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6.11.17

Falta de rotunda na requalificação da Av.Nuno Alvares é gastar dinheiro sem norte




A grande questão no projeto de execução ora proposto, de requalificação do perímetro urbano das Avenidas Nuno Alvares Pereira (Fase I) e Av.Combatentes da Grande Guerra e Torres Pinheiro (Fase II), em que só a primeira tem financiamento comunitário, pelo Centro2020, de cerca de 680mil€, é a não criação de uma rotunda na interseção destas Avenidas, vulgo da ARAL, onde atualmente existem semáforos.

A justificação é a de que o Plano de Pormenor do Flecheiro e Mercado, aprovado há uma década atrás, não a prevê, mas sabemos bem que se fosse essa a intenção, podia já ter sido proposta a suspensão parcial do mesmo nessa interseção, facto devidamente comprovado pela revisão do mesmo Plano de Pormenor atualmente em curso e a ser trabalhado pelos serviços da autarquia.

O erro de tal inexistência prende-se com o custo da não-oportunidade, ou seja, construída a Ponte do Flecheiro em 2007, abrindo a nova Av. Luis Bonet até ao cruzamento da ARAL, baseada num estudo de tráfego, o qual preteriu um atravessamento a sul, na zona do Padrão, por decisão política, continua-se, sem alteração nesta requalificação o erro de não aproveitar a oportunidade para colocar uma rotunda, que permitisse a rápida e segura transição e tráfego entre as quatro avenidas, junto à ARAL.
Atual cruzamento da ARAL, onde deveria ser construída uma rotunda
Atual rotunda do Padrão, cuja dimensão podia ser replicada para a ARAL

Segundo informações dadas pelo atual vereador responsável pelo pelouro, na sessão pública de apresentação deste projeto de execução, meramente seguidista do Plano traçado no âmbito do Programa Polis (2002-2009),  esta intervenção será completada por uma maior deriva do trânsito pesado, que chegue à entrada sul de Tomar, no Padrão, para a Av. Fonseca Simões (GNR) e daí até ao Terminal Rodoviário na Várzea Grande, que também já tem estudo prévio, de onde ressalta o desaparecimento de estacionamento e coloca uma bolsa de estacionamento para autocarros de turismo na Placa Central desta em frente ao atual Terminal Rodoviário.

Não é claro se tal obrigatoriedade tem expressão na sinalética, que neste Projeto não existe, nem sequer se o outro tráfego de pesados – de mercadorias, será também derivado para a Av.Fonseca Simões, como aventou o vereador, libertando assim a Av. Nuno Álvares Pereira desse tráfego, o qual ficará assim estacionado na Av. Combatentes da Grande Guerra, aguardando o semáforo e daí derivando para a Av. Torres Pinheiro, seguindo o atual percurso. 

Se tal vier a ser a opção municipal, dado que o troço da Av. Nuno Álvares, segundo o atual projeto de execução, “não se possui estudo de tráfego, nem se espera que exista uma grande quantidade de pesados, pelo que a classe de tráfego será T7", ou seja pouca carga de tráfego pesados(!). Tal decisão, em sede de Projeto de Execução, tem consequências óbvias na capacidade de carga para a qual será dimensionado a via. Tal decisão não é reversível. 

E, ou bem que é esta a carga prevista – numa estrada nacional, para a qual não há alternativa viável ao tráfego de pesados – uma vez que a A13 é portajada, nem há garantia que a Av.Fonseca Simões tenha sido dimensionada para tal carga. Podemos ficar assim, com um problema insolúvel para o futuro, ou pelo menos com aumento de gastos brutais num futuro próximo.

Neste projeto de execução, assumidamente interligado com o de requalificação da Várzea Grande, onde a redução de estacionamento será na ordem dos 30%, é aqui de cerca de 10%. Menos 9% de lugares na Av.Nuno Álvares Pereira e menos 16% na Av.Torres Pinheiro. Segundo informação dada pelo vereador, tal será devidamente compensado – aos residentes, com mais estacionamento no futuro – sem data – no âmbito da requalificação do Flecheiro.

