O blogue teve 33.434 visitas até 9/2019, 98.329 em 2018 (106.801 de 2017) +++ e mais de 467 mil desde julho/2010

4.1.13

No novo ano vemos o dote do casamento da ANA

Uma crónica de Daniel Deusdado, no JN de 3/1/2013
http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=2973435&opiniao=Daniel+Deusdado


Ah, sim, o discurso de Cavaco. Talvez, talvez, depende, "eu avisei". Sempre tarde. Adiante. Falemos de coisas concretas e consumadas: o casamento da ANA, uma historieta que tem tudo para sair muito cara. Passo a explicar: a ANA geria os aeroportos com lucros fabulosos para o seu pai, Estado, que, entretanto falido, leiloou a filha ao melhor pretendente. Um francês de apelido Vinci, especialista em autoestradas e mais recentemente em aeroportos, pediu a nossa ANA em casamento. E o Estado entregou-a pela melhor maquia (três mil milhões de euros), tornando lícita a exploração deste monopólio a partir de uma base fabulosa: 47% de margem de exploração (EBITDA).
O Governo rejubilou com o encaixe... Mas vejamos a coisa mais em pormenor. O grupo francês Vinci tem 37% da Lusoponte, uma PPP (parceria público-privada) constituída com a Mota-Engil e assente numa especialidade nacional: o monopólio (mais um) das travessias sobre o Tejo. Ora é por aqui que percebo por que consegue a Vinci pagar muito mais do que os concorrentes à ANA. As estimativas indicam que a mudança do aeroporto da Portela para Alcochete venha a gerar um tráfego de 50 mil veículos e camiões diários entre Lisboa e a nova cidade aeroportuária. É fazer as contas, como diria o outro...
Mas isto só será lucro quando houver um novo aeroporto. Sabemos que a construção de Alcochete depende da saturação da Portela. Para o fazer, a Vinci tem a faca e o queijo na mão. Para começar pode, por exemplo, abrir as portas à Ryanair. No dia em que isso acontecer, a low-cost irlandesa deixa de fazer do Porto a principal porta de entrada, gerando um desequilíbrio turístico ainda mais acentuado a favor da capital. A Ryanair não vai manter 37 destinos em direção ao Porto se puder aterrar também em Lisboa.
Portanto, num primeiro momento os franceses podem apostar em baixar as taxas para as low-cost e os incautos aplaudirão. Todavia, a prazo, gerarão a necessidade de um novo aeroporto através do aumento de passageiros. Quando isso acontecer, a Vinci (certamente com os seus amigos da Mota-Engil) monta um apetecível sindicato de construção (a sua especialidade) e financiamento (com bancos parceiros). A obra do século em Portugal. Bingo! O Estado português será certamente chamado a dar avais e a negociar com a União Europeia fundos estruturais para a nova cidade aeroportuária de Alcochete. Bingo! A Portela ficará livre para os interesses imobiliários ligados ao Bloco Central que sempre existiram para o local. Bingo!
Mas isto não fica por aqui porque não se pode mudar um aeroporto para 50 quilómetros de distância da capital sem se levar o comboio até lá. Portanto, é preciso fazer-se uma ponte ferroviária para ligar Alcochete ao centro de Lisboa. E já agora, com tanto trânsito, outra para carros (ou em alternativa uma ponte apenas, rodoferroviária). Surge portanto e finalmente a prevista ponte Chelas-Barreiro (por onde, já agora, pode passar também o futuro TGV Lisboa-Madrid). Bingo! E, já agora: quem detém o monopólio e know-how das travessias do Tejo? Exatamente, a Lusoponte (Mota-Engil e Vinci). Que concorrerá à nova obra. Mas, mesmo que não ganhe, diz o contrato com o Estado, terá de ser indemnizada pela perda de receitas na Vasco da Gama e 25 de Abril por força da existência de uma nova ponte. Bingo!
Um destes dias acordaremos, portanto, perante o facto consumado: o imperativo da construção do novo grande aeroporto de Lisboa, em Alcochete, a indispensável terceira travessia sobre o Tejo, e a concentração de fundos europeus e financiamento neste colossal investimento na capital. O resto do país nada tem a ver com isto porque a decisão não é política, é privada, é o mercado... E far-se-á. Sem marcha-atrás porque o contrato agora assinado já o previa e todos gostamos muito de receber três mil milhões pela ANA, certo? O casamento resultará nisto: se correr bem, os franceses e grupos envolvidos ganham. Correndo mal, pagamos nós. Se ainda estivermos em Portugal, claro.

