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17.5.14

Rito francês ou moderno na Maçonaria universal

PRANCHA do Ir:. José Maria Bonachi Batalla (Gr:.Or:.Brasil)


Consta que o Rito se chamou Moderno em função dos ideais ou preceitos que norteavam os seus membros, adversários que eram com relação à inserção nas sessões, ou no rito, de menções religiosas. Os outros eram os Antigos que foram aqueles nossos irmãos que pretenderam continuar com os usos e costumes tradicionais, ou seja, a continuidade de evocar os sentimentos religiosos dentro da maçonaria.

Se olharmos convenientemente este fator, devemos concordar que a Maçonaria de então, nasceu sob o manto da religiosidade e daí esta se firmar dentro dos vários ritos praticados na época. O Rito Moderno, como assim começou a ser conhecido, foi inaugurado e praticado na França abolindo qualquer citação à religião. E isto repercutiu, e muito, dentro do seio da maçonaria imperante na época, que era visceralmente religiosa. Haja vista a disposição do templo, na época e ainda hoje, quanto à semelhança da distribuição interna de uma catedral ou  igreja e um templo. Há, entretanto, outros que consideram o templo maçônico uma imitação do Parlamento inglês. Seja de uma ou outra forma, nós o consideramos apenas um detalhe que em nada vai alterar o procedimento das sessões maçônicas.

Só, posteriormente, é que os franceses houveram por bem adotar o nome de RITO FRANCÊS OU MODERNO nome pelo qual foi conhecido e reconhecido tanto na Europa como no resto do mundo, especialmente na América do Sul e dentro dela, no Brasil.

A historiografia, que é a arte de escrever a história, é um tema portador de muitas datas e nomes e nem sempre há concordância entre os autores ou historiadores.

Assim também ocorre com o Rito Moderno. Há divergências de datas, especialmente da época de sua instituição como Rito ou de sua fundação. Não queremos discordar nem discutir estes fatos, pois, não encontramos em toda a bibliografia um autor sequer que nos conduzisse, com provas, ao dado mais aceitável.

Assim, procuraremos, neste breve relato, transmitir nossa opinião baseada em dados a fim de relatar, com a maior imparcialidade possível, o nosso propósito no dia de hoje.

O Rito Francês ou Moderno foi criado na França em 1761, constituído a 24 de dezembro de 1772 e proclamado pelo Grande Oriente da França a 9 de março de 1773 com os três graus simbólicos. [Aprendiz, Companheiro e Messtre] Por sua vez, o Grande Oriente da França nasceu a 22 de outubro de 1772, sendo seu primeiro Grão-Mestre FELIPE D’ORLEANS-Duque de Chartres.

Não foi um período fácil para o Grão-Mestre. Este pretendia coibir a proliferação de Altos Graus e para tanto nomeou uma comissão que, após alguns anos de estudo, acabou renunciando propondo, entretanto, ao Grande Oriente da França a extinção de todos os graus filosóficos. O Grão-Mestre aceitou a proposta motivando grande descontentamento dos irmãos porque, naquele tempo, dava-se suma importância aos graus superiores. Só em 1782 reiniciou-se a revisão dos Rituais tanto simbólicos como dos Altos Graus .

O Rito Francês ou Moderno é composto de Rituais e Regulamentos elaborados nos anos 1780 e adotados oficialmente em 1785 para os três graus simbólicos (também conhecidos como graus azuis) e, entre 1784 e 1786, para os altos graus (também chamados de graus filosóficos). Os rituais citados são a base para a prática, hoje, do Rito Francês ou Moderno na Grande Loja Nacional Francesa nos três graus simbólicos e sob os auspícios do Grande Capítulo Francês os graus filosóficos.

A Grande Loja Nacional Francesa sustenta que o nosso Rito começou a se praticar em 1780. Informa, também, a prática do Rito desde, pelo menos, 1.760. Esta afirmação, continua a GLNF,  é confusa e não se baseia em qualquer dado histórico. Porém pode-se aceitar que naquele tempo havia uma prática maçônica francesa que continha procedimentos relativamente  homogêneos e que o Rito Francês de 1780 é profundamente baseado nessa prática anterior.

As datas acima referidas nem sempre coincidem entre autores. Assim, o Grande Colégio de Ritos, do Grande Oriente da França, informa a criação do Rito Francês ou Moderno em 1786 (Ligou, Bereaniak e Berlewi-p. 519).

Em 1785 aparece o primeiro ritual, visto que antes deste ano não se conhecem rituais oficiais na França, denominado “Le Régulateur de 1801” que estabelece:
“Se o Regulamento de 1801 não pode ser considerado como a fonte do Rito Francês, é, ao menos, o modelo único relacionado às tradições orais e manuscritas anteriores”.
Causa espécie dizer-se que o primeiro ritual aparece em 1785 e o Regulamento ser de 1801! Nem tanto. É que só foi impresso em 1801.

No início do século XIX proliferaram os ritos, a introdução da religião dentro deles e, portanto, a confusão reinante entre a maçonaria e a religião. Chegou-se a dizer que a religião mandava dentro da maçonaria. Não creio que tal fato possa ser verdadeiro mas, na falta de provas, vale apenas como conhecimento.

Dentro desta situação é que surge a idéia central de que a Maçonaria tem que se desvincular da religião.  E isto ocorre, como acima informado, em 1876.

Superada essa questão, embora não aceita por todos, o Rito Francês ou Moderno toma a dianteira em virtude de sua propalada condição de ser um Rito Maçônico que se coloca eqüidistante de todas as religiões e, assim, considera que esta questão é de foro íntimo de cada irmão, mas não o é do Rito Moderno que exclui de suas sessões qualquer menção ou referência à religião, qualquer que seja ela.

O fato de, hoje em dia, estar sobre a mesa do Venerável Mestre  a Bíblia e outros Livros religiosos, todos fechados, [Em Portugal esta formalidade é substiuída pela existência na mesa simbólica, sob o esquadro e o compasso da Constituição do Grande Oriente Lusitano - mas simbolicamente é esta a leitura: o respeito por TODAS as religiões] é a maior prova do respeito que do Rito Moderno tem para cada uma das religiões adotadas por seus membros. Este detalhe, embora imperceptível à vista de alguns ou muitos irmãos, é de suma importância, pois, o Rito Moderno respeita todas as religiões e por esta razão admite em seu seio membros de qualquer religião porque não interessa a religião do futuro irmão e sim o pensamento filosófico e a sua vontade de servir à sua nação, onde vive, para difundir e aumentar o real significado do objetivo do Rito Moderno, qual seja a de fazer imperar a liberdade colocando o social acima do particular ou individual pela difusão e prática desinteressada da  solidariedade na formação de construtores sociais.

Mas, voltemos ao nosso propósito inicial. Estávamos falando de entre 1770 e 1786. Pois bem, a partir dessa época da vida, o Rito Francês ou Moderno foi se reforçando e, conforme José Castellani, em 1779, ano da morte de Rousseau e Voltaire,  havia, na França, 554 lojas praticando o Rito Moderno ou Francês e o GOF mantinha correspondência com 1.200 lojas estrangeiras. Foi, pois, o auge de nosso Rito na França e na Europa.

De resto, pouco se tem sabido do Rito Moderno, seja na França ou no resto da Europa.
Teve um ressurgimento em Portugal, no século XIX, quando, inclusive, se  praticou o grau 8 [referência aos graus especulativos dos Altos Graus Maçónicos do rito escocês - que têm como limite o grau 33], pertencente à quinta ordem dos graus filosóficos, denominado Cavaleiro da Águia Branca e Preta.

O Grau 9, também pertencente à quinta ordem dos graus filosóficos, denominado Cavaleiro da Sapiência e do qual não temos registro escritural, foi implantado definitivamente em 1992, pelo Supremo Conselho do Rito Moderno, com sede internacional no Brasil.
Encontramos registros do Rito Moderno ou Francês, no século XX, exatamente em 1998 quando o Rito, através de seus dirigentes, sai do Grande Oriente da França e passa à Grande Loja Nacional Francesa, esta reconhecida pela Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI).