Há aspetos muito positivos nesta intervenção, de que ressalta, a renovação de todas as infraestruturas no sub-solo, nomeadamente as de águas e esgotos, a utilização de piso de paralelos calcários para todo o estacionamento, o aumento do numero de árvores de porte médio adaptados ao uso e, espacialmente na Av.Torres Pinheiro, em ligação paisagística com a Rua dos Arcos e assim, ao centro histórico. 

A substituição do atual piso da Av.Combatentes da Grande Guerra – excessivamente ruidoso, bem como a melhoria da iluminação que será toda substituída pela nova tecnologia LED, com possibilidade de gestão inteligente e remota, é também um aspeto a destacar. A requalificação ambiental dos dois antigos postos de abastecimento de combustíveis – da GALP e da ARAL, com retirada dos respetivos depósitos do sub-solo, completam a regeneração necessária neste espaço urbano de entrada da cidade.

A excessiva redução do espaço canal, dos atuais 9 metros de via, para 6,5 metros, com a colocação de duas ciclovias, uma de cada lado da Av.Nuno Álvares, não se encontra devidamente justificada, ficando esta entrada da cidade, “apertada”, quando as demais estão “mais libertas”. Veja-se o exemplo da atual Rua de Coimbra ou mesmo a Av. Marquês de Tomar, a partir da descida da Rua de Leiria ou a Estrada da Serra.

Quanto às ciclovias propostas, duas na Av. Nuno Álvares e uma na Avenida Torres pinheiro e Av. Combatentes da Grande Guerra, não está claro no plano, nem nas explicações dadas pelo vereador em sede de apresentação pública do mesmo, da interligação destas ciclovias com as demais existentes ou a construir na cidade. 

Duvida-se assim, de força lícita, que a necessidade de duas ciclovias na Av. Nuno Álvares não se encontra devidamente sustentada a nível de necessidade, eficácia e eficiência da utilização deste modo suave de transporte, face às interligações já eficazes ou a sê-lo em futuro próximo. Tal decisão, não é reversível, tendo consequências diretas na redução do estacionamento e na redução da via de 9 metros para 6,5 metros, o que coloca outras questões de mobilidade e segurança para os demais utilizadores de outros modos de locomoção – sejam veículos, sejam pessoas.

Sem alternativa ao atravessamento de pesados, que não tenham como destino a própria cidade, face ao pagamento de portagens na A13, mantendo a Infraestruturas de Portugal a titularidade da propriedade formal da EN110 e EN113, de forma a justificar esse contrato de concessão que permitiu portajar a A13 na circulação à cidade de Tomar, entre a Rotunda da Zona Industrial e a Manobra, esta opção de redução brutal da via – estamos a falar de menos 28% de área para circulação, pois serão apenas duas vias reais e não as atuais três possíveis, o que levanta questões graves de constrangimento e segurança em caso de acidentes e avarias, as quais transformarão esta entrada, a manter-se a autorização e passagem de pesados – de todo o tipo, num verdadeiro quebra-cabeças no futuro.

O atual projeto de execução contam ainda uma opção errada, com impacto ambiental direto, o qual está em dissonância com o próprio objetivo do Projeto, razão da valorização do seu mérito a nível de candidatura ao Centro2020, que é a total substituição dos passeios pedonais de calçada, para pavimento contínuo em betão pintado. A diferença de valor orçamental entre as duas soluções será de cerca de 12-15mil€, o que representará apenas cerca de 1,5-1,7% do orçamento global. Ou seja, não é por questões financeiras que os passeios em calçada, decerto se não manterão.

Menos calçada, numa zona de cheia e dificuldades de drenagem, significa menos infiltração de água no solo, o que prejudica a sustentabilidade da intervenção. Sabemos bem que a manutenção é mais cara, mas tem uma ligação mais conducente com todo o ambiente urbano de uma cidade que terá na História um dos seus mais elevados valores de projeção. Será um erro, ambiental e paisagístico, manter-se esta opção.

