26.6.14

Santa ignorância

Notícia da Rádio Hertz

Não tenho por hábito dar demasiada atenção às tontices da política em que na nossa terra por demasiadas vezes se "perde" e onde os atores políticos gastam imenso tempo a discutir o acessório, sem cuidarem que as pessoas, os eleitores, o que lhes interessa mesmo é se quem exerce o poder tem ou não capacidade para lhes resolver os problemas que os afligem.

Ora a notícia que a Hertz publicou em resultado da última reunião de Câmara é paradigmático disso mesmo. Perante os problemas graves que se vivem por exemplo no setor da Saúde Hospitalar no nosso Concelho, da continuidade da asfixia económica de inúmeros setores importantes para o desenvolvimento de Tomar, como sejam a restauração e as bebidas, com um IVA elevadíssimo mantido por um Governo injusto, das cada vez maiores dificuldades em encontrar trabalho. De que se entretêm os vereadores da oposição a falar? Do gabinete da presidência.

Mas até fazem bem: enquanto na oposição discutem os "despachos que esvaziam de poderes os vereadores", que não só não existem, como os que existem apenas transferiram da presidente mais responsabilidades para TODOS os vereadores desde o início de Maio, dando-lhes por exemplo poderes de despesa até 1000€, não acompanham a maioria que gere a Câmara, na sua empenhada melhoria no apoio às freguesias do Concelho. De TODAS, e sem proteccionismos, com critérios claros e justos e de todos conhecidos.

Enquanto na oposição procuram fantasmas nos seus sótãos de mesquinhez bacoca, a maioria que gere a Câmara está a trabalhar com TODAS as Associações do Concelho, a forma de melhorar o apoio às suas atividades recreativas, desportivas e culturais, depois deste ano ter aumentado a comparticipação às mesmas em mais 80% face ao ano anterior, repondo uma justiça há muito exigida, apesar dos montantes serem ainda muito exíguos face à qualidade e quantidade do setor associativo.

Enquanto os vereadores da oposição discutem o trabalho que os membros do gabinete preparam para a presidente e vereadores, para corrigir os inúmeros constrangimentos organizativos, legais e administrativos encontrados, depois de décadas de regabofe e votam, por exemplo, contra a construção do Centro Escolar da Linhaceira, a maioria que gere a Câmara, articula com a respetiva associação local , para tirar partido de financiamento por esta obtido e a bem da comunidade da freguesia da Asseiceira, iniciando uma parceria de 25 anos para dotar a freguesia de duas infraestruturas cruciais para o seu, justo, desenvolvimento.

Enquanto os vereadores da oposição falam contra tudo o que julgam saber que a estrutura política de suporte à presidência e vereação produz para os seus responsáveis políticos, a maioria que gere a Câmara, implementa a auscultação das populações, freguesia a freguesia, sobre os projectos que as populações gostariam de ver inseridos no próximo orçamento - ou seja, o Orçamento participativo.

Enquanto os vereadores da oposição vociferam contra, a maioria que gere a Câmara aprova e começa a dar execução à melhor organização do Mercado Municipal, da Feira de Santa Iria, da Habitação Social, dos Jardins e Espaços Verdes, dos Bombeiros e da Proteção Civil, cria canais diretos para os investidores no Concelho, cria o Balcão do Investidor  e do Munícipe, organiza como nunca até hoje exposições, edita e financia edições culturais, abre e remodela espaços de cultura e devolve aos tomarenses a dignidade de uma Câmara que recebe todos, que ouve todos e que paga a quem deve e cada vez mais, apesar das dificuldades herdadas, a tempo e horas.

O que doí aos vereadores da oposição é que, ao contrário das anteriores Câmaras presididas pelo PSD, hoje existem responsabilidades clarificadas, uma organização onde o primado da Lei e da Ordem se sobrepõe ao primado do favor. Onde a organização administrativa e a clarificação dos poderes, a actuação dentro do ordenamento jurídico vigente, com base na última o peça do "garrote" sobre a administração local organizado por Miguel Relvas, a Lei 75/2013, dizia, onde essa organização é para ser cumprida e onde cada um sabe o que tem a fazer e não anda tudo à espera que o presidente decida ou dê autorização.

