordem nos campos de trabalho que são os, teoricamente, países livres do ocidente.
A história é sobre a Grécia e a Itália, mas podia ser sobre o fim de Sócrates em Portugal ou de Zapatero em Espanha, que também foram substituídos de forma "obrigatória" pelo directório neo-fascista que governava a Europa, com o beneplácito de Obama.

Substituídos por fantoches na gestão domestica do "campo de trabalho", há que colocar primeiro as "cruzes" bordadas na roupa, para que todos os reconheçam: são os PIGS. Depois são expropriados das suas empresas (fontes de sobrevivência e riqueza), das EDP's, das REN's, de todo o universo ainda gerido e controlado pela Parpublica e CGD, como há 80 anos se proibiu a compra a lojas detidas pelos "impuros". Depois vem a expropriação das casas onde vivem, que já esta a acontecer, devolvidas que são aos milhares aos bancos, revendidas em saldo aos "ocupantes". Terminará esta Estória como no gueto de Varsóvia? Afinal, estava escrito à porta dos campos de há 80 anos que "O trabalho liberta"...

Filhos da mãe!

Mas leiamos, do blogue http://inteligenciaeconomica.com.pt/


A troika concedeu à Grécia mais uma ‘tranche’ e empurrou de novo, mais para a frente, o risco de falência. A discussão angustiada na ‘Europa’ é saber o que custa mais caro, se manter a Grécia no euro ou a sua saída. As respostas não são claras, mas o cenário de saída é mais assustador para os ‘europeus’. Na mesma altura em que era conhecida esta decisão da troika (por ordem dos seus superiores, que os ‘rapazes’ da troika são meros funcionários sem poder de decisão), ficava-se também a saber (oficialmente) que a França encarou muito a sério o cenário de saída da Grécia e da sequente fragmentação da zona euro. Quem o disse, sabe do que fala e por conhecimento directo. François Baroin, ministro das Finanças de Sarkozy acaba de publicar “Journal de Crise”, uma espécie de ‘diário’ dos seus anos à frente das Finanças francesas, onde relata também como Merkel e Sarkozy executaram e liquidaram Papandreu e Berlusconi, primeiros-ministros eleitos pelos respectivos países.
 FRANÇOIS BAROIN - Le jour de la perte du triple A, François Baroin a rencontré le président Sarkozy pour élaborer une stratégie médiatique.
Baroin, como relata a L’Expansion, “dévoile même un secret d’Etat, “Black Swan”: le ministère français de l’Economie a travaillé en novembre 2011 sur les conséquences pour la France d’un éclatement de la zone euro lié à l’abandon de la monnaie unique par la Grèce. C’est la première fois qu’un membre du gouvernement français de l’époque reconnaît l’existence d’un tel travail. François Baroin a hésité, mais l’annonce par Mario Draghi, président de la Banque centrale européenne, d’une nouvelle politique qui a sauvé, au moins pour un temps, la zone euro, l’a convaincu qu’il pouvait le faire. Voici un livre que l’on termine en se sentant plus intelligent qu’avant de l’avoir entamé…”
Para estudar a saída da Grécia, Baroin convoca uma daquelas reuniões que ‘nunca existiram’. 
“Je ne prendrai aucune note sur le sujet. Délibérament. Je le restitue de mémoire. “Black Swan”, c’est le nom que j’ai choisi de donner à une réunion dont il n’y a aucune trace, et que j’évoque ici pour la première fois. Le “cygne noir”, voilà l’image qui m’est venue à l’esprit. Il s’agissait d’imaginer l’hypothèse la plus sombre de notre histoire économique moderne. [...] Je réunis autour de moi trois personnes de confiance. Discrétion obligatoire. Ils ne devront en parler à personne, ni à la presse, évidemment, ni même à leur entourage. Le rendez-vous a lieu dans mon bureau, au sixième étage à Bercy. C’est une discussion sans documents. Pas de traces. Chacun sait que l’objet seul de la réunion, s’il était connu, pourrait avoir des conséquences désastreuses. Ce rendez-vous non officiel ne porte pourtant que sur des hypothèses de travail. Ce serait de l’inconscience de ne pas les envisager. Et de la folie d’en parler. A ce moment-là, le nouvel accord européen sur la Grèce, consistant à effacer 50 % de sa dette, est près d’échouer, l’Union européenne est dans un cyclone, l’euro, attaqué de toutes parts. [...]
“Le pire? La sortie de la Grèce de l’euro, un effet de contamination, une théorie des dominos qui entraînerait l’éclatement de la zone et de facto la sortie de la France. Un scénario cauchemar. Je demande à ces personnes de confiance de travailler sur deux hypothèses: le coût de la sortie de la Grèce de la zone euro pour la France et deux types de pertes: celles du secteur banques-assurances d’une part, et celles de l’éclatement de la zone tout entière d’autre part.”