Esta Grande Loja é considerada, desde 1929, como todos sabem, a Grande Loja Mãe da Maçonaria, no mundo, tendo editado certas imposições para reconhecer outras Obediências, sob o título de “Princípios Fundamentais para o Reconhecimento de Grandes Lojas”, incluindo aí qualquer um dos Grandes Orientes Nacionais. E, quem tem a sua regularização, seja Grande Oriente ou Grande Loja, deve cumprir os 8 princípios de regularidade.  Quanto ao Livro da Lei Sagrada, como assim o intitula a GLUI, ele será “sempre exposta nos trabalhos da Grande Loja e das Lojas de sua Jurisdição”. Em nenhum momento se pede que o Livro da Lei Sagrada seja aberto ou que fique num lugar pré-determinado. Apenas diz que será exposta. É conveniente que se esclareça que o Rito Moderno, pertencente ao Grande Oriente do Brasil [Ou de Portugal], e este, por sua vez, ter o reconhecimento da GLUI, tem de cumprir a obrigação de expor (para usar a palavra dos Princípios Fundamentais) e cumpre. Fica encima da mesa do Venerável. E junto com ele podem estar também outros como a Torah, o Alcorão, etc.etc.

Entre todos os fatos históricos ocorridos nos séculos XVIII e XIX, há um de grande importância para a Maçonaria e, em especial, para o Rito Moderno. Trata-se da Reforma Institucional de 1877, que assim é narrada pelo nosso saudoso irmão José Castellani:
Em 1872, depois de estudos iniciados em 1867, o Grande Oriente da Bélgica suprimia, de seus rituais, a invocação do G\A\D\U\, sem provocar qualquer reação por parte da G\L\da Inglaterra. Diante disso, de um golpe, a campanha pela revisão, na França, aumenta de intensidade. A cada ano, a Convenção é tomada por votos pela revisão, repelidos pelo Conselho da Ordem, até que, em 1876, um voto da loja “La Fraternité Progressive”, de Villefranche, solicitando a supressão das cláusulas dogmáticas, foi tomada à consideração, sendo regulamentarmente enviada às Lojas, para estudo e retornando à Convenção em 1877. 

Nessa ocasião, duzentas e dez lojas enviaram representantes e dois terços delas se manifestaram a favor da adoção do voto. O relator geral foi um pastor protestante, Desmons, que apresentou um estudo memorável, o qual, aprovado, resultou na supressão do segundo parágrafo do artigo 1º da Constituição de 1865, que dizia: “Ela tem por princípio a existência de Deus e a imortalidade da alma”.

Viénot, o Orador da Convenção, situou, muito bem, o que representou essa atitude:
“Essa redação, meus Irmãos, não é, portanto, nem uma reforma, nem uma revolução; ela é um chamamento e um retorno aos princípios primordiais da Francomaçonaria, porque a Francomaçonaria,  respeitando todos os dogmas e todas as consciências, não é, não quer ser e não pode ser uma instituição dogmática ou teológica”.

Essa resolução aboliu a invocação, mas não a fórmula do G\A\D\U\, como freqüentemente se afirma. Era a tolerância, elevada ao máximo, que motivava o Grande Oriente a rejeitar qualquer afirmação dogmática, na concretização do respeito à liberdade de consciência e ao livre arbítrio de todos os maçons. A síntese dos debates da Assembléia, que conduziram à resolução, mostra bem essa preocupação.

A Francomaçonaria não é deista, nem ateísta, nem sequer positivista. Instituição que afirma a prática à solidariedade humana, é estranha a todo dogma e a todo credo religioso. Tem por princípio único o respeito absoluto da liberdade de consciência. Nenhum homem inteligente e honesto poderá dizer, seriamente, que o Grande Oriente da França quis  banir de suas Lojas a crença em Deus e na imortalidade da alma, quando, ao contrário, em nome da liberdade absoluta de consciência, declara, solenemente, respeitar as convicções, as doutrinas e as crenças de seus membros”.
Tudo isto leva à conclusão de que toda a questão é eminentemente política, dadas as rivalidades não só entre as duas Potências (a GLUI e o GO da F) mas entre os dois países rivais na paz e confrontados no curso de longas e sangrentas guerras. 

Havia também motivos filosóficos e morais divergentes devido à escalada das aspirações democráticas na França e no G\O\F\ que inquietavam o conservadorismo inglês; filosóficos porque a tendência racionalista, que prevalecia no G\O\F\ opunha-se ao dogmatismo da G\L\U\I\.

É notório assinalar que, de outro lado, o Grande Oriente da França, cria já em 1921 uma organização internacional de nome “Association Maçonnique Internationale” –AMI- oriunda do Bureau d’Infomation Maçonnique criado em 1921, na Suíça, quando congrega 12 Obediências : GL de Nova York; GO da Bélgica; GL de Viena; GL da Bulgária; GL da Espanha; GO da França; GO da Itália; GO dos Países Baixos; GO de Portugal;GL da Suíça-Alpina e GO da Turquia. Com todas estas relações, ora políticas, ora filosóficas, o GOF conseguiu grande alcance social chegando a 38 Obediências em 1923.

Por ocasião de sua fundação emitiu a seguinte declaração, afirmando em seu trecho principal:
A Franco-Maçonaria, instituição tradicional, filantrópica e progressista (só mais tarde, no Brasil, se acrescentou evolucionista) baseada na aceitação do princípio de que todos os homens são Irmãos, tem por objetivo a procura da verdade, o estudo e a prática da Moral e da Solidariedade. Ela trabalha pela melhoria material e moral, assim como pelo aperfeiçoamento intelectual e social da humanidade. Ela tem por princípio a tolerância mútua, o respeito ao próximo e a si mesmo e a Liberdade de Consciência. Ela tem por dever estender a todos os membros da humanidade os laços fraternais que unem os Franco-Maçons sobre toda a face da Terra.

Desejamos assinalar o que escreve o saudoso ir.’. José Castellani no “Manual do Rito Moderno”:
O rito, embora criado sob moldes racionais, seguia a orientação dos demais, em matéria doutrinária e filosófica, baseada, entretanto, na primitiva Constituição de Anderson, com tinturas deístas, mas largamente tolerante, no que concerne à religião, como se pode ver na primeira de suas Antigas Leis Fundamentais (Old Charges): “O maçom está obrigado, por vocação, a praticar a moral; e, se bem compreender os seus deveres, jamais se converterá num estúpido ateu nem em irreligioso libertino. Apesar de, nos tempos antigos, os maçons estarem obrigados a praticar a religião que se observava nos países que habitavam, hoje crê-se mais conveniente não lhes impor outra religião senão aquela que todos os homens aceitam e dar-lhes completa liberdade  com referência às suas opiniões particulares. Essa religião consiste em serem homens bons e leais, ou seja, honrados e justos, seja qual for a diferença de nome ou de convicções“.

Deixemos, assim, o aspecto francês do Rito Moderno e passemos a nos debruçar o que aconteceu no Brasil.

Bastantes homens de cultura e poder econômico enviaram seus filhos a estudar na Europa. Aqueles que estiveram na França ou Portugal e se interessaram pela Maçonaria naqueles países, foram iniciados. E qual o Rito que estava em evidência? O Rito Moderno, ou Francês. Estes líderes, ao voltar ao Brasil traziam consigo aqueles princípios de liberdade, de república, de adogmatismo, além de outros conhecimentos adquiridos nas faculdades que cursaram em ambos os países.

Houve, no Brasil, certas lojas que trabalharam no Rito Adorinhamita, antes de 1922, mas eram lojas isoladas e que, pelos seus princípios, não tinham como objetivo transformar o Brasil num país independente. Daí que os irmãos brasileiros que freqüentaram o RM na Europa encontram, na situação brasileira, uma enorme possibilidade de, aqui, colocar em prática o que haviam aprendido lá.

Segundo Adelino de Figueiredo Lima em “Nos Bastidores do Mistério”, ed. de 1953, nenhum outro Rito, senão o Rito Moderno esteve presente nas lutas pela independência do Brasil. Em conferência proferida no Primeiro Simpósio Brasileiro de Maçonaria Simbólica, patrocinado pela Loja José Bonifácio do Rio de Janeiro em 1961, ressalta que:
“Foi o Rito Moderno quem proclamou a igualdade das raças e destruiu pela base as discriminações religiosas”.

Renato de Alencar, em “Enciclopédia Histórica do Mundo Maçônico” página 213, afirma:
“Diga-se o que quiser, o Rito Moderno ou Francês, dado o espírito filosófico e de reforma progressiva que inspira sua doutrina, é o mais racional e adequado à nossa época”.

