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7.9.26

5.9.26

Bons Sons - O contributo possivel do Turismo Sustentável ao Turismo Regenerativo, uma síntese

 


A crescente complexidade dos desafios ambientais, sociais e territoriais associados ao desenvolvimento turístico tem conduzido ao questionamento dos paradigmas tradicionais de sustentabilidade. Embora o desenvolvimento turístico sustentável continue a constituir uma referência central para o planeamento e gestão dos destinos, diversos autores têm vindo a argumentar que a mitigação dos impactos negativos do turismo é insuficiente para responder aos desafios contemporâneos, defendendo a necessidade de abordagens capazes de gerar benefícios líquidos para os territórios, comunidades e ecossistemas (Bellato, Frantzeskaki & Nygaard, 2022; Bellato & Pollock, 2023; Sheldon, 2022).

Neste contexto emerge o conceito de turismo regenerativo, entendido como uma abordagem orientada para a revitalização dos sistemas socio-ecológicos, o fortalecimento das capacidades comunitárias e a criação de relações mutuamente benéficas entre visitantes, residentes e territórios. Ao contrário das abordagens centradas na minimização de impactos, o turismo regenerativo procura contribuir ativamente para processos de transformação territorial, reforçando a resiliência ecológica, cultural, social e económica dos lugares (Bellato, Frantzeskaki & Nygaard, 2022; Bellato & Pollock, 2023; Sheldon, 2022).

Os festivais de música realizados em territórios rurais portugueses constituem um contexto privilegiado para analisar esta transição paradigmática. Estes eventos são frequentemente associados à dinamização económica, valorização cultural, reforço identitário e promoção turística dos territórios anfitriões. Contudo, permanece insuficientemente compreendido em que condições estes contributos ultrapassam uma lógica de desenvolvimento turístico sustentável e passam a configurar processos efetivos de regeneração territorial.


Bibliografia citada:

Bellato, L., Frantzeskaki, N., & Nygaard, C. A. (2022). Regenerative tourism: A conceptual framework leveraging theory and practice. Tourism Geographies, 25(4), 1026–1046. https://doi.org/10.1080/14616688.2022.2044376

Bellato, L., & Pollock, A. (2023). Regenerative tourism: A state-of-the-art review. Tourism Geographies, 27(3–4), 558–567. https://doi.org/10.1080/14616688.2023.2294366

Sheldon, P. J. (2022). Designing regenerative tourism. Edward Elgar Publishing. https://doi.org/10.4337/9781800377486




1.9.26

Do Turismo Sustentável ao Turismo Regenerativo: o contributo para processos de transformação territorial dos espaços rurais portugueses

No âmbito do Programa de Doutoramento em Turismo que tenho vindo a frequentar na Universidade de Évora, irei ao longo dos próximos anos, desenvolver uma investigação subordinada ao tema:

Do Turismo Sustentável ao Turismo Regenerativo: O contributo dos festivais de música para processos de transformação territorial dos espaços rurais portugueses


O Plano de Trabalho Proposto e Cronograma do Projeto de Tese, no âmbito do Doutoramento em Turismo da Universidade de Évora, foi aceite pelo Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades - CIDEHUS, onde atuarei como Investigador Doutorando.

O email de investigador, é o luis.js.ferreira@fa.uevora.pt

Sinopse da investigação a desenvolver:

A presente investigação analisa o contributo dos festivais de música (Portugal, 2023) realizados em territórios rurais (Vasta et al., 2023) portugueses para processos de transformação territorial alinhados com princípios de sustentabilidade de regeneração (Nkunzi & Nyikana, 2025; Nugroho et al. 2025). Parte-se do reconhecimento de que sustentabilidade e regeneração não devem ser entendidas como categorias fechadas nem como etapas automaticamente sucessivas (Ho, 2026), mas como lógicas que podem coexistir, em diferentes graus, no mesmo festival e território.

A investigação distingue turismo regenerativo, práticas regenerativas e regeneração territorial, sendo esta última entendida, como um processo multidimensional, gradual e duradouro, resultante da interação entre festival, comunidade local, autarquias, associações, agentes económicos, visitantes e outras dinâmicas territoriais (Roriz & Oliveira, 2023; Fusté-Forné & Hussain, 2025; Turčinović et al., 2025).

A pergunta central é: Em que condições, através de que mecanismos e com que limites os festivais de música realizados em territórios rurais portugueses contribuem para processos de transformação territorial alinhados com princípios de sustentabilidade e/ou de regeneração?

Será adotada uma metodologia de estudos de caso múltiplos (Yin, 2018), com recurso a métodos mistos, em que a componente qualitativa terá uma centralidade interpretativa, enquanto a componente quantitativa terá uma função complementar e contextualizadora, no âmbito de um paradigma positivista já explorado por Portugal (2023), na sua análise de comportamento de turistas em Festivais, em Portugal. A investigação combinará revisão da literatura, análise documental, entrevistas, observação participante (direta e indireta), questionários, dados secundários e reconstrução da trajetória territorial de cada caso. Pretende-se desenvolver um quadro de avaliação que distinga indicadores de atividade, resultado e impacto, permitindo construir perfis multidimensionais de contributo territorial.