Como a ‘Europa’ liquida primeiros-ministros eleitos é outro segredo revelado por François Baroin ao contar como assistiu às “mortes em directo” de Papandreu e de Berlusconi, durante uma reunião à margem do G20, em Cannes, a 03 Novembro 2011, faz agora um ano. E assim ficamos, finalmente, a perceber o que significava exactamente a palavra Merkozy… E também ficamos a conhecer a verdadeira dimensão do respeito que o ‘directório europeu’ manifesta pela democracia e pelas decisões dos eleitores dos restantes estados-membros da UE.
“Nous sommes à Cannes, où se déroule le G 20. Le Premier ministre grec, qui vient d’annoncer son intention de soumettre le plan d’aide à la Grèce à un référendum national, est convoqué pour s’expliquer. [...] Les portes se ferment. La discussion dure près de deux heures, sans pause. Merkel est face à Papandréou. A la gauche de Merkel, Sarkozy, face à Obama. A la droite de la chancelière, Schäuble [NDLR : ministre féderal des Finances]. A la gauche de Sarkozy, Juppé. Et à la gauche de Juppé, moi. Le climat est lourd, pesant ; la tension est extrême. Commence alors un bras de fer avec Papandréou, assisté de son ministre des Finances. Sarkozy lance au Premier ministre grec : “On te le dit clairement, si tu fais ce référendum, il n’y aura pas de plan de sauvetage.” Papandréou fait mine de ne pas comprendre. Avec un regard d’acier, Merkel lui redit la même chose de façon très ferme. C’est une guerre psychologique. La tension grimpe alors d’un cran. Sarkozy lui répète nos conditions sur un ton d’ultimatum. Papandréou transpire, résiste, essaie d’argumenter. [...]
“Obama observe la scène, écoute attentivement. Il résume parfois la situation, calme le jeu quand le ton monte. Papandréou joue sa carrière. Il transpire de plus en plus, vacille dans ses propos, puis s’effondre. Acculé, il n’a pas d’autre choix que de se prononcer en faveur ou non de l’euro. Il comprend qu’il ne pourra pas échapper à cette question en la soumettant à son peuple. J’assiste à sa mort politique en direct. Après deux heures d’affrontement, il rend les armes.
“Vient le tour de Berlusconi. Flanqué de son ministre Tremonti. Port altier, lifté, maquillé, Berlusconi arrive en Berlusconi. Tremonti est blafard. La discussion s’engage. Même ton général. Même tension dans la salle. L’Italie ploie sous une grande menace. Plus personne n’a confiance en Berlusconi. Les taux de financement du pays ne cessent de monter. Si l’Italie plonge, tout le monde plonge. L’Italie, c’est vraiment trop gros. C’est la huitième économie du monde. L’euro n’y résisterait pas. Berlusconi non plus ne semble pas vouloir comprendre ni admettre que le problème de l’Italie, c’est lui. Sans le dire aussi explicitement, le message est extrêmement clair – tous les protagonistes le laissent entendre. On obtient de Berlusconi que le FMI puisse effectuer une forme de contrôle sur les comptes publics. L’Italie est fière. Nous savions parfaitement qu’une fois de retour chez lui, Berlusconi ne pouvait pas tenir longtemps. Papandréou, Berlusconi, deux chefs de gouvernement viennent de tomber. Nous sommes en temps de paix. Deux chefs de gouvernement viennent de tomber sous la pression internationale.
Uma leitura muito instrutiva… E pouco edificante!
‘Journal de crise’, de François Baroin.  Ed. JC Lattès   220 p.  18 euros.
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2.11.12

Os desafios da criação de mais uma Associação de desenvolvimento da temática de Turismo Cultural

Templários avançam para a internacionalização, na sequência do Congresso Internacional de Turismo cultural e religioso, que reuniu no Hotel dos Templários, nos passados dias 27,28 e 29 de Outubro, onde congressistas, vindos de dez cidades da Europa, nomeadamente Bolonha e Perugia de Itália, Ávila, Barcelona, Gijon, Segóvia, Toledo, Ponferrada e Santander de Espanha, e Troyes de França, debateram as problemáticas do Turismo ligadas ao Património Cultural material e imaterial e à problemática da aproximação e entendimento, através do Turismo, de pessoas independentemente das suas crenças ou religiões.

Segundo a organização, durante os trabalhos foram manifestadas as seguintes intenções:

1) Da Diocese de Santarém: criar as condições para que o património religioso existente nas igrejas da diocese esteja acessível a crentes e não crentes, para que através da estética e da ética, as pessoas contribuam para a compreensão e interpretação das peças existentes e consequente aproximação das pessoas.