Da análise efetuada subsiste no autor, uma dúvida, relacionada com a iluminação, pois a opção tomada de na Av Nuno Álvares, em lugar da capacidade luminosa proposta ser a mesma dos dois lados da via, propõe luminárias – a 8 metros de altura dos dois lados, mas do lado este com 78W de potência e no lado oeste de apenas 37W. Do estudo em computador apresentado, vê-se bem que a mancha não será homogenia em toda a avenida, especialmente se confrontada com a mancha de iluminação prevista para a Av. Torres Pinheiro, com luminárias cruzadas, de ambos os lados da via e com igual potência (37W).

Em conclusão julga-se acertado propor:

1 – O imediato pedido de suspensão parcial do PP do Flecheiro e Mercado, para colocação de rotunda nas interseções entre as Avenidas Torres Pinheiro, Luis Bonet, Nuno Álvares e Combatentes da Grande Guerra e consequente correção do projeto de execução para a sua realização – fora de financiamento comunitário, ou seja para ficar na Fase2, para não criar reavaliações neste;

2 – Optar claramente por passeios pedonais em calçada, em toda a zona de intervenção, em detrimento do uso de pavimento contínuo em betão pintado;

3 - Previsão de inibição completa do transporte de pesados pela Av. Nuno Álvares Pereira – com exceção de cargas e descargas locais, com deriva deste para a Av. António Fonseca Simões, a manter-se o estreitamento da via em 28%;

4 – Em alternativa, optar pela colocação de uma única ciclovia na Av. Nuno Álvares Pereira, reduzindo menos a via e garantindo a interligação desta com as demais existentes e em projeto para a cidade, de forma global;

5 – Rever a proposta de Luminárias, a nível de potências e localizações, de forma a tornar o projeto elétrico mais equilibrado;

6 – Melhorar o estudo de opções de estacionamento, para que não haja redução do estacionamento disponível, o qual terá impacto, quer no comércio existente, quer nos residentes, que verão, em toda a área maior pressão, especialmente nas ruas contíguas e não abrangidas pelo atual Projeto de Execução.

3.11.17

1º Gala Internacional do Acordeão de Tomar - video promoção

Este foi o video de promoção institucional da 1ºGala Internacional de Acordeão dos Templários, no ano das comemorações das "Heranças dos Séculos", a propósito dos 850 anos do início da construção do Castelo Templário de Tomar - em 1160.


28.10.17

Pelouros entregues só ao PS é não perceber nada do que se passa por aqui...

Neste momento no meu Concelho já todos os pelouros estão entregues, organizados e em ação, apenas distribuídos entre os eleitos do PS, o que é absolutamente legítimo.

À exceção da junta urbana e na de Paialvo, onde não havia maioria, o PS numa acordou com o BE (com acordo escrito e ida para o executivo) e noutra com o CDS (só para viabilizar o executivo), descartando o seu anterior aliado que a nível concelhio lhe deu sustentação no anterior mandato, com acordo escrito é válido para todo o Concelho: a CDU.

Tendo ganho a Câmara, apenas por 5,7% (40,2 contra 34,5), quando em todo o Distrito o PS conseguiu vitórias por mais de 20%, mesmo em Constância onde ganhou pela primeira vez, o PS não percebe o que se passa em Tomar e as razões pelas quais teve o pior resultado das suas 13 vitórias distritais e abaixo dos 43% que seriam o somatório PS+Pedro Marques...

A liderança PS na Câmara, aposta tudo na bipolarização, sem o golpe de asa de quem, sabendo o que faz e com uma liderança sustentada, quando em maioria distribui pelouros pela oposição, mesmo não necessitando do seu voto, envolvendo dessa forma os demais eleitos no esforço diário da governação e assim, demonstrando a sua capacidade de liderar e obter o melhor de cada um para o desenvolvimento do Município. Se cumprissem, os ganhos seriam sempre para quem lidera, se falhassem, seriam prejudicados na eleição seguinte. 

