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28.3.13

Como destruir (ficicamente) um Governo, sem usar TNT...

Depois do regresso televisivo do ex-líder do PS, qual meteoro e para fim da continuada mentira, a colocar na ordem os locais seguidores de um governo de chico-espertos, à laia de relvas, urge perceber como se pode destruir, fisicamente, um Governo, sem usar explosivos, os quais são proibidos.
Eis, portanto a solução, diretamente da internet (A NÃO PERDER...)


22.3.13

Dar o nome de Raul Lopes a um Jardim de Infância?

Foi na última reunião de Câmara aprovado, por maioria, a alteração da denominação do Jardim de Infância e Escola Básica do 1ºCiclo de Nuno Álvares Pereira, sito na Estrada da Serra, nas traseiras do que foi em tempos os Colégio Nuno Álvares. A proposta surgiu previamente no seio do conselho geral do agrupamento Nuno de Santa Maria, que o aprovou por unanimidade por proposta do Presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria, e antigo funcionário nesse mesmo colégio.
 
Votei contra, com a seguinte declaração:
Voto contra porque considero que a atribuição do nome de Raul Lopes a um equipamento de ensino, de tipologia de Jardim de Infância e de 1º Ciclo, face à sua ligação a um colégio interno, existente historicamente em Tomar, mas de tipologias de ensino diferentes deste, não se justifica, é extemporâneo e totalmente descabido.

Podia tê-lo escrito, mas contive-me: a proposta é uma verdadeira anedota. É que ainda se se tratasse de um inovador pedagogo, como João de Deus, por exemplo, que tivesse no seu tempo inovado na educação de crianças entre os 3 e os 9 anos, vá lá... Mas agora isto?

Só a título de exemplo, algumas hipóteses de pedagogos reconhecidos no sec.XIX e XX português:
Século XIX
 
Século XX

19.3.13

Negócios públicos, lucros privados

NÃO  HÁ COINCIDÊNCIAS!

TUDO  FOI CALCULADO AO PORMENOR.






 
Vejam esta  sequência de  acontecimentos:
 

1) A TROIKA sugere no "memorandum" a VENDA do negócio da SAÚDE da CGD-Caixa Geral de Depósitos;
 

2) O Governo nomeia ANTÓNIO BORGES como CONSULTOR para orientar a VENDA dos negócios PÚBLICOS (privatizações);
 

3) O Grupo SOARES DOS SANTOS (Jerónimo Martins) CONTRATA o mesmo ANTÓNIO BORGES como  ADMINISTRADOR – mantendo este as suas funções de VENDEDOR dos negócios PÚBLICOS do Governo;

 
4) O Grupo SOARES DOS SANTOS (Jerónimo Martins) anuncia a criação de um NOVO NEGÓCIO na área da SAÚDE (noticiado no início desta semana pela  imprensa);
 

5) A TROIKA exige a VENDA URGENTE do negócio da SAÚDE, da CGD, já este MÊS (notícia de hoje na imprensa).


 


...E  NINGUÉM repara? ...E  NINGUÉM diz nada?
Claro que dirão que é o "mercado" a funcionar "se" o Grupo SOARES DOS SANTOS adquirir por uma bagatela a área de negócio da SAÚDE, da CGD, por ajuste directo (sem  concurso).
– NINGUÉM exige explicações?
– NINGUÉM fala em tráfico de influências?
– NINGUÉM aponta indícios de corrupção?