Nota pessoal: É exatamente nesses termos que a "Concordata", tratado internacional entre o Estado português e a Santa Sé, estipula o nivel de visitação e disponibilização do património religioso guardado nos lugares públicos, propriedade do Estado Português.

2) O Município de Bolonha, representado por Mauro Fellicori, a Universidade de Bolonha, representada pela Arquitecta Micaela Antonucci; a Directora do Museu de Segóvia, Cláudia de Santos; o Sub-Director do Museu Militar de Elvas, o Ten. Coronel José Ribeiro; o Aqueduto de Elvas e o Prof. José Manuel Mascarenhas, responsável pela candidatura a Património da Humanidade, frizaram a necessidade de cooperação entre públicos e privados para a criação e institucionalização de uma Rede Europeia de Aquedutos.

3) Do Alcaide e da Vereadora da Cultura da Câmara de Ponferrada, Carlos López Riesco e Susana Tellez; do Município de Perugia, Prof. Guiseppe Lumorno, Itália; de Josep Guijarro Triadó, director da MC Edicciones; e da cidade de Troyes, em França, de cooperar para a institucionalização entre entidades públicas e privadas, de uma Rede Europeia de Cidades Templárias.

Nota pessoal: esta intenção já teve diversas decisões municipais nesse sentido. Infelizmente a reconhecida pouca vontade dos diferentes Presidentes de Câmara que no súltimos 15 anos governaram Tomar, não permitiu qualquer caminho nesse sentido dado, mesmo se durante os escassos 12 meses em que exerci a responsabilidade nos pelouros do Turismo e da Cultura (2010), a insistência tenha sido muita, no contexto aliás da oportunidade do "Heranças dos Séculos" (Apontamentos sobre os 850 anos do inicio da construção do Castelo templário). No meu entender, esta possibilidade deve ser de retomar assim que houver uma Presidencia e uma maioria "sensível" a esta temática... 

4) Do Presidente da Etnocantabria, Alberto Luna, de levar por diante a cooperação e institucionalização de uma Rede de Cidades e Monumentos de Tomar, Alcobaça, Batalha, Jerónimos e El Jadida, Marrocos, para dar a conhecer o património de João de Castilho, o único arquitecto da História da Humanidade que viu cinco dos seus monumentos classificados pela UNESCO como Património da Humanidade.

Nota pessoal: tem sido nesse sentido que o Departamento de Turismo Cultural, do Instituto Politécnico de Tomar tem trabalhado, através especialmente dos Prof.Dr. Carlos Veloso e Luis Mota. esse aprofundamento técnico e científico deverá ser, nesse contexto e sob a sua égide conduzido, com eventual participação Municipal e sub-regional a nível da NUTIII do Médio Tejo.

5) Do Vice-presidente da Rede de Judiarias de Espanha, Héctor Palencia Rubio, membro do Município de Ávila; do Presidente do Museu Sefardita de Toledo, Santiago Palomero Plaza; e do Responsável pelo Plano Director de Toledo, António Pareja, para que, no prazo de seis meses, em Portugal ou em Espanha, se reúnam entidades públicas e privadas com vista a cooperarem para a criação de uma Rede Ibérica de Judiarias, juntando a experiência adquirida durante vinte anos pela Rede de Judiarias de Espanha e pela recém criada Rede de Judiarias de Portugal.


Para concretizar as intenções atrás manifestadas, foi decidido criar uma associação, com sede em Tomar, que terá por objectivos levar à prática as intenções atrás expostas.
 
Nota pessoal: A adequada concretização de uma entidade desta índole, deverá contar sempre com o empenho e participação do Instituto Politécnico de Tomar, da Comunidade InterMunicipal do Médio Tejo, da Entidade regional de Turismo e do Município de Tomar, de forma a optimizar todas as "redes" nas quais estas entidades se encontram envolvidas, seja no estrito âmbito cultural e patrimonial, seja no do desenvolvimento económico e turístico.


Texto com base nas informações fornecidas pela Newsleter da TLVT, de 30 de Outubro. Destaques, cortes e comentários da responsabilidade do autor.

1.11.12

Universitários em casa de idosos sós

O projeto é socialmente interessante. E nestes momentos de dificuldade e de crise humanista, seria interessante se a Rede social de Tomar o pudesse acarinhar.

Mas demos uma "espreitadela" sobre o caso do Porto, onde começou...