Voltando à época do início dos trabalhos maçônicos no Brasil, e enfocando o Rito Moderno, podemos afirmar que desde 1815 já existia, no Brasil, uma loja maçônica do Rito Moderno. Era a Loja Comércio e Artes, primaz do Brasil, fundada em 15 de novembro de 1815 sob os auspícios do G\O\de Portugal da qual extraímos o seguinte texto:
GR.’.BEN.’.GR.’.BEN.’.AUG.’.RESP.’.LOJ.’.SIMB.’. COMÉRCIO E ARTES Nº. 001-PRIMAZ DO BRASIL, fundada em 15-11-1815-MARCO HISTÓRICO DA MAÇONARIA BRASILEIRA,
Fundada em 15 de novembro de 1815, sob os auspícios do GR.’.OR.’.de Portugal a Loj.’. COMÉRCIO E ARTES teve seus trabalhos interrompidos em virtude das perseguições desencadeadas por motivo das revoluções de 1817 em Portugal e Pernambuco tida como obra dos pedreiros livres que nessa ocasião, em um como outro reino, pagaram forte tributo de sangue. Reavivamos os seus trabalhos em 4 de novembro de 1921 tornou-se o centro do esforço patriótico em favor da emancipação política de nossa Pátria. CÉLULA MATER DA MAÇONARIA BRASILEIRA, de seu corpo se formaram por “sissiparidade” –desdobramento- as duas outras LLOJ.’. METROPOLITANAS – UNIÃO E TRANQÜILIDADE E ESPERANÇA DE NICTHEROY, em 21 de junho de 1822, para a continuação do GR.’.OR.’. do Brasil.

Há quem afirme que essa mesma loja iniciou seus trabalhos com o Rito Adorinhamita. Vejamos o que escreve nosso ir.’. José Francisco Simas:
Em 17 de junho de 1.822 a Loja Comércio e Artes da Idade do Ouro, União e Tranqüilidade e Esperança de Niterói formaram, o Grande Oriente Brasileiro, que adotou inicialmente o Rito Adorinhamita e, logo em seguida, passou para o Rito Moderno ou Francês e de pronto reconhecido pelo Grande Oriente da França e pelas Grandes Lojas da Inglaterra e dos Estados Unidos da América.  Seu primeiro Grão Mestre foi José Bonifácio (o Pitágoras). Em 2 de agosto de 1.822 D. Pedro de Alcântara, Príncipe Regente, foi iniciado na Loja Comércio e Artes, adotando o nome de Guatimozim. Em 5 de agosto foi exaltado e em 4 de outubro foi eleito Grão Mestre da Maçonaria brasileira com 23 anos de idade. Segue-se um período político e maçônico confuso, ficando adormecido o Grande Oriente Brasileiro até 1.831.
Em 7 de abril  de 1.831, D. Pedro I abdica do trono brasileiro em favor de D. Pedro, agora II, e embarca para Portugal. A Maçonaria reinicia suas atividades. Em 1.832, o Grande Oriente Brasileiro passou a ser denominado Grande Oriente Brasileiro do Passeio, por ter se instalado na Rua do Passeio, número 36. Em 1840, o Grande Oriente adquiriu, pela Cia. Glória do Lavradio, o prédio projetado para abrigar um teatro e cuja construção havia sido suspensa desde 1.832. Nesse prédio, na Rua do Lavradio, número 97, o Grande Oriente do Brasil, funcionou, até a mudança para Brasília. Hoje existe lá o Palácio Maçônico do Rio de Janeiro, onde funcionam 52 lojas e o Museu Maçônico.

O Rito Moderno ou Francês era o Rito Oficial do Grande Oriente do Brasil e continua sendo até a presente data.

No início da Maçonaria no Brasil, pelo Rito Moderno, foi utilizado um Ritual, português, impresso em Lisboa em cuja capa dizia: “Regulador do Rito Moderno-Grande Oriente Luzitano”. O segundo ritual, do Rito Moderno, impresso no Brasil, conforme Joaquim da Silva Pires, foi em 1837 na “Typographia Austral, Beco do Bragança, nº. 15-Rio de Janeiro” e trazia as seguintes inscrições:
”Regulador Maçônico do Rito Moderno para uso nas Officinas deste Rito-G\O\do Brasil-Primeiro Grao-Aprendiz-Anno da V\L\ 5837”.
Todavia, o primeiro ritual do Rito Moderno, genuinamente brasileiro, impresso, portanto, no Brasil, foi em 1833, na tipographia de “Seignot-Planchet”, rua do Ouvidor 96, Rio de Janeiro, segundo Joaquim da Silva Pires no Boletim Oficial do GOSP nº. 2335 de 06 de setembro de 1999, página 23.  Este ritual teria sido organizado pelo Padre da Capela Imperial, Ir\Januário da Cunha Barbosa, com base numa tradução do Ir\Hipólito José da Costa Furtado de um ritual francês.

Sabe-se que a primeira loja maçônica do RM no ESP foi a Loja Inteligência de Porto Feliz, do Rito Moderno, no ano de 1930, seguida pela Loja Amizade-A Pioneira, na Capital de São Paulo em 1932.

A título de curiosidade, o Ir\Adelino de Figueiredo Lima nos conta que na Loja Amizade, em 1832, havia “nada menos de trinta e um sacerdotes”.

Temos, portanto, que de 1822 a 1832, o rito dominante na Maçonaria Brasileira era o Moderno ou Francês, inicialmente praticado pelas três lojas existentes na época, consideradas as três pedras angulares em que se assentam os alicerces do Grande Oriente do Brasil.

Foi nelas, diz Adelino de Figueiredo Lima que “José Bonifácio, o Príncipe D. Pedro e Joaquim Gonçalves Ledo, deram início à gloriosa Epopéia da Independência Nacional”.

O Rito Moderno, como componente da Maçonaria Brasileira, participou dos seguintes movimentos:
-A Inconfidência Mineira – 1789, pela ação isolada de maçons.
-A Revolução Pernambucana de 1817. Idem acima.
-A Independência de 1822.
-A Confederação do Equador em 1824.
-O Movimento pela Maioridade do Imperador D.Pedro II.
-A Revolução Farroupilha -1835/1845.
-A Revolução Liberal de 1842.
-A Abolição da Escravatura em 1888.
- A República de 1889.

Sem ter a pretensão de ter esgotado a história do Rito Moderno no Brasil, gostaria de me referir aos tempos atuais.
Hoje, o Rito Moderno conta com 100 (cem) lojas espalhadas pelos diversos Estados.  E deveremos inaugurar algumas mais, dentro de pouco tempo.

O Supremo Conselho do Rito Moderno, reconhecido legalmente pelo Grande Oriente do Brasil através de Tratado de Reconhecimento, que trabalha no Grau 9-Cavaleiro da Sapiência, tem o âmbito de atuação Nacional e Internacional. Nos Estados há os Grandes Conselhos Estaduais, que funcionam com o grau 8-Cavaleiro da Águia Branca e Preta e dentro de cada um deles há os Sublimes Capítulos Regionais que trabalham nos graus 4 ao 7-Eleito, Escocês, Cavaleiro do Oriente e da Espada e Cavaleiro Rosa-Cruz.

O nosso ir.’. Antonio Onías Neto, assim se manifesta a respeito do mesmo assunto acima:
Na França, somente a partir de 07 de agosto de 1989 foram instituídos os Graus Filosóficos pelo Supremo Conselho do Rito Moderno  obtendo a Carta Patente e lhes dando poderes para a outorga dos Graus Filosóficos e reconhecidos pela Grand Loge Nationale Française a 09 de fevereiro de 1999. Dois anos depois, em 15 de fevereiro de 2001, iniciaram-se as tratativas para a criação dos respectivos Grandes Conselhos Estaduais e o Supremo Conselho do Rito Moderno para a França culminando a 08 de setembro de 2001 com Sessão presidida pelo Embaixador Plenipotenciário do Supremo Conselho do Rito Moderno, ir.’.Lúcio Ferreira Ramos, concedendo os graus 8 e 9 para Irmãos Franceses.