Historicamente líderes fortes e a sério, de Concelhos tão distintos como Rio Maior (com Silvino Sequeira - PS) ou Tomar (com António Paiva - PSD), os quais o souberam fazer. E em vários mandatos.

Bem. Mas isso eram líderes políticos que não tinham medo da sombra e sabiam para onde conduzir os seus Concelhos. Mesmo que não concordemos com o "sítio" para onde nos conduziram, como é o meu caso em relação a Antonio Paiva (PSD) 1998-2006, essa era a atitude inteligente a fazer no atual caso em Tomar.

Infelizmente para nós, continuaremos a ser governados por gente menor, sem dimensão de Estado, e sem capacidade para conduzir sem ver para além do capô do carro. 
E, sempre, sempre à pendura...

Tomar merece isto?

22.10.17

Tomada de posse em Tomar, sem sonho, sem imagética, sem capacidade demonstrada...

Tomada de posse dos novos eleitos locais do Município de Tomar, no Cine-Teatro Paraíso.
Foto mediotejo.net - novo executivo municipal 2017/21 (da esquerda para a direita) Luis Ramos(PSD), Célia Bonet(PSD), Hugo Cristóvão(PS), Anabela Freitas(PS), José Delgado(PSD), Filipa Fernandes(PS) e Helder Henriques(PS) 

Assisti com interesse a mais esta cerimónia, hoje despida da pompa republicana de há quatro anos, ausente que esteve a guarda de honra dos Bombeiros Municipais, e perante uma assistência que não conseguiu ocupar mais de dois terços da plateia do Cine-Teatro. 

O mais positivo foi indiscutivelmente a paridade do executivo municipal, circunstância da eleição de três mulheres e de quatro homens para a vereação. O executivo anterior que mais paridade teve, foi o de 2009-13, com duas vereadoras, do qual humildemente fiz parte. 

Dois discursos pontuaram o encerramento. Bem, discursos é uma força de expresso: meros apontamentos. 

Zeca Pereira foi reeleito presidente da Assembleia, por 16 votos (15 do PS e 1 do presidente independente), contra 13 da lista do PSD e com três votos em branco (2CDU e 1BE). 

Do seu apontamento, realce para o agradecimento que fez a sua eleição, pelos eleitores (!), esquecendo que foram os seus pares que o elegeram. Fez menção ainda "à maioria que os eleitores lhe deram", quando "apenas" obteve 38,5% dos votos (34% para o PSD) e elegeu 10 deputados em 21. Bem. É o que temos! 

Seguiu-se o apontamento da presidente da Câmara, indiscutivelmente por si escrito, onde de forma simples colocou a nu a sua quase completa vacuidade, que já se havia observado nas intervenções tidas na campanha eleitoral. 

Três únicas questões abordadas: 

1 - as três obras previstas, com financiamento comunitário previstas, para os próximos dois anos: Palhavã, Várzea Grande e Avenida Nuno Álvares Pereira; 

2 - as novas competências a serem transferidas do Estado para a administração autárquica, sem qualquer referência de concreto para a vida dos tomarenses, conseguindo assim explicar do porquê delas nos serem prejudiciais; 

3 - a posição de Tomar no contexto da reorganização administrativa, entre a manutenção na de Lisboa e Vale do Tejo, ou aux contraire com a plena integração na região Centro ou, aqui a única novidade face à campanha eleitoral, a introdução da hipótese de criação de uma nova região do Ribatejo e Oeste - velha aspiração dos socialistas de Tomar. 

Tudo repetido. 
Sem ponta de sonho, nem caminho, sem imagética, nem capacidade demonstrada. 

O que podemos esperar dos próximos quatro anos? Apenas e só o que se viu nos últimos dois. 
(Não é de estranhar pois todos sabemos que, mesmo depois de cortada a cauda da lagartixa, continua a saltar durante muito tempo, parecendo ter vida). 