14.3.13

Nova lei das regiões de turismo

http://www.welcome.com.pt/institucional/583-relvas-perde-lei-das-regioes-de-turismo.html

Muito ainda se há-de escrever sobre a nova Lei das regiões de Turismo, mas desde logo ressalta a importância de acabar com os estranhíssimos Pólos de turismo, que o anterior governo socialista deixou espalhados pelo País: ele era o da Serra da Estrela, o de Leiria-Fátima, o do Oeste... Enfim: micro regiões sem dimensão, nem know-how possivel para a promoção externa. Anos depois do anterior modelo de 2008, finalmente apenas 5 regiões - uma por cada CCDR (NUTII), mantendo alguma autonomia às Associações de Turismo de Lisboa e do Porto, face às "cidades-pólo" que protagonizam. Enfim, no meio de tanto disparate feito ao longo de anos, uma boa notícia. A que acresce, na minha opinião, a correta opção por aumentar e obrigar a uma maior parceria entre público - municípios, regiões, organismos do estado, e privados - operadores, hotelaria e restauração.

O turismo como importante atividade económica, com muito maior importância que a Agricultura, encaminha-se assim para um patamar que o reconduz à sua génese: os privados participam nos resultados, financiam o investimento e colaboram na gestão.

Mas estou certo que muita discussão esta matéria dará e se não me enganar muito, irei ver algumas vozes no PS a dizer que o que estava antes estava bem. Pois garanto-vos: não estava!
 
***
 
Ainda sobre Turismo, claro que muita da importância local e sub-regional, ao nível das NUTIII (Comunidades inter-municipais, no nosso caso o Médio Tejo), prende-se com eventos específicos, como este exemplo da "Ordem dos Templários"...
 

12.3.13

Ser jovem, ainda, aos 36 anos, num País adiado...

O testemunho é da atriz Joana Manuel, trabalhadora a recibos verdes há 15 anos, mas podia ser de centenas de milhares de outros.

Quando quebraremos o espelho que nos adia um País, que julgavamos nosso?

8.3.13

O salário mínimo deveria ser hoje de 511€

Uma das propostas apresentadas pelo candidato a Primeiro Ministro, António José Seguro, é o aumento do salário mínimo, como fator de justiça social e de estímulo à economia, especialmente centrado na economia local, porque está também estudado que o consumo daqueles que recebem os mais baixos rendimentos é essencialmente local.
 
É assim notório que o atual salário mínimo de 485€, fixado para 2011, pelo anterior governo socialista, após acordo de concertação social que fez evoluir o salário mínimo de 403€, em 2007 para (previsivelmente) 500€ no início de 2011, depois adiado para Junho de 2011, face às especiais e adversas condições da crise internacional, precisa de ser corrigido.
 
A justiça da proposta de António José Seguro, vê-se quer no quadro seguinte, quer no artigo do blogue http://economiafinancas.com
 
(Aconselho ainda a leitura de vários quadros comparativos a nível europeu, realizado pelo Observatório das desigualdades do ISCTE - http://observatorio-das-desigualdades.cies.iscte.pt/index.jsp?page=indicators&id=216 )
 
 
Na sequência do artigo anterior, “Salário mínimo nacional 2011 a 2013 – três anos consecutivos em queda“, faltou fazer a conta final que passa por saber de quanto deveria ser hoje o salário mínimo nacional para que este conseguisse garantir o poder de compra que tinha em 2011. Sabendo que a queda real foi de 5,4% chegamos à conclusão que, para que o SMN não tivesse caído de valor este ano deveria ser de €511. Ou seja, só acima deste valor estaríamos perante o efetivo aumento do poder de compra de quem recebe o salário mínimo isto desconsiderando eventuais aumentos de fiscalidade que tenham passado a recair sobre esta remuneração.

Leia mais: http://economiafinancas.com/2013/so-um-salario-minimo-de-e511-em-2013-garantiria-poder-de-compra-de-2011/#ixzz2N5VUvBO8

26.2.13

Itália decide: os palhaços ao poder...


Sendo estes os resultados oficiais das eleições da terceira maior economia do euro, membro do G8, sendo o 7º País mais industrializado do mundo, um País com mais de 57 milhões de habitantes e o segundo mais populoso da União Europeia, que dizer?
 
