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28.8.26

Festa do Avante assinala 120 anos do nascimento de Fernando Lopes-Graça

O templário 26/8/2026 - Notícia completa, aqui

A Festa do Avante assinala 120 anos do nascimento de Fernando Lopes-Graça. Espaço da Organização Regional de Santarém será dedicado ao compositor tomarense. Coro Misto da Canto Firme interpretará obras do músico no dia 5 de setembro



20.8.26

PLANAPP | os policy briefs da 3.ª edição do Science4Policy (2025)

O PLANAPP acaba de disponibilizar na Biblioteca de Policy Briefs os documentos resultantes da edição de 2025 do concurso Science4Policy (S4P-25), promovido em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Com esta publicação, passam a estar reunidas num mesmo espaço as sínteses de evidência produzidas nas três edições já concretizadas do concurso, a par dos documentos elaborados no âmbito das Mesas Redondas.

O S4P-25 foi a edição com maior adesão desde o lançamento da iniciativa, em 2023: das 60 propostas elegíveis, foram aprovadas 27 candidaturas, distribuídas por 20 linhas temáticas prioritárias definidas pela a REPLAN – Rede de Serviços de Planeamento e Prospetiva da Administração Pública, no quadro das Agendas Temáticas da Estratégia Portugal 2030. Concluídos no segundo trimestre de 2026, os estudos mobilizaram um financiamento global de cerca de 1,3 milhões de euros.

Cada policy brief traduz um estudo de investigação aplicada num documento curto e orientado para a decisão, que delimita o problema de política pública, sistematiza a evidência disponível e propõe opções e recomendações dirigidas a quem formula e decide. Os trabalhos foram desenvolvidos por equipas de instituições de ensino superior e centros de investigação de diferentes regiões do país, em articulação com organismos da Administração Pública das áreas governativas a que os desafios dizem respeito.

Os temas cobertos acompanham a amplitude das prioridades nacionais, abrangendo o equilíbrio demográfico e a redução das desigualdades, a digitalização, a inovação e as qualificações, a transição climática e a sustentabilidade dos recursos, bem como a competitividade e a coesão territorial.

Ao tornar estes conteúdos acessíveis a partir de um único ponto de entrada, o PLANAPP consolida a Biblioteca como infraestrutura de intermediação de conhecimento, aproximando a produção científica dos tempos e das necessidades da decisão pública e estimulando o diálogo entre a Administração Pública, a comunidade científica e os restantes atores do ecossistema das políticas públicas.

Esta divulgação integra-se no esforço de implementação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que financia esta ação.

16.8.26

Mais uma tentativa de limitar a Laicidade do Estado - comunicado da Associação Ateísta Portuguesa


COMUNICADO

Recentes notícias reportam que "deputadas do partido [Chega] abraçam a dimensão religiosa da sua atividade política"* através da formação do Movimento Mulheres Conservadoras Portugal, que também conta com personalidades dos partidos PSD e CDS-PP.

A Associação Ateísta Portuguesa alerta para o avanço institucional e político de grupos cujos objetivos podem colocar em causa a laicidade do Estado português, que não pode reconhecer nenhum tipo de dimensão religiosa no exercício das suas funções, da mesma forma que não pode exercer controlo político sobre a prática religiosa da sua população.

Um dos princípios estruturantes da sociedade contemporânea diz respeito à posição de laicidade do Estado, princípio esse que assegura que este não adota qualquer religião, garantido desse modo a liberdade religiosa dos cidadãos.

A criação de um movimento ultraconservador, com o aparente aval do Partido Chega, configura um ataque consciente e deliberado contra o princípio da Laicidade, assumindo-se como um projeto atentatório dos mais básicos direitos humanos, em particular os das mulheres e de algumas minorias sexuais e confessionais e, em geral, os de todos os cidadãos.

O referido movimento ultraconservador não esconde os seus objetivos, propósitos e finalidades: há uma intenção declarada de promover um retrocesso civilizacional, constitucional e axiológico, reintroduzindo a religião na esfera pública, nomeadamente na ação parlamentar, com impactos diretos na liberdade de pensamento e de expressão dos cidadãos, mediante alterações nas políticas de Educação, de Saúde e de Solidariedade Social.