O Programa Aconchego, no Porto, resolve duas necessidades de uma só vez: estudantes ganham um teto e idosos matam a solidão

Luís Ribeiro (texto) e Fernando Veludo/NFactos (foto)
18:22 Segunda feira, 13 de Agosto de 2012
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"Entrou-me em casa o sol", diz Maria Luísa Cardoso sobre a sua inquilina Susana Costa da Silva.
"Entrou-me em casa o sol", diz Maria Luísa Cardoso sobre a sua inquilina Susana Costa da Silva.
Maria Luísa Cardoso nunca esteve sozinha. Até que o marido morreu. "Sempre andei rodeada de filhos e netos, mas eles têm a sua vida. Comecei a sentir-me deprimida, numa grande solidão." Entretanto, uma amiga falou-lhe do Programa Aconchego. A Câmara Municipal do Porto, através da sua Fundação Porto Social, andava precisamente à procura de idosos solitários que quisessem receber em sua casa, durante um ano letivo, um estudante universitário, no âmbito de uma parceria com a Federação Académica da cidade. Ao oferecerem um quarto, ganhavam companhia. O projeto parecia ter sido feito de encomenda para Maria Luísa, que logo se disponibilizou a participar.

"Estou muito contente. A Susana é uma menina esperta, inteligente, sensata, carinhosa. Entrou-me o sol em casa." Susana Costa da Silva, 21 anos, a sua inquilina, não está menos satisfeita. "Moro em Espinho, frequentava a Universidade Católica e perdia, todos os dias, imenso tempo nos transportes públicos tempo que podia aproveitar para estudar. Quando soube deste programa, inscrevi-me. E se tivesse de avaliar a minha experiência, de zero a 20, dava-lhe cem." Mais do que os números valem os atos: quando terminar o seu estágio do final do curso de Direito e começar o mestrado, Susana vai continuar a viver com Maria Luísa.

LAÇOS DE TERNURA
O Programa Aconchego, um dos 50 projetos municipais analisados pela Inteli, foi criado em 2004. Desde aí, já uma centena de jovens esteve pelo menos um ano a viver em casa de pessoas idosas que moravam sozinhas, pagando apenas o preço simbólico de 25 euros, para ajudar nas despesas correntes. Neste momento, no Porto, há 18 estudantes espalhados por 15 destas "casas de acolhimento", com mais 32 numa lista de espera. O êxito do projeto contabiliza-se no número crescente de idosos a disponibilizarem-se para acolher jovens e no reconhecimento internacional: há dois anos, a Comissão Europeia atribuiu-lhe o Prémio Inovação Social. Dentro de fronteiras, a Câmara do Porto tem recebido pedidos para ajudar a replicar o programa noutras cidades.

"Queríamos fazer frente a um dos principais problemas no Porto: o isolamento na Terceira Idade, que tem vindo a aumentar", diz Guilhermina Rego, vereadora da autarquia portuense e presidente da Fundação Porto Social. Por outro lado, muitos estudantes das universidades locais moram fora da cidade e precisam de um quarto de preferência, barato. Conciliar a carência de companhia dos mais velhos com a necessidade um teto dos mais novos resultou neste ovo de Colombo. "Jovens universitários", explica Guilhermina Rego, "usufruem de uma habitação, junto de uma geração mais idosa que ainda tem muito para dar, partilhando os seus conhecimentos e a sua experiência, e que precisa de companhia. Cria-se um ambiente de família." É mesmo esse o ambiente que se vive em casa de Maria Luísa. "Somos compatíveis", diz Susana. "Vemos filmes e séries juntas... E ela é uma pessoa muito viajada, cheia de conhecimentos. Aprendo imenso." A sua anfitriã responde-lhe. "Ela diz que aprende muito comigo, mas eu também aprendo com ela."

[ Número ] 18
Estudantes universitários que vivem em casa de idosos, no Porto

________________________________________________________________
PROJETO UMA CIDADE PERFEITA
A partir de um estudo da Inteli, que analisou 50 projetos municipais exemplares, a VISÃO escolheu cinco para dar a conhecer nas páginas da revista, durante o mês de agosto, um por área analisada: sustentabilidade, inclusão social, governação, inovação e conectividade. Os leitores podem conhecer todos os projetos selecionados das 25 cidades estudadas e, depois, votar no seu favorito, a partir de 1 de Setembro.


A incapaz esperança de Obama

Transcrevo a seguir, do blogue "memória virtual", a ultima analise à grelha de partida para as eleicoes presidenciais deste fim de semana nos Estados Unidos, onde o atual presidente não tem ainda a reeleição garantida.

Acho perfeitamente natural tal fato, apesar de Romney ser um conservador e ter por vezes tiradas "tolas", mas tipicamente americanas, uma vez que a frustração em relação à retórica e à indução de promessas deixadas por Obama nas eleicoes de 2008 quando, contra todas as espetativas, derrotou a grande candidata Hillary Clinton, nas primarias e de seguida levou de vencida o candidato republicano, tendo por base o voto rácico negro e das minorias "miseráveis" da América pôs-industrial e de suburbio.