Convém ainda sabermos que qualquer Lei, por mais banál que seja, precisa da aprovação simultânea da "Câmara dos Deputados" e do "Senado", onde se percebe bem que ninguém tem maioria. Nem a esquerda, nem a direita, nem os palhaços.
 
Ora é precisamente aí que está o busílis: a politica italiana, desde que Berlusconi, há quase vinte anos a invadiu, nunca mais deixou de ser uma palhaçada. Mas agora é oficial: o anti-sistema de "Grillo", mais um pouco (qualquer coisa como mais 4,5%) e ganhava as eleições. Os palhaços ao poder, pois claro está!
 
Que fazer de uma Europa que conduz milhões ao desespero? Estará a extrema direita populista por aí a rebentar num ápice, como nos anos 20-30 do seculo passado, que em menos de uma década desembocou uma guerra mundial? E vamos assistir, sem nada fazer? Temo pelos meus filhos o que se está a passar...

23.2.13

Liberdade, Igualdade e Fraternidade é o lema universal da Maçonaria

Iniciamos hoje, aqui no blogue uma série de abordagens sobre o mundo algo desconhecido da Maçonaria, pela importância que tal tem, na sua ligação com Tomar e pela importância que tal pode vir a ter com o futuro desta. De tempos a tempos, iremos colocar post's, que melhorem o conhecimento sobre esta matéria. E como o saber não ocupa lugar...
Este primeiro post, além de fazer a sua definição, comunmente aceite, é também um convite para ver e ouvir o link para o video aqui ao lado, com uma abordagem histórica da Maçonaria em Portugal.
 
Fonte: Wikipédia
 
Maçonaria, forma reduzida e usual de francomaçonaria,[1] é uma sociedade discreta e por discreta, entende-se que se trata de ação reservada e que interessa exclusivamente àqueles que dela participam.[2][3][4] De carácter universal, cujos membros cultivam o aclassismo, humanidade, os princípios da liberdade, democracia, igualdade, fraternidade[5][6] e aperfeiçoamento intelectual, sendo assim uma associação iniciática e filosófica.

A maçonaria é, portanto, uma sociedade fraternal,[7] que admite todo homem livre e de bons costumes, sem distinção de raça, religião,[7] ideário político ou posição social. Suas principais exigências são que o candidato acredite em um princípio criador, tenha boa índole, respeite a família, possua um espírito filantrópico e o firme propósito de tratar sempre de ir em busca da perfeição,[7] aniquilando seus vícios e trabalhando para a constante evolução de suas virtudes.

Os maçons estruturam-se e reúnem-se em células autônomas, designadas por oficinas, ateliers ou (como são mais conhecidas e correctamente designadas) lojas, "todas iguais em direitos e honras, e independentes entre si."

Existem, no mundo, aproximadamente 6 milhões de integrantes espalhados pelos 5 continentes. Destes 3,2 (58%) nos Estados Unidos, 1,2 -(22%) - no Reino Unido e 1,0 (20%) no resto do mundo. No Brasil são aproximadamente 150 mil maçons regulares (2,7 %) e 4 700 Lojas. *
 
*Em Portugal estima-se que existirão pouco mais de 3000 maçons, distribuídos pelas 3 obediências.

19.2.13

Demissão, demissão... e ainda nem é Primavera!


A carta de Teresa Beleza a sua mãe



CARTA DE TERESA BELEZA À SUA MÃE
Esta carta foi publicada no jornal Público de 5ª feira, 10 de janeiro de 2013. A Profª Teresa Beleza é irmã de Leonor Beleza e Miguel Beleza.
 