A aventura vai, portanto, começar em breve!

28.8.26

Festa do Avante assinala 120 anos do nascimento de Fernando Lopes-Graça

O templário 26/8/2026 - Notícia completa, aqui

A Festa do Avante assinala 120 anos do nascimento de Fernando Lopes-Graça. Espaço da Organização Regional de Santarém será dedicado ao compositor tomarense. Coro Misto da Canto Firme interpretará obras do músico no dia 5 de setembro



20.8.26

PLANAPP | os policy briefs da 3.ª edição do Science4Policy (2025)

O PLANAPP acaba de disponibilizar na Biblioteca de Policy Briefs os documentos resultantes da edição de 2025 do concurso Science4Policy (S4P-25), promovido em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Com esta publicação, passam a estar reunidas num mesmo espaço as sínteses de evidência produzidas nas três edições já concretizadas do concurso, a par dos documentos elaborados no âmbito das Mesas Redondas.

O S4P-25 foi a edição com maior adesão desde o lançamento da iniciativa, em 2023: das 60 propostas elegíveis, foram aprovadas 27 candidaturas, distribuídas por 20 linhas temáticas prioritárias definidas pela a REPLAN – Rede de Serviços de Planeamento e Prospetiva da Administração Pública, no quadro das Agendas Temáticas da Estratégia Portugal 2030. Concluídos no segundo trimestre de 2026, os estudos mobilizaram um financiamento global de cerca de 1,3 milhões de euros.

Cada policy brief traduz um estudo de investigação aplicada num documento curto e orientado para a decisão, que delimita o problema de política pública, sistematiza a evidência disponível e propõe opções e recomendações dirigidas a quem formula e decide. Os trabalhos foram desenvolvidos por equipas de instituições de ensino superior e centros de investigação de diferentes regiões do país, em articulação com organismos da Administração Pública das áreas governativas a que os desafios dizem respeito.

Os temas cobertos acompanham a amplitude das prioridades nacionais, abrangendo o equilíbrio demográfico e a redução das desigualdades, a digitalização, a inovação e as qualificações, a transição climática e a sustentabilidade dos recursos, bem como a competitividade e a coesão territorial.

Ao tornar estes conteúdos acessíveis a partir de um único ponto de entrada, o PLANAPP consolida a Biblioteca como infraestrutura de intermediação de conhecimento, aproximando a produção científica dos tempos e das necessidades da decisão pública e estimulando o diálogo entre a Administração Pública, a comunidade científica e os restantes atores do ecossistema das políticas públicas.

Esta divulgação integra-se no esforço de implementação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que financia esta ação.

16.8.26

Mais uma tentativa de limitar a Laicidade do Estado - comunicado da Associação Ateísta Portuguesa


COMUNICADO

Recentes notícias reportam que "deputadas do partido [Chega] abraçam a dimensão religiosa da sua atividade política"* através da formação do Movimento Mulheres Conservadoras Portugal, que também conta com personalidades dos partidos PSD e CDS-PP.

A Associação Ateísta Portuguesa alerta para o avanço institucional e político de grupos cujos objetivos podem colocar em causa a laicidade do Estado português, que não pode reconhecer nenhum tipo de dimensão religiosa no exercício das suas funções, da mesma forma que não pode exercer controlo político sobre a prática religiosa da sua população.

Um dos princípios estruturantes da sociedade contemporânea diz respeito à posição de laicidade do Estado, princípio esse que assegura que este não adota qualquer religião, garantido desse modo a liberdade religiosa dos cidadãos.

A criação de um movimento ultraconservador, com o aparente aval do Partido Chega, configura um ataque consciente e deliberado contra o princípio da Laicidade, assumindo-se como um projeto atentatório dos mais básicos direitos humanos, em particular os das mulheres e de algumas minorias sexuais e confessionais e, em geral, os de todos os cidadãos.

O referido movimento ultraconservador não esconde os seus objetivos, propósitos e finalidades: há uma intenção declarada de promover um retrocesso civilizacional, constitucional e axiológico, reintroduzindo a religião na esfera pública, nomeadamente na ação parlamentar, com impactos diretos na liberdade de pensamento e de expressão dos cidadãos, mediante alterações nas políticas de Educação, de Saúde e de Solidariedade Social.

A importação de fenómenos que tanto têm prejudicado o Brasil, como o desenvolvimento de uma bancada evangélica no parlamento, parece ser um caminho possível se não provável para este movimento, se aliado a outros do mesmo teor, que se têm vindo a formar nos últimos anos. A infiltração de ideias religiosas entre as pessoas eleitas para legislar conduz a um país onde a fé pessoal se sobrepõe ao interesse público.

A Associação Ateísta Portuguesa, não pode deixar de manifestar  a sua preocupação relativamente às consequências nefastas decorrentes da perniciosa influência deste movimento e chama a especial atenção das entidades públicas (órgãos de soberania, partidos políticos e demais instituições), da sociedade civil e de todos os cidadãos para a importância da defesa da laicidade do Estado.


A Direção da Associação Ateísta Portuguesa