27.12.12

Escolher o que é diferente

Desde que ficou conhecido o caminho trilhado pelo PS, na assumção do seu mais do que expetável apoio à candidatura de Anabela Freitas à Presidência da Câmara de Tomar, para aí desde há mais de um ano, que o contínuo agitar de águas nos meios políticos em Tomar tem urdido a sua teia, como é hábito, na tentativa de manter todo o status-quo.

Há quem se tenha convencido que basta escrever umas palavras bonitas, neste ou naquele forúm, colocar aqui e acolá "faladura", com ares de douto tribuno, para poder ser alcandorado a esta ou aquela posição.

Ora é disto que Tomar está farto e cheio: de conversa inconsequente e de umbigos que por mais do que observados não passam disso mesmo, de umbigos.
E é preciso mudar isto! Decididamente.
 
Somos há quinze anos governados por sucessivas vagas de conversa mole, de afagamentos de egos, de auto-convencidos "grandes timoneiros", os quais nos conduziram aqui. E, onde é o aqui? Cada um de nós tem a resposta: a nossa terra marca passo, acantonada no emprego publico, protegido pelo
orçamento de Estado, cada vez mais minguado. O medo alastra e o salve-se quem puder é a palavra de ordem, num tempo que avança e inexoravelmente é implacável com os que não evoluem.

Tomar é hoje uma sombra do que era há dez, vinte, trinta anos atrás. Perdemos dinâmica, importância, ânimo. E a culpa, por mais que alguns queiram dizer que é de cada um dos eleitores, é dos lideres que, com honestidade, os eleitores têm escolhido.

Temos sido crédulos, apostado sempre na mesma via. Está na hora de mudarmos!
Está na altura de obrigarmos aqueles que elegemos a mostrarem os resultados.

Onde estão os milhares de empregos para nós e para os nossos filhos, que o parque temático, que o gabinete de apoio ao investidor nos iam trazer?
Onde estão os apoios, desburocratizados, para a instalação de empresas, para a facilitação dos pequenos estabelecimentos comerciais que vemos, por exemplo, nas cidades vizinhas de Ourém, Torres Novas ou Abrantes?
Onde está o, há 15 anos prometido, novo PDM, que não nos obrigue a comprar casa cara na Cidade de Tomar ou, em alternativa, em a ir comprar a preços acessíveis em Ferreira do Zêzere ou no Entroncamento?

Onde está uma politica de incentivo ao nosso desporto ou à nossa cultura, que valorize o enorme potencial que, quer num, quer noutro aspecto temos há décadas em Tomar?

Tirando as obras, necessárias de requalificação de partes substanciais da nossa urbe, mas que não cuidamos de definir projeto de viabilização ou de utilização, servem entretanto para quê?

Promovenos Tomar onde e para quê? Veio mais gente? Quando e porquê?
Quanto ganhou Tomar com isso?
 
 
 
Recomendo a leitura de algumas pistas para uma mudança: http://pstomar.blogspot.pt/2012/12/anabela-freitas-em-discurso-direto.html

24.12.12

Crónica de Natal na Hertz

A minha última nota do dia, na Rádio Hertz, de 22 de Dezembro, pode ser lida no blogue coletivo http://esquerdocapitulo.blogspot.com

A próxima nota do dia será no Sábado, dia 5 de Janeiro, a seguir aos noticiários das 13H, 17H e 19H.

http://esquerdocapitulo.blogspot.pt/2012/12/ensinar-pescar-e-nao-dar-o-peixe.html

Feliz Natal a todos!

19.12.12

Confiança e caminho...

Num momento de grande incerteza, de dificuldades imensas, Tomar aproxima-se do final de mais um ano, sem qualquer luz ao fundo do tunel.
 
Já nem me refiro às ilegalidades cometidas na aprovação de um empréstimo por 14 anos, que precisasva de 19 votos a favor e apenas teve 15, na Assembleia Municipal.
Nem sequer falo de inúmeras deliberações, umas mais relevantes que outras, aprovadas por unanimidade ou maioria e que não são cumpridas (a título de exemplo):
- Reposição dos Jornais para leitura na Biblioteca Municipal; HÁ 4 MESES!
- Financiamento das Freguesias, através de protocolos legais e não pela ilegalidade do financiamento que há 15 anos é realizado; HÁ 6 MESES!
- Sistema de recolha e limpeza dos sacos de plástico no mercado das roupas à Sexta-feira; HÁ UM ANO!
- Concurso para venda ou cedência, tendo em vista a reconversão do ex-Convento de Santa Iria e ex-Colégio Feminino; HÁ UM ANO!
- Inicio de recuperação de escolas desativadas e criação de Nucleos de Alojamento Temporário, para situações de emergência social, entre as quais se destaca a resolução do acampamento cigano do Flecheiro; HÁ MAIS DE UM ANO!
- Obras de emergência no Mercado Municipal; HÁ QUASE TRÊS ANOS!
(...)
 
