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20.8.16

Bombeiros de Tomar precisam de mais ambulâncias

O processo de reequipamento dos nossos Bombeiros tem sofrido vários contratempos, desde que em 2010, se concluiu pelo excessivo envelhecimento das ambulâncias, face aos transportes que então já eram efetuados, situação que viria a ser deveras agravado com a concentração das urgências na unidade de Abrantes, o que obrigou a maiores e mais prolongadas deslocações.
 
No decurso dessa ultima gestão socialista dos Bombeiros (2010/11), foi possível aumentar em cerca de 60% o numero de transportes efetuados, mais do que duplicando a receita obtida, com a legalização dos preços cobrados e efetiva arrecadação, para o Município, da respetiva receita.

Apesar dessa demonstração de que mais serviços, significavam mais receita e serviço efetivo às populações do concelho, a anterior Câmara, só em 2012, viria a aceitar, após proposta dos então vereadores do PS (onde me incluía), proceder ao processo de aquisição de novas ambulâncias.

A primeira chegaria em cima das autárquicas de 2013 e a segunda já só viria a ser adquirida em 2014, já nesta nova gestão. Entretanto mais duas ambulâncias foram adquiridas e apenas uma abatida, tendo duplicado o numero de serviços e transportes efetuados, mercê do também reforço de bombeiros ao serviço dos Municipais de Tomar, nos últimos dois anos (mais 15 operacionais entrados para o quadro do Município e apenas duas saídas).
Elementos da direção da Liga dos Amigos dos Bombeiros de Tomar, com Comandante dos Municipais de Tomar e adjunto, junto à nova ambulância cujo chassis foi por esta oferecido e paga a transformação pelo Município 

A última das ambulâncias teve o chassis oferecido pela Liga dos Amigos do Bombeiros - boa razão para todos sermos dela sócios, além do desconto de mais de 30% que isso nos dá nos serviços da proteção civil. Há agora a teoria de que não são necessárias mais ambulâncias. Permitam-me discordar. É necessário ir abatendo as ambulâncias com mais anos (12-15-20), melhorando a qualidade e a quantidade de serviços efetuados para os cidadãos do Concelho de Tomar.

Vocacionar os bombeiros, unicamente para a capacidade técnica operacional de resgate, emergência civil, fogos florestais é demasiado pouco para um Concelho para Tomar. Nós investimos cerca de 1,2 milhões€/ano, no sistema de proteção civil/bombeiros, e não aproveitar a sua capacidade instalada para aumentar o serviço às populações, não faz qualquer sentido. Diria mesmo que fazê-lo é um ato de má gestão pública.
A teoria está errada e, deveria ser adquirida uma nova ambulância todos os anos e assim ir aumentando o numero de serviços realizados em 10-15% ao ano, até conseguirmos cobrir as necessidades existentes no Concelho a esse nível.

Sei, por experiência própria de gestão do sistema, que isso é possível. Portanto, permitam-me, dizê-lo: faça-se!

E não se ande atrás de opiniões avulsas, que pensam que seria possível gastar milhões no sistema de proteção civil/bombeiros, sem ter um centavo de receita.

Talvez por isso em 2009 as receitas eram de 115.000€ e a gestão socialista deixou o sistema em 2011, com uma faturação perto dos 300.000€. Hoje ela deve (ou deveria) rondar os 450.000€ - os últimos três meses têm registado um novo decréscimo de atividade de receita, em “prol” do mero socorro, o que não é de todo necessário/justificável de acontecer.

É que agora há recursos humanos disponíveis e há mais ambulâncias.

No entanto, é minha opinião que o esforço na aquisição, será sempre compensado com a receita de cerca de 9-10 meses, além da melhoria das condições de transporte dos doentes e abatimento de ambulâncias mais antigas, com elevados custos de manutenção.

O Concelho de Tomar, que tanto investe anualmente no sistema tem o direito, diria mesmo, tem a obrigação de ter o retorno, a nível de serviço prestado.

Um obrigado à Liga dos Amigos dos Bombeiros de Tomar, por mais este esforço conjunto com o Município para que tal vá acontecendo.

17.8.16

Informação e Propaganda

Há cinco anos atrás, o Mirante "glosava" sobre o que se ía fazendo, depois do muito que se havia dito. E, tal como hoje, o que se procurava fazer era preparar no Verão o que havia a fazer no Inverno e neste a prevenção do que não se queria que acontecesse no Verão.
 
Quanto à Informação, até aceito a crítica. Sobre propaganda pouco ou nada sei. Tomar parece estar cheio de especialistas...

14.8.16

António Costa esteve em Tomar há 13 meses

No âmbito da sua pré-campanha eleitoral, o então candidato a Primeiro Ministro, António Costa, visitou Tomar, nas vésperas da Festa dos Tabuleiros, tendo sido recebido com entusiasmo pela população tomarense e forasteira.