CARTA A MINHA MÃE SOBRE O SNS E OUTRAS COISAS EM PORTUGAL
"Mãe, sabes que agora em Portugal mandam uns senhores que estão a dar cabo do Serviço Nacional de Saúde? E que dizem que é por causa de uma tal de troika, que agora manda neles? Lembras-te da "Lei Arnaut", que, segundo ele mesmo diz, tu redigiste, depois de muito pensares e estudares sobre o assunto, com a seriedade e o empenho que punhas em tudo o que fazias?
Lembras-te das nossas conversas sobre a necessidade de toda a gente em Portugal ter acesso a cuidados de saúde básicos de boa qualidade e de como essa possibilidade fizera em poucos anos baixar drasticamente a mortalidade materna e infantil, flagelos nacionais antigos, como uma das coisas boas que se tornaram realidade depois de 1974 e com a restauração da democracia?
Lembras-te de quando eu te dizia que eras tão mais socialista do que "eles", os do Partido Socialista, e tu te zangavas porque não era essa a tua imagem e a tua crença?
E quando eu te dizia que o ministro António Arnaut era maçon e tu não acreditavas, porque ele era (e é) um homem bom - e para ti a Maçonaria era a encarnação do Diabo...
Mãe, tu, que te dizias e julgavas convictamente monárquica, católica, miguelista, jurista cartesiana (isso era o que eu te dizia e que penso que eras, também), que conhecias a Bíblia e Teilhard de Chardin como ninguém e me ensinaste que Deus criara o homem e a mulher à Sua imagem, quando pronunciou o fiat, porque assim se diz no Génesis...
Tu que dizias que o problema dos economistas era que não tinham aprendido latim... e me tiravas as dúvidas de português e outras coisas, quando me não mandavas ir ao dicionário, como agora eu mando o meu Filho...
Tu que foste o meu "Google", às vezes renitente, quando este ainda não existia... Sabes que agora manda em Portugal gente ignorante e pacóvia, que nem se lembra já de como se vivia na pobreza e na doença, que julga que o Estado se deve retirar de tudo, incluindo da Saúde, e confunde a absoluta e premente necessidade de controlar e conter o imenso desperdício com a ideia de fechar portas, urgências claramente úteis social e geograficamente...
Sabes que fecharam o Serviço de Urgência e o excelente Serviço de Cardiologia do Hospital Curry Cabral sem sequer prevenirem ou consultarem o seu chefe? Onde irão agora todas aquelas pessoas tão claramente pobres, vulneráveis e humildes que tantas vezes lá encontrei e que não pareciam capazes de aprenderem outro caminho, outro destino, de encontrarem outros dedicados e pacientes "ouvidores"?
Sabes que um ministro qualquer disse que o edifício da Maternidade Alfredo da Costa não tinha qualquer interesse urbanístico ou arquitectónico, para além de condenar ao abate essa unidade de saúde, com limitações já evidentes, mas que tão importante foi para tanta gente humilde ter os seus filhos em segurança? Será mesmo que não a poderiam "refundar", como agora se diz? Ou quererão construir um condomínio fechado, luxuoso e kitsch, no meio de uma das minhas, das nossas cidades?
Lembras-te de me ires buscar à MAC quando nasceu o meu Filho e de como te contei da imensa dedicação do pessoal médico e de enfermagem e da clara sobre-representação de parturientes de origem social modesta, imigrantes, ciganas, ou simplesmente pobres?
Sabes que há muita gente que pensa que a iniciativa privada, incontrolada e à solta, é que vai salvar Portugal da bancarrota, e que ignora o sentido das palavras solidariedade, justiça, igualdade, compaixão?
Sabes, Mãe, eu lembro-me de ver pessoas que partiram de Portugal para o mundo em busca de trabalho e rendimento a viver em "casas" feitas de bocados de camioneta, de restos de madeira, de cartão e outros improváveis e etéreos materiais, emigrantes portugueses que foram parar ao bidonville em St Denis, nos arredores de Paris, num Inverno em que a temperatura desceu a 20 graus Celsius abaixo de zero (1970). Nas "paredes", havia toda a sorte de inscrições contra a guerra colonial e contra o regime que então reinava em Portugal.
O padre Zé, o nosso amigo da Mission Catholique Portugaise que me acompanhava e me quis mostrar o bairro, proibiu-me de falar português e de sair do carro enquanto ali passávamos... e aqui em Portugal eu vi tanta miséria envergonhada, homens de chapéu na mão a pedir emprego, mulheres e crianças a pedir esmola, apesar de todas as leis e medidas que o Estado Novo produziu para as esconder, como já fizera a Primeira República.
A pobreza e a vadiagem não se eliminam com Mitras e medidas de segurança, mas com produção e distribuição de riqueza e de justiça social. Com a promoção da igualdade e da solidariedade, como manda a Constituição.
E a Saúde, Mãe, que vão fazer dela? Da saúde dos pobres, dos velhos, das crianças, dos que não têm nem podem ter seguros de saúde de luxo, porque não têm dinheiro, porque já não têm idade, ou porque não têm saúde?
E as crianças, Mãe? Vão de novo morrer antes do tempo porque o parto foi solitário ou mal assistido, porque a saúde materno-infantil passou a ser de novo um bem reservado a alguns privilegiados, ou porque a "selecção natural" voltará a equilibrar a demografia em Portugal, recolhidas as mulheres a suas casas, desempregadas e de novo domesticadas, e perdida de novo a possibilidade de controlo sobre a sua própria fertilidade?
O planeamento familiar, que tu tão bem explicaste que deveria segundo a lei seguir a autonomia que o Código Civil reconhece na capacidade natural dos adolescentes - tu, católica, jurista, supostamente conservadora (assim te pensavas, às vezes?)...
Sabes que aqui há tempos ouvi uma jurista ignorante dizer em público que só aos 18 anos os jovens poderiam ir sozinhos a uma consulta de planeamento familiar, quando atingissem a maioridade, sem autorização de pai ou mãe? Ai, minha Mãe, como a ignorância é perigosa... Será que nos espera um qualquer Ceausescu ou equivalente, dado o progressivo estrangulamento político e social a que a necessidade económica e a cegueira política nos estão levando?