Com conversa de presbítero, Obama elevou a esperança dos pobres e dos miseráveis americanos fazendo-os acreditar no impossível, num pais que destrói a economia mundial e afunda o mundo ocidental com financiamento sucessivo obtido na China.

Obama equivale hoje à frustração de uma classe baixa que pensava sair da miséria e de uma classe media que pensava "safar-se" sem ter de pagar o cartão de crédito. Mas enganaram-se porque o poder de Obama é nulo, a sua capacidade política menor ainda e quem manda na América (e no mundo) nao quer saber dos milhões de negros que votaram em Obama, n dos milhões de pobres e deserdados que nele acreditaram. Esse foi sempre o grande calcanhar de Aquiles de Obama: vender frustração.

Pode até ganhar ainda este ano. Mas o caminho que trilhou entregará os estados Unidos à extrema-direita "religiosa" e com isso aproximará ainda mais o mundo da grande guerra que se aproxima...

Mas vamos à análise:


Eleições Presidenciais EUA - 2008
A uma semana das eleições Presidenciais nos EUA, é altura de começar a arriscar nestas actualizações do acompanhamento da evolução das tendências, que aqui tenho vindo a fazer, com o apoio de um grafismo disponibilizado pelaCNN. Tendo por base as inúmeras sondagensrealizadas até à data, preparei o seguinte mapa, por Estado:
A posição que é possível antecipar neste momento resume-se da seguinte forma:
Barack Obama
Claro favoritismo de Barack Obama - 18 Estados (indicando-se também o correspondente número de “Grandes eleitores”): California (55), Connecticut (7), Delaware (3), Hawaii (4), Illinois (20), Maine (4), Maryland (10), Massachussetts (11), Michigan (16), Minnesota (10), New Jersey (14), New York (29), Novo México (5), Oregon (7), Pennsylvania (20), Rhode Island (4), Vermont (3) e Washington (12); para além do District of Columbia (3) – correspondendo a um total de 237 “Grandes Eleitores”.

Mitt Romney
Claro favoritismo de Mitt Romney  - 24 Estados: Alabama (9), Alaska (3), Arizona (11), Arkansas (6), Carolina do Norte (15), Carolina do Sul (9), Dakota do Norte (3), Dakota do Sul (3), Georgia (16), Idaho (4), Indiana (11), Kansas (6), Kentucky (8), Lousiana (8), Mississippi (6), Missouri (10), Montana (3), Nebraska (5), Oklahoma (7), Tennessee (11), Texas (38), Utah (6), West Virginia (5) e Wyoming (3) – correspondendo a um total de 206 “Grandes Eleitores”.

Sendo a vitória nestas eleições alcançada com a obtenção de 270 “Grandes Eleitores”, tudo se deverá decidir nos restantes 8 Estados (os quais correspondem a um total de 95 “Grandes Eleitores”),  apresentando as seguintes tendências:
  • Ligeiro favoritismo de Barack Obama - Iowa (6), Nevada (6) e New Hampshire (4)
  • Ligeiro favoritismo de Mitt Romney - N/A
  • “Empate técnico” – Colorado (9), Florida (29), Ohio (18), Virgínia (13) e Wisconsin (10)
Considerando que as tendências se confirmarão nos casos de Iowa, Nevada e New Hampshire, a projecção de “Grandes Eleitores” passaria a totalizar 253 para Barack Obama, face a 206 para Mitt Romney – e a verdadeira grande disputa estaria reduzida a 5 Estados, onde estão em jogo 79″Grandes Eleitores” (nos quais, em 2008, Barack Obama venceu então em todos eles!)… e, em que, neste cenário, apenas necessitaria somar mais 17 “Grandes Eleitores”, podendo a “chave” decisiva estar no Ohio.
Salvo falhas significativas nas tendências apontadas pelas sondagens, depois do último debate entre os candidatos, Barack Obama parece agora bem mais seguro, posicionando-se como claro favorito à vitória, uma vez que surge também ligeiramente acima nas intenções de voto no Ohio e Wisconsin, enquanto Mitt Romney surge em posição ligeiramente favorável apenas na Florida, com Colorado e Virgínia absolutamente indefinidos.
Em resumo, se Barack Obama  confirmar as vitórias no Iowa, Nevada, New Hampshire e Ohio (tendo ainda o Wisconsin de “reserva”, para poder substituir uma eventual falha num dos três primeiros Estados referidos), assegurará a reeleição.
Em relação à projecção anterior, registo as seguintes alterações:
  • passagem “firme”, para o lado de Barack Obama dos Estados do Michigan e Pennsylvania (mais 36 “Grandes eleitores”);
  • passagem “firme”, para o lado de Mitt Romney dos Estados da Carolina do Sul e do Tennessee (mais 20 “Grandes eleitores”);
  • passagem para “ligeiro favoritismo” de Barack Obama – Iowa, Nevada e New Hampshire (anteriormente em “empate técnico”)
  • alteração de tendência nos Estados em situação de “empate técnico”, que estavam ligeiramente a favor de Mitt Romney, para tendência indefinida - Colorado e Virgínia.