11.8.16

Produção vinícola em Tomar vale apenas 0,1% do País

Agora que nos aproximamos da época das vindimas - sim porque Agosto passa a correr, momento para olhar com atenção para a produção vinícola nacional.
Com base nos dados oficiais disponibilizados pelo Instituto da Vinha e do Vinho, IP, constatamos que o Concelho de Tomar, na campanha de 2014/15 teve uma produção de 5163 hectolitros (HL) de vinho tinto (Portugal 4,0284 milhõesHL), de 228 HL de vinho rosado (Portugal 347071 HL) e 1092 HL de vinho branco (Portugal 1,8304 milhõesHL), numa produção total de 6482 HL de vinho, equivalente a 0,1% da produção total nacional de 6205756 hectolitros.
Os dez Concelhos de Portugal que mais vinho produziram na campanha de 2014/15, foram:
S.João da Pesqueira - 354.644 HL (5,71% do país)
Torres Vedras - 337.801 HL (5,44%)
Almeirim - 273.021 (4,40%)
Reguengos Monsaraz - 273.229 HL (4,39%)
Palmela - 269.229 HL (4,24%)
Alijó - 226.776 (3,65%)
Alenquer - 214.357 HL (3,45%)
Borba - 157.592 (2,54%)
Redondo - 156.135 (2,52%)
Lamego - 150.813 (2,43%)
Estes dez concelhos são assim responsáveis pela produção de 41,77% do vinho de Portugal, incluindo o continente e as regiões autónomas dos Açores e da Madeira.
Curioso é também que nestes dez concelhos, 3 são do Douro, 3 do Ribatejo e Oeste, 3 do Alentejo e 1 da Península de Setúbal.
Mas estes dados revelam ainda que o concelho que mais produz vinho tinto é o de Torres Vedras, com 284.351 HL (7,1% da produção nacional), o que mais produz vinho rosado é o da Anadia, com 50.556 HL (14,6% da produção nacional) e vinho branco o de Almeirim, com 185.151 HL (10,1% da produção nacional).

8.8.16

PSD preocupado com Hortas Sociais, a reboque da minha denúncia pública

Fui como se sabe, durante anos deputado municipal (2005-9) e vereador (2012-13) na oposição, além de ter liderado o PS entre 2004/5, também na oposição municipal, o que conferiu alguma experiência de TER de fazer oposição, apontando alternativas, outras soluções ou mesmo, quando se justificava, valorizando o que de bem se fazia - sim porque em todos os mandatos se fazem coisas bem feitas e outras que nem tanto.
 
Claro que, para um razoável desempenho nessa missão - de oposição, há dois ou três aspetos cruciais, nos quais nos idos de 70/80 do século passado os comunistas eram os melhores: o estudo exaustivo dos dossiers, a procura permanente de "ouvir" os que sabiam do assunto e a apresentação em tempo das soluções.
Reconheço, como marxista que sempre fui, ser um fiel seguidor dessa matriz de análise e, sem nunca deixar de ser socialista, da família democrata e social democrata europeia e mundial, procurar usar os melhores instrumentos para a procura das melhores soluções, para a minha terra.
Está nesse exemplo a minha proposta em 2011, então enquanto vereador da proteção civil, da criação de NUCLEOS DE ALOJAMENTO TEMPORÁRIO, para albergar eventuais desalojados de alguma situação de emergência, como para algumas famílias ciganas que entretanto urgia ir retirando do contexto do Flecheiro e, na mesma linha, já neste mandato, a sua eventual localização nos terrenos municipais junto à GNR e/ou nas traseiras da FAI.
 
Ou seja, para se ter algum sucesso no trabalho de oposição, a premissa de que as palavras chave (Sucesso e Trabalho) apenas vêm por essa ordem no dicionário, ganha plena atualidade.
 
Assim, não é de estranhar que os atuais dirigentes do PSD liderados pelo vereador Tenreiro, tenham uma enorme dificuldade em conseguir acertar na sua missão de oposição. Trabalhar é lixado e não é, mesmo, para TODOS.
 
Assim, também não é de estranhar que estejam sempre a levar a reunião de câmara questões da espuma dos dias da "vida virtual" das redes sociais, ou se tenham perdido no início de mandato com a infantil polémica do afastamento de alguns dirigentes municipais, nomeadamente o seu "dirigente" Boavida, da Divisão Financeira e o seu ex-autarca da assembleia municipal Monteiro, do Departamento de Obras Municipais, ou que atualmente apenas andem a reboque, ou das iniciativas (mais estudadas) de Pedro Marques ou das análises que por aqui vamos fazendo em relação a alguns aspetos da vida municipal e do Concelho.
 
Quando não se sabe, nem se tem a capacidade de aprender, age-se assim: copia-se e defende-se, com voz grossa mas pírricos argumentos, os amigalhaços.
 