A importação de fenómenos que tanto têm prejudicado o Brasil, como o desenvolvimento de uma bancada evangélica no parlamento, parece ser um caminho possível se não provável para este movimento, se aliado a outros do mesmo teor, que se têm vindo a formar nos últimos anos. A infiltração de ideias religiosas entre as pessoas eleitas para legislar conduz a um país onde a fé pessoal se sobrepõe ao interesse público.

A Associação Ateísta Portuguesa, não pode deixar de manifestar  a sua preocupação relativamente às consequências nefastas decorrentes da perniciosa influência deste movimento e chama a especial atenção das entidades públicas (órgãos de soberania, partidos políticos e demais instituições), da sociedade civil e de todos os cidadãos para a importância da defesa da laicidade do Estado.


Direção da Associação Ateísta Portuguesa

12.8.26

Inteligência Artificial: princípios para uma utilização responsável no dia a dia (e na educação)

 Notícia original aqui


Escrito por Diogo Matos, Analista de Sistemas da FCT, na unidade de serviços digitais FCCN


A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma novidade para passar a fazer parte do nosso quotidiano. Utilizamo-la, muitas vezes, sem nos apercebermos, em diferentes tarefas do dia a dia. Na educação, não é diferente: pode ajudar professores a poupar tempo, apoiar alunos na aprendizagem e contribuir para processos mais eficientes. Mas, como qualquer tecnologia com um impacto crescente nas nossas vidas, exige critérios claros, sentido crítico e uma utilização responsável.

Ao longo deste artigo, partilhamos um conjunto de boas práticas e princípios essenciais para utilizar a IA de forma informada, responsável e consciente, potenciando os seus benefícios sem perder de vista os desafios e riscos associados.

1. Transparência acima de tudo

A utilização responsável da Inteligência Artificial começa pela transparência. Sempre que recorremos a estas ferramentas para apoiar ou produzir um trabalho, um texto, uma análise ou uma decisão, devemos divulgar esse facto de forma clara. Isto aplica-se a alunos que recorrem a esta tecnologia para um trabalho escolar, a professores que a utilizam para preparar materiais, e a qualquer profissional que a integre no seu processo de trabalho.

A transparência não é apenas uma questão ética, é o que permite que quem recebe o trabalho possa avaliar corretamente o que está a ler e como foi produzido.

2. Uma ferramenta, não um substituto

Os modelos de Inteligência Artificial podem ser aliados valiosos em diferentes tarefas, desde a criação de conteúdos e análise de informação, até à organização de ideias, à realização de tarefas repetitivas ou à identificação de aspetos que possam ter sido esquecidos. No entanto, o seu papel deve ser o de apoio, e não o de substituição.

A responsabilidade pela decisão final, seja uma nota atribuída, um diagnóstico, um relatório ou uma simples resposta a um email, continua a ser sempre de uma pessoa. Isto significa que o resultado produzido pela IA deve ser sempre analisado criticamente, em vez de ser automaticamente aceite. Delegar o julgamento por completo a um modelo de IA é abdicar da nossa própria responsabilidade.

3. Fact-checking é uma etapa obrigatória

Os modelos podem errar, e erram com maior frequência do que se imagina. As chamadas “alucinações”, quando é apresentada informação incorreta com total confiança, são um risco real e conhecido. Datas, nomes, citações, referências bibliográficas ou dados estatísticos gerados por Inteligência Artificial devem ser sempre verificados junto de fontes fiáveis antes de serem usados ou partilhados.

Uma boa prática consiste em pedir ao modelo que indique as referências e as fontes utilizadas para sustentar a informação apresentada. Essas referências devem depois ser consultadas e verificadas diretamente pelo utilizador, de forma a confirmar a sua veracidade, fiabilidade e adequação ao contexto.