28.10.12

Serviço nacional de saúde não paga tratamentos a vítimas de assaltos?


Idosa ferida em assalto escondeu agressão para não pagar 108 euros no hospital

27.10.2012 - 11:05 Por Lusa
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Ferimentos em assaltos são equiparados a acidentes de trabalho e de viaçãoFerimentos em assaltos são equiparados a acidentes de trabalho e de viação ()
 Uma septuagenária vítima de assalto teve de esconder que este foi o motivo da agressão que a levou ao Hospital de Vila Franca de Xira para não pagar 108 euros, além da taxa moderadora.

Jorge Santos, filho de uma idosa que foi agredida durante um assalto no dia 12, em Vila Franca de Xira, contou à Lusa que, quando chegou ao hospital para inscrever a mãe, um funcionário lhe disse: “E agora vai ser novamente roubada”.

A expressão antecedeu o esclarecimento de que tinha de pagar 108 euros por este valor não ser pago pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), tal como acontece nos casos de acidentes de trabalho e de viação, os quais são cobertos pelas seguradoras.

“Nem queria acreditar. São coisas como estas que me envergonham deste país. A minha mãe estava cheia de dores, com hematomas na cara e na cabeça e estava envergonhada, pois parecia que tinha de pagar por ter sido assaltada”, desabafou.

Questionou os funcionários sobre o valor que a mãe pagaria se tivesse caído na rua, ao que lhe terão respondido que, nesse caso, apenas pagaria a taxa (17,5 euros).

“A partir desse momento, disse que a minha mãe caiu e paguei apenas a taxa, mas a situação levou a que ela, com 74 anos, tivesse de mentir ao médico, estando sempre muito envergonhada durante o atendimento clínico”, adiantou.

Uma utente que ligou posteriormente para o hospital a questionar sobre o valor a pagar em casos destes obteve a mesma resposta: além da taxa, tinha que pagar os 108 euros, ainda que posteriormente, se não tivesse o dinheiro na altura.

Questionada pela Lusa, a administração do Hospital de Vila Franca de Xira esclareceu que, em caso de agressão, os utentes “não têm que assegurar o pagamento do valor do episódio de urgência, bastando apenas para isso que apresentem cópia da queixa que fizeram à polícia”.

“A terem ocorrido erros na cobrança, ou nas informações prestadas, eles dever-se-ão a lapsos na transmissão interna da informação, que vamos averiguar e rectificar”, garantiu.

Também uma utente do Hospital de Cascais soube por funcionários que o marido, vítima de assalto, podia ter de pagar os 108 euros, caso o agressor não fosse identificado no decorrer do processo que resultasse da queixa apresentada na polícia.

A utente disse à Lusa que a funcionária terá até sugerido para dizer que não foi uma agressão, mas sim um acidente.

Porém, a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) esclareceu à Lusa que, em caso de agressões físicas ou acidentes (como de viação ou trabalho), a responsabilidade financeira pertence respectivamente ao agressor (sendo necessário apresentar queixa junto das autoridades competentes) ou ao segurador”.

“Enquanto a responsabilidade não é apurada pelas entidades competentes, não deve ser cobrado qualquer valor à vítima”, explicou a ACSS, recusando-se a comentar o caso no Hospital de Vila Franca de Xira.

A Entidade Reguladora da Saúde também se recusou a comentar o caso, remetendo para uma circular que indica: “Quando a prestação de cuidados de saúde resulta em encargos ou despesas pelas quais as instituições hospitalares têm direito a ser ressarcidos e, mais ainda, exista um terceiro legal ou contratualmente responsável, é sobre este que recai a responsabilidade de proceder ao seu pagamento”.

“No caso de inexistência de um terceiro responsável, não existe qualquer obrigação legal de pagamento de cuidados de saúde sobre o assistido [utente], beneficiário do SNS”, adianta.

A Lusa contactou vários hospitais para saber qual o procedimento adoptado em casos de agressão.

No Hospital de Santa Maria, em Lisboa, o processo pode efectivamente resultar na notificação do agredido para pagar o episódio de urgência (108 euros), quando o agressor não for identificado no processo instaurado após queixa na polícia.