Queremos, neste momento, ao encerrar nossa participação neste seminário do RM em Sorocaba, prestigiar outro ir.’. do RM que muito se tem dedicado à sua expansão e ao seu desenvolvimento. Trata-se do ir.’. Laudimir Manoel Cardoso, que assim se expressou num trabalho que apresentou à loja Ordem e Progresso, da qual é membro efetivo:
É, portanto o momento do FORTALECIMENTO e da EXPANSÃO do Rito moderno; fazer com que os outros Ritos entendam a história, a filosofia, a prática, e por que não dizer a singeleza participativa dos maçons deste pedaço tão importante da Maçonaria. Fortalecer o Rito significa sermos cada vez mais participativos e ativos em todas as castas sociais dentro e fora da Oficina de trabalho levando à sociedade os valores que temos naturalmente e que aperfeiçoamos dentro do Rito Moderno. Atravessamos caminhando para o terceiro milênio com a convicção de que temos hoje, tivemos ao longo de todo um período histórico, e teremos no futuro – missões que auxiliem a sociedade como um todo, e que faça especificamente do Brasil, este país com dimensões continentais, um lugar melhor para se viver, pois a participação dos maçons, qualquer que seja o Rito, é fundamental para o desenvolvimento das nações, mas, neste caso especial no Brasil. Os potenciais de mudanças são imensos por sermos tão jovens e tão promissores dentro do contexto mundial. Façamos a nossa parte e caminhemos para o terceiro milênio com garra, ampliando cada vez mais os nossos quadros e sempre convivendo com os outros Ritos no melhor entendimento de nossos preceitos e conceitos constitucionais, morais e filosóficos.

É de nossa máxima obrigação estudar o Rito, a filosofia e a sua aplicação  na sociedade. Nunca nos esqueçamos que o objetivo do Rito Moderno é nos tornarmos, dentro das possibilidades de cada um, construtores socais com a tríplice bandeira de LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE. [Sendo este o "grito" de saudação usando SEMPRE em Loja]



A Grande Loja Unida da Inglaterra - a primeira e a de maior expressão aceita e promove os Antigos Deveres citados na Constituição de Anderson. O que ela fez foi citar os oito pontos que exige para reconhecimento de uma Potência Maçônica, um pouco diferentes dos que são assumidos pelo Rito Francês, ou Moderno, que coerente com seus princípios aceita como mais concernente a seguinte compilação:

1. – A obrigação de cada Maçom de professar a religião universal em que todos os homens de bem concordam. (praticamente transcrevendo as Constituições de Anderson, primeiro documento oficial da moderna Maçonaria)

2. – Não existem na Ordem diferenças de nascimento, sexo, raça, cor, nacionalidade, credo religioso ou político.

3. – Cada iniciado torna – se membro da Fraternidade Universal, com pleno direito de visitar outras Lojas.

4. – Para ser iniciado é necessário ser homem livre e de bons costumes, ter liberdade espiritual, cultura geral e ser maior de idade.

5. – A igualdade dos Maçons em Loja.

6. – A obrigatoriedade de solucionar todas as divergências entre os Maçons dentro da Fraternidade.

7. – Os mandamentos da concórdia, amor fraternal e tolerância; proibição de levar para a Ordem discussões sobre assuntos de religião e política.

8. – O sigilo sobre os assuntos ritualísticos e os conhecimentos havidos na iniciação.

9. – O direito de cada Maçom de colaborar na legislação maçônica, o direito de voto (desde que tenha atingido o patamal dignatário de mestre) e o de ser representado em todos os órgãos da Maçonaria.

9.5.14

Faturas em conferência no Município ascendem a 3,8 milhões€

Última mesa da Assembleia do PSD...
Depois de se terem detetado cerca de 140 mil€ de faturas da sociedade de advogados lisboeta PLMJ, que originaram o pedido de intervenção da Inspeção Geral de Finanças, que se aguarda a sua chegada a Tomar nos próximos meses, a investigação continuou e apurou.... um total de 3,8 milhões€, assim distribuídos:

185,84 € ANO 2008

835,66 € ANO 2009

2.880,37 € ANO 2010

48.727,00 € ANO 2011

676.860,82 € ANO 2012

727.999,46 € ANO 2013

2.333.857,00 € VÁRIOS ANOS (Dívida à ADSE)

1.5.14

Valências hospitalares não previstas no Distrito de Santarém na atual Portaria de 10 de Abril

Valências em perigo ?
Relativamente ao Hospital Distrital de Santarém, E.P.E., e de acordo com o disposto na Portaria nº 82/2014, de 10 de abril, esta unidade hospitalar não estão garantidas as seguintes especialidades:

- Cirurgia Plástica, Cirurgia Vascular, Dermatologia, Urologia, Obstetrícia, Imagiologia, Anatomia Patológica e Serviço de Higiene e Segurança no Trabalho não existindo qualquer referência a especialidades atualmente existentes como Urgência Geral, Pediátrica, Obstétrica e Ginecológica, Cirurgia do Ambulatório, Cuidados Intensivos, Farmácia, Higiene e Segurança no Trabalho.

Já no que toca ao Centro Hospitalar do médio Tejo, E.P.E., de acordo com o diploma em causa, esta unidade hospitalar não estão garantidas as seguintes especialidades:

- Neonatologia, Urologia, Cuidados Paliativos, Cirurgia Plástica, e Obstetrícia, incluido a consulta de Diabetes e Hemodiálise.

23.4.14

25 de Abril, pela primeira vez valorizado em Tomar

Programa oficial

Dando cumprimento a mais uma promessa por um lado, ao compromisso assumido entre o PS e a CDU e à objetivação de uma estratégia de projetar os valores, os princípios e a memória, o Município de Tomar vai este ano, apela primeira vez desde sempre, fazer uma Assembleia Municipal com sessão solene sobre o 25 de Abril. Isto tudo, além de um programa de comemorações completo, que envolve muitas associações do Concelho, desde as associações políticas e cívicas, às associações culturais e desportivas, incluindo bandas, ranchos, teatro e música coral. Tudo produção local, na valorização daquilo que Tomar promove, daquilo que Tomar tem de melhor.

Tomar entra assim, através da gestão dirigida por Anabela Freitas, no mundo da "verdade histórica", 40 anos depois do grande dia. Esta mudança, sistemática, consistente, que marca o dia a dia de um Concelho que se liberta dos fantasmas que do passado ensombraram, durante décadas, a capacidade de Tomar ficar em "linha" com o seu tempo. Liberdade é, mais do que um conceito teórico, uma vivência diária. Igualdade é, mais do que um grito de esperança histórico, um desígnio que se aplica mesmo a TODOS, em que não há privilegiados, nem perpetuação do "medo" e das "ameaças", mesmo que vindas de alguns atores associativos, empresariais ou políticos, os quais à boa maneira da "política antiga", diziam uma coisa e faziam o seu contrário. Este é, também, o desígnio socialista na gestão do Município, na indicação do caminho para Tomar: mudar tempos e mudar mentalidades, promovendo a justiça.


Cumprir Abril em 2014 é também ser exigente e se o POVO É QUEM MAIS ORDENA, o respeito e a fraternidade, são conceitos em sentido duplo.

Já a homenagem póstuma que será realizada pela câmara de Tomar aos seus ex-presidentes de câmara e assembleia será um dos pontos altos destes 40 anos do 25 de Abril. Desde logo Antunes da Silva, o presidente da comissão administrativa (e irmão de Fraústo da Silva, que estará presente e que foi uma referencia académica e politica - tendo sido mandatário da primeira candidatura de Mário Soares à Presidência em 1986 e um dos três responsáveis pela instalação em Tomar do Instituto Politécnico). Destaque também para Luis Bonet, o primeiro presidente de câmara (eleito pelo PS), o qual após esse primeiro mandato 1977-79, por duas vezes concorreu e por duas vezes assumiu o papel de vereador da oposição, valorizando a democracia conquistada com Abril.

Todos estes são motivos de orgulho e de participação, reflexão e de correção dos erros que foram e estão sendo cometidos. TODOS, independentemente da idade, estamos a tempo de aprender. Abril também nos ensinou isso, ou como dizia um célebre comunista: aprender, aprender, sempre!

25 de Abril sempre!

15.4.14

Seis meses a tentar parar o navio de Tomar contra o Iceberg

Nem a propósito faz hoje 102 anos que naufragou o transatlântico Titanic, após o embate com um enorme iceberg no atlântico norte ao largo dos bancos da Terra Nova (Canadá).