É e tem sido assim, a ação de Tenreiro e compadres do PSD nabantino.
Aquilo que poderia e deveria, digo eu, ser uma alternativa aos dislates que TODOS os executivos cometem, este naturalmente incluído, transformou-se em claro e pleno motivo de anedota dos (poucos) Tomarenses, que ainda ligam alguma coisa ao que se passa lá para os lados do salão nobre do edifício municipal.
 
O mais recente e anedótico caso está nas Hortas Sociais (ou Urbanas), propostas há anos pelo PS na oposição, aprovadas, realizado neste mandato o respetivo regulamento e que, há dois anos, marcam passo naquela brilhante e competente vereação do senhor eleito pela CDU, que tem tanto jeito para aquilo como eu para tocar Violoncelo - juro que sei tocar alguns instrumentos, mas esse, nem pó!
 
Talvez se Tenreiro e quejandos do PSD nabantino, se mantivessem quietos, já que quando falam e propõem, raramente acertam, ainda tivessem alguma hipótese contra a expetável candidatura vitoriosa do PS em 2017: o silêncio é de ouro e eu que (não) o diga!
 
Agora sinceramente assim, até eu com anos de experiência de oposição fico estupefacto com tanta infantilidade, tanto amadorismo, tanta incapacidade de apresentar soluções.
 
Se houver dúvidas, podem conferir os dois textos seguintes, um de minha autoria sobre o assunto com meses e o outro a notícia do assunto levado a reunião de câmara, pelos ditos...
 
Exemplar, meu caro Watson! Exemplar!
 
 
 
 

5.8.16

Jardim de Infância de Além da Ribeira mantem-se em funcionamento

Na sequência da aprovação de uma Moção na Assembleia Municipal, a qual não teve um único voto contra, incluindo do PS, e de proposta aprovada na Câmara Municipal posterior e no mesmo sentido, o Ministério da Educação decidiu manter em funcionamento o Jardim de Infância de Fetal, na antiga freguesia de Além da Ribeira.
Tal como já por aqui escrevemos, a estratégia tecnicista de fechar todos os estabelecimentos de ensino que estão nas condições técnicas para tal definidas, nem sempre é o melhor caminho. Neste caso concreto, havendo vontade, disponibilidade e interesse das populações e dos seus representantes, da junta e assembleia de freguesia, da assembleia e câmara municipal, com votações unanimes ou maioritárias, todas no sentido de manter tal infraestrutura em funcionamento, mal seria que o Ministério não desse seguimento à pretensão, a qual chegou em tempo aos respetivos serviços.

Desde sempre defendi e, durante anos o PS defendeu, que o desenvolvimento do Concelho deve ser equilibrado, com a criação, desenvolvimento ou manutenção de infraestruturas espalhadas pelo Concelho, em detrimento da sua excessiva concentração na Cidade.
Nesse contexto, durante 2007-09, aquando da elaboração, aprovação e inicio da implementação da atual carta educativa - que continua a ter de ser atualizada, que mais não seja para integrar a versão final do Plano Diretor Municipal (PDM), o PS chegou mesmo a defender que quando tal fosse possível, precisamente através de sinergias com Associações locais, IPSS e juntas de freguesia, a manutenção em funcionamento no MINIMO em cada freguesia de um jardim de infância, poderia ter a sua relevância, para a manutenção das crianças de tenra idade na proximidade aos avós e a outros familiares cuidadores, junto das suas comunidades, fomentando os laços identitários nas aldeias do Concelho.

A precipitação dos serviços de educação do Município, neste caso foi muito má conselheira e, pela ação das oposições, mas sem contar com o desacordo do PS nas assembleias de freguesia e municipal, pôde em tempo ser corrigido pelo Ministério, cuja atitude de respeito pelas decisões (em votação) dos autarcas, não pode deixar de se enaltecer.

A velha tática de tentar, quase sem diálogo impor vontades, sem estarem alicerçadas na efetiva vontade popular, sempre representada pelos plenários dos eleitos, funciona só até determinado ponto e, mais grave ainda, é que continuar a não assumir que o jardim de infância vai mesmo manter-se a funcionar, só revela alguma impreparação para a adversidade, que se esperava que todos os autarcas tivessem. E a democracia é a mais bela das adversidades com que um autarca se pode confrontar. TODAS as deliberações são para cumprir e não só as que nos agradam.
 
Felizmente que o PS soube, na sua essência preservar aquele que é o seu historial na defesa dos interesses das populações acompanhando o esforço destas e respeitando as decisões dos órgãos. Ser autarca é ser político, avaliar politicamente as situações e tomar as decisões políticas necessárias, não necessariamente aquelas que parecem tecnicamente as mais adequadas. As pessoas votam em políticos, não em técnicos. E ou percebemos todos isso de uma vez, ou andamos sempre a reboque da tecnocracia.
 