Sobre a forma de organizar o Município - pelouros e outras formas de melhorar o serviço às populações, ou ainda mais importante: de qual o desenvolvimento que se irá implementar no Concelho, nada! 

Tomar merece isto? 


Post Scriptum
Compare os discursos e conclua por si mesmo:

2013                           2017

Tomada de posse em 2013, com Guarda de Honra dos Bombeiros Municipais de Tomar 

16.10.17

Incêndios e mortos demais e profissionalismo, demenos...

(em atualização)
Março de 2013 - para recordar que a seguir aos incêndios, vêm as cheias, e o problema é o mesmo

Este fim de semana, de 14 e 15 de outubro de 2017, viu a repetição para bem pior do malogrado fim de semana de 12 a 15 de agosto e, felizmente a nível de mortes e feridos graves, cerca de metade do fim de semana de 16 e 17 de junho.

Muitos mortos - no total destes quatro meses, cerca de uma centena e mais de duzentos feridos - muitos dos quais graves, são o balanço humano, de um sistema de gestão e manutenção da proteção civil nacional. As leis de bases da proteção civil evoluíram, a lei autarquica também e, desde há quatro anos, que os presidentes de junta são também eles, formalmente, responsáveis pelo primeiro nível de proteção às populações.

Os principais braços armados do sistema de combate - aquele sobre o qual mais atentos acabamos por estar, que são os bombeiros, são menos hoje que eram há uma década ou duas, mais mal financiados e mais desigualmente distribuídos pelo território: muitos onde há muita gente - e muitos transportes de doentes, que são aquilo que verdadeiramente os financia, e pouco sonde há pouca gente, mas muita floresta e muita necessidade, especialmente no Verão - ou melhor, de maio a outubro.

O sistema teve até 2011, um dos epicentros de coordenação, que acabava por dar respaldo ao poder governamental e a conseguir "limar" arestas entre os diferentes concelhos, garantindo que os técnicos, primeiro do serviço nacional de bombeiros, até 2002, e depois dos serviços nacionais de proteção civil (distritalizados), que eram os Governos Civis. 
A sua suspensão, a mando do governo que teve de gerir a implementação do acordo com a Troika, não teve a necessária e consequente substituição, por nenhum, nível de poder, com igual legitimidade, levando a que de então para cá, os problemas se agravassem.

Sei-o, por experiência própria, pois servi entre 2005 e 2009, como adjunto do governador civil do Distrito de Santarém e, entre 2009 e final de 2011, como vereador a tempo inteiro com o pelouro da proteção civil. Nesses períodos, houve um dos piores verões de que há memória - 2005 e em Tomar, o Tornado de 2010. A presença e existência do Governo Civil, como niveis de autoridade sobre os técnicos da ANPC (Autoridade Nacional de Proteção Civil), porque detinha competência própria e delegada do secretário distrital, mas também porque era o interlocutor dos presidentes de Câmara perante o governo, sendo assim respeitado por estes na sua ação de coordenação. Depois da suspensão dos Governos Civis, nenhum vereador com responsabilidades na proteção civil ou presidente de Câmara, dá ouvidos ou sequer perde tempo com qualquer CODIS (Comandante Distrital da ANPC) ou outras estruturas técnicas análogas. 

Faltando o elo político, a nível de proximidade com os Municípios, pensar que aquela coisa chamada Comunidades Intermunicipais, geridas por presidentes de Câmara, tem alguma hipótese de substituir os Governos Civis é um mito que, bastou ouvir a Presidente da CIM do Médio Tejo, aquando dos incêndios do fim de semana de 12-15/Agosto, falando quase sempre como presidente do Município de Abrantes, incapaz que era/foi/será de o fazer num contexto semi-regional. Não pode, não tem, nunca será reconhecido pelos seus pares e, especialmente pelos técnicos da ANPC distritalizados, como autoridade própria, capaz e necessária, para impor coordenação.