Os traços fascizantes que são visíveis na repressão da liberdade de expressão e de manifestação, em tudo tão contrários à Constituição da República, serão só impressão de uns "maníacos de esquerda", como dizem umas pessoas que há tão pouco tempo garantiam que essa coisa de esquerda e direita era coisa do passado?


Mas as crianças são o futuro, Mãe, que será deste país sem elas, sem a sua saúde e sem a sua educação, sem o seu bem-estar, sem a sua alegria? Eu lembro-me tão bem dos miúdos descalços e ranhosos nas ruas da minha infância... e da luta legal, tão recente ainda, quem sabe se perdida, contra o trabalho clandestino, ilegal e infame das crianças a coserem sapatos em casa, a faltarem à escola, a ajudarem as famílias, ainda há tão pouco tempo, ou dos miuditos com carregos e encargos maiores que eles, à semelhança das mulheres da carqueja a subirem aquela rampa infame que Helder Pacheco, o poeta-guia do nosso Porto, tão bem descreve...

"Que quem já é pecador sofra tormentos, enfim! Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor?!... Porque padecem assim?!..."

Mãe, se agora cá voltasses, ao mundo dos vivos, acho que terias uma desilusão terrível. Melhor que não vejas o que estão fazendo do nosso pobre país.

Da tua Filha, com muita saudade,

Maria Teresa"
Ericeira, Portugal, Europa, dia 31 de Dezembro de 2012

17.2.13

Que volte o pelourinho...

O direito de livre expressão, de livre arbítrio, de dizer o que vai na alma, nestes tempos de velhaquice torpe e onde espíritos malformados procuram amordaçar as vozes incómodas, concluem sempre o que lhes convém. O texto seguinte publicado pela cidadã livre Alice Brito, ativista política, podia ter sido escrito por muitos de nós, os que estamos fartos do politicamente correto, da subserviência aos donos das "terras", que nos querem a todos meros servos da gleba. Pois que se cuidem que a paciência esgotou-se e cada um de nós é, antes de mais, senhor da sua consciência e responsável pelo que diz, escreve e faz, nada mais. O resto, bem o resto, são invejas e tentativas de calar, como em todas as simplérrimas ditaduras, as vozes incómodas...