A efeméride, uma das muitas deste dia 15 de Abril, vale por si e nada mais haveria a relatar se, acaso, não fizesse no próximo dia 17 de Abril, seis meses que a atual gerência do Município tivesse tomado posse em Tomar.

Nenhuma relação há entre os dois acontecimentos?
Pois não haverá.

O que é certo é que, nos seis meses que entretanto se findarão, a situação do Município se assemelha precipitadamente à do grande navio que há mais de um século cruzava os mares às cegas e a uma velocidade estonteante, na sua viagem inaugural.

O Município de Tomar, tal a margem de erro das suas contas, tal o volume de faturas em conferência, tal as "matreirices" de quase duas décadas de "contabilidade criativa", vai saindo do nevoeiro a verdadeira situação em que vivemos: atulados em dívidas, em incumprimentos de regras básicas e simples da contabilidade pública, violando. ano após ano, os mais elementares princípios.

E do nevoeiro emerge... o Iceberg. Cada vez mais nítido, cada vez mais brilhante.
A dúvida subsiste: conseguirá esta gestão municipal livrar-nos do embate?
Há seis meses que o vimos tentando, mas a garantia de que se consegue parar a tempo não existe ainda.

Só para se ver a dificuldade: só há quinze dias atrás, se conseguiu colocar em vigor a nova estrutura do Município, otimizando e organizando os setores, cortando as "gorduras" administrativas. Tudo tirado a ferros! Quase seis meses para a concretizar, quase contra tudo e contra todos. Aquilo que em circunstâncias normais teria levado um a dois meses, em Tomar demora o dobro ou o triplo.

Será que chegaremos a tempo?
Os próximos três meses serão cruciais. Veremos quem sobreviverá, antes e depois do, eventual, embate.

Parabéns Anabela. Tens justificado, plenamente, o orgulho de quem em ti votou. Não claudiques!

7.4.14

Este livro que vos deixo, e que a minha alma ditou, vos dirá como o Aleixo, viveu sentiu e pensou.

Nas voltas da calha a entreter a razão, dei de novo com o poeta do povo - António Aleixo (1899-1949), é o mais reconhecido poeta popular do sec.XX português. Talvez pela sua combinação simples das palavras, na velha tradição do versajar quiçá de influência oriental, moçárabe ou mesmo de outros de antanho.

Agora que em Tomar se discute cada vez mais arte, seja pela recuperação que estamos finalmente a fazer do Núcleo de Arte Contemporânea, com a abertura lá para Maio (9) da nova sala de exposições temporárias no Edifício da "Comissão de Iniciativa e Turismo" seja pelo desafio da utilização dos milhões já investidos em obras sem projeto museológico no complexo da Levada, achei prudente "beber" nos clássicos populares a abordagem descomplicada que tem sobre a mesma.

A ARTE

Vejo a arte definida
Na forma de escrever
O bem ou o mal que a vida
Nos faz gozar ou sofrer.

Um poeta de verdade,
Se se souber compreender,
Não deve de ter vaidade
De o ser, porque o é sem q'rer

Ser artista é ser alguém!
Que bonito é ser artista...
Ver as coisas mais além
Do que alcança a nossa vista!

A arte é força imanente,
Não se ensina, não se aprende,
Não se compra, não se vende,
Nasce e morre com a gente.

A arte é dom de quem cria;
Portanto não é artista
Aquele que só copia
As coisas que tem à vista.

A arte e, nós se revela
Sempre de forma diferente:
Cai no papel ou na tela
Conforme o artista sente.

30.3.14

Kit de vinhos Templários volta a estar disponível em 2014

Criado durante a vereação socialista que geriu o Turismo Municipal em 2010, o kit de vinhos dos produtores do Concelho, o qual há mais de dois anos deixou de estar à venda - porque se deixou de comprar vinho aos produtores, voltará este ano a estar à venda no Turismo de Tomar.

O enoturismo, sabem-no todos os especialistas, é um vetor em desenvolvimento e é promotor de visitação ao território, animando mercados e públicos cada vez mais diferenciados.

O turista, que afinal somos cada um de nós, procura experiências, mas também procura produtos locais, que valorizem a visita realizada.

Ao repor, em breves meses, este kit é mais do que repor algo que esteve bem feito, devolver à produção vínica do Concelho o seu lugar na promoção do nosso desenvolvimento.

22.3.14

Azedo Gneco e a fundação do Partido Socialista Portugês em Tomar

Azedo Gneco, ao centro, num comício do
Partido Republicano em 1907 (Teatro do Rato)
De seu nome EUDÓXIO CÉSAR AZEDO GNECO (1849-1911), foi um dos fundadores do primeiro Partido Socialista existente em Portugal e fundado em Tomar em 1875.

Nasceu em Samora Correia (concelho de Benavente) e era gravador de profissão, medalhista e aprendiz de escultor, tendo iniciado a sua atividade política e sindical no Centro Promotor dos melhoramentos das classes laboriosas, que havia sido fundado em 1852.

Na sequência da deslocação a Lisboa, em 1871, de três dirigentes socialistas espanhóis, Azedo Gneco, participa na fundação da Fraternidade Operária, que chegou a reunir mais de 3000 sócios.

Em 1875, com Nobre França, Caetano da Silva, Agostinho da Silva e António Joaquim de Oliveira e, mais tarde, Antero de Quental, funda o Partido Socialista, aderente à I Internacional, de orientação federalista e proudhoniana.

Em 1890, Azedo Gneco criou a Liga da Dmocracia Socialista e, juntamente com Nobre da França e Ramos Lourenço, a primeira cisão entre os socialistas.

Organizou, em 1893 o Congresso Nacional Operário e o Congresso Anticatólico em 1895.

Em 1901, defende a aliança com os republicanos, contrariando a orientação de outros grupos que se reclamavam do socialismo. Mas, a partir de 1907 o Partido Socialista Português afasta-se dessa aliança, sendo totalmente dissolvido com o advento da república.

Azedo Gneco morreu em Lisboa a 29 de Junho de 1911, com 62 anos.

14.3.14

Lojas maçónicas existentes nas proximidades de Tomar na implantação da República

Fonte: A Maçonaria e a implantação da República, numa edição do Grémio Lusitano e Fundação Mário Soares, com o apoio da Comissão do Centenário da República, ISBN 978-972-8885-21-2

Nos primeiros anos do sec. XX acentuou-se a aproximação entre a Maçonaria e o movimento republicano, num movimento que tinha origem em meados do sec. XIX. A agitaçao social, o debate político e a participação cívica favoreceram o crescimento simultâneo da Maçonaria, do movimento republicano e da Carbonária. Em 1910 a Maçonaria Portguesa agrupava-se fundamentalmente em volta do Grande Oriente Lusitano Unido, de que era grão mestre, desde 1908, Sebastião de Magalhães Lima. Este que havia sido décadas antes o fundador do histórico Jorna "O Século", cedo disse ao que vinha e qua a linha que queria para a Maçonaria em Portugal, sendo que a primeira mensagem que passou ao conselho do Grande Oriente Lusitano Unido, em 4 de Maio de 1906, logo após ter sido eleito seu dirigente e anteriormente à Implantação de República Portuguesa, foi: "impor a revolução laicista como linha oficial da maçonaria"

Em 1910 existiam em Portugal 153 Lojas, às quais se juntavam 82 Triangulos. Era na faixa litoral do País e mais próximo de zons de industriaização, que a Maçonaria mais cresceu nos anos que antecederam a instauração da República e o início da laicização do País, transportando-o da idade média do pensamento, para o sec. XX.

Na envolvente à cidade de Tomar, nos seus eixos históricos de ligação e envolvente, eram estas as Lojas que existiam em 1910:

Albergaria dos Doze (Concelho de Pombal) - LOJA FERRER, existente entre 1909 e 1913, com o número de registo 311 e que praticava o rito escocês antigo e aceito. Esta loja foi o resultado da transformação (crescimento) do triângulo numero 112 criado pela Loja Gomes Freire de Leiria.

Alcanena - LOJA FIRMEZA, seguia o rito escocês antigo e aceito, que manteve atividade até 1911, com o numero 299 e a divisa Homo Integrus, esta Loja resultou da conversão do triângulo número 100 em 1909.