Sem luz ao fundo do tunel, num PSD que se arrasta inexoravelmente e numa decadência triste e penitente, onde a confiança política nos seus três representantes na autarquia é já uma miragem, após a rotunda derrota de Carrão no PSD (local), onde a anedota última de um comunicado "contra" uma sondagem que o PSD (Nacional) encomendou, mas que o PSD (local) negou é apenas mais um episódio.
 
A somar a tudo isso a luta sem quartel entre os independentes (A), os independentes (B) e os independentes (C), um acantonado no executivo, outros num conhecido café da cidade e outro algures sob a proteção de ares mais "serranos", augurando um final feliz a esta aventura de excluídos e auto-excluídos do sistema político.
 
Ausência de crescimento económico, de novas empresas, de aumento dos negócios, ora fruto de uma política louca, que apenas quer cobrar impostos, onde o aumento de 10% do IVA sobre toda a restauração, em local de turismo como Tomar, tem um impacto importante; ora fruto de um continuar desrespeito pelos investidores por parte da autarquia, onde à burocracia habitual, se soma uma insensibilidade atroz por parte da minoria governante, na gestão e acompanhamento dos processos de investimento. Onde anda o tão prometido gabinete de apoio ao investidor (em 1997)!?
 
Sem luz ao fundo do tunel, vimos desaparecerem valências Hospitalares, trabalhos e empregos localizados em Tomar. Uma urgência (real) a 40 Km, algures a caminho do alentejo e o Presidente da Câmara 8 MESES, há espera de ser recebido pelo Ministério(!), quando ambos até são do mesmo Partido.
 
Sem luz!
Mas com a extinção de 10 das nossas 16 Freguesias, onde até hoje não sabemos quais as Freguesias que o PSD (local) queria extinguir, dizem que para poupar uns trocados em Presidentes  de Junta que fanham 200€/mês, mas entretanto lá aprovaram a semana passada, o PSD (nacional), mais 80 novos lugares de nomeação para as Comunidades IntermUnicipais, a chorudos 3.500€/Mês.
 
Sem...
Paciência para uma sociedade que não se revolta, que não exige o que é seu e que tolera, com um indeferente encolher de ombros, perante a sua destruição. Há 80 anos, algures para lá do Reno, também se fez isso e o resultado foram milhões de mortos.
 
Não será melhor ligar a luz?
 
(Preguntarão que tem o título de relação com o escrito. Pois...)

16.12.12

Desemprego continua em alta em Tomar

O concelho de Tomar registou um aumento no número de desempregados em Setembro comparativamente aos dados disponíveis de Agosto. Ou seja, em apenas um mês, mais 45 pessoas ficaram sem trabalho, num total de 2625, um valor só suplantado por Santarém, com 3649, e Abrantes, com 3178. Ainda no que diz respeito às contas nabantinas, é importante referir que o número engloba desempregados e ainda as pessoas com planos ocupacionais.


Sem estas últimas, o valor situa-se em 2126 (981 homens, 1145 mulheres). No entanto, tendo por base as duas contabilidades, Tomar não sai deste pódio preocupante e a tendência será mesmo para subir face às dificuldades que estão no horizonte de algumas empresas do concelho. Golegã (272), Constância (298) e Sardoal (317) são os que menos desempregados apresentam em Setembro. Importa sublinhar que os números apresentados dizem apenas respeito aos inscritos nos Centros de Emprego.
 
Há apenas 4 anos, o Concelho de Tomar, tinha pouco mais do que 1.000 desempregados.
 
As políticas conjugadas do Município (PSD) e do Governo (PSD/CDS), levam à destruição média de mais de 20 empregos por mês, num Concelho que vê perder ainda, cerca de 500 habitantes por ano.
 
Assim, não há futuro possivel...
É preciso inverter este ciclo.