Parabéns às populações de Além da Ribeira, aos meus amigos autarcas eleitos pelo PS na respetiva assembleia de freguesia - Luis Vasconcelos e Mª João Henriques, bem como aos meus camaradas da assembleia municipal. Ajudámos a uma boa solução.

As crianças e as famílias ganham, quando se dialoga, organiza e procuram soluções. E assim deve ser.

 

2.8.16

Recordar o "Destaques do Concelho" de Setembro de 2011: Estátuas Vivas, Hospital e Alambor

Verão é sinónimo de boa ventura. Sem demasiadas preocupações, de arrumos e buscas ligeiras.
Tempo ótimo para, recorrendo às extensas notas que fui arquivando ao longo de muitos anos, recordar alguns episódios e ou temas que, em determinado momento histórico, foram vividos na primeira pessoa.
 
Hoje recordamos um programa de rádio, em que era um dos protagonistas a par com António Cruz, ao tempo deputado municipal eleito pelo PSD, que semanalmente havia na Rádio Hertz, às quartas entre as 18H00 e as 20H00.
 
O que há a recordar hoje é um programa de 14 de setembro de 2011, portanto com assuntos históricos de há quase 5 anos...
Diz o povo e é verdade: vale mais Cavalo que me derrube, do que Asno que me carregue...
 
Senão vejamos:
 
(entradas das minhas notas pessoais do dia 14/9/2011)

Temas em destaque durante a semana que mereceram o comentário durante as duas horas do programa:

- Entrevista a José Manuel Soares, da comissão de defesa do Centro Hospitalar do Médio Tejo, falando da concentração de serviços (então!) em curso na unidade de Abrantes, nomeadamente toda a esterilização e cuidados continuados (!), ficando Tomar com inúmeros espaços vazios e/ou desaproveitados;

- No âmbito desportivo falava-se então na inexistência de espaço para sede do histórico e dentro de poucos anos, em 2015, centenário clube União de Tomar;

- O II Festival das Estátuas Vivas tinha-se realizado, de 9 a 11 de setembro;

- Tinha sido realizada uma concentração em favor da recuperação e preservação do recém descoberto Alambor junto ao torreão norte do Convento de Cristo.



Julgo que os temas se comentam a eles próprios. Mas coloquemos mais estes:

- quanto ao Centro Hospitalar do Médio Tejo, 5 anos volvidos, a situação só piorou - tendo continuado a concentração de serviços em Abrantes, o enterrar de centenas de milhares de euros em obras, o afastamento dos utentes para outras unidades, nomeadamente a fuga de doentes dos dois concelhos mais populosos do Médio Tejo: Ourém e Tomar;

- O União de Tomar viria a ter entregue um espaço para sua sede, no antigo complexo-sede da Cooperativa Nabância, que o Município comprou à massa falida por cerca de 400.000€, que incluía a sua antiga sede, o café, diversas salas, uma cave - onde funciona o Centro de Apoio à Família (da Rede Social) e um Pavilhão. Mas passados quatro anos depois de ser cedido o espaço e de iniciado pelos serviços municipais o processo de constituição de propriedade horizontal, para autonomização dos espaços, tal continua por terminar...

- O II Festival Estátuas Vivas, nesse ano dedicado ao tema "de Viriato ao 25 de abril", foi financiado a 80% e no último ano a 85% por fundos comunitários, através da Rota dos Mosteiros Portugueses Património da Humanidade - entidade liderada ainda hoje por Tomar, que inclui ainda os Municípios de Lisboa, Alcobaça e Batalha. O projeto de suporte, autodenominou-se "Máquina do Tempo" e é uma parceria entre o Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria (ao tempo apenas do então existente agrupamento de Escolas D.Nuno Álvares Pereira). Do relatório apresentado para informação à Câmara Municipal de então destaco o seguinte trecho:

"... o evento pode ser consolidado nas primeiras edições, podendo autonomizar-se posteriormente. (...) parte do investimento realizado se reporta a material que poderá servir para futuras edições do evento. É o caso do material usado na exposição de rua, juntando-se o material já adquirido o ano passado no valor de 9533,74€, ao que este ano se juntou outro no valor de 5966,79€, sendo também o caso do merchandising, no qual se investiu este ano mais 1905,26€, tendo sido no ano passado 4744,41€ (...)
O investimento global realizado em 2011, foi de 89659,80€, sendo financiado a 80% pelo QREN com 71727,84€, cabendo assim ao Município a verba de 17931,96€"

Notas: parte do material referido encontra-se ainda arquivado na Casa dos Cubos, aguardando utilização e quanto à estratégia de continuidade do evento, lá para setembro voltaremos a falar do assunto;

- A parte de Alambor descoberto junto ao torreão norte do Convento de Cristo, fundação de antiga torre do Castelo Templário aí existente, no sec.XII, era na altura o grande cavalo de batalha do Prof. António Rebelo, conhecido bloguer tomarense e basicamente tratava-se de defender a sua preservação no local e descoberta e adaptação de um muro de suporte de terras para aí previsto, tendo sido proposto pelos vereadores do PS, onde me incluía, uma deliberação aprovada na Câmara Municipal nesse sentido. Volvidos estes anos, o Alambor lá está conservado, concluído o remate do muro e tudo está bem, pois acabou bem.