O porta-voz da administração esclareceu que esse valor é assumido como não cobrado, tendo em conta que a vítima já foi suficientemente prejudicada com a agressão que sofreu.

Nos hospitais que compõem o Centro Hospitalar de Lisboa Central -- São José, Capuchos, Santa Marta, Curry Cabral, Dona Estefânia e Maternidade Alfredo da Costa -- é cumprida “a legislação em vigor que regulamenta o pagamento dos cuidados de saúde” (Lei de Bases da Saúde). Esta determina que os serviços e estabelecimentos do SNS podem cobrar “o pagamento de cuidados por parte de terceiros responsáveis, legal ou contratualmente, nomeadamente subsistemas de saúde ou entidades seguradoras”, não especificando o que acontece no caso dos responsáveis pelo dano físico (agressores) não serem identificados.

24.10.12

Alves dos Reis, o burlão dos anos 20 do Séc.XX, era um aprendiz


João Marcelino, diretor do Diário de Notícias, de Lisboa, considera que “é o maior escândalo financeiro da história de Portugal. Nunca antes houve um roubo desta dimensão, “tapado” por uma nacionalização que já custou 2.400 milhões de euros delapidados algures entre gestores de fortunas privadas em Gibraltar, empresas do Brasil, offshores de Porto Rico, um oportuno banco de Cabo Verde e a voracidade de uma parte da classe política portuguesa que se aproveitou desta vergonha criada por figuras importantes daquilo que foi o cavaquismo na sua fase executiva”.
 