4. Segurança e privacidade dos dados

Muitas das ferramentas disponíveis recolhem dados dos utilizadores para fins de análise, melhoria dos serviços e, em alguns casos, treino de futuros modelos. Por isso, é fundamental evitar introduzir dados pessoais, confidenciais ou sensíveis nestas plataformas, sejam eles nossos, de alunos ou de colegas.

Antes de utilizar um documento ou colocar uma pergunta que envolva informação identificável, vale a pena parar e pensar: “Este conteúdo pode sair daqui e ser usado para outros fins?” Na dúvida, é preferível anonimizar ou simplesmente não partilhar.

5. Atenção aos enviesamentos

Todos os modelos são treinados com base em grandes conjuntos de dados, recolhidos maioritariamente da internet e de outras fontes já existentes. Isso significa que podem refletir e, por vezes, amplificar enviesamentos presentes nesses dados, como estereótipos de género, preconceitos culturais, desequilíbrios geográficos ou outras formas de representação desigual da realidade.

O utilizador deve estar atento a respostas que pareçam parciais, estereotipadas ou incompletas, e questionar sempre a origem e a neutralidade da informação recebida.

Para professores: transformar princípios em prática

Na educação, a integração responsável da Inteligência Artificial passa não só pela adoção destas ferramentas, mas também pela capacidade de orientar os alunos para uma abordagem crítica e consciente. Neste contexto, existem algumas práticas que podem fazer a diferença dentro e fora da sala de aula.

Definir e comunicar políticas claras de utilização

Uma utilização responsável começa por regras claras. Os alunos devem compreender quando e para que finalidades a Inteligência Artificial pode ser utilizada nos trabalhos académicos, bem como os limites da sua utilização. Por exemplo, pode ser adequada para apoiar a pesquisa ou a organização de ideias, mas não para elaborador um trabalho final na íntegra.

Literacia digital: compreender como funciona a IA

Mais do que utilizar as ferramentas, é importante compreender o seu funcionamento e limitações. Os alunos devem saber que estes sistemas podem cometer erros, apresentar informação incorreta ou refletir enviesamentos presentes nos dados com que foram treinados. Devem ainda perceber que a qualidade das respostas depende, em grande medida, da forma como as perguntas são formuladas.

Reduzir a carga administrativa

A Inteligência Artificial pode ser uma aliada valiosa na redução do trabalho administrativo dos professores, libertando tempo para o que realmente importa: acompanhar os alunos e apoiar o seu processo de aprendizagem. Esta tecnologia pode contribuir para tarefas como o planeamento de aulas, a estruturação de unidades curriculares ou a elaboração de sumários e sínteses dos conteúdos lecionados.

Estas ferramentas podem também facilitar a criação de exercícios, testes e fichas de trabalho, a adaptação de materiais aos diferentes níveis de dificuldade e a necessidades educativas específicas, a elaboração de rubricas de avaliação e a correção de trabalhos. Em todos estes casos, a revisão e validação por parte do professor continuam a ser indispensáveis.

Dar o exemplo na utilização da IA 

Quando um professor usa a Inteligência Artificial de forma transparente e crítica, está também a promover essas boas práticas junto dos alunos. Identificar claramente quando foi utilizada, verificar a informação produzida e manter o julgamento profissional como elemento central da decisão são formas de demonstrar, na prática, o que significa uma utilização responsável.

Preparar o futuro com sentido crítico

A Inteligência Artificial tem vindo a transformar a forma como estudamos, ensinamos e trabalhamos. Quando utilizada com critério, pode apoiar a aprendizagem, simplificar tarefas e aumentar a eficiência em diferentes contextos. No entanto, o seu potencial deve caminhar lado a lado com a transparência, o espírito crítico e o respeito pela privacidade. Mais do que saber utilizar estas ferramentas, é fundamental compreender as suas limitações, validar a informação que produzem e manter sempre o julgamento humano no centro das decisões.

Num contexto em que a IA está cada vez mais presente no nosso dia a dia, desenvolver uma utilização informada e responsável é uma competência essencial para todos. A tecnologia evolui rapidamente. A responsabilidade de a utilizar de forma adequada continua a ser inteiramente nossa.