Obviamente que ninguém acredita que este Secretário de Estado - Jorge Gomes, profundamente conhecedor do sistema, pois foi Governador Civil de Bragança, ou do seu Chefe de Gabinete - Adelino Gomes, que foi adjunto do Governador Civil de Leiria, consiga ou possa desdobrar-se entre os 18 distritos do País, garantindo a coordenação política, que é o primeiro nível que os operacionais necessitam.

O Primeiro Ministro vai falar e a seguir a ele, a matraca presidencial fará mais um chorrilho de apelos e visitas, mas creiam-me que, por muito pouco popular que possa ser, a reposição em funcionamento dos Governos Civis é, sob o ponto de vista político e funcional, absolutamente necessário, pois funcionava, pois era respeitado, pois era sempre mais barato que estarmos a braços com mais de 100 mortos e várias centenas de feridos. 

Chega!


13.10.17

7.10.17

Objectivos da defesa da floresta contra incêndios

No quadro do Decreto-Lei nº124/2006, de 28 de Junho, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei nº 17/2009, de 14 de Janeiro, preconiza-se a implementação de uma política de defesa da floresta que se traduza na elaboração de normas adequadas para a protecção de pessoas e bens e para a valorização dos espaços florestais, fomentados a capacidade de gestão dos territórios rurais.

Os Planos Municipais de Defesa da Floresta contra Incêndios (PMDFCI), devem conter as acções necessárias à defesa da floresta contra incêndios e, para além das acções de prevenção, incluem a revisão e a programação integrada das intervenções das diferentes entidades envolvidas perante a eventual ocorrência de incêndios. 

São elaborados pelas CMDFCI em consonância com o Plano Nacional de Prevenção e Protecção da Floresta contra Incêndios Florestais e com o respectivo Plano Regional de Ordenamento Florestal.

Grandes Objectivos

1.      Aumento da Resiliência do concelho aos incêndios florestais
a. Acções de gestão de combustível/Silvicultura Preventiva
b. Manutenção da rede viária florestal
c. Manutenção da rede de pontos de água

2.      Redução da incidência dos incêndios
a. Identificação dos comportamentos de risco e avaliação das causas
b. Fiscalização
c.  Campanhas de sensibilização
d.  Avaliação das áreas ardidas e pontos de início

3.      Melhoria da eficácia do ataque e da gestão de incêndios
a. Vigilância e detecção, 1.ª intervenção, rescaldo, e vigilância pós-incêndio.

4.      Recuperar e reabilitar os ecossistemas
a. Acções de emergência e reabilitação pós-incêndio.


5.      Adaptação de uma estrutura orgânica funcional e eficaz.

4.10.17

Será que quem ganha, tem sempre razão?


O título deste artigo, mais do que uma pergunta escolástica, é ele próprio um programa de trabalho, pois todos sabemos que a resposta à pergunta é negativa.

Ganhar é tão só, ter mais votos e isso, muitas vezes em resultado do facto de estar no lugar certo à hora certa e, por mérito próprio, cometer eventualmente menos erros que os principais desafiadores.

Foi o que aconteceu em Tomar nestas eleições.

Senão vejamos.

Todos os presidentes de junta de freguesia viram os seus mandatos renovados e, todos eles, viram as suas maiorias, ou no caso da cidade minorias, reforçadas. Todos? Bem. Nem todos, pois houve um que foi desalojado sem apelo nem agravo, porque não tinha jeito, porque dormiu à sombra e porque pensou que os paradigmas dos passados das lutas operárias, garantiam o futuro dos amanhãs que cantavam. Paialvo livrou-se, de facto, de uma pecha do arqueísmo da CDU, que era motivo de risada permanente da comunidade política local.