SEM TIRAR NEM PÔR

"Sei que a raiva não é boa conselheira. Paciência. Aí vai.
Havia dantes no coração das cidades e das vilas umas colunas de pedra que tinham o... nome de picotas ou pelourinhos. Aí eram expostos os sentenciados que a seguir eram punidos com vergastadas proporcionais à gravidade do seu crime. Essa exposição tinha também por fim o escárnio popular. Era aí que eu te punha, meu glutão.

Atadinho com umas cordas para que não fugisses. Não te dava vergastadas. Vá lá, uns caldos de vez em quando. Mas exibia-te para que fosses visto pelas pessoas que ficaram sem casa e a entregaram ao teu banco. Terias de suportar o seu olhar, sendo que o chicote dos olhos é bem mais possante que a vergasta.
Terias, pois, de suportar o olhar daqueles a quem prometeste o paraíso a prestações e a quem depois serviste o inferno a pronto pagamento. Daqueles que hoje vivem na rua.
Daqueles que, para não viverem na rua, vivem hoje aboletados em casa dos pais, dos avós, dos irmãos, assim a eito, atravancados nos móveis que deixaram vazias as casas que o teu banco, com a sofreguidão e a gulodice de todos os bancos, lhes papou sem um pingo de remorso.

Dizes com a maior lata que vivemos acima das nossas possibilidades. Mas não falas dos juros que cobraste. Não dizes, nessas ladainhas que andas sempre a vomitar, que quando não se pagava uma prestação, os juros do incumprimento inchavam de gordos, e era nesse inchaço que começava a desenhar-se a via-sacra do incumprimento definitivo.
Olha, meu estupor, sabes o que acontece às casas que as pessoas te entregam? Sabes, pois… São vendidas por tuta e meia, o que quer dizer que na maior parte dos casos, o pessoal apesar de te ter dado a casa fica também com a dívida. Não vale a pena falar-te do sofrimento, da vergonha, do vexame que integra a penhora de uma casa, porque tu não tens alma, banqueiro que és.

Tal como não vale a pena referir-te que os teus lucros vêm de crimes sucessivos. Furtos. Roubos. Gamanços. Comissões de manutenção. Juros moratórios. Juros compensatórios, arredondamentos, spreads, e mais juros de todas as cores. Cartões de crédito, de débito, telefonemas de financeiras a oferecerem empréstimos clausulados em letrinhas microscópicas, cobranças directas feitas por lumpen, vale tudo, meu tratante. Mesmo assim tiveste de ser resgatado para não ires ao fundo, tal foi a desbunda. E, é claro, quem pagou o resgate foram aqueles contra quem falas todo o santo dia.

Este país viveu décadas sucessivas a trabalhar para os bancos. Os portugueses levantavam-se de manhã e ainda de olhos fechados iam bulir, para pagar ao banco a prestação da casa. Vidas inteiras nisto. A grande aliança entre a banca e a construção civil tornavam inevitável, aí sim, verdadeiramente inevitável, a compra de uma casa para morar. Depois os juros aumentavam ou diminuíam conforme era decidido por criaturas que a gente não conhece. A seguir veio a farra. Os bancos eram só facilidades. Concediam empréstimos a toda a gente. Um carnaval completo, obsessivo, até davam prendas, pagavam viagens, ofereciam móveis. Sabiam bem o que faziam.
Na possante dramaturgia desta crise entram todos, a banca completa e enlouquecida, sendo que todos são um só. Depois veio a crise. A banca guinchou e ganiu de desamparo. Lançou-se mais uma vez nos braços do estado que a abraçou, mimou e a protegeu da queda.