Alcobaça - LOJA TRINDADE LEITÃO, com o número 297, fundada em 1908, tendo existido até 1913, praticando o rito escocês antigo e aceito.

Batalha - LOJA PRESERVERANÇA, por evolução do triângulo numero 95, à qual foi dada o numero 293, tendo funcionado entre 1908 e 1912.

Caldas da Rainha - LOJA AURORA, que praticava o rito escocês antigo e aceito, instalada em 1909 na Tornada, sob o numero 304. Extinguiu-se em 1913.

Leiria - LOJA GOMES FREIRE, com o número 274 e fundada em 1907, adoptou inicialmente o rito francês, passando no ano seguinte a praticar o rito escocês antigo e aceito, altura em que foi Loja Capitular. É notável a sua atividade de disseminação da maçonaria nas zonas de Leiria, Coimbra e Figueira da Foz. Suspendeu a sua atividade entre 1917 e 1922, interrompendo-a novamente no ano seguinte. Retomou, até hoje, a atividade após o 25 de Abril de 1974.

Leiria - LOJA PORTUGAL, com o numero 294, funcionava na Gândara dos Olivais, sendo uma evolução do triângulo 103 e funcionou entre 1908 e 1911.

Lousã - LOJA PROGRESSO, com o numero 308, funcionou entre 1909 e 1913, na sequência da existência do triângulo 93. Praticava o rito escocês antigo e aceito.

Marinha Grande - LOJA HELIODORO SALGADO, entre 1907 e 1923, com o número 279. Praticava o rito francês, sendo uma evolução do triângulo 96.

Nazaré - LOJA PAZ E LIBERDADE, possuía o numero 295 e existiu entre 1908 e 1915, praticando o rito escocês antigo e aceito.

Pombal - LOJA MARQUÊS DE POMBAL, com o número 301, que existiu entre 1909 e 1913, praticando o rito escocês antigo e aceito.

Rio Maior - LOJA AMOR E JUSTIÇA, desde 1910, com o numero 312, praticando o rito escocês antigo e aceito, tendo interrompido os seus trabalhos em 1935. Esta loja resultou da conversão do triângulo 116, criado pela Loja Gomes Freire de Leiria.

Santarém - LOJA LIBERDADE, a funcionar desde 1904 com o numero 247, praticando o rito francês, transitando para o escocês antigo e aceito em 1908. Foi extinta em 1913.

São Martinho do Porto (Concelho de Alcobaça) - LOJA JOSÉ BENTO, funcionou entre 1908 e 1913. Seguia o rito escocês antigo e aceito e o numero 283.

Tomar - LOJA TEMPLÁRIOS, com o número 271, foi fundada em 1906, tendo trabalhado até 1909, mas apenas extinta por decreto de 1911, praticando o rito escocês antigo e aceito.

Vieira de Leiria - LOJA ELIAS GARCIA, foi instalada em 1909, com o número 310, tendo sido extinta em 1912, praticando o rito escocês antigo e aceito.

6.3.14

O Banqueiro anarquista

Rever "Livros revisitados", numa colaboração que tive à alguns anos com o jornal "O Templário"

LIVROS REVISITADOS
O banqueiro anarquista

O Livro desta semana, “O banqueiro anarquista”, de Fernando Pessoa, na edição da chancela Ática, da Guimarães Editores (ISBN 978-972-665-556-5), no ano de 2009, envolve-nos numa esotérica viagem, pelo mundo do “realismo ficcional”, de que só Fernando Pessoa seria capaz, desvendando a contradição entre a filosofia anarquista, muito ao gosto do primeiro quartel do Sec.XX e a profissão de banqueiro.
A trama da ficção, desenrola-se numa conversa entre um banqueiro, aparentemente anarquista que justifica os seus ideais a um amigo, que pensa inconciliável o estatuto de banqueiro com a política anárquica. O banqueiro expõe, então uma série de pontos de vista e ideias com a mais racional linha de pensamento, justificando a sua profissão, dizendo-se ainda um homem praticamente livre, uma vez que é imune ao peso do capital.

Sendo uma ficção, com o traço de génio de um Pessoa, é hoje especialmente interessante revisitá-lo, nomeadamente pela actualidade do conceito do “Banqueiro” do mundo, seja ele quem for, que parece alimentar-se numa cada vez maior “anarquia”, que destrói continentes, países, Cidades e aldeias, famílias e pessoas.

Neste “caos de milhões”, com que diariamente somos bombardeados, redescobrimos a importância das coisas simples, como o prazer do convívio com os amigos numa Cidade com Monumentos abertos todo o dia, com o gosto de ter um Rio mais limpo ou com a benesse de sabermos que todas as crianças, nossos filhos ou netos, podem ir ao cinema ou ao teatro, independentemente de viverem no campo ou na cidade, como nalguns Concelhos deste País.

Como o autor nos interpela directamente para a luta dos tempos idos, presentes e futuros, com um “realmente, quem se esquiva a travar um combate não é derrotado nele. Mas moralmente é derrotado, porque não se bateu”, diz o banqueiro que se acha anarquista. E na vida diária do nosso Concelho não será assim?

A quantos combates, quem nos tem governado, se tem procurado esquivar até hoje? Quantos mais falhanços no desenvolvimento de Tomar serão precisos, para que percebamos que nem somos governados nem por banqueiros, nem por anarquistas, mas pela pior das soluções humanas: os imobilistas?

Pessoa desafia-nos, nesta obra, a reencontrarmos o conceito de liberdade, “…para si e para os outros, para a humanidade inteira.”, “estar livre da influência ou da pressão das ficções sociais”, “ser livre tal qual nasceu e apareceu no mundo, que é como em justiça deve ser; e quer essa liberdade para si e para todos os mais”.

Ora, não é mesmo chegado o tempo de Tomar se libertar dos imobilistas, incapazes de resolverem qualquer dos problemas que o Concelho padece há anos, lhes juntou outros problemas, como por exemplo o pagar milhões por uma obra que vale tostões? Porquê e com que interesse? Quem ganha com a falta de liberdade no nosso Concelho? Quem e porquê nos quer mais pobres hoje em Tomar, do que éramos há 14 anos atrás? Não será altura de nos libertarmos destas amarras, desta falta de rasgo e humanidade, de quem nos tem governado?

26.2.14

“A Maçonaria pode contribuir para uma democracia mais saudável”, segundo António Reis

António Reis grão-mestre da obediência maçónica Grande Oriente Lusitano (GOL), até 2011, daquela que é a mais antiga organização maçónica que existe em Portugal, tendo-se formado em 1802.


António Reis é Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. De passagem em Viseu, o Grão-Mestre do GOL, acedeu a ser entrevistado pelo Jornal do Centro para falar sobre a organização em Portugal e na região.
O Grão-Mestre António Reis vai ser amanhã substituído no cargo por Fernando Lima, ex-líder da Sociedade Lusa de Negócios, gestor de empresas e actual presidente da Sociedade Galilei.
António Reis cumpriu dois mandatos de três anos à frente do GOL. Na fotografia desta página, o grão-mestre é fotografado no principal templo maçónico em Portugal, no Palácio Maçonico em Lisboa.

A ENTREVISTA:
A Maçonaria justifica-se na sociedade em que hoje vivemos?
A razão principal que levou ao nascimento da Maçonaria mantém-se actual. Tem a ver com a necessidade de construir pontes entre os homens, para além das divergências de carácter ideológico, político, partidário e, sobretudo, religioso.
Foi a partir da necessidade de superar essas divergências, de encontrar um local ou uma organização onde se pudesse conviver, debater, ser tolerante e respeitar as ideias dos outros, que nasceu a Maçonaria no princípio do século XVIII, em Inglaterra. Era uma Inglaterra dividida por lutas religiosas e partidárias muito intensas.
O que vemos hoje é ainda um mundo muito dividido e partilhado por ideologias e opções políticas e religiosas diferentes e com tendência para cair em fundamentalismos, quer de carácter religioso, quer de carácter ideológico.
A Maçonaria apresenta-se como forma de combater esses vícios e esses fundamentalismos e proporcionar às pessoas uma plataforma de entendimento que supere essas divisões.
É isso que faz sentido no mundo de hoje em que todos nós estamos cada vez mais a ser testemunhas da gravidade das consequências desses fundamentalismos de vária ordem.