Em conclusão, quem trabalha bem e não inventa desculpas para as dificuldades, vê o seu esforço recompensado. As retumbantes vitórias de Carlos Rodrigues (8/1) na Asseiceira ou de João Luis (7/2) nos Casais/Alviobeira, são disso claro exemplo. Mérito próprio dos presidentes, mas também da nova relação estabelecida a partir do modelo – pela primeira vez legal, de financiamento das delegações de competências nas freguesias e dos respetivos contratos inter-administrativos estabelecidos. Adiado durante anos, este foi um dos graves erros das anteriores gestões PSD da Câmara, aqui claramente demonstrado.

A CDU, mais do que qualquer outro partido é, nestas eleições, verdadeiramente humilhada, uma vez que mesmo tendo aumentado o numero de votos disponíveis (votantes menos votos nulos e brancos), em cerca de 413, a CDU conseguiu perder 279 votos na eleição para a Câmara Municipal e baixar mais de 1,4%. Perdida a única freguesia e o único vereador, a CDU é nestas eleições autárquicas a grande derrotada.

Mas a pergunta que se fez, foi se quem ganha, tem sempre razão. Não.

O PS ao ganhar, com uma estratégia de assimilação dos ex-independentes e, especialmente depois das infelizes circunstâncias de saúde que decapitaram a candidatura do PSD, expectava um caminho triunfal para um resultado histórico, que alguns antecipavam para próximo dos 50% dos votos, obtidos por Pedro Marques em 1993. Ao quedar-se pelos 40,2% para a Câmara (com maioria) e por 38,5% para a Assembleia (sem maioria), o PS pode dar-se por feliz de ter conseguido ganhar, num cenário de franco “desaparecimento” do PSD a nível nacional, o que não aconteceu em Tomar, onde este não só resistiu, como manteve todas as juntas de freguesia, aumentando o numero de vereadores e de deputados municipais. Vamos ter nestes quatro anos menos PS e mais Anabela Freitas, o que pelo que fomos vendo nos últimos dois anos, não é objetivamente bom.

Alguns menos atentos irão andar ufanos, quiçá rejubilantes, de ter conseguido ganhar, convictos que todos os fatores, já bem observáveis nos últimos dois anos de governação, não se agravarão. Ao colocar dentro da Câmara Pedro Marques e alguns seus indefetíveis, o PS cometeu um erro monumental para o interesse público. Foi aliás esse o principal fator que não permitiu, aquele que poderia ter sido um resultado histórico do PS no Concelho de Tomar: é que o povo não esquece! Anabela Freitas reconduzida, como seria expectável, fica assim com a faca e o queijo na mão, com aquele travo de altivez, arrogância e convencimento típico dos pequenos ditadores, que acha que gerir a coisa pública é impor a sua vontade, sem passar água vai, água vem, a ninguém, como aliás fez durante estes últimos dois anos. Isso irá a médio prazo dar disparate, como podia ter dado agora. De ver que dos mais de 4.900 votos disponíveis de duas anteriores candidaturas (de independentes e MPT) e novos votos disponíveis, por força de menos votos nulos e brancos, a candidatura do PS à Câmara, só conseguiu aumentar cerca de 2.500. O partido que mais cresceu – para o dobro da votação, foi mesmo o BE, ao passar de 585 para 1194 votos para a Câmara.

Pensar que ganhar é ter razão, é o primeiro passo para que Tomar não saia da cepa torta: com menos investimento, menos habitantes e menos paciência, para acreditar que no futuro teremos mais soluções que tivemos no passado. Preparam-se assim tempos bem difíceis e, ninguém parece querer ver.

Parece assim ser que quem quiser ter “razão” daqui a oito anos, ganhando, terá de por já as pernas ao caminho. Foi assim que Anabela Freitas chegou ao poder: aproveitando cada oportunidade para colocar o pé no degrau certo e mesmo sem razão, no final ganhar. Tomar que se cuide! Eu continuo a acreditar que há um outro caminho: o da seriedade, da transparência, da verdade e da coragem.

* Ex-vereador da Câmara Municipal de Tomar