Só a ignorância justifica tamanha falta de tino e de estratégia. Ao não saber que nenhuma Câmara pode ser responsabilizada pelo erro de uma qualquer instituição de direito privado, como foi o caso da Associação pró-sénior da Sabacheira, referida da notícia. Ao não querer aprender com os erros recentes, que os levaram à derrota em Setembro do ano passado, discutindo não-notícias, procurando qual alcoviteiras da praça, numa postura da mais mesquinha inveja, procurar razões para serem falados, quando já no passado isso só lhes trouxe perda de votos e de respeitabilidade, os vereadores da oposição comportam-se ainda como meninos mimados, os quais incapazes de por argumentos verdadeiros e por propostas alternativas à atual maioria que gere a Câmara, procuram inventar histórias e acontecimentos, onde eles não só não existem, como os que existem são da mais pura das normalidades.

Mas ainda bem para quem gere uma qualquer Câmara, poder ter uma oposição deste, baixo, calibre. Se acham que é assim que conseguem convencer os eleitores que estão melhor capacitados para gerir o Município a partir de 2017, parabéns e devem continuar. Os tomarenses até agradecem que alguns dos responsáveis do passado se mantenham entretidos nas tricas da política, enquanto os que sabem gerir a coisa pública o fazem em interesse da comunidade. Já diz o povo e bem, que o que mais atrapalha aqueles que trabalham são aqueles que nada fazem. Nunca tal ditado popular teve tanta aplicação, como em Tomar, hoje em dia!

Por isso cuidem os vereadores da oposição de estudar um pouco melhor as Leis e de saberem como elas se aplicam hoje à administração pública municipal. Cuidem os vereadores da oposição de apresentarem as suas propostas alternativas e demonstrar da sua validade e viabilidade. Cuidem os vereadores da oposição de serem adultos num mundo de adultos e não aquilo que aparentam ser: um bando de meninos mimados a quem tiraram o brinquedo: um há mais e outros há menos tempo.

Ou então, como diria o Secretário geral do PS e candidato a Primeiro Ministro: HABITUEM-SE!

18.6.14

Mãos limpas

Há quem não perceba porque algumas ordens usam luvas, como forma de indumentária cerimonial.
Branco, cor de pureza.
Refletir, analisar, estudar e decidir, com as mãos limpas e puras, faz parte daquilo que todas as ordens universais procuram. De todos os tempos e em todos os templos, as luvas são imagem de marca.

10.6.14

Autonomização do Hospital de Tomar e ligá-lo a Leiria e a Coimbra

A recente Portaria 48/2014, que veio demonstrar o total desacerto que temos na região a nível dos cuidados de saúde hospitalar.

Dois centros hospitalares, um Hospital Distrital e um Hospital central (polivalente), estão numa área de menos de 90Km de Tomar. O centro hospitalar do médio tejo, onde o Hospital de Tomar está integrado. O centro hospitalar da Região de Leiria, a menos de 50Km, que inclui ainda os hospitais de Pombal e de Alcobaça, o Hospital Distrital de Santarém, a 75Km e o Hospital central de Coimbra a 85Km.

Com estes dados, como é possivel querer olhar para os cuidados hospitalares para a nossa população, querer continuar a transferir os nossos doentes para os hospitais centrais de Lisboa, a mais de 130Km? Com Coimbra a pouco mais de metade do tempo de distância de Lisboa?
E agora querem "enfiar" o centro hospitalar do médio tejo, onde Tomar está, num "Grupo" hospitalar com Santarém, quando Leiria está menos de 2/3 do tempo de distância de Leiria? Nem por sombras, este pode ser o caminho a fazer.

E especialmente lógico é que no médio tejo os dois concelhos mais populosos são Ourém (55.000 habitantes e Tomar 42.000), os dois colocados a cerca de 30 minutos do Hospital de Leiria, quando estão a quase uma hora de Santarém. Obviamente que visto isto, é fácil perceber para onde vão as pessoas, mesmo que os gestores da saúde e alguns políticos queiram inventar.