E de que forma é que a Maçonaria tem acção no cenário que acaba de traçar?
Congregando, antes de mais, as elites de cada sociedade e de cada país no culto dos valores da tolerância, fraternidade, compreensão mútua, da procura da verdade sem dogmatismos de qualquer espécie.
Nas lojas do Grande Oriente Lusitano (GOL) encontram-se pessoas com diferentes opções religiosas, políticas e ideológicas. Convivem de forma fraterna, discutem os problemas do país, as grandes questões da filosofia e da ciência, sem se hostilizarem.
Na sua vida profana, como dizemos, podem ter opções diferentes, militarem até em partidos diferentes, e na sua loja procurarem opções em conjunto para os problemas da humanidade e do país, em particular.

De que forma é que os maçons intervêm na sociedade? Há alguma determinação nesse sentido por parte do GOL?
Reconhecemos uma grande liberdade de actuação para cada membro da Maçonaria. Mas não há dúvida nenhuma que os estimulamos a todos a empenharem-se na área da solidariedade social da filantropia. A dimensão filantrópica caracteriza a maçonaria desde as suas origens.
Em Portugal esta forma de actuar teve especial importância quando o Estado-providência era muito frágil no nosso país. Falo em fins do século XIX e início do século XX. Altura em que os maçons foram sempre gente empenhada em organizações de solidariedade social. E fundaram muitas que ainda hoje existem, como o Montepio Geral, fundado por maçons no século XIX.
Algumas instituições foram fundadas por maçons e ainda hoje estão na posse do Grande Oriente Lusitano, como são os casos dos internatos de S. João, em Lisboa e no Porto.
Dei exemplos de vestígios, quase simbólicos, do que era a imensa actividade filantrópica da Maçonaria portuguesa.
Mas o que hoje prevalece na Maçonaria é a dimensão cívica, cultural e ética. O que pretende ser é uma vanguarda ética e cívica que defende grandes valores: a liberdade de consciência, a igualdade, a justiça, a tolerância, a cidadania e a laicidade, naturalmente. A separação entre a Igreja e o Estado foi, em grande parte, obra da Maçonaria portuguesa através dos governos da primeira república.
Pretendemos ser defensores acérrimos destes valores. Constituímos uma espécie de elite que está sempre pronta a bater-se por eles e, depois, cada um opta pela melhor maneira prática de os defender. Pode fazê-lo dentro de um partido político, de uma associação cultural e cívica, através do tipo de profissão que acaba por escolher. Tudo isso contribui para levar por diante a defesa dos valores que defendemos.

Falou na política. Esse é dado como um meio no qual a Maçonaria exerce influência. De que forma existe e como vê essa acção?
É preciso que fique muito claro que a Maçonaria não é uma organização política nem um outro tipo de partido político. Não pretende ser uma organização de massas, muito longe disso, mas sim que os seus membros possam influenciar a vida dos partidos políticos em que militam com base nos valores que apontei.
A Maçonaria não é uma organização formada para dar ordens aos partidos políticos ou tentar manipulá-los, nem que lhe obedeçam como marionetes na sua mão. E nem isso era possível pelo que já expliquei. Pode contribuir para uma democracia mais saudável, para evitar sectarismos e posições demasiado fechadas e promover o diálogo entre as diferentes forças políticas.
Tudo isso pode ser uma relação útil por parte de maçons na sua relação com a vida partidária e com a vida política. Não telecomandamos os partidos políticos, os governos ou a Assembleia da República. Há deputados maçons sem dúvida, em diferentes partidos, há ministros e secretários de Estado maçons, sempre os houve, mas o que se passa é que não obedecem a nenhuma central de comando. O Grão-Mestre não é o dono de uma central que movimenta os peões no xadrez do tabuleiro político ou partidário.

Mas qual é a marca que pretendem deixar com a influência que têm na acção de um partido político, por exemplo?
É sobretudo uma marca no plano ético. O maçon tem que ser exemplar na sua conduta ética na política, num partido político ou num órgão de soberania como um governo ou a Assembleia da República. O mesmo deve acontecer se for professor ou gestor num banco ou numa empresa. Deve pautar a sua actividade por padrões de excelência profissional.

Se, como defendem, os grandes desenvolvimentos da humanidade estão ligados aos maçons, de que forma têm a marca da maçonaria os desenvolvimentos de Portugal do pós 25 de Abril?
Dou um exemplo concreto que tem a ver com a zona onde estamos, a região Centro do país. É o caso da Lei do Serviço Nacional de Saúde. É uma extraordinária Lei, que mudou completamente o panorama da Saúde em Portugal, principalmente no acesso que a ela tem a população. É da autoria de um grande maçon que me antecedeu no cargo de Grão-Mestre: António Arnaut, um homem de Coimbra.
A Lei do Serviço Nacional de Saúde foi discutida na loja maçónica à qual pertencia António Arnaut e recebeu contributos dos irmãos daquela loja antes de ter sido apresentada e aprovada na Assembleia da República em 1979.
O mesmo tinha acontecido 60 ou 70 anos antes com a famosa Lei de Separação entre a Igreja e o Estado, apresentada por Afonso Costa na Loja do Futuro, em Lisboa. Estes são casos concretos em que a Maçonaria interveio na vida política e na legislação do país.

Não pretendem dominar, mas sim orientar e influenciar. É assim?
É uma boa síntese essa. Não dominar, não manipular, mas fazer com que os valores maçónicos possam enformar a legislação do país e até o comportamento dos políticos.

Quantos maçons existem em Portugal?
No Grande Oriente Lusitano somos cerca de dois mil.

Em Viseu, segundo apurámos, existem cerca de meia centena de maçons. Quantas lojas existem na cidade?
Temos duas lojas em Viseu. A loja Alberto Sampaio e a loja Alves Martins – a mais recente -, em homenagem ao famoso bispo de Viseu, que era maçon. Na nossa obediência, o GOL, são as que existem em Viseu.

O que é preciso para se ser maçon? Como se entra para a Maçonaria?
Actualmente entra-se para a Maçonaria por cooptação [admissão numa organização com dispensa de formalidades originariamente exigidas]. São os próprios maçons que na sua vida profana [exterior à organização] encontram pessoas com qualidades e interesse nas questões que ocupam e preocupam os maçons e os convidam a entrar. É a maneira mais comum de entrar, ou seja, através de um convite de um maçon a um não maçon.
Mas não é obrigatório que seja sempre assim. Com a internet é mais fácil as pessoas aproximarem-se de nós sem ser através de mediação.
Os pedidos são muito bem analisados e objecto de inquirições e várias conversas – que chamamos de sindicâncias – que obrigam a um conhecimento completo da vida da pessoa e das motivações que têm para se aproximar da Maçonaria.
Só ao fim de um longo e rigoroso escrutínio é que essa pessoa é convidada e presta provas. Chamamos a isso a iniciação. A pessoa é sujeita depois a um interrogatório rigoroso e exigente em que pode passar ou chumbar. Qualquer maçon, por um motivo diverso, pode levantar oposição à entrada de um candidato. O escrutínio passa não só pelas pessoas da loja que o convidou, como também de todos os membros da obediência.

Há quem pense que a Maçonaria não passa hoje em dia de uma agência de empregos. O dever de entreajuda dos maçons pode levar a que se pense assim? É uma enormidade dizê-lo?
Há dois prismas para analisar essa questão.
É claro que a maçonaria é uma fraternidade. É uma sociedade em que os irmãos, como nos designamos, se procuram entreajudar como numa família. Se há a possibilidade de ajudar um dos membros é claro que o maçon o fará.
Mas não é esse o objectivo da Maçonaria. Nenhum de nós interfere na questão dos empregos contornando a Lei. Procuramos ajudar-nos uns aos outros como numa família sem utilizar aquilo a que se chama de cunha, no sentido de prejudicar outras pessoas para que aquele que é meu irmão possa obter um emprego.

Há um caso verídico de alguém que não consegue subir numa carreira profissional e que é aconselhada a ser membro da Maçonaria ou do Opus Dei para o conseguir. Admite que as pessoas, por este tipo de necessidade ou desejo, procurem a Maçonaria?
Se as pessoas vêm com esse objectivo são rapidamente desiludidas. Nas provas de iniciação é-lhes dito que, com esse objectivo, não podem entrar na Maçonaria. E mais: às pessoas que têm essa preocupação só lhes posso dizer que é muito mais fácil fazê-lo através de um partido político, nomeadamente dos chamados partidos do poder, do que através da Maçonaria ou mesmo do Opus Dei.
Não posso falar em nome do Opus Deis mas, sem dúvida nenhuma que os partidos da área do poder são, esses sim, propulsores da possibilidade de se conseguirem empregos.