[Dada a importância dos temas deste programa em específico, voltaremos em futuros post a referirmo-nos a ele, durante o mês de Agosto]
 

30.7.16

Os valores de sempre, numa abordagem do que é Secreto e deve ser Discreto

(B)oas e (J)ustas Férias
 
O tema das sociedades "secretas" surge, ciclicamente, na comunicação social, como um recurso com sucesso quando faltam outras notícias mais sensacionalistas ou quando se procura desviar a atenção da opinião pública para factos mais graves.
 
O sensacionalismo foi sempre um expediente utilizado como elemento de diversão, explorando a emotividade e a avidez natural da opinião pública pelo escândalo ou pelo estranho e desconhecido.

Os exemplos vão-se amontoando ao longo dos últimos anos, com a repetição de títulos e notícias, com a publicação e listas, ao bom estilo inquisitorial, bem como o desenvolvimento de insinuações ou sobre os membros da Maç:. ou sobre os seus propósitos. Apesar disso e, fruto da vertiginosa velocidade a que hoje as notícias fluem, o que é hoje notícia fantástica, cai amanhã, no mais completo esquecimento, fruto de outra polémica, de outra fantasiosa notícia de grande relevo que aparece. Assim é este admirável mundo novo.
 
Não será por acaso que, nos últimos anos, fruto dessa publicidade de tendência negativa, mas que apenas aguça o interesse daqueles que estão um pouco mais atentos ao que os rodeia e, bem assim, auguram obter as respostas habituais das pessoas sérias e inteligentes, as quais julgam saber, poder encontrar nas organizações Maçónicas, pilar da estabilidade ética da República e trave mestra dos valores e princípios que fundam a História moderna, depois da Revolução Francesa - Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
 
Todos os detentores do poder político, quer sejam ou não maçons, sabem bem as linhas éticas, de valores e de princípios que não podem ser violadas, sob pena do edifício da credibilidade, da seriedade e da legítima expetativa de confiança, nos atores públicos e políticos ser violada.
 
Aos que estão na politica, na vida pública, espera-se que tenham um comportamento que valorize os princípios e os valores base e comumente aceites pela sociedade que visam representar, seguindo os ditames da ética, não interferindo em assunto de interesse próprio, não perseguindo pessoas em razão do seu sexo, raça, religião, pensamento ou ação, não cometendo os comuns crimes de perjúrio ou assédio, enfim procurando pelo seu exemplo, impor uma conduta que seja, única e exclusivamente assente, na defesa do interesse geral e no respeito solidário pelos companheiros de jornada.
Nem é preciso ser Maçon, para saber que é e tem de ser.
 
Mas afinal o que é uma associação secreta, como comumente se diz ser a Maçonaria. Uma abordagem de definição aponta-nos para que secreto seja "o que se conserva oculto; que está em segredo; ignorado; não divulgado; escondido; encoberto; não revelado; não sabido", podendo ainda ser, segundo outros, secreto será "o que se limita a um conhecimento reservado em virtude do mistério que o envolve". Nesta perspetiva secreto aparece quase como sinónimo de discreto, de reservado. Assim são tratados os circuitos de informações (de inteligência) militares e civis, de defesa da República, bem como muitos dos acordos entre Estados, entre grupos políticos dentro de um país e, muito especialmente, entre membros de uma família, para defesa dos seus interesses gerais e comuns.
 
Para terminar esta leve abordagem, sobre a essência do secretismos, na vida e na Maçonaria, neste texto de apelo ao mais elementar bom senso do leitos, nas vésperas de mais uns milhares deixarem de ler "coisas pesadas" e dedicarem-se à simplicidade de viver a vida despreocupadamente, estirados na rede gentilmente segura pelas colunas J e B, deixo-vos com um simpático pensamento de Fernando Pessoa, que ao defender a existência da Maçonaria, contrariando o argumento de que se tratava de uma associação secreta e por isso "perniciosa", este escreveu que: "dada a latitude desta definição [de secreta], e considerando que por associação, se entende um agrupamento mais ou menos permanente de Homens, ligados por um fim comum, e que por secreto se entende o que, pelo menos parcialmente, se não faz à vista do público, ou, feito, se não torna inteiramente público, posso, desde já, denunciar aos poderes "fáticos" do tempo presente, uma associação secreta - o Conselho de Ministros! De resto, tudo quanto de sério ou de importante se faz em reunião neste mundo, faz-se secretamente".
 
 
(texto elaborado com o primoroso contributo de "uma História da Maçonaria em Portugal 1727-1986, de António Ventura, numa edição do Circulo de Leitores)

27.7.16

HÁ 41 ANOS TUDO ERA DIFERENTE

(Crónica ou Conto?)