14.12.12

Anabela Freitas defende empresas e famílias prejudicadas pela A13

http://pstomar.blogspot.pt/2012/12/pergunta-ao-ministerio-da-economia-e-do.html

Lisboa, 14 dez (Lusa) – O PS defendeu numa pergunta enviada ao Governo que as famílias e as empresas das zonas abrangidas pela A13, onde começaram a ser cobradas portagens em novembro de 2011, deviam ter descontos na utilização daquela autoestrada.
 
Na pergunta dirigida ao Ministério da Economia, a deputada Anabela Freitas defende que a A13 é “um eixo estruturante para o concelho de Tomar e para a região do Médio Tejo, ligando a cidade de Tomar à A23 no nó da Atalaia (concelho de Vila Nova da Barquinha), permitindo a partir desse local a ligação a Lisboa, via A1”.
 
Apesar de ter apenas seis quilómetros, a deputada socialista frisou que aquela autoestrada é “fundamental para a região”.
 
Anabela Freitas lembrou ainda que o Provedor de Justiça considerou que as portagens “estavam feridas de ilegalidade, atendendo à não divulgação pública antecipada do início de cobrança de portagens, assim como do respetivo regime de isenção”.
 
“O Sr. Provedor de Justiça repudiou a forma como foram introduzidas as portagens na referida autoestrada e aconselhou os cidadãos a recorrerem aos órgãos jurisdicionais, para provar a ineficácia do ato administrativo”, acrescentou.
 
Por tudo isso, a deputada quer saber que medidas foram tomadas para resolver a questão colocada pelo Provedor de Justiça e que medidas de discriminação positiva pensa o Governo tomar para apoiar as famílias e empresas desta zona.
MCL
Lusa/fim

8.12.12

Tornado e solidariedade, dois anos depois

Há dois anos Tomar estava em alerta vermelho.
Havíamos sofrido o atravessamento de um Tornado (F3).
Foi a 7 de Dezembro de 2010, pelas 14H30.

É altura de começar a falar claro, sobre o que se passou e o que se poderia e deveria ter passado.

A começar pela crónica de hoje na Rádio Hertz (nota do dia quinzenal, sendo a próxima no Sábado dia 22 de Dezembro). É que à força de ouvir e ler tanto disparate nos últimos dois anos, convém que se vá sabendo a verdade sobre os momentos do nosso passado recente...

A ler com atenção no blogue coletivo http://esquerdocapitulo.blogspot.com


Luis Ferreira, vereador da proteção civil, acompanhado pelo comandante dos bombeiros de Tomar, Engª Ana Andrade da proteção civil municipal e Engº Leonel Graça do gabinete da vereação, na apresentação do balanço operacional de 2010 (Foto Rádio Hertz) 



7.12.12

Parabéns a Mário Soares


Mário Soares, em 1973, entre o grupo de fundadores do PS


Mário Alberto Nobre Lopes Soares nasceu a 7 de Dezembro de 1924.

Completa hoje 88 anos.

É a grande referencia da democracia Portuguesa, da via europeia de Portugal e um libertário que soube assumir o poder, sem perder o realismo por um lado e o sonho pelo outro.

Já não se "fazem" Homens assim.
Obrigado Mestre!

2.12.12

Foral de Tomar foi há 850 anos

Em 1162, Dom Gualdim Pais daria o primeiro foral a Thomar, depois de alguns anos antes aqui ter decidido inplantar uma defesa contra as investidas dos almorávias (árabes do norte de África) que ajudavam os reinos taifas (de religião muçulmana) da península ibérica.

A época era de enorme intolerância religiosa e a Ordem dos Templários, de que Gualdim Pais era o seu terceiro ou quinto Mestre na Península procurava desesperadamente garantir a defesa da "linha do Tejo", onde o local de Thomar se inseria.


Eis uma tradução para Português comtemporâneo desse esquecido Foral de 1162:

Em nome de Deus. Amen. Eu, mestre Gualdim, juntamente com os meus freires, freires do Templo de Salomão, persistentes na fé, aprouve-nos conceder a vós, moradores em Tomar, grandes e pequenos, de qualquer ordem que sejais, e aos vossos filhos e descendentes, uma carta de garantia do direito das vossas herdades, que aí povoais, e de foro e serviço.

[1º] Primeiro, que nunca nos façais seara.

[2º] E que não deis ao zaga, da presa de fossado, senão duas partes, ficando duas para vós.

[3º] E de azaria e de qualquer cavalgada em que não for o rei, que fique para nós a quinta parte e para vós as quatro partes, sem qualquer alcaidaria.

[4º] Se algum cavaleiro comprar uma vinha a um tributário, que aquela fique isenta.