A recente questão que surgiu à volta dos serviços secretos portugueses fez transpirar para a comunicação social que a Maçonaria ou alguns dos seus membros estariam envolvidos. Falou-se por exemplo da loja Mozart e de membros seus que estiveram envolvidos na questão…
A loja Mozart pertence à Grande Loja Regular Legal de Portugal, não é o Grande Oriente Lusitano. Essa é chamada a Maçonaria Regular. Nós pertencemos à Maçonaria Irregular, Liberal e Adogmática.
No Grande Oriente Lusitano somos completamente alheios a esse assunto.

O Grande Oriente Lusitano e as suas lojas em Portugal têm sido alvo deste tipo de mediatização quando os seus membros estão envolvidos em questões públicas?
Não tenho ideia disso. Isso tem acontecido mais frequentemente com a Grande Loja Regular Legal de Portugal. Temo-nos mantido bastante alheados disso.
Recorda-se certamente do caso da Universidade Moderna. Mais uma vez isso aconteceu com uma obediência que era a Grande Loja Regular Legal de Portugal.
Temos tido uma grande preocupação em evitar que essas coisas aconteçam connosco. Somos muitíssimo prudentes e exigentes, também no nosso recrutamento, para evitar situações desse tipo.

A Grande Loja Regular Legal de Portugal, de que fala, surgiu por uma dissidência do Grande Oriente Lusitano há cerca de duas décadas. Porque é que isso aconteceu?
Eles saíram do Grande Oriente Lusitano nos anos 80 porque entenderam adoptar a filosofia própria da Grande Loja Unida de Inglaterra e da chamada Maçonaria Regular que se distingue da nossa filosofia em dois aspectos essenciais.
Em primeiro lugar porque obrigam à crença numa religião revelada, qualquer que ela seja e à existência de um princípio sobrenatural. Para os maçons do GOL não impomos nenhuma crença e, ao contrário deles, admitimos ateus e agnósticos no nosso seio porque entendemos que o princípio da liberdade de consciência deve ser levado até às últimas consequências.
A segunda grande diferença é a de que os maçons ligados à Grande Loja Unida de Inglaterra não admitem mulheres na Maçonaria, enquanto nós admitimos a existência de mulheres iniciadas na maçonaria.
Sendo embora uma obediência exclusivamente masculina, o GOL reconhece o direito à iniciação das mulheres, necessariamente noutras obediências, e convida irmãs maçonas a irem aos trabalhos das lojas do GOL e aceita convites para ir a trabalhos de lojas de obediências femininas ou mistas.

O que é uma obediência maçónica mista?
As obediências podem ter lojas exclusivamente masculinas, femininas ou mistas – que admitem os dois géneros.
Há várias obediências mistas em Portugal. Há o chamado Direito Humano, uma obediência fundada nos finais do século XIX em França e que se espalhou por todo o mundo, e existe uma Federação Portuguesa do Direito Humano, com lojas masculinas, femininas e mistas.
Existe também a Grande Loja Simbólica de Portugal, do Rito Antigo e Primitivo Menphis-Misrain, que se caracteriza por praticar um determinado rito. Os ritos são formas diferentes de praticar um ritual dentro de uma loja.

As ramificações que teve ao longo dos anos não enfraquecem o legado histórico, ou o próprio conceito, da Maçonaria?
Sim, isso acontece em todas as organizações. Acontece com o Cristianismo, com as suas várias correntes. É quase inevitável que isso aconteça. É humano, demasiado humano.
Mas isso não impede que as diferentes obediências maçónicas encontrem formas de cooperação. Todos nós partilhamos filosofias comuns: a da tolerância, a da fraternidade, a da laicidade. São valores comuns a todos nós.
Eu tenho as melhores relações pessoais com os grão-mestres de cada uma dessas obediências, até da própria Grande Loja Regular Legal de Portugal. Muitas vezes é necessário trocarmos impressões, analisarmos em comum determinados problemas do país e não nos guerreamos.

Ao que se sabe a média de idades dos maçons em Portugal anda pelos 50 anos…
Não tenho estatísticas que o comprovem, mas a experiência leva-me a dizer que tem vindo a descer, pelo menos no GOL e nos últimos seis anos.
O que tem havido é cada vez mais interesse na aproximação à Maçonaria por parte dos mais jovens, nas faixas dos 20 e 30 anos.

Lendo alguns dos requisitos para se ser maçon, que estão disponíveis, por exemplo, no sítio da internet do GOL – em www.gremiolusitano.eu –, regista-se, por exemplo que só pode ser maçon quem nunca tenha tido problemas com a Justiça. Nos dias de hoje muitos dos cidadãos têm problemas e questões que levam por vezes a que sejam cometidos pequenos delitos e ao cumprimento de condenações consideradas menores. Esta é uma barreira importante para a aceitação de membros?
Pedimos obrigatoriamente o certificado de registo criminal. Tentamos saber alguma coisa sobre a vida da pessoa, se teve algum problema grave com a Justiça, embora o ter sido condenada uma vez não seja uma mancha para o resto da vida. Mas temos muito cuidado com isso.
Se algum dos nossos membros é alvo de um processo judicial, é acusado e pronunciado pelo juiz, nesse caso é aconselhado a suspender a sua participação na Maçonaria até que haja uma sentença transitada em julgado.
Se a sentença for condenatória a pessoa é aconselhada a demitir-se. Se o não quiser fazer há um Tribunal Maçónico que a pode irradiar da Ordem Maçónica.

Houve muitos nomes de pessoas ilustres da região de Viseu na Maçonaria. Fale-nos sobre alguns. … Aquilino Ribeiro foi maçon, por exemplo?
Foi. Sem dúvida que foi. Aquilino foi iniciado na Maçonaria em Lisboa e creio que na Loja Montanha, a que mais directamente esteve ligada à Carbonária. Para além de maçon, Aquilino Ribeiro era carbonário.
De pessoas mais recentes lembro-me por exemplo de João Soares Louro – antigo presidente da RTP e secretário de Estado da Comunicação Social -, que foi iniciado na Loja Alberto Sampaio.

O nome de Fernando Vale, um histórico da maçonaria portuguesa na região Centro, também está ligado a Viseu…
Fernando Vale é um dos mais ilustres maçons de sempre na nossa história e nesta região, juntamente com Emídio Guerreiro, mais a Norte.

Vivemos em tempo de crise. A Maçonaria está atenta para se adaptar aos novos tempos?
Temos que estar muito atentos a estes sintomas de inquietação que vão proliferando, mas não podemos cair num certo catastrofismo, nem pensar que a democracia está condenada e que se caminha no sentido de uma certa anarquização das respostas políticas. Longe disso.
Há que aperfeiçoar a democracia e os partidos. Não vejo alternativas a uma organização democrática em que os partidos políticos continuam a ter um papel fundamental.

A Maçonaria chegou à Madeira
Está no último dia [julho2011] como Grão-mestre do GOL. Foram gratificantes estes anos?
Foram seis anos muito fecundos em que o GOL cresceu bastante e aumentou até o seu prestígio internacional. Aumentou o número de lojas e obreiros. Faltava-nos a implantação em alguns distritos e, sobretudo, conseguimos abrir uma loja na Madeira, a única Região Autónoma onde ainda não estávamos presentes. Nos Açores temos várias lojas e agora já temos uma oficina na Região Autónoma da Madeira.

Isso acontece numa altura em que há um grande problema político e financeiro entre o Governo central e a Região da Madeira…
É verdade. E não fomos nós os responsáveis do buraco financeiro da Madeira. Mas, concerteza, é útil que a Maçonaria e , em especial, o GOL, estejam agora também presentes na Madeira, o que vai certamente contribuir para melhorar o nível democrático daquele território.

Estão implantados em todo o território nacional?
O único distrito onde não estamos é o de Beja. É um distrito pouco povoado.
De resto estamos presentes em todos os distritos com templos da nossa organização.