Num esforço de verão, nunca completamente concretizado, procuramos reler alguns livros, arrumar outros tantos, meter uns papéis em ordem, limpar, arrumar e deitar fora o que não interessa. Sempre recordei este tempo, antes e depois de rumar à Nazaré para as semanas de praia da praxe, que era esse o esforço familiar. E hoje em dia, tal não é exceção.
Ora, nestas arrumações de verão, não querem acreditar no que encontrei: Um livrinho vermelho com a declaração de princípios, o programa e os estatutos do Partido Socialista, aprovados no Congresso do PS em Dezembro de 1974. Um documento histórico, com mais de 41 anos de vida…
Ao folheá-lo depara-se o leitor, sem mais com o ponto 1.1., que declama à jovem democracia, com escassos meses, ao que vem o PS:
“O partido Socialista é uma organização política dos portugueses que procuram na democracia socialista a solução dos problemas nacionais e a resposta às exigências históricas do nosso tempo”.
Retirada a expressão, perfeitamente datada com o processo revolucionário português de “democracia socialista”, todo o texto poderia ser ainda hoje usado.
Enfoque nas SOLUÇÕES e com elas DAR RESPOSTA ÀS EXIGÊNCIAS DO NOSSO TEMPO.
Espantosa síntese que se aplica, que nem uma luva, àquele que é o baluarte da intervenção política histórica em Portugal, durante as últimas 4 décadas e que, em cada freguesia, município, no País e na Europa, se procura manter fiel aos seus ditames de antanho.
Realmente espantoso: SOLUÇÕES e DAR RESPOSTAS a EXIGENCIAS.
Esse é, ou deveria ser, o trabalho de cada autarca, de cada agente político.
A História é espantosa e a clarividência dos autores do texto do PS de dezembro de 1974, os quais sabiam bem o que era preciso, na ação politica diária. Pena que tantos e tão promissores que eram, ainda hoje se esqueçam amiúde disto.
Realmente ter mundo na cabeça não é só viajar para fora, é também revisitar as referências, questionarmo-nos sobre as coisas simples da vida, sobre aquelas às quais temos que dar resposta. Responder a coisas simples como, a que horas devem os sistemas de rega funcionar nos parques urbanos? Isso pode ou não marcar as pessoas para toda uma vida? Imaginem que era aí que este texto estava a ser escrito, porque o sítio aprazado era palco de palco? Um autarca que decide, obviamente não decide tão pormenorizadamente, mas a sua ação é cada vez mais a razão ou não da felicidade dos “vizinhos”, expressão medieva, que nos convoca para o tempo em que os cidadãos, os eleitores, eram antes de mais vizinhos, que se gostavam e apoiavam. Não deveria ser sempre assim?
E tudo isto a propósito da declaração de princípios do PS em 1974. Nesse tempo em que a poesia estava na rua, como bem ilustrou Vieira da Silva nas suas célebres pinturas, que ainda hoje são um Hino à Liberdade Universal e de uma incomparável beleza, do dia limpo e único, de que sempre nos falou Sophia de Melo Breyner Andersen.
Ter a oportunidade de poder reler, no original, o texto em apreço, era algo para o qual não estava preparado hoje. Mas está alguém preparado para ao longo da vida ser interpelado, sem sequer muitas vezes se aperceber, para um novo desafio, para um novo sonho? Coletivo ou individual, nele os Deuses congeminam e os arqueiros disparam sem cessar, para que acordemos e agarremos as oportunidades e, delas fazendo força, desfraldemos as velas contra ou a favor do vento, com essa maravilhosa técnica de navegar à bolina, pelos portugueses descoberta nos idos de quatrocentos.
O PS acompanhou como organização e balizou como sistema de intervenção social toda a minha vida, desde que me lembro. Mas só, inopinadamente revisito a essência, daquilo que este foi, do que este representou para a vida de milhões de portugueses, e também de milhares de tomarenses, os quais especialmente nos últimos anos, haviam depositado uma incomensurável esperança na Mudança…
O livro é espantoso, porque junta a Declaração de Princípios, de apenas 12 pontos, a quatro documentos fundadores daquilo que era, em 1974, a essência dos caminhos programáticos necessários de percorrer pela sociedade portuguesa:
- Uma política económica ao serviço do trabalhador;
- Uma política social ao serviço do povo;
- Uma política institucional ao serviço do cidadão;
- Uma política internacional ao serviço da Paz.
Os títulos despertam-nos para as SOLUÇÕES dos problemas que a sociedade portuguesa padecia nos anos 70, na EXIGÊNCIA do seu TEMPO.
Os tempos de férias, de leituras e de arrumações são tempos espetaculares, que nos dão sempre a boa sensação de “mudar de pele”, tal qual a cobra que sibilina se liberta dela na sua regular renovação.
Saberemos nós interpretar devidamente os desafios desta e doutras renovações?
É o permanente desafio intelectual. E há 41 anos tudo era diferente, muito diferente, e muitos dos que hoje aqui leem nem sequer sabiam que iriam existir aspersores regulados e outras trivialidades da vida.
E que viva o Verão e o Sonho das suas quentes noites…