[5º] E se receber em casamento uma mulher de tributário, todas as herdades que esta possuir sejam isentas.

[6º] E se o tributário puder ser cavaleiro, aplique-se-lhe o foro dos cavaleiros.

[7º] Os cavaleiros tenham as suas herdades isentas.

[8º] E se algum dos cavaleiros envelhecer e não puder combater a cavalo, mantenha, enquanto viver, a honra dos cavaleiros.

[9º] E se o cavaleiro falecer e sua mulher sobreviver, que seja honrada como em vida de seu marido.

[10º] E que ninguém case com ela, ou com a filha de outro qualquer, sem consentimento daquela e dos seus parentes.

[11º] Que o saião não vá penhorar a casa de alguém.

[12º] E se alguém fizer algo ilícito venham ao concilium e seja julgado em conformidade com o direito.

[13º] E que os vossos juiz e alcaide sejam designados sem ofreção.

[14º] Os clérigos de Tomar tenham em tudo a honra dos cavaleiros, nas vinhas, nas terras e nas casas.

[15º] E se morrer o cavalo a algum cavaleiro e ele não puder comprar outro, dar-lho-emos nós.

[16º] E se lho não dermos, mantenha-se honrado até que possa adquiri-lo.

[17º] O infanção, ou qualquer outro homem, não tenha em Tomar casa ou herdade, a não ser que queira habitar connosco e servir como qualquer um de vós.

[18º] Nas azenhas, não deis mais que a décimo quarta parte, sem ofreção.

[19º] Os peões dêem de ratio o mesmo que costumam dar os peões de Coimbra, por quarteiro de dezasseis alqueires, sem braço posto e sem tábua.

[20º] De vinho e de linho dêem a oitava parte.

[21º] E de madeira que tragam para vender dêem a oitava parte,

[22º] De lagarádiga, dêem um almude quando o vinho for inferior a cinco quinais; se for superior, dêem [mais] uma quarta, sem ofreção e jantar.

[23º] Nenhum cavaleiro estranho entre em casa de alguém, sem permissão do dono da casa.

[24º] E se algum lavrador tiver uma iviçom não faça foro a ninguém com ela.

[25º] Os almocreves façam um serviço por ano.

[26º] E entre vós não exista nenhuma manaria.

[27º] E se algum de vós quiser transferir-se para outro domínio ou para outra terra, possa dar ou vender a sua herdade a quem quiser, para que nela habite e seja nosso homem, como qualquer um de vós.

[28º] As atalaias ponhamo-las nós metade do ano, e vós a outra metade.

[29º] Não deis portádigo, nem alcavala, nem víveres aos guardas da cidade ou da porta.


[30º] Nunca damos Tomar por alcavala a alguém.


Na presença de homens bons e por dádiva de Deus, estatuímos e concedemos este foro e este costume e firmamo-lo perpétua e integralmente, tanto para nós como para os nossos sucessores. Se, pelo contrário, alguém o quiser infringir – e não acreditamos que algum dos nossos sucessores o faça – mestre, freires, ou estranho, seja logo destruído pela cólera de Deus e pereça com o diabo e os seus anjos, infinitamente castigado, a não ser que corrija satisfatória e dignamente as coisas.

Feita a carta de garantia no mês de Novembro da era de mil e duzentos, reinando D. Afonso, rei portucalense, filho do conde Henrique e da rainha Teresa, neto do rei Afonso magno.

Escreveu-a Paio, deão. Pero Pais [da Maia, alferes-mor]. Gonçalo [Mendes] de Sousa [I, o Sousão], dapifer. D. Rodrigo, conde. D. Ticion, alcaide de Coimbra. D. Guian, alcaide de Santarém.
(fonte: Casa de Sarmento)

25.11.12

Há um ano o PS deixou o PSD a falar sozinho em Tomar

Foi há um ano que o PS em Assembleia Municipal se recusou a aprovar mais uma alteração orçamental, que visava incluir a decisão unilateral do pagamento do ruinoso negócio que o PSD fez com a ParqueT, no valor de 6,475 milhões€, precipitando o fim do acordo de partilha de poder que havia mantendo durante dois anos.
 
Apoiei esta decisão, ratificada pela Comissão Política, convicto de que o PS não podia continuar preso a uma situação altamente prejudicial ao Concelho. Certo de que Tomar precisava e merecia ter uma alternativa forte e global a mais de 15 anos de total e absoluto desmando, com os resultados que estão à vista de todos.
 