Vens de uma família que se manteve gloriosamente ricalhaça à custa de alianças com outros da mesma laia. Viveram sempre patrocinados pelo estado, fosse ele ditadura ou democracia. Na ditadura tinham a pide a amparar-vos. Uma pide deferente auxiliava-vos no caminho. Depois veio a democracia. Passado o susto inicial, meu deus, que aflição, o povo na rua, a banca nacionalizada, viraram democratas convictos. E com razão. O estado, aquela coisa que tu dizes que não deve intervir na economia, têm-vos dado a mão todos os dias. Todos os dias, façam vocês o que fizerem.

Por isso falas que nem um bronco, com voz grossa, na ingente necessidade de cortes nos salários e pensões. Quanto é que tu ganhas, pá?
Peroras infindavelmente sobre a desejável liberalização dos despedimentos.
Discursas sem pejo sobre a crise de que a cambada a que pertences é a principal responsável.
Como tu, há muitos que falam. Aliás, já ninguém os ouve. Mas tu tinhas que sobressair. Depois do “ai aguenta, aguenta”, vens agora com aquela dos sem-abrigo. Se os sem-abrigo sobrevivem, o resto do povo sobreviverá igualmente.

Também houve sobreviventes em Auschwitz, meu nazi de merda!
É isso que tu queres? Transformar este país num gigantesco campo de concentração?
Depois, pões a hipótese de também tu poderes vir a ser um sem-abrigo. Dizes isto no dia em que anuncias 249 milhões de lucros para o teu banco. É o que se chama um verdadeiro achincalhamento.

Por tudo isto te punha no pelourinho. Só para seres visto pelos milhares que ficaram sem casa. Sem vergastadas. Só um caldo de vez em quando. Podes dizer-me que é uma crueldade. Pois é. Por uma vez terás razão. Nada porém que se compare à infinita crueldade da rapina, da usura que tu defendes e exercitas.

És hoje um dos czares da finança. Vives na maior, cercado pelos sebosos Rasputines governamentais. Lembra-te porém do que aconteceu a uns e ao outro."

14.2.13

Segundo aviso à navegação

O Primeiro aviso à navegação, foi a 17 de Novembro de 2012, uma semana antes da eleição da candidata Anabela Freitas, apoiada pelo PS para Presidente da Câmara Municipal de Tomar.
 
Foi escutado!
 
Reafirmo:
Para a maioria das pessoas esta ou aquela ação ou escrito, desta ou daquela pessoa, parece muitas vezes despropositada ou sem qualquer sentido. No entanto, nada acontece por acaso.

Mais:
Poucas semanas passarão até que um pouco do que é mais que evidente possa acontecer: a assumpção de uma forte e determinada alternativa aos quase 16 anos de caminho de caranguejo, que Relvas/Paiva/Corvelo/Carrão nos ofereceram.
 
Não faltarão os dramas, os ódios viscerais a virem ao de cima e quase que aposto que serei um dos crucificados de serviço, porque fiz ou porque não fiz. Eu que, pasme-se, até muito provavelmente trouxe o Tornado de Dezembro de 2010 para Tomar só para mostrar o colete laranja e azul para as televisões, depois de ter "levado" a proteção civil de Tomar para Almeirim, quando nem sequer era vereador quando tal aconteceu. Isto a levar em linha de conta uma fábula publicada há semanas num jornal local, escrita por um primo aventaleiro de má ética analítica e ainda pior fígado, provavelmente mais um dos coxos e órfãos políticos que por aí muito se agitarão em breve.
 
Mas o que de melhor irei assistir é ver os hoje detratores em público e em privado, no dia D de Outubro deste ano, lá irem pôr a cruzinha na candidata Anabela Freitas, porque mal ou bem, compreenderão ser a melhor e a única solução para acabar com esta vergonha a que o PSD tem sujeitado Tomar.