24.7.16

A instrução e o operariado nas vésperas da República - Maçonaria e história

(Continuando as abordagens de recolha e partilha de saberes sobre a Maçonaria e, também sobre a História da nossa sociedade, abordamos hoje a questão da educação (instrução) e do operariado, nas vésperas da implantação da República a 5 de outubro de 1910)
 
As elites culturais da época entendiam que a instrução - hoje a educação, seria a razão de modificações sociais, o que muito diz da influência do Marxismo no final do sec.XIX e princípios do Sec.XX, e daí, positivistas [ver Augusto Comte] e republicanos acreditarem na construção do "Homem Novo" -, neste caso o "cidadão republicano". por isso, o esforço continuado de levar a instrução (a educação) ao operariado e, em geral, às camadas mais desfavorecidas da sociedade, utilizando comos e diria hoje a Educação como "elevador social".
 
São múltiplas as iniciativas lançadas, entre 1870 e 1910, com esse mesmo propósito, especialmente com duas origens distintas: as de inspiração maçónica e as de génese sindicalista, não sendo ainda hoje possível determinar os respetivos cruzamentos e influências mútuas.
 
É por esta altura que aparecem os "Grémios", que Tomar também teve, onde hoje está o edifício do notário na Rotunda Alves Redol (nome bem a propósito), sendo estes Grémios na sua maioria uma versão profana das Lojas Maçónicas, ao mesmo tempo que se intensifica a ação no campo da instrução pública das associações para maçónicas, como a do livre pensamento ou a do registo civil e também a rede de Jardins Escola João de Deus.
 
Por outro lado, surgem inúmeras escolas da iniciativa das associações de classe e sindicatos. Aliás as Escolas sindicais desempenharam nessa altura um importante papel na organização social e profissional de milhares de operários de Lisboa e do Porto, papel esse que por vezes é também sublinhado com a criação de cooperativas de consumo - fenómeno aliás que se viria a repetir a seguir ao 25 de abril de 1974... 
 
Os grandes sindicatos de Lisboa, como o da construção civil e o dos metalúrgicos, dispunham de sedes onde também funcionavam escolas, na maioria das vezes em horário noturno. É de destacar também o caso dos corticeiros de Silves e dos marítimos de Setúbal, no sentido de conseguirem instalações condignas para a criação de Escolas.
E mesmo em sindicatos de menor dimensão ou de exíguos recursos financeiros, as dificuldades económicas ou de instalações nunca constituíram um impedimento absoluto para a construção de escolas. por vezes, verifica-se mesmo a associação de várias estruturas de classe no sentido de partilharem um espaço único para esse fim, hoje chamar-se-iam, "fábricas de cultura" ou "ninhos de empresas", onde às despesas com a sala de aulas se somava o material escolar e o pagamento a uma professora.
 
Este fenómeno, consolidava, por um lado, os laços das comunidades que giravam em volta das instituições promotoras e, por outro, contribuía para levar aos alunos quadros de valores republicanos, sociais e laicos, em muito afastados dos que eram praticados no ensino oficial e religioso (que era a esmagadora maioria da oferta até então existente).
 
Que bom seria que nas últimas décadas esse tivesse sido o quadro estratégico de atuação, promovendo a laicização do ensino, com promoção pública e não confessional de todos os graus de ensino, na promoção dos valores da igualdade, da liberdade e da solidariedade. Uma escola inclusa, onde TODOS pudessem desenvolver as suas competências, mas também promovesse o livre-arbítrio como fator indispensável deste "Homem Novo", sempre reinventado que ansiosamente procuramos...

21.7.16

A 28 de Maio de 2014, foi tomada a decisão de construir o Pavilhão e o Centro Escolar da Linhaceira

(subsídios para a pequena História de Tomar, com base nas minhas notas pessoais de reuniões de trabalho realizadas entre 1982 e 2016)
 
 
O CENTRO ESCOLAR DA LINHACEIRA
 
As eleições europeias de 2014, tiveram lugar a 25 de maio desse ano e, como é hábito no decurso delas, os dirigentes do PS, percorreram algumas das mesas de voto, visitando as freguesias.
Foi, também nesse ano o meu caso, acompanhando pelo então adjunto do gabinete da presidência, Hugo Costa.
Num dos locais que visitámos, precisamente a Escola EB1 da Linhaceira, onde funcionava uma das mesas de voto, foi possível haver uma conversa franca de nós os dois, que estávamos na altura em funções no gabinete da presidência do Município de Tomar, com os presidente e tesoureiro da junta de freguesia Carlos Rodrigues e Fernando Ferreira, respetivamente.
 