A decisão corajosa, tomada pelos socialistas há um ano atrás, demonstra que é incomum, mas possivel, colocar os interesses coletivos acima de quaisquer interesses individuais. E nós, no PS, sabemos fazê-lo!
 
A reler as razões de deixar o PSD a falar sozinho em Tomar:

22.11.12

Conselho consultivo do Centro Hospitalar do MédioTejo

Tendo tido como representante do Município a vereadora Graça Costa, reuniu na passada Sexta-feira, pela primeira vez, o conselho consultivo do Centro Hospitalar do Médio Tejo.
 
A nossa representante disponibilizou um memorando dos principais assuntos abordados, que a seguir em parte se transcreve, tomando nota da importância de ser este o procedimento adequado a ter pelos representantes do Município em diversos e diferentes orgãos externos.

 
SÚMULA DA REUNIÃO DO CONSELHO CONSULTIVO DO CENTRO HOSPITALAR DO MÉDIO TEJO


  • Decréscimo da actividade do CHMT nas diversas valências quando comparado com 2011
  • Preocupação em relação à falta de recursos humanos médicos – este ano saíram 10 médicos, na sua maioria para as PPP e para zonas geográficas mais atractivas.
  • Concurso para 29 médicos, em curso, com a expectativa de se virem a cumprir apenas 10 a 12 vagas, na melhor das hipóteses.
  • Hospital de Dia – contratação de uma oncologista a tempo inteiro, e continuação do apoio de 2 oncologistas do IPO de Coimbra.
  • Maternidade – diminuição de cerca de 9% dos partos em relação a 2011 ( apenas 753 até Outubro de 2012 ). Existe preocupação em relação a esta matéria e está “ na calha” uma nova estratégia para inverter este processo – darei mais pormenores pessoalmente.
  • Cirurgia adicional – o CHMT tem contratualizado directamente do orçamento do Centro Hospitalar porque a tutela deixou cair o programa de combate ás listas de espera – tempo médio de espera actual 116 dias.
  • Existem 23 cirurgiões – 4 condicionados – muitos problemas com os anestesistas  - Prof. Queiroz e Mello falou da necessidade de alterações profundas na atitude e profissionalismo dos médicos , bem como da sua convicção de que se pode fazer muito mais com os mesmos recurso humanos.
  • Lista de espera actual – 2800 cirurgias
  • Presidente do Conselho Consultivo pediu dados sobre a qualidade dos serviços prestados – respostas foram muito pouco consistentes e / ou esclarecedoras.
  • Foram manifestadas muitas reservas em relação ao modelo das urgências nas 3 unidades.
  • Conselho de Administração tem um estudo que pretende implementar, através de Unidades Locais de Saúde.
  • Dados financeiros  - remeteram para o site do CHMT – resultado liquido negativo de 15 milhões de euros – deverá ser agendada nova reunião do CC no início de 2013 para analise estruturada da execução física e orçamental do ano em curso
  • O Conselho de administração apresentou um quadro com os “Planos de Futuro” para o CHMT, do qual se ressalta a enorme falta de informação sobre a reorganização em curso do CHMT – Presidente do Conselho de Administração foi evasivo e “preferiu” dar informações sobre outros investimentos do CHMT, a saber : o início do processo de implementação das ULS (Unidades Locais de Saúde); Nefrologia / Hemodialise – aumento da capacidade de resposta em Torres Novas; Hospital de Dia – Diabetes em Tomar; aumento da capacidade de resposta em termos de anatomia patológica e outros pormenores pouco relevantes
  • Foi questionada a passagem em definitivo da cirurgia programada para a Unidade de  Tomar, conforme tinha sido assumido pelo Conselho de Administração e que tinha sido comunicado na reunião que a Câmara havia tido com o Presidente do CHMT – processo está em reanálise.
  • Presidente do CHMT fez questão de relevar o apoio que a tutela tem dado ao processo de reestruturação do CHMT, e ao apoio do Partido Socialista, dando como exemplo a visita dos deputados socialistas a Tomar e as declarações efectuadas, essa altura, pelo deputado António Serrano.
  • Foi garantido pelo presidente do CHMT que nenhuma das unidades dos CHMT está à venda, mas referiu em simultâneo e no mesmo contexto que a situação financeira do Centro Hospitalar é insustentável.
  • Terminou a reunião falando dos intercâmbios com Angola e com a informação da aprovação dos contrato-programa, que apenas se concretizaram já durante o presente mês de Outubro.
  • A reunião encerrou coma a manifestação de intenção do Prof. Queiroz e Mello de fazer nova reunião no início de 2013.