2.6.14

A grande embrulhada em que Sócrates deixou o PS

Ao perder as eleições de 2011, com o segundo pior resultado de sempre para o PS - só ultrapassado pelo histórico resultado de 1985, em plena ascensão do fenómeno do PRD (Partido patrocionado pelo então presidente da República Ramalho Eanes), José Sócrates deixou um legado difícil de digerir a todo o PS.

O claro e óbvio desacerto das políticas dos seus últimos dois anos, numa situação de minoria, onde os dois partidos de direita tinham mais deputados juntos do que o PS sozinho, levaram a um conjunto de conjugações políticas, como foram a negociação do orçamento de estado de 2011, com o próprio PSD, seguida poucos meses depois da negociação do memorando com a troika, também com o PSD.

Nenhum eleitor socialista perdoa a Sócrates essa capitulação dos valores e do projecto do PS, face à pressão dos "mercados" e com uma equipa "técnica" instalada no ministério das Finanças que apenas fazia aquilo que "os banqueiros" exigiam, para continuar a "sugar" até ao limite os cofres públicos. Emprestar ao Estado a 5%, 6% ou 7%, quando se ia buscar todo o dinheiro que se queria ao BCE a 1%, foi um maná delicioso em que a Banca Nacional, mas também muita banca europeia se apressou a explorar.

Sócrates estava derrotado mesmo antes de sequer ter sido "corrido" pela coligação negativa que recusou o PEC4, que era aliás bem mais light do que o memorando futuro viria a ser. Mas todos ganhavam com essa recusa. Todos, menos o PS e o povo português.

Depois da demissão de Sócrates o PS organizou o seu Congresso nacional e da disputa entre Seguro e Assis, o primeiro foi a opção da militância, na qual me incluí. Mas o PS não fez a avaliação do que havia corrido bem ou mal, dos porquês da situação e para não deteriorar uma situação política interna que se sabia ser "explosiva", aliás pela presença em 75% de uma bancada parlamentar que tinha vindo do Governo de Sócrates. O PS ao não querer "partir toda a loiça", chamando logo aí os bois pelos nomes, adiou até ao limite essa "noite das facas longas" para hoje.

É certo que a embrulhada" em que Sócrates deixou o PS, cruzada com a actuação cautelosa de António José Seguro, permitiu ajudar a criar condições para uma generalidade de serenos processos de escolha dos candidatos às autarquias, candidaturas essas que beneficiaram de uma boa imagem que, paulatinamente, os Portugueses foram criando de Seguro. A vitória nas autárquicas seria a primeira das três que o PS se preparava para conquistar nos dois anos seguintes. A seguinte seriam as Europeias. Mas a avaliação política de 2011, estava ainda por fazer e, nada mais natural que António Costa viesse dizer que queria o lugar de António José Seguro, com o apoio de uma quase unânime plêiade da "elite Lisboeta", da mesma que grosso modo havia estado com Sócrates na sua humilhante derrota de 2011. Não por acaso, também uma boa parte da opinião publicada dá eco a essa "necessidade".

Vamos por isso agora fazer o que deveríamos ter feito em 2011 após a derrota. Talvez tivéssemos feito bem em ter aguardado até agora, porque isso nos permitiu governar hoje 150 Câmaras Municipais, felizmente também a de Tomar, depois de mais de 10 anos de intenso trabalho e de 16 anos de gestão do PSD. Talvez tenhamos feito mal, porque a possibilidade de derrotar Passos/Portas em 2015, decresce a cada nova polémica dentro do PS. Nunca o saberemos. O que sabemos todos é que da embrulhada que Sócrates nos deixou temos de encontrar o caminho para, mesmo que não seja já em 2015, pelo menos depois da grande vitória autárquica que temos de obter em 2017, possamos o mais tardar a partir daí, já com um Presidente da República diferente para melhor, substituir o pior governo de sempre, para o povo, em Portugal.

Façamos por isso mesmo o nosso trabalho!