O mote da conversa, além da questão das eleições em si, foi o financiamento aprovado, no âmbito de uma candidatura colocada pela ACR Linhaceira, através da ADIRN, que sendo de 200.000€, teria de ser executado ainda durante 2014, uma vez que seria o prazo limite para a execução do quadro comunitário de apoio.
 
A preocupação do presidente Carlos Rodrigues era a de saber se o avançar do processo, com natural e profundo endividamento da ACRLinhaceira, não poderia ter consequências terríveis para essa importante instituição da freguesia.
Os números que então se falavam para a obra, rondavam os 350.000€, mas os meus anos de experiência e dado o que conhecia do projeto, não tive duvidas que estaríamos seguramente a falar de mais de 400.000€ de obra total e disse-o.
 
Conversa puxa conversa e, quer eu quer o Hugo Costa, fomos ficando com a sensação que o Pavilhão da Linhaceira era a derradeira oportunidade de fazer, com financiamento, algo de significativo nesta zona do Concelho. Disse-o e mantive na conversação que entretanto tivemos, que sempre tinha tido a opinião da importância e prioridade estratégica da construção de um Centro Escolar na maior aldeia do distrito de Santarém, e que sempre discordara das prioridades dos anteriores executivos municipais de construírem antes deste Centro Escolar, o de S.Pedro e o dos Casais.
 
Para mim sempre fez sentido que a colocação de equipamentos fosse realizada não na área periurbana da cidade mas sim, precisamente, nos locais mais afastados desta, permitindo o desenvolvimento de novas centralidades e tornando assim o Concelho de Tomar mais inclusivo e justo. A Linhaceira cumpria, desde há muitos anos esse objetivo critério e, apenas por motivos político-partidários esteve a ser prejudicada.
 
Falámos disso e falámos da importância também de aproveitar o financiamento já garantido. Falámos da vergonha que seria para a junta de freguesia, para o município, para a gestão da "Mudança", protagonizada pela então recente vitória do PS na junta da Asseiceira e na Câmara (a 30/9/2013), que tal financiamento se viesse a perder. Por mais racional que pudesse ser, NUNCA ninguém perdoaria à Junta e à Câmara, mas também à direção da ACR Linhaceira, o perder a oportunidade, tão laboriosamente preparada e aprovada. Numa freguesia como a Asseiceira, um financiamento de 200 mil euros, não é coisa de somenos.
 
Falámos, trocámos opiniões, concluímos que acontecesse o que acontecesse, a Câmara tinha de dar suporte ao esforço da Linhaceira e a Junta tinha de apoiar a ACRLinhaceira no seu, também grande esforço, de arriscar avançar com a obra.
 
Avaliámos politicamente, como políticos que eramos e sabíamos que os dias seguintes iriam ser decisivos.
 
A 28 de maio de 2014, realizou-se no gabinete da senhora presidente da câmara, uma reunião de coordenação com os senhores vereadores do PS, a presidente, eu como chefe de gabinete e o Hugo Costa, adjunto e que viria, por renúncia da presidente Anabela, a ser daí a pouco tempo presidente do PS de Tomar, onde ficou assente, segundo as minhas notas pessoais, o seguinte:
 
CENTRO ESCOLAR DA LINHACEIRA
- Criação de uma parceria entre a Câmara Municipal e a Associação (ACRLinhaceira);
- Início para a construção do Centro Escolar, ser o Pavilhão multiusos da ACRLinhaceira, que tem 200.000€ de financiamento;
- Documento da Educação a justificar;
- Iniciar imediatamente o processo / caso (no sistema informático do Município).
 
O Hugo Costa bateu-se bem pelo que havíamos concluído, nas conversas com o Carlos e o Fernando da junta da Asseiceira.
A coordenação política, com a junta, com e na câmara, com a presidente e os vereadores, funcionou.
Tudo acabou por se concretizar e, todos ganharam.

Concluo eu que quando se trabalha em conjunto e se juntam as melhores ideias e vontades, todos ganham.
 


Não como hoje em que parece que muitos trabalham para perder,... Mas isso são já outras histórias,...

18.7.16

SOMOS SEMPRE "UM OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO" !

(Em modo de Verão, nas próximas seis semanas, apenas com atualização a cada três dias)


O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO
Vinícius de Moraes, 1970


ERA ELE que erguia as casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um Templo
Um Templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
um operário em construção
Compreender porque um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que ele sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.

De forma que, certo dia
À mesa ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão -
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que a sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que o seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação.
«... convençam-no» do contrário
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Qo sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentido que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração_
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que reflectia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objectos
Produtos, manufacturas
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca da sua mão.
E o operário disse: Não!

- Loucura! - gritou o patrão
Não Vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silencia fez-se
dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.
Um silêncio de torturas
e gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.