O diretor do DN conclui afirmando que este escândalo “é o exemplo máximo da promiscuidade dos decisores políticos e económicos portugueses nos últimos 20 anos e o emblema maior deste terceiro auxílio financeiro internacional em 35 anos de democracia. Justifica plenamente a pergunta que muitos portugueses fazem: se isto é assim à vista de todos, o que não irá por aí?”
O BPN foi criado em 1993 com a fusão das sociedades financeiras Soserfin e Norcrédito e era pertença da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que compreendia um universo de empresas transparentes e respeitando todos os requisitos legais, e mais de 90 nebulosas sociedades offshores sediadas em distantes paraísos fiscais como o BPN Cayman, que possibilitava fuga aos impostos e negociatas.
O BPN tornou-se conhecido como banco do PSD, proporcionando “colocações” para ex-ministros e secretários de Estado sociais-democratas. O homem forte do banco era José de Oliveira e Costa, que Cavaco Silva foi buscar em 1985 ao Banco de Portugal para ser secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e assumiu a presidência do BPN em 1998, depois de uma passagem pelo Banco Europeu de Investimentos e pelo Finibanco. O braço direito de Oliveira e Costa era Manuel Dias Loureiro, ministro dos Assuntos Parlamentares e Administração Interna nos dois últimos governos de Cavaco Silva e que deve ser mesmo bom (até para fazer falcatruas é preciso talento!), entrou na política em 1992 com quarenta contos e agora tem mais de 400 milhões de euros. Vêm depois os nomes de Daniel Sanches, outro ex-ministro da Administração Interna (no tempo de Santana Lopes) e que foi para o BPN pela mão de Dias Loureiro; de Rui Machete, presidente do Congresso do PSD e dos ex-ministros Amílcar Theias e Arlindo Carvalho.
Apesar desta constelação de bem pagos gestores, o BPN faliu. Em 2008, quando as coisas já cheiravam a esturro, Oliveira e Costa deixou a presidência alegando motivos de saúde, foi substituido por Miguel Cadilhe, ministro das Finanças do XI Governo de Cavaco Silva e que denunciou os crimes financeiros cometidos pelas gestões anteriores. O resto da história é mais ou menos conhecido e terminou com o colapso do BPN, sua posterior nacionalização e descoberta de um prejuízo de 1,8 mil milhões de euros, que os contribuintes tiveram que suportar. Que aconteceu ao dinheiro do BPN? Foi aplicado em bons e em maus negócios, multiplicou-se em muitas operações “suspeitas” que geraram lucros e que Oliveira e Costa dividiu generosamente pelos seus homens de confiança em prémios, ordenados, comissões e empréstimos bancários.
Não seria o primeiro nem o último banco a falir, mas o governo de Sócrates decidiu intervir e o BPN passou a fazer parte da Caixa Geral de Depósitos, um banco estatal liderado por Faria de Oliveira, outro ex-ministro de Cavaco e membro da comissão de honra da sua recandidatura presidencial, lado a lado com Norberto Rosa, ex-secretário de estado de Cavaco e também hoje na CGD. Outro social-democrata com ligações ao banco é Duarte Lima, ex-líder parlamentar do PSD, que se mantém em prisão preventiva por envolvimento fraudulento com o BPN e também está acusado pela polícia brasileira do assassinato de Rosalina Ribeiro, companheira e uma das herdeiras do milionário Tomé Feteira. Em 2001 comprou a EMKA, uma das offshores do banco por três milhões de euros, tornando-se também accionista do BPN.
Em 31 de julho, o ministério das Finanças anunciou a venda do BPN, por 40 milhões de euros, ao BIC, banco angolano de Isabel dos Santos, filha do presidente José Eduardo dos Santos, e de Américo Amorim, que tinha sido o primeiro grande accionista do BPN. O BIC é dirigido por Mira Amaral, que foi ministro nos três governos liderados por Cavaco Silva e é o mais famoso pensionista de Portugal devido à reforma de 18.156 euros por mês que recebe desde 2004, aos 56 anos, apenas por 18 meses como administrador da CGD. O Estado português queria inicialmente 180 milhões de euros pelo BPN, mas o BIC acaba por pagar 40 milhões (menos que a cláusula de rescisão de qualquer craque da bola) e os contribuintes portugueses vão meter ainda mais 550 milhões de euros no banco, além dos 2,4 mil milhões que já lá foram enterrados. O governo suportará também os encargos dos despedimentos de mais de metade dos actuais 1.580 trabalhadores (20 milhões de euros).
As relações de Cavaco Silva com antigos dirigentes do BPN foram muito criticadas pelos seus oponentes durante a última campanha das eleições presidenciais. Cavaco Silva defendeu-se dizendo que apenas tinha sido primeiro-ministro de um governo de que faziam parte alguns dos envolvidos neste escândalo. Mas os responsáveis pela maior fraude de sempre em Portugal não foram apenas colaboradores políticos do presidente, tiveram também negócios com ele. Cavaco Silva também beneficiou da especulativa e usurária burla que levou o BPN à falência. Em 2001, ele e a filha compraram (a 1 euro por acção, preço feito por Oliveira e Costa) 255.018 acções da SLN, o grupo detentor do BPN e, em 2003, venderam as acções com um lucro de 140%, mais de 350 mil euros. Por outro lado, Cavaco Silva possui uma casa de férias na Aldeia da Coelha, Albufeira, onde é vizinho de Oliveira e Costa e alguns dos administradores que afundaram o BPN. O valor patrimonial da vivenda é de apenas 199. 469,69 euros e resultou de uma permuta efectuada em
1999 com uma empresa de construção civil de Fernando Fantasia, accionista do BPN e também seu vizinho no aldeamento.
Para alguns portugueses são muitas coincidências e alguns mais divertidos consideram que Oliveira e Costa deve ser mesmo bom economista(!!!): Num ano fez as acções de Cavaco e da filha quase triplicarem de valor e, como tal, poderá ser o ministro das Finanças (!!??) certo para salvar Portugal na actual crise económica. Quem sabe, talvez Oliveira e Costa ainda venha a ser condecorado em vez de ir parar à prisão….ah,ah,ah.
O julgamento do caso BPN já começou, mas os jornais pouco têm falado nisso. Há 15 arguidos, acusados dos crimes de burla qualificada, falsificação de documentos e fraude fiscal, mas nem sequer se sentam no banco dos réus. Os acusados pediram dispensa de estarem presentes em tribunal e o Ministério Público deferiu os pedidos. Se tivessem roubado 900 euros, o mais certo era estarem atrás das grades, deram descaminho a nove biliões e é um problema político.
Nos EUA, Bernard Madoff, autor de uma fraude de 65 biliões de dólares, já está a cumprir 150 anos de prisão, mas os 15 responsáveis pela falência do BPN estão a ser julgados por juízes “condescendentes”, vão apanhar talvez pena suspensa e ficam com o produto do roubo, já que puseram todos os bens em nome dos filhos e netos ou pertencentes a empresas sediadas em paraísos fiscais. Oliveira e Costa colocou as suas propriedades e contas bancárias em nome da mulher, de quem entretanto se divorciou após 42 anos de casamento. Se estivéssemos nos EUA, provavelmente a senhora teria de devolver o dinheiro que o marido ganhou em operações ilegais, mas no Portugal dos brandos costumes talvez isso não aconteça. Dias Loureiro também não tem bens em seu nome. Tem uma fortuna de 400 milhões de euros e o valor máximo das suas contas bancárias são apenas cinco mil euros. Não há dúvida que os protagonistas da fraude do BPN foram meticulosos, preveniram eventuais consequências e seguiram a regra de Brecht: “Melhor do que roubar um banco é fundar um”.

http://luminaria.blogs.sapo